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Início A Poli História Galeria de Diretores Prof. Dr. Oswaldo Fadigas Fontes Torres - 1968-1972

Prof. Dr. Oswaldo Fadigas Fontes Torres - 1968-1972

OswaldoFadigasFontesTorresExercício: 1968 a 1972

Do matrimônio entre João Fontes Torres e Cândida Fadigas Fontes Torres, nasceu no dia 16 de abril de 1921, Oswaldo Fadigas Fontes Torres. Natural de Taquaritinga, no interior do Estado de São Paulo, quando pequeno, junto com a família, mudou-se para a cidade de Santos, ali já despertando sua vocação de engenheiro - “na praia, no Gonzaga, e defronte era a entrada do canal. E tem uma ilha ali, grande (...) Que é uma ponta da Ilha de Guarujá. E eu queria fazer uma ponte ligando aquilo ali.” (NAKATA, Vera Lucia M., TORRE, Silvia Regina S. Della e LIMA, Igor Renato M. de. Entrevista com o professor Oswaldo Fadigas Fontes Torres, 2003).

 

A trajetória estudantil foi iniciada em Santos, baixada litorânea, com as primeiras letras aprendidas no Externato Brás Cubas. Devido às sucessivas crises cafeeiras, em 1928, a família mudou-se para Jaboticabal na fazenda do avô. Em 1931 transferiram-se para Catanduva. O então jovem Oswaldo ingressou no curso ginasial do Colégio Rio Branco local onde cursou até o terceiro ano, seguindo para o Colégio Arquidiocesano em São Paulo, onde terminou o curso ginasial em 1936. Dele guarda a lembrança dos bons professores, principalmente daqueles que lecionavam matemática, física e química. No ano de 1937, fez vestibular para o Colégio Universitário, segunda secção, que funcionava na Escola Politécnica, com muitos professores da mesma.

 

No final do primeiro ano do curso houve a saída de muitos docentes da Escola em decorrência da proibição do acúmulo de cargos decretada pelo governo Vargas, o que impediu a participação deles no vestibular daquele ano. Na turma seguinte, esses professores estavam desimpedidos para participar da banca examinadora do vestibular e houve um verdadeiro “massacre”: foram aprovados apenas 22 alunos para as 80 vagas da Politecnica! O professor Luiz Flores de Moraes Rego, examinador de História Natural, disse: “Mineralogia e Geologia eles vão aprender comigo, mas, Zoologia e Botânica é a última oportunidade.” E só caíram perguntas dessas duas disciplinas, das quais não havia sido dada nenhuma aula no Colégio. Neste vestibular de 1939 foi o primeiro colocado.

No decorrer do caminho trilhado quando discente da Escola, diversos professores deixaram marcas. “Dentre eles está o mestre José Octaviano Monteiro de Camargo, catedrático em Cálculo Diferencial e Integral, que comandou a reforma de 1939, que exigia exame oral de todos os alunos, o italiano Giácomo Albanese das aulas de Geometria Projetiva ministradas em sua língua materna, o professor Luiz Cintra do Prado, catedrático de Física o professor Eduardo Ribeiro Costa, catedrático de Química, o professor Pedro Bento José Gravina, de Pontes e Grandes Estruturas. Da mesma forma, foram importantes os professores Lúcio Martins Rodrigues, da cadeira de Mecânica Racional, e o mestre Lucas Nogueira Garcez, da cadeira de Hidráulica.” (NAKATA, Vera Lucia M., TORRE, Silvia Regina S. Della e LIMA, Igor Renato M. de. Entrevista com o professor Oswaldo Fadigas Fontes Torres, 2003).

No terceiro ano letivo, tornou-se assistente-aluno, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Secção de Madeiras, que desenvolvia atividades no setor de aeronáutica, se especializando no projeto de hélices e dando aulas de aerodinâmica no Aero Clube de São Paulo, onde obteve o brevê de piloto de avião e planador.

Formou-se em Engenharia Civil em 1943, tendo conquistado o Prêmio de Viagem, que a Escola concedia ao primeiro aluno da turma, que tivesse 90% de aprovações com distinção (nota 9 ou superior) e os 10% restantes com no mínimo plenamente (nota superior a 7).

Formado, foi trabalhar na Companhia Aeronáutica Paulista (CAP) do grupo Pignatari, o qual custeou seu mestrado em Engenharia Aeronáutica no Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos Estados Unidos. O dinheiro do prêmio foi gasto todo na compra de livros e coleções de revistas especializadas.

Assim, em 1946, retornou dos Estados Unidos para o seu emprego na CAP, onde permaneceu até 1948, quando a fábrica encerrou suas atividades.

Depois de dois anos como industrial de fogões e esmaltação a fogo, foi convidado, no Governo do Professor Lucas Nogueira Garcez, a ingressar na Viação Aérea São Paulo (VASP) como engenheiro chefe da manutenção. Em 1952, foi eleito Diretor Técnico da VASP – Aerofotogrametria Sa, onde iniciou o levantamento aerofotogramétrico do município de São Paulo.

