Escola Politécnica da USP

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16ª Conferência AAMAS termina nesta sexta em São Paulo

Termina nesta sexta-feira (12/05) a 16ª International Conference on Autonomous Agents and Multiagent Systems (AAMAS 2017), que se realiza no bairro do Brooklin, em São Paulo (SP), e pela primeira vez foi sediada em um país da América do Sul. O evento se realiza no WTC São Paulo.

A coordenação da Conferência realizada no Brasil é do professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Simão Sichman. Criada em 2002, a Conferência é considerada o principal evento científico sobre o tema, e tem como objetivo reunir os principais atores e promover discussões no âmbito da pesquisa científica nesse campo. 

No evento estão sendo apresentados trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro, que submeteram seus artigos e pesquisas para a análise da comissão julgadora ao final de 2016. Também estão na programação workshops e tutoriais, além das palestras principais com especialistas nacionais e estrangeiros. Confira no site oficial do evento a programação completa. 

 

 

Equipe de robótica da Poli conquista prêmios em competições internacionais

A ThundeRatz participou de dois torneios, um nos Estados Unidos e outro na China, conquistando três medalhas, duas delas de ouro.

A ThundeRatz, equipe de robótica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), conquistou duas medalhas - ouro e bronze - na RoboGames, realizada nos Estados Unidos, e uma de ouro, obtida na disputa da FMB World Cup, na China. A RoboGames é uma das principais competições internacionais de robótica do mundo.

“A experiência adquirida em todas as competições das quais  participamos é muito grande, não só pela troca de conhecimento com outras equipes de grandes universidades, mas também pelo desenvolvimento de habilidades em lidar com a pressão e resolver problemas rapidamente”, afirma Lucas Eder, atual capitão da ThundeRatz.

O grupo contou com o apoio da Poli, do Departamento de Energia e Automação Elétricas (PEA) e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, além do patrocínio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli e das empresas Radiz e Micropress. Para a participação da competição na China, houve o auxílio da própria organização do evento, feita pela empresa chinesa UFBOT.

RoboGames – A RoboGames ocorre anualmente na cidade de Pleasanton, na Califórnia, e é considerada a maior do mundo em categorias e número de competidores. Neste ano, ela foi realizada entre os dias 20 e 23 de abril. Eder conta que a equipe, composta por 11 membros, passou ao todo dez dias na cidade para a preparação e montagem dos robôs.

A ThundeRatz levou 12 robôs para a competição e participou de 13 categorias. Com o Boladinho, nome dado ao androide criado pela equipe, conquistou a medalha de ouro na divisão Kung Fu Humanoid Lightweight - 2Kg. Nela, robôs humanoides de até dois quilos são colocados em um ringue e realizam movimentos diversos a fim de derrubar o adversário. Os juízes contam os pontos para ver quem consegue derrubar o outro, jogá-lo para fora da arena e se manter de pé o maior número de vezes, definindo o vencedor a partir desses critérios.

O grupo também foi premiado na categoria Hockey com o terceiro lugar. Essa divisão é composta por um time de três robôs, de no máximo sete quilos cada, que simulam uma partida do esporte no gelo, e têm como principal objetivo marcar gols na trave adversária.

FMB World Cup – A segunda competição ocorreu na cidade de Nanchang, província de Jiangxi, entre os dias 22 e 24 do mês passado. Quatro membros representaram a equipe e voltaram ao Brasil com o título de campeões da categoria de combate Featherweight, com robôs de 15 quilos. Nela, as equipes desenvolvem seus robôs com sistemas mecânicos projetados para danificar o adversário. Vence quem nocautear o outro, fazendo-o parar de funcionar.

Eder ressalta a importância das competições internacionais para a ThundeRatz. “A equipe sempre volta com novas ideias para aprimorar os sistemas de nossos robôs.Além disso, a participação nas competições aumenta muito a motivação e o conhecimento dos nossos membros, que ainda passam toda sua experiência para os integrantes que estão entrando na equipe agora”, conta.

 (Amanda Panteri).  

