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Poli-USP promove nova edição do Programa de Pré Iniciação Científica

No primeiro dia, alunos assistiram aula sobre Metodologia Científica e ouviram depoimento de estudante que participou do programa e foi aprovado na Fuvest

Os 26 estudantes de ensino médio de escolas públicas e privadas do Programa de Pré-Iniciação Científica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Pré IC – Poli-USP) 2018 iniciaram as atividades na última sexta-feira (6/4) no campus da instituição, no Butantã, em São Paulo. Um dos destaques do primeiro dia de aula foi a presença do estudante Paulo Henrique Moraes Alves, participante do programa em 2016 que acabou de ser aprovado na Fuvest e está cursando a disputada e tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Ele deu um depoimento inspirador para os estudantes que estão iniciando sua participação no programa.

Este ano, a Escola também comemorou a entrada de um aluno participante do Pré-IC em um de seus cursos: Victor Estevo Alves passou no vestibular da Fuvest 2018 e agora é aluno do curso de Engenharia de Minas da Poli. Desde 2007, a Poli-USP participa do Pré-IC, criado pela Pró-Reitoria de Pesquisa, com o objetivo de despertar e incentivar o interesse de estudantes da rede pública de ensino a considerarem a USP como uma opção para a sua formação profissional e serem estimulados a desenvolverem uma carreira científica.

A edição 2018 do programa terá a participação de alunos do ensino médio vindos de nove instituições. As escolas E.E. Santo Dias da Silva; E.E. Orville Derby; E.E. Anacondes Alves Ferreira; E.E. José Marcato; e E.E. Professor José Fernando Abbud são públicas estaduais. Já os colégios Marupiara e Sidarta são particulares, mas ‘adotam’ alunos de escola pública, se responsabilizando por apoiar os estudantes e suas escolas de origem durante o programa. Cada colégio tem um professor que atua como supervisor dos alunos participantes.

“Nosso programa de iniciação científica é realmente muito importante para a Poli. Gostaríamos que vocês atuassem como multiplicadores e replicadores do Pré-IC em suas respectivas escolas, compartilhando o que aprenderem aqui”, recomendou o vice-diretor da Poli, professor Reinaldo Giudici, na abertura da aula. “Vocês vão aprender como uma cientista raciona e age, e esse aprendizado será válido para toda a vida, mesmo para quem não quer ser cientista”, acrescentou. “Vocês notarão que vão começar a lidar com os problemas de uma outra forma, com uma metodologia mais poderosa, vão enxergar mais coisas, sistematizar melhor a forma de abordar os desafios. Levem isso para a vida de vocês”, recomendou.

Coube à professora Mércia Maria Semensato Bottura de Barros, do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), dar as boas-vindas em nome de todos os professores orientadores da Poli. “Mesmo em um cenário de crise e contenção de despesas na universidade, a diretoria da Poli continua apoiando nosso projeto. Junto com esse apoio, vem uma grande responsabilidade para vocês, que foram selecionados porque suas escolas sentiram que vocês têm capacidade de multiplicar nos seus respectivos colégios o que aprenderem e vivenciarem aqui”, apontou ela. Os alunos também assistiram a primeira aula, sobre Metodologia Científica, com o professor Diolino José dos Santos Filho, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR).

Exemplo inspirador – Paulo Henrique Moraes Alves, de Diadema, estudou sempre em escola pública. Formado em 2016 na E.E. Professor José Fernando Abbud, ele entrou este ano na USP. “Eu fiz o Pré-IC da Poli porque eu queria saber o que era a USP. Na periferia, a gente não tem muita ideia do que é a universidade, muito menos achamos que temos chance de estudar aqui”, disse.

Ele ficou sabendo do Pré-IC da Poli em 2016, quanto estava fazendo o último ano do ensino médio, ao ir entregar um trabalho para um professor na diretoria de sua escola e ouvir estudantes que tinham passado pelo programa comentarem que ia abrir vaga novamente. “Falei na escola que queria participar e fui selecionado. Eu já queria fazer Direito e fiz um curso técnico de Auxiliar Jurídico que me fez decidir pela carreira, mas não conhecia a USP, então foi o caminho para saber mais sobre a instituição. Ver a Poli, suas instalações, seus professores, tudo isso me mostrou o que seria cursar uma universidade desse porte”, ressaltou.

Seu pai é pedreiro e a mãe atua em salão de beleza e como cozinheira em um hospital, e ambos investiram muito na educação do filho. Ele fez dois anos de cursinho pré-vestibular privado, com apoio da família e de amigos. Em 2016, ele ingressou no Pré-IC em paralelo ao colegial. Em 2017, se dedicou exclusivamente aos estudos visando o vestibular.

“Estou gostando muito do curso, mas é realmente um choque os primeiros dias de aula para quem sai do ensino médio”, contou. Ele ainda está se acostumando com a quantidade de trabalho e conteúdo dada por cada professor e também com a necessidade de ser responsável pela sua vida escolar. “Na faculdade o professor não vai ficar te lembrando que precisa entregar um trabalho numa determinada data. Você tem de pegar o programa do curso e gerenciar seu próprio calendário. Precisa ter muito compromisso e organização pessoal”, exemplificou.

O Pré-IC na Poli, garante ele, foi uma experiência fundamental, não só por ter fortalecido sua meta de cursar a USP, mas para pensar na própria carreira. “Inicialmente eu via o ensino superior apenas como uma maneira de ter uma profissão e ascender social e economicamente, sem refletir muito sobre o que é a profissão, as alternativas etc. Eu não tinha parâmetro também sobre o que era ser um cientista, o que é fazer ciência, e só fui ter contato com isso no Pré-IC”, lembrou. Esse conhecimento, segundo ele, abriu sua mente para a carreira acadêmica e a docência, além da atuação como advogado em escritório.

O que é o programa – O Pré-IC 2018 tem a duração de nove meses. Nele, os alunos são divididos em grupos e cada um deles cursa os quatro módulos, cada um relacionado a uma diferente área da Engenharia (Modelagem; Engenharia de Transportes/Geodésia; Comportamento Mecânicos dos Materiais; Mecatrônica). Eles também desenvolvem um projeto em cada módulo. As equipes revezam os módulos a cada bimestre, de modo que, ao final, os jovens passaram por todas as áreas e desenvolveram todos os projetos propostos. Além das aulas e atividades práticas em sala e em laboratórios, eles também devem ler livros da lista da Fuvest e fazer resenhas, para treinar a redação, além de visitar algum museu ou assistir a algum filme, atividade sobre a qual também é cobrado relatório.

As aulas contam com a orientação dos docentes da Poli Cheng Liang Yee e Fabiano Rogério Corrêa, além de Mércia Maria Semensato Bottura de Barros, todos do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC); Diolino José dos Santos Filho, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR); e Edvaldo Simões da Fonseca Junior, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR). Todos os professores são apoiados por estudantes politécnicos que atuam como monitores dos grupos. A gestão do programa é feita pela Diretoria e pela Assistência Técnica da Pesquisa, Cultura e Extensão (ATPCE), por meio do Serviço de Cultura e extensão da Poli-USP. O programa é financiado por um grupo de colaboradores e doadores individuais, com recursos não-orçamentários.

Confira no Flickr da Poli as fotos do primeiro dia de aula.