Na mesma época, o professor Fadigas foi convidado a dar aulas no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em tempo parcial.

Em 1954, o professor Fadigas resolveu fazer o curso noturno de Economia na Faculdade de Economia e de Administração da USP, que concluiu em 1958.

Em 1956, o professor Fadigas deixou a VASP e tornou-se professor em tempo integral do ITA.

Em 1960, ingressou como professor assistente na FEA/USP e passou a tempo parcial no ITA. Lecionou também Estatística na Escola de Engenharia Maua (1963-1965) e na Escola de Administração de Empresas da FGV (1961-1968).

Em 1964, inscreveu-se no concurso à livre docência na cadeira 48 (Planejamento da Produção) na Escola Politécnica, sendo aprovado no concurso em 1965.

Em janeiro de 1966, a convite do professor Ruy Aguiar da Silva Leme, ingressou como professor da Escola Politécnica, regendo interinamente a cadeira 48, e deixando, portanto, de lecionar no ITA. Em fins de 1967, prestou concurso e foi aprovado como professor catedrático da cadeira 48 (Planejamento da Produção) da Escola Politécnica,tendo optado pelo regime de tempo integral e deixado, portanto, a FEA e FGV.

Em março de 1968, foi eleito na lista tríplice para diretor da Escola Politécnica, escolhido pelo então reitor em exercício, Alfredo Buzaid. Era vice-diretor da Escola o professor Oscar Bergströn Lourenço, depois sucedido pelo professor José Augusto Martins.

“Recém chegado à Politécnica, meu candidato era o prf. Tharcisio Damy de Souza Santos, e jamais pretendi ser diretor, mas fui surpreendido pelas circunstâncias. Não conhecia a Escola e tinha plena consciência do meu despreparo para a função. Tive, entretanto, a sorte de receber a Escola 110% em forma. O professor Tharcísio realmente era um grande administrador e deixou a Escola pronta pra a guerra da reforma universitária, inclusive preenchendo as cátedras que estavam vagas. Uma das cátedras foi a minha. A Politécnica tinha trinta e tantas cátedras vagas! Ele preencheu todas. Quer dizer, a Escola estava em ordem (...). Além do que, tive a fortuna de encontrar um grupo de funcionários extremamente dedicados à Politécnica, como Benedito Moura, secretário que conhecia a Escola em cada detalhe; a secretária da diretoria D. Lourdes; o Sr. Correia, responsável pela Seção de Alunos; o Sr. Álvaro, do setor de contabilidade; e a D. Terezinha, da Seção de Pessoal.

É bom recordar que como o reitor, professor Luis Antonio da Gama e Silva estava licenciado para ser o Ministro da Justiça e o vice-reitor, professor Mario Guimarães Ferri também, por motivo de saúde, na hierarquia da época, o professor Buzaid, diretor da Faculdade de Direito estava no exercício interino da reitoria e o diretor da Escola Politécnica era o seu substituto imediato.

Estávamos discutindo a reforma universitária e o Conselho se reunia duas vezes por semana. Na primeira reunião que compareci, como recém empossado diretor da Politécnica, o professor Buzaid abriu a sessão, e tendo que se retirar, me passou a presidência.” (NAKATA, Vera Lucia M., TORRE, Silvia Regina S. Della e LIMA, Igor Renato M. de. Entrevista com o professor Oswaldo Fadigas Fontes Torres, 2003).

Entre outras propostas da reforma, todas as unidades seriam Institutos e a Escola Politécnica passaria a ser o Instituto de Engenharia. Felizmente, essa idéia não prevaleceu.

Os professores dos cursos básicos da Politécnica foram transferidos para os novos Institutos de Física, de Matemática, de Química. Em compensação, a Politécnica recebeu professores da Faculdade de Arquitetura, da Faculdade de Saúde Pública, da Geologia.

O ano de 1968 foi caracterizado por manifestações, greves de alunos e até ocupação de faculdades. A Politécnica foi a única unidade que cumpriu rigorosamente o calendário sem perder um dia de aula, e realizando o Fórum Politécnico conforme o programado.

Para tornar o processo seletivo mais equilibrado e com menor sobrecarga aos alunos, foram unificados os vestibulares da Politécnica, da Escola de Engenharia Mauá e da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), instituindo-se a chamada MAPOFEI (1969).

Em 1969, foram aumentadas as vagas da Escola para 600, número máximo compatível com os recursos disponíveis.

Também em 1969 o professor Fadigas participou da assembléia de fundação da Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional SOBRAPO, sendo eleito seu primeiro presidente.

Com a reforma universitária extinguiu-se o Instituto de Pesquisas Matemáticas (IPM), onde participavam matemáticos de diversas unidades, dentre as quais a Poli, a Fau e a antiga Faculdade de Filosofia, e ficou acéfalo o seu centro de computação. O professor Fadigas propôs, então, ao Conselho Universitário a criação do Centro de Computação Eletrônica (CCE), subordinado diretamente à Reitoria, e como autor da proposta foi nomeado Presidente da Comissão Supervisora, função que exerceu até se aposentar em dezembro de 1987.