 

Estudante de Engenharia da Computação da Poli conta sua experiência com estágio internacional

O aluno passou três meses em Seattle, nos EUA. 

Tiago Koji Castro Shibata, estudante do quarto ano de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP), foi selecionado no processo de recrutamento para estagiar na sede da Microsft em Seattle, EUA. Durante os três meses do programa, o aluno criou um showcase de novidades do sistema operacional do Windows 10 para a Internet das Coisas (IoT).

Shibata conta que resolveu tentar a vaga internacional na empresa estadunidense após assistir a uma apresentação da mesma. Ele afirma que o processo de aplicação é bem simples. “Eles tentam burocratizar o mínimo”, diz. Primeiro, é necessário fazer uma inscrição online, que será seguida de entrevistas e testes de níveis, como os de fluência em língua inglesa, por exemplo.

Durante o inverno no Hemisfério Norte, a Microsoft contrata cerca de sessenta estagiários do Hemisfério Sul. Já no verão, cerca de duas mil pessoas do Hemisfério Norte são contratados. Para Shibata, o número menor proporcionou uma melhor integração entre os membros da empresa. Estudantes brasileiros de outras unidades da USP, como o Instituto de Matemática e Estatística (IME) e o curso de Engenharia de São Carlos estavam representados.

A empresa, além de arcar com todas as despesas, incluindo moradia, passagem e transporte, também pagava boliches e happy hours para as pessoas se conhecerem melhor. Esse é um grande diferencial em comparação aos estágios no Brasil. “A vida lá é bem mais tranquila que aqui”, pondera o estudante. Apesar de trabalhar quarenta horas por semana de segunda a sexta, os horários de trabalho são bem flexíveis, e trabalhar em casa alguns dias não é visto como um problema. Após essa experiência, o estudante, por estar no quarto ano, tem a oportunidade de ser recrutado novamente no quinto, último ano de estágio obrigatório, já que o curso da Escola funciona no modelo quadrimestral. Ou seja, nos dois primeiros anos do curso há aulas normais, e a partir do terceiro são quatro meses de estágios obrigatórios intercalando os períodos letivos.

Como estagiário remunerado dentro da Microsoft, o contratado pode fazer parte de uma equipe desenvolvendo um projeto maior ou fazer o seu próprio projeto. O estágio internacional configura, também, como estágio obrigatório na contabilização de créditos. Assim, Shibata alerta que a burocracia da documentação necessária não pode ser um empecilho para perder a oportunidade de vivenciar essa experiência.  “Muita gente fica com medo de não passar e ficar marcado na empresa, mas não tem nada disso e vale muito tentar”, afirma o estudante.

(Giovana Querido | Jornalismo Júnior, com edição da Assessoria de Imprensa da Poli – USP).  

 

Pesquisadores do PCS ganham competição em simpósio nacional

Ewerton Rodrigues Andrade e João Marcos Barguil levaram prêmios no Concurso de Teses e Dissertações em Segurança (CTDSeg)

Ewerton Rodrigues Andrade e João Marcos Barguil, engenheiros formados pelo Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP), foram vencedores do Concurso de Teses e Dissertações em Segurança (CTDSeg) do Simpósio Brasileiro de Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais (SBSeg) 2016. O Simpósio, organizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), consiste no principal evento para exposição de pesquisas, debates e atividades relacionadas à segurança da informação e de sistemas computacionais. O Concurso é realizado a cada dois anos.

Com o projeto Lyra2, Andrade ganhou o prêmio de melhor tese de doutorado. O projeto consiste em um software de licença livre que protege sistemas eletrônicos (como senhas de acesso a sites, computadores, smartphones, mecanismos de autenticação e bancos de dados) contra ataques realizados por hackers por meio de supercomputadores, clusteres ou placas gráficas para roubar senhas de usuários. Ele foi orientado pelo professor Marcos Antônio Simplício Júnior, do PCS.

