Escola Politécnica da USP

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Alunos da Poli-USP identificam iniciativas em smart cities em 11 municípios de SP

Estudo foi parte da disciplina Gestão Integrada de Cidades Inteligentes, oferecida pelo Departamento de Engenharia de Produção.

Um conjunto de estudos feitos por alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) envolvendo 11 municípios mostrou algumas iniciativas em projeto ou já em andamento para a implementação de cidades inteligentes, ou smart cities, no Estado de São Paulo. As pesquisas são resultado do trabalho de conclusão da disciplina “Gestão Integrada de Cidades Inteligentes”, oferecida pelo Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Poli. Os resultados foram apresentados no evento “Conecticidade de Premiação para Smart Cities”, realizado nesta quarta-feira (13/12), no auditório da PRO, no campus da Cidade Universitária, em São Paulo.

O evento marcou o encerramento das atividades da disciplina PRO-3480, oferecida de forma optativa para estudantes da Poli e de outras unidades da USP, e aplicada pelos professores Marcelo Schneck de Paula Pessoa, Leandro Patah e José Joaquim do Amaral Ferreira. Em grupo, os alunos estudaram as cidades de Campinas, Campo Limpo Paulista, Capivari, Diadema, Guarulhos, Itu, Jundiaí, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Sorocaba e Vinhedo, analisando questões relacionadas com a gestão de cidades inteligentes, buscando conhecer a realidade destas, seus problemas e como estes podem ser resolvidos com a ajuda de tecnologias da Comunicação e Informação.

Os cases – Cada grupo destacou uma ou mais iniciativas no sentido da implementação das cidades inteligentes. Jundiaí, por exemplo, disponibilizou um aplicativo integrado, no qual os cidadãos podem acessar cerca de 100 serviços diferentes. Santa Bárbara d’Oeste já está usando drones, wi-fi e câmeras para segurança pública e tem um sistema inteligente de estacionamento onde os cidadãos podem pagar de forma online pelo uso das vagas.

Em Limeira, foi desenvolvido um sistema de botão de pânico para mulheres em situação de risco e um sistema mobile de estacionamento rotativo baseado em IoT. Vinhedo monitora todas as entradas e saídas da cidade em tempo real, por meio de um sistema de câmeras, avança na implantação do sistema de iluminação LED e planeja a instalação de estacionamentos e hidrômetros inteligentes. Em Sorocaba, todas as viaturas policiais agora contam com computadores de bordo integrados a um sistema central de segurança.

Em Capivari, foi criado o Sistema Integrado de Administração Municipal (SIAM), por meio do qual o cidadão pode pedir solução para problemas que são de competência da prefeitura. Em Diadema, a totalidade dos processos internos relacionados à gestão do município estão digitalizados. Outro exemplo é Itu, na qual a Secretaria de Planejamento lidera a integração entre as demais secretarias, promovendo a digitalização dos processos.

Campo Limpo está projetando um novo portal interativo e integrado, que liga todas as áreas da administração do município. Já em Guarulhos, a prefeitura está trabalhando em um projeto de big data para integrar os dados de gestão. E Campinas está adotando uma plataforma aberta para implementar soluções em IoT voltadas ao atendimento aos cidadãos, e que foi desenvolvida pelo CPqD, que fica no município.

Disciplina como base para formação de grupo de pesquisa – Este foi o primeiro ano de realização da disciplina “Gestão Integrada de Cidades Inteligentes”, que será oferecida novamente pelo Departamento no segundo semestre de 2018. Sua concepção se alinha aos três eixos de atuação da Poli, o ensino, a pesquisa e a extensão, conforme explicou o professor Marcelo Pessoa. Além de abrir espaço para que os estudantes aprendam, na prática, a utilizar os conceitos aprendidos em sala de aula, e também a fazerem pesquisa, ajuda os municípios a terem um diagnóstico, com avanços e demandas, promovendo a interação com a sociedade por meio do apoio à ação dos gestores de políticas públicas.

A disciplina também tem por objetivo ser a base para formação de um grupo de pesquisas sobre cidades inteligentes na Poli e já se articula com o Laboratório de Cidades, Tecnologia e Urbanismo, sediado no Departamento. Esse laboratório conta ainda com a participação e apoio da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Fundação Vanzolini, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU) e Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Uma das metas das nossas pesquisas é desenvolver uma certificação para cidades inteligentes”, contou o professor Leandro Patah.

Na abertura do Conecticidade, a professora Patrícia Faga Iglecias Lemos, superintendente de Gestão Ambiental da USP e representando o reitor da Universidade, professor Marco Antonio Zago, lembrou que a USP sedia o primeiro escritório regional do Programa Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e convidou os pesquisadores para participarem dessa iniciativa. “O trabalho que a Poli desenvolveu, colocando seus estudantes em contato com a realidade das prefeituras, mostrou o quanto a universidade pode contribuir com a sociedade”, destacou.