Ao iniciar a mudança para a Cidade Universitária, a Congregação da Escola Politécnica aprovou proposta do professor Nilo Andrade Amaral, manifestando o seu desejo de que nas antigas instalações da Praça Julio Prestes fosse instalada uma Escola Técnica. Ao assumir a diretoria da Escola, discutia-se na Secretaria da Educação do Estado a criação dos cursos superiores de tecnologia, previstos, inicialmente, para serem patrocinados pelas prefeituras do interior. Nomeado para a comissão da área de exatas, o professor Fadigas convenceu seus colegas que os cursos de tecnologia deviam começar na capital, sob patrocínio do governo estadual e que deveriam ser cursos terminais, sem qualquer menção de direito a complemento para a Engenharia Plena. Resultou daí a nomeação pelo Governo do Estado de uma comissão para estudar a criação de uma Faculdade de Tecnologia em São Paulo, comissão composta de três professores da Politécnica: professor Fadigas (presidente), professor Vicente Chiaverini e professor Octávio Gaspar de Souza Ricardo.

A Comissão propôs a criação da Faculdade de Tecnologia Paula Souza, com cursos cooperativos, em que o aluno alternava estágio e estudo. O projeto foi aprovado pelo governador, mas descobriu-se que havia uma lei proibindo dar o nome de pessoas à escolas, e ficou, então, Faculdade de Tecnologia de São Paulo, semente para a criação do Centro de Educação Tecnológica Paula Sousa. Também a idéia de curso cooperativo não vingou, sendo implantado um curso tradicional.

Faltava transferir para a Cidade Universitária apenas o curso de Engenharia Civil e era praticamente impossível conseguir verbas da USP, pois as outras unidades alegavam prioridade porque a Politécnica já tinha uma grande área construída. O professor Fadigas realizou uma delicada operação de engenharia financeira vendendo ao Governo do Estado as instalações da velha Politécnica para nela se instalar a FATEC, vinculando o dinheiro a construção do prédio da Engenharia Civil. Não foi fácil aprovar esta transação no Colégio Universitário, pois muitos queriam participar do rateio, sendo decisivo o apoio do reitor Miguel Reale.

Em 1971, o professor Fadigas incentivou o projeto de um computador digital e conseguiu recursos extra-orçamentários para financia-lo, daí resultando o famoso Patinho Feio.

Quando foi implantada a reforma universitária verificou-se que os alunos do primeiro ano não tinham nenhuma disciplina da Politécnica. A Congregação criou, então, a disciplina Introdução à Engenharia, e o professor Fadigas se incumbiu de ministra-la desde 1971, procurando mostrar que a Engenharia não é apenas uma aplicação da ciência, mas tem profundas implicações na sociedade.

Lei Federal fixou a duração dos mandatos de diretor e de reitor em quatro anos, e proibiu a reeleição. O professor Fadigas havia sido eleito na legislação anterior para um mandato de três anos e relutou muito em aceitar a prorrogação para quatro anos, só o fazendo para evitar prejuízo à Escola com a substituição do diretor numa fase crítica da reforma universitária. O então vice-diretor professor José Augusto Martins não aceitou essa prorrogação, sendo eleito para sucede-lo o professor Rubens Guedes Jordão.

Em 1971, o professor Fadigas foi nomeado para a comissão assessora do Senado Federal para a implantação do PRODASEN, uma realização pioneira no campo da informática legislativa.

Em março de 1972, terminado o seu mandato de diretor, o professor Fadigas aceitou a indicação do reitor Reale para cursar a Escola Superior de Guerra no Rio de Janeiro, ficando afastado da Escola até dezembro de 1972.

Em 1973, o professor Fadigas foi candidato a reitor, mas não conseguiu entrar na lista tríplice. Em compensação a Congregação o elegeu seu representante no Conselho Universitário e renovou o mandato três vezes. Também a Congregação o distinguiu com a s honrosas incumbências de representa-la no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA SP (1974-1980) e no Conselho de Orientação do IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (1976-1983).

Em 1975, o governador Paulo Egídio Martins nomeou o professor Fadigas presidente do Conselho Estadual de Processamento de Dados, cargo que exerceu até 1978.

Em 1986, o então senador Mário Covas Junior procurou a Escola Politécnica para dar suporte a um curso de Engenharia na Baixada Santista, onde paradoxalmente não havia nenhum curso superior do Estado. O professor Fadigas conversando com o professor Décio Leal de Zagottis sugeriu que fosse feito um curso cooperativo nos moldes da Universidade de Waterloo no Canadá. Assim nasceu o Curso Cooperativo de Cubatão.

Mesmo depois de aposentado, o professor Fadigas participou ativamente como representante pessoal do diretor da Escola no Conselho Supervisor do curso Cooperativo de Cubatão (1986-1990).

Em dezembro de 1987, o professor Fadigas se aposentou, tendo a Congregação lhe conferido o título de Professor Emérito. Apesar de aposentado o professor Fadigas continuou lecionando cursos de pós-graduação no Departamento de Engenharia de Produção. O professor faleceu em 2006.