“Criamos funções que encarecem o ataque ao ponto de torná-lo inviável financeiramente. Para senhas de complexidade média, por exemplo, o valor gasto com a aquisição de memória para a construção de um hardware capaz de burlar a proteção do Lyra2 é de cerca de U$ 126 mil. Já para senhas de alta complexidade, que exigem diversos caracteres, letras, número e símbolos, o investimento exigido pode chegar a US$ 8,3 bilhões”, conta o criador do software.

O projeto de mestrado – Já a dissertação de João Marcos Barguil foi premiada como o melhor projeto de mestrado. Ele estudou uma forma de fazer com que determinada técnica de criptografia baseada em reticulados se tornasse mais rápida e ocupasse menos espaço. “Especificamente em nossos testes, chaves públicas passaram a ocupar cerca de mil vezes menos espaço, e operações de geração de chave que demoravam alguns minutos para serem executadas passaram a ser executadas em cerca de 0,1s”, explicou. Durante a pesquisa, após a publicação de um “ataque quântico que destruía o esquema”, pequenas alterações foram executadas no projeto inicial e foi possível recuperar a segurança.

Barguil compartilhou a vitória com seu orientador − a quem também se refere como amigo −, o professor da Poli Paulo Sérgio Licciardi Messeder Barreto, e com todos os colegas do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC). Em 2014, quando ainda era aluno do PCS, Barguil já havia publicado um artigo no SBSeg 14.

Apesar de não ter ganhado nenhum prêmio material, ele afirma que o reconhecimento valorizará o seu currículo, além de representar uma significativa conquista.“Confesso que fiquei muito feliz”, contou.

 (Ana Helena Corradinni | Jornalismo Júnior, com edição da Assessoria de Imprensa da Escola Politécnica).

 

Brasil e França se unem em rede de pesquisa focada em energia e meio ambiente

Trata-se do Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.), oficialmente instalado hoje, em cerimônia na Poli-USP.

Foi oficializada hoje (3/5) a instalação do Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.). A cerimônia ocorreu no Auditório Professor Francisco Romeu Landi, do prédio da Administração da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O evento contou com a participação do vice-reitor da USP, Vahan Agopyan; do diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira; do conselheiro de Cooperação e Ação Cultural Adjunto da Embaixada da França no Brasil, Philippe Martineau; do secretário adjunto de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, Ricardo de Toledo e Silva, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg; entre outras autoridades e pesquisadores.

O L.I.A. é, em sua essência, uma rede virtual de pesquisa focada em energia e meio ambiente. Foi criada pelo governo francês para estruturar colaborações entre equipes de pesquisa e laboratórios da França com parceiros de outros países com quem já realizam algum tipo de trabalho conjunto. A Poli já integra essa rede de pesquisa, ao lado das instituições francesas Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), Centrale Supélec, Université Paris-Sud, Université de Lille, Centrale Lille, Ecole Nationale Supérieure de Chimie de Lille e Université d’Artois), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O diretor científico do Laboratório no Brasil, pelo lado da França, é Nasser Darabiha, da Centrale Supélec. Já o diretor científico brasileiro é o professor José Pissolato, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. O grupo de pesquisadores da Poli-USP dentro do L.I.A. é coordenado pelo professor Song Won Park, do Departamento de Engenharia Química (PQI).

A rede vai atuar por quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, em pesquisas de fontes de energia renováveis, observando todas as suas facetas: a produção, o consumo, os impactos ambientais, a integração e interação com outras formas de energia, e as redes de distribuição.

Pesquisadores que tenham projetos nessas áreas podem entrar em contato com o professor José Pissolato ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) para discutir as possibilidades de cooperação e inserção no L.I.A. As principais linhas de pesquisa são: transformação da energia (focando em pesquisas sobre combustão, formação de poluentes, eficiência energética, por exemplo); redes de distribuição (integração, estocagem geração distribuída, proteção e qualidade dos serviços e outros); e meio ambiente (redução das emissões, fontes renováveis, otimização da rede de energia, gerenciamento de recursos hídricos e lixo). Veja aqui mais detalhes sobre as linhas de pesquisa.