O chefe do Departamento de Engenharia de Produção, professor Fernando Laurindo, explicou que a criação da disciplina reflete o caráter multisdiciplinar do curso. “Essa disciplina procura tratar o tema cidades inteligentes com uma visão de sistema integrado, holístico, com o objetivo último de termos cidades melhores para vivermos”, concluiu.

O evento teve, ainda, uma apresentação sobre as atividades do Projeto Rondon SP, que promove a integração entre prefeituras e universidades, por meio do trabalho voluntário de alunos e professores dispostos a ajudar os municípios na busca por soluções dos diversos problemas enfrentados pela administração pública.

Autoridades públicas, representando as prefeituras das cidades estudadas, estiverem presentes no Conectividade e ganharam um certificado por terem participado da iniciativa: André Luiz de Camargo Von Zuben, secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas; Caroline Rocha Michels, secretária de Assistência Social e Cidadania, Carla Dualib Sonnewend, secretária de Comunicação, Luis Carlos Fabbrini da Silva, diretor de TI, e Wesley Oliveira, analista de sistemas, todos da prefeitura de Diadema; Plinio Berbardi Junior, secretário de Planejamento de Itu; Mariana Savedra Pfitzner, Diretora de Ciência e Tecnologia, e Júlio César Durante, diretor do Departamento de Fomento ao Comércio e Serviços, ambos da prefeitura de Jundiaí; Lexandro A.G. de Melo, diretor de TI da prefeitura de Vinhedo; Danilo Cesar de Oliveira, diretor da Secretaria de Planejamento de Sorocaba.

Confira as fotos do evento no Flickr da Poli. https://www.flickr.com/photos/poliusp/albums/72157661560018647

 

Alunos da Poli-USP trabalham em próteses de mão eletromecânicas produzidas por impressoras 3D

Atividade faz parte da formação de estudantes de Engenharia Mecatrônica, que são orientados pelo professor Chi-Nan Pai.

Alunos do curso de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) estão desenvolvendo, já na graduação, protótipos de próteses para pessoas sem a mão, seja devido a defeitos congênitos, ou devido a amputação. Segundo o professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR), Chi-Nan Pai, o objetivo do projeto é fazer com que os alunos tenham a oportunidade de praticar os conceitos e teorias aprendidos ao longo do curso, ao mesmo tempo em que trabalham no desenvolvimento de uma tecnologia inovadora e que traz impacto positivo para a sociedade.

A prótese de mão em desenvolvimento na Poli-USP poderá ser fabricada utilizando impressoras 3D. Totalmente customizada para o corpo de cada pessoa e também para as funções que ela precisa realizar, o projeto começou tendo como base uma prótese desenvolvida por engenheiros de uma startup japonesa chamada Exiii. Essa customização é o grande diferencial do projeto politécnico, pois já existem em vários países iniciativas open source nas quais os projetos de próteses estão disponíveis para quem quiser fabricar seu próprio equipamento, usando impressora 3D, mas são projetos muito genéricos, que não levam em consideração as particularidades de cada usuário.

“Enquanto no Japão o maior foco do trabalho foi no design, aqui estamos pesquisando as questões da Engenharia, em si. Queremos melhorar as partes mecânica e funcional da prótese”, explica. O primeiro passo foi fazer uma prótese idêntica a dos japoneses, para aprender mais sobre a mesma, mas essa fase inicial já apontou aspectos que devem ser aperfeiçoados.

Para a prótese ter mobilidade, mexer punhos, dedos etc, é preciso colocar motores na mesma. “Estamos estudando uma forma melhor de projetar esses mecanismos para dar mais funções para as próteses”, conta. Dar função significa montar a prótese de forma que ela permita que o paciente alcance um objetivo a partir da realização de determinados movimentos: se ele quer trabalhar com escrita, precisa de uma prótese capaz de segurar uma caneta; se quer cozinhar, o mecanismo deve segurar algo leve e frágil como um ovo, sem quebrá-la.

Próteses customizadas – Segundo Chi-Nan, a customização da prótese poderá chegar ao seu potencial máximo, pois ele será um dispositivo fabricado não só de acordo com as características físicas únicas de cada pessoa – como, por exemplo, o comprimento do braço –, mas também à forma como cada pessoa vive, às atividades que realiza e como usa suas mãos. “Queremos projetar as próteses de acordo com a necessidade de cada um. Talvez para uma pessoa não seja um problema se a prótese amassar um pouco os objetos que ela manipular, então não precisa ter um controle muito fino da prótese para a questão da força, por exemplo”, comenta. “Podemos pensar até em fazer próteses intercambiáveis no futuro: a pessoa terá várias delas, e poderá usar uma para escrever, outra para realizar tarefas delicadas etc”, completa.