Importância da rede – A cerimônia de instalação do L.I.A. foi aberta pelo coordenador geral do Laboratório, Nasser Darabiha, que deu as boas-vindas aos participantes e ao final do evento fez uma apresentação geral sobre o Laboratório, mencionando as instituições francesas e brasileiras que integram a rede, novos possíveis associados, sua organização institucional e as áreas de pesquisa de interesse.

A seguir, o professor Olivier Fudym, diretor do CNRS no Brasil, fez uma apresentação mais detalhada sobre o Centro, que emprega mais de 33 mil pessoas, 11.500 delas pesquisadores. “Os cientistas do CNRS publicam mais de 43 mil papers por ano e quase 60% deles são copublicações internacionais”, contou ele, ao enfatizar a importância das parcerias com outros países. Segundo ele, no âmbito do CNRS, o L.I.A. é uma das ferramentas utilizadas para apoiar pesquisas colaborativas, tornando-as perenes no tempo.

Philippe Martineau, da Embaixada da França no Brasil, citou exemplos de como a parceria franco-brasileira vem se fortalecendo ao longo do tempo, como o envio de mais de 1.200 pesquisadores franceses para trabalharem no Brasil e os mais de 1.600 artigos cujas autorias são de cientistas de ambos os países. “O L.I.A. é um dos resultados dessa cooperação rica e variada”, ressaltou. “Também representa uma abertura para novas cooperações [entre Brasil e instituições europeias], reunindo pesquisadores de primeira linha nas áreas de energia e meio ambiente”, prosseguiu.

“A rede abre um importante espaço para que pesquisadores brasileiros trabalhem em cooperação internacional. Isso aumentará as chances de participarmos, inclusive, de projetos financiados por instituições europeias e ainda nos dá mais visibilidade internacional, aumentando o impacto das nossas pesquisas, já que as pesquisas são publicadas em regime de coautoria”, ressaltou Pissolato.

Oswaldo Massambani, superintendente chefe da regional da Finep em São Paulo, lembrou que compatibilizar a produção de energia e o impacto ambiental é um tema da maior relevância para todos os países. “O Brasil assinou um compromisso internacional para redução de emissão de gases de efeito estufa, de forma que a criação do L.I.A. é muito bem-vinda”, destacou. “Esse centro é uma oportunidade nova que vai trazer muitos benefícios em termos de cooperação e fluxos de conhecimento entre França e Brasil. É certamente uma oportunidade a que outras universidades, além da USP e Unicamp, poderão aderir. A Finep está aberta para interagir com o setor empresarial, sobretudo as empresas francesas que estão no Brasil, que podem se integrar a essa iniciativa”, concluiu.

José Goldemberg, presidente Fapesp, contou que a agência de fomento paulista apoiou, entre janeiro de 1992 e abril de 2017 um total de 1.132 projetos de pesquisa em meio ambiente e 1.545 projetos em energia. Em relação aos projetos de cooperação internacional, a França ocupa posição de destaque nos financiamentos da Fundação: foram apoiados 132 projetos feitos em cooperação com franceses, atrás apenas do Reino Unido (308) e da Alemanha (136). “O estabelecimento dessa rede é da maior importância porque pode estimular novas cooperações internacionais, algo que aumenta significativamente o impacto das nossas pesquisas e leva a nossa ciência mais perto da vanguarda do conhecimento”, ressaltou.

Teresa Dib Zambon Atvars, coordenadora geral da Unicamp, afirmou que a instalação do L.I.A. abre uma importante área de colaboração conjunta em temas essenciais para a sociedade contemporânea. “Hoje não há desafios científicos e tecnológicos mais importantes do que [os existentes] nessas duas áreas, visando um assunto fundamental, que é o bem-estar dos nossos povos”, afirmou. “É um desafio imenso, que abre outras portas de colaboração com outros grupos de pesquisa em áreas como bioenergia, biocombustível e em uma área em que a Unicamp tem na pós-graduação, ambiente e sociedade”, completou.

Ricardo de Toledo e Silva, da Secretária de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, explicou que parte das metas estabelecidas no Plano Paulista de Energia 2020, vinculada a política de energia, não foi atingida em razão da crise econômica brasileira. “O senso comum diz que a redução da atividade econômica é associada à diminuição das emissões de gases de efeito estufa, o que não é verdade. Pelo contrário: o crescimento das energias renováveis está diretamente associado ao crescimento econômico”, pontuou, explicando que isso se dá porque é preciso investimento para se mover das energias de fonte fóssil para renováveis. Segundo ele, o Plano Paulista de Energia está sendo revisto pelo governo neste momento, mas que ênfase ás energias de fonte renovável continua.

O professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, apontou que o Brasil tem escolas de Engenharia de alto nível, mas não é forte em todas as áreas. “A união das nossas Escolas é fundamental para promover o progresso da Engenharia do País e para transformar a Engenharia em algo que seja útil para a população e não mero balcão de negócios, como temos visto até hoje”, observou. Ele recordou que aprendeu com o professor Goldemberg que Homero já registrava, na Grécia, o problema da remoção de florestas para geração de energia. “O problema não é novo, mas é cada vez mais crítico. Precisamos colocar nosso conhecimento na solução dos problemas do Brasil e do mundo”, exortou.

Piqueira também destacou a parceria entre a Poli e as instituições francesas, lembrando dos bons resultados obtidos com o programa de duplo diploma e as discussões para criação do curso de Engenharia da Complexidade na Poli-Santos. “A França é um importante parceiro na melhoria do ensino, da pesquisa e da extensão dentro da nossa Escola”, disse.

A cerimônia foi encerrada pelo vice-reitor e professor da Poli-USP, Vahan Agopyan. Ele agradeceu a confiança dos colegas franceses. “A parceria estabelecida com o L.I.A. demonstra um reconhecimento de que temos trabalhos de pesquisa de ponta desenvolvidos e a existência de um respeito mútuo a qualidade desse trabalho”, comentou.

Ele lembrou que a colaboração com a França está na gênese da constituição da USP e citou os mais de 20 anos de cooperação entre a Poli e as escolas de Engenharia francesas. “Internacionalização, para nós, é ferramenta imprescindível para alcançarmos patamares mais elevados de qualidade. Por isso, este Laboratório está sendo uma consequência dessa internacionalização”, finalizou.

Amanhã (4/5) o evento continua com apresentações científicas relacionadas aos temas de estudo e a modelos de cooperação entre academia e setor privado.

Visite a página da Poli no Flickr para conferir as fotos do evento


 

 
 

Uso equitativo de gás e eletricidade diminuiria em 11% a vulnerabilidade energética das residências

É o que afirmam pesquisadores do RCGI após formatarem um mapa que mostra a vulnerabilidade energética nos bairros paulistanos e simularem o uso complementar das duas fontes de energia.

Pesquisadores do RCGI - Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa em Inovação em Gás), sediado na Escola Politécnica da USP, elaboraram um inédito Mapa de Vulnerabilidade Energética para Áreas Residenciais de São Paulo, que mostra quais são as áreas mais ou menos propensas a sofrerem cortes no fornecimento de energia elétrica, categorizando-as em quatro classes com relação à vulnerabilidade: muito alta, alta, média e baixa. Paralelamente, simularam um cenário em que as residências seriam servidas por gás e eletricidade em igual proporção. E compararam os resultados.

“Ao projetar esse cenário concluímos que o uso de gás e eletricidade, de forma complementar, diminuiria em 11% a vulnerabilidade energética das residências paulistanas”, afirma o coordenador da pesquisa, o geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi. As áreas de vulnerabilidade muito alta, que no mapa representam 20,4% de todas as áreas residenciais mapeadas, no cenário de uso equitativo entre eletricidade e gás diminuem para 7%. Do mesmo modo, as áreas de vulnerabilidade alta diminuem de 37% para 28,5%. Por outro lado, áreas de vulnerabilidade média aumentam de 31,9% para 39,4% e, finalmente, as áreas de vulnerabilidade baixa aumentam de 10,7 para 25,1%. 