Para estudar esse aspecto, o docente fez parceria com a Escola de Engenharia de São Carlos da USP, cujos pesquisadores implementaram uma técnica de controle para movimentação vertical do braço de um manipulador industrial onde uma simples batata ‘chips’ foi usada, sem quebrar, para levantar o braço, extremamente pesado (https://www.youtube.com/watch?v=WS1gSRcJbJQ). A ideia é usar a mesma técnica na prótese, começando com o estudo implementando essa teoria de controle em uma prótese de três dedos, em tamanho maior que o da mão humana, para melhor visualização e entendimento do problema. O objetivo desse protótipo inicial é chegar a um sistema de controle da mão de forma que a prótese consiga pegar qualquer objeto sem esmagá-lo.

O uso das mãos está relacionado com as características técnicas da prótese e ambos são fatores que impactam diretamente no seu preço, uma grande preocupação do projeto brasileiro. “Queremos produzir próteses de baixo custo, então, quanto mais função precisar, mais motores. Com isso, o preço de produção aumenta, assim como a necessidade de fazer manutenção e trocas eventuais de componentes pelo desgaste ao longo do tempo ou por quebra”, destaca.

Na prótese feita no Japão, todos os motores estão instalados nas mãos, o que se revelou um problema, segundo a pesquisa brasileira. “É justamente a parte mais móvel da prótese e onde tem maior chance de quebrar. Se isso ocorrer, é preciso refazer tudo e acaba se tornando caro para o usuário”, ressalta. Por isso, em vez de colocar os mecanismos importantes na mão, estamos estudando a instalação dos motores no antebraço. “A mão será só um mecanismo para fazer a movimentação, de modo que fique mais barato trocar uma peça se quebrar”, explica.

Há também desafios na área da saúde. “Não podemos permitir uma compressão das áreas de contato da prótese com o local onde ela se encaixa no braço da pessoa, chamado de coto de amputação, pois isso causa necrose do tecido e pode levar a uma nova amputação”, diz. Para investigar esse problema, será preciso envolver outros pesquisadores. Chi-Nan já teve uma conversa inicial com o Instituto de Ortopedia da Faculdade de Medicina da USP, pois lá existe uma oficina onde se faz rotineiramente essa interface da prótese e do membro natural, evitando a lesão.

Ainda não é possível saber quanto seria mais barata a prótese desenvolvida na Poli em relação às já existentes. Para isso, será preciso avançar mais no estudo. “Até agora, o custo dos componentes para a fabricação de uma prótese é de R$500,00, mas com certeza não será esse o custo final”, diz. A ideia é que o projeto consiga ser viável de forma a atender pacientes do SUS. Para chegar lá, o professor precisará encontrar mais alunos que queiram se engajar no projeto nos próximos anos e encontrar um parceiro interessado em fabricar um número maior de protótipos das próteses, pois é preciso testar a tecnologia em um grande número de pessoas.

O projeto de desenvolvimento dessa prótese está relacionado a outra iniciativa, que deve culminar com a produção de um robô para atender pessoas com tetraplegia e que também é tocada por alunos do sétimo semestre do curso de Engenharia Mecatrônica, que podem participar de uma iniciativa interdisciplinar chamada “Projeto Integrado do Sétimo Semestre” (PI-7), em que terão a oportunidade de desenvolver projetos utilizando conhecimentos de cinco disciplinas da grade: “Sistemas Embarcados”, “Atuadores e Acionamentos”, “Controle I”, “Mecanismos para Automação” e “Microprocessadores em Automação e Robótica”.

Uma das turmas desenvolveu protótipos de um pequeno robô que leva um copo até a boca de uma pessoa. Eles pesquisaram e testaram diversos tipos de mecanismo e controle na busca por um dispositivo que conseguisse segurar e virar um copo na boca, sem derramar o líquido. Essas iniciativas contam com apoio financeiro do Amigos da Poli, fundo de endowment que capta doações e aplica os recursos em projetos da própria Poli. O projeto ganhou o segundo lugar em 2016 entre todos os apoiados pelo fundo Amigos da Poli, pelo impacto e excelência alcançados.

 

Workshop Poli-USP sobre Mecânica Computacional traz especialistas da Alemanha para o Brasil

Iniciativa é resultado do esforço de estruturação de grupos de pesquisa teuto-brasileiros em uma área fundamental para o aperfeiçoamento de da simulação computacional na Engenharia.