“O aumento do uso do gás tornaria as residências muito menos vulneráveis energeticamente, pois, havendo complementaridade entre duas fontes, na falta de uma haveria outra que asseguraria, ao menos, metade das funções domésticas que necessitam de energia.”

Ricos e pobresDe acordo com Venturi, na situação atual é possível identificar uma tendência de aumento da vulnerabilidade a partir do centro para o centro expandido, e daí para as regiões periféricas. Outra conclusão: a variação da vulnerabilidade não se relaciona diretamente com o nível socioeconômico dos distritos (maior ou menor demanda de energia), podendo haver áreas de alta ou muito alta vulnerabilidade tanto em distritos mais ricos (Alto de Pinheiros, Campo Belo e Morumbi) como naqueles de padrão socioeconômico mais baixo (São Mateus e Ermelino Matarazzo).

“Escolhemos cinco indicadores para mapear a vulnerabilidade: o tamanho da área abastecida por uma única subestação; a existência de fonte alternativa ou complementar de energia; a distância do distrito das vias arteriais; sua proximidade de áreas consideradas prioritárias no fornecimento de energia, como hospitais; e a densidade de árvores nas vias arteriais locais, já que nas áreas residenciais a distribuição de energia é feita predominantemente por rede aérea  e, portanto, vulnerável a quedas de arvores”

O cruzamento dos indicadores resultou na construção do mapa e na definição das quatro classes de vulnerabilidades citadas. “No caso do Alto de Pinheiros, Campo Belo e Morumbi, o indicador referente à densidade de árvores deve ter sido mais determinante que os outros, pois estas áreas costumam ser mais arborizadas. Outra conclusão parcial emerge ao observarmos bairros contíguos e urbanisticamente semelhantes, mas com níveis de vulnerabilidade distintos, como o Campo Limpo e o Capão Redondo. O primeiro é bem menos vulnerável que o segundo. Neste caso, o primeiro indicador foi determinante, já que Capão Redondo está inserido em uma subestação que abastece uma grande área, incluindo outros municípios como Embu das Artes. Daí sua maior vulnerabilidade.”

Por outro lado, a maior proximidade a diversos hospitais na região da Avenida Paulista pode ajudar a explicar a baixa vulnerabilidade das áreas adjacentes, abrangendo partes da Bela Vista, Jd. Paulista e Vila Mariana, além do fato de estas áreas serem bem servidas de vias arteriais.

Metodologia replicável - Outros indicadores poderão ser incluídos na medida em que a equipe obtiver dados mais precisos sobre eles. “O mapa foi criado em ambiente ArcGis, é dinâmico e pode ser alimentado com dados novos. Para nós, mais importante do que ele é a metodologia que a equipe moldou para a tarefa. Ela pode ser aplicada em qualquer cidade do mundo: basta que os pesquisadores escolham os indicadores que melhor se adaptem ao contexto estudado.”

Além disso, ele servirá de base para um estudo mais avançado que avaliará a viabilidade técnica de complementar parcialmente a energia elétrica com o gás natural. Segundo Venturi, pelo menos 50% do consumo doméstico de energia em São Paulo poderia ser convertido para gás, considerando que a cidade tem uma boa infraestrutura de distribuição. “Defendemos que a energia elétrica fique restrita à utilização em que ela é absolutamente necessária, como nos eletroeletrônicos e nos sistemas de comunicação.”

Sobre o RCGI:

O RCGI – FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa em Inovação em Gás) realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, e estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da BG Brasil – subsidiária do Grupo Shell. O Centro reúne mais de 150 pesquisadores, de diversas instituições brasileiras, que atuam em 29 projetos de pesquisa. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

 

Poli-USP sedia inauguração de laboratório de pesquisa em energia e meio ambiente

Trata-se de uma rede de pesquisa focada em fontes de energia renováveis, 
que integrará pesquisadores do Brasil e da França.

Das instituições que integram a chamada rede de pesquisa 6+5, que reúne cientistas de algumas instituições francesas, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras universidades brasileiras, nasceu o Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.), que começa a operar oficialmente este mês. No dia 3 de maio, às 9h30, será realizada na Poli-USP a cerimônia de lançamento da iniciativa. A participação no evento é aberta para professores, pesquisadores e alunos da pós-graduação e é gratuita. Não precisa fazer inscrição prévia.

O L.I.A. é um ‘laboratório sem muros’ criado pelo governo francês para estruturar colaborações entre equipes de pesquisa e laboratórios da França com parceiros de outros países com quem já realizam algum tipo de trabalho conjunto. O diretor científico do Laboratório que está sendo estruturado agora no Brasil, pelo lado da França, é Nasser Darabiha, da Centrale Supélec. Já o diretor científico brasileiro é o professor José Pissolato, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. O grupo da Poli –USP é coordenado pelo professor Song Won Park, do PQI.

Depois do lançamento, os participantes poderão assistir uma sequência de palestras, a serem proferidas até o dia 4 de maio por especialistas que agora estão integrando o laboratório, que se configura como uma rede de pesquisa. Segundo Pissolato e Park, o objetivo do evento é apresentar para a comunidade acadêmica as oportunidades de pesquisa abertas com a criação da rede e agregar novos integrantes – pesquisadores, professores e alunos.

Atualmente o laboratório já integra em rede pesquisadores da Poli-USP, de algumas instituições francesas (CNRS, CentraleSupélec, Université Paris-Sud, Université de Lille, Centrale Lille, Ecole Nationale Supérieure de Chimie de Lille e Université d’Artois), e da Unicamp. 

A expectativa é que laboratório reforce a cooperação já existente entre os participantes da rede, estimule mais colaborações em pesquisa e aplicações práticas, e, consequentemente, amplie a produção científica e a visibilidade internacional. A rede vai atuar na pesquisa de fontes de energia renováveis, observando todas as suas facetas: a produção, o consumo, os impactos ambientais, a integração e interação com outras formas de energia, e as redes de distribuição.

As principais linhas de pesquisa serão: transformação da energia (focando em pesquisas sobre combustão, formação de poluentes, eficiência energética, por exemplo); redes de distribuição (integração, estocagem geração distribuída, proteção e qualidade dos serviços e outros); e meio ambiente (redução das emissões, fontes renováveis, otimização da rede de energia, gerenciamento de recursos hídricos e lixo).

“Trata-se de uma importante parceria entre Brasil e França, com o objetivo de construir uma sólida rede no campo da energia e meio ambiente, reforçando nossa relação com os franceses, com quem já estamos, inclusive, trabalhando para oferecer um curso inédito, o de Engenharia da Complexidade, que deve ser realizado em Santos”, lembra o diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira. “Essa iniciativa mostra a força do processo de internacionalização pelo qual passa a nossa Escola, já que nossos docentes estão cada vez mais ativos na busca por parcerias com pesquisadores de instituições estrangeiras de ponta”, destaca.

Histórico da iniciativa – Segundo um dos integrantes da rede, o professor do PMR, Alexandre Kawano, a origem do L.I.A. remonta as reuniões feitas entre docentes brasileiros e franceses para discutir as diferenças entre estilos de ensino e nos programas dos cursos de Engenharia, principalmente em matemática, nos anos de 2008 e 2009 no Rio de Janeiro.

“Dada força da ligação entre os parceiros do 6+5, começou-se a pensar em estender as discussões para as demais áreas da graduação e para a de pesquisa”, lembra Kawano. Em 2013, houve um encontro na Unicamp para o grupo começar a formular o L.I.A. Em 2015, foi feito um workshop na Poli que refinou a proposta discutida na Unicamp e delimitou as áreas de pesquisa que serão trabalhadas pela rede a partir deste ano.

Serviço:
Cerimônia de inauguração da instalação e palestras de apresentação do L.I.A – Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement.
Quando: 3 de maio, quarta-feira, às 9h30.
Local: Auditório Francisco Romeu Landi do prédio da Administração da Poli-USP (Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa 3, número 380 –Cidade Universitária – São Paulo).
Não é preciso fazer inscrição prévia.

(Janaína Simões)

 


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