Dois dos pesquisadores de maior destaque em Mecânica Computacional estarão no Brasil nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2018 para participar de um workshop sobre a área, promovido pelo professor Paulo de Mattos Pimenta, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Ambos são da Alemanha: Peter Wriggers, vice-reitor e catedrático em Mecânica Computacional na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Leibniz de Hannover, e Jörg Schröder, pró-reitor de Pesquisa e catedrático de Mecânica Computacional na Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Duisburg-Essen.

Além deles, outros dez pesquisadores virão da Alemanha para participar do workshop. Também estão confirmadas as presenças de especialistas da própria Poli-USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Reunir grandes nomes que atuam nesse campo para trocar experiência, conhecimento e prospectar possíveis projetos em cooperação são os objetivos deste workshop”, afirma Pimenta.

Entre os temas a serem abordados no evento estão os sistemas mecânicos flexíveis (máquinas, biomecânica); problemas envolvendo contato; problemas envolvendo interação de sólidos com fluidos; mecânica dos materiais (estrutura da matéria) e novos métodos computacionais.

A Mecânica Computacional é uma área essencial da Engenharia, pois possibilita desenvolver ferramentas para simular e testar sistemas, hoje cada vez mais complexos e com enormes quantidades de variáveis. “Ela permite simular desde grandes sistemas, como o climático, passando por grandes objetos, como aviões e navios, até pequenos sistemas, como o celular, ou a interação entre átomos e moléculas”, exemplifica.

É uma área de aplicação transversal que permite melhor controle dos experimentos virtuais. É o caso do desenvolvimento de novos materiais. “A Mecânica Computacional está evoluindo para permitir a simulação do que ocorre dentro dos materiais, como eles se rompem, como se deformam, como fraturam etc. Esperamos grandes progressos nessa área pelos próximos 10 a 20 anos”, conta.

Fronteira do conhecimento – Peter Wriggers, que é doutor honoris causa em mais de dez universidades estrangeiras, membro do conselho da American Society of Mechanical Engineers (ASME) e editor da Computational Mechanics, principal revista científica mundial sobre o tema, deverá abordar um novo método computacional chamado elementos finitos virtuais. Já Jörg Schröder deverá abordar a anisotropia – característica de certas propriedades físicas de uma substância que variam conforme a direção. “A anisotropia é fundamental para as pesquisas envolvendo materiais fibrosos. Trata-se do futuro dos materiais, já que muitos estudos procuram reforçá-los com o uso de fibras”, explica Pimenta.

O workshop é resultado de um trabalho que o professor Pimenta vem desenvolvendo em cooperação com Alemanha já há alguns anos. Ele foi o primeiro pesquisador brasileiro, e o primeiro engenheiro do mundo, a ser agraciado com o Georg Forster Research Award, concedido pela Fundação Alexander von Humboldt, da Alemanha. Como parte do prêmio, ele atuou a partir de 2015 na Universidade de Duisburg-Essen, com o objetivo de estruturar um grupo de pesquisa conjunto de Mecânica Computacional (link http://www.poli.usp.br/pt/comunicacao/noticias/arquivo-de-noticias/1714-poli-usp-articula-com-alemanha-formacao-de-grupo-de-pesquisa-em-mecanica-computacional.html). A expectativa é que o workshop possibilite criar uma rede maior de pesquisadores.

“A Alemanha é um país muito relevante do ponto de vista acadêmico nessa área”, ressalta. “Além disso, os alemães enxergam o Brasil como parceiro estratégico na área cientifica, tanto que São Paulo é uma entre apenas cinco cidades a ter uma sede do DWIH”, completa. DWIH é a sigla em alemão para Centro Alemão de Ciência e Inovação, uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores em cooperação com o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha para internacionalizar a ciência alemã e desenvolver soluções para os desafios globais. Há Centros do mesmo tipo apenas nos Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia.

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Serviço:

Workshop Teuto-Brasileiro em Mecânica Computacional

Data: 19 e 20 de fevereiro de 2018.

Local: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Edifício Mário Covas Júnior

Endereço: Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380. São Paulo – SP

Informações e inscrição (gratuita): www.gbwcm2018.com

 

Resultado de eleições discentes: PNV e PPGEP

Informamos o resultado das eleições para representação discentes junto ao Conselho de Departamento e à Comissão Coordenadora de Curso do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica – PNV – (Portaria 2248 de 08/11/2017) e junto à Comissão de Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção – PPGEP –  (Portaria 2249 de 08/11/2017) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo:

Portaria 2248/2017 – PNV:

Chapa eleita para o Conselho de Departamento – PNV:

·         João Machado Baptista (Titular) Maurício Hiroshi Shiguihara (Suplente).

Chapa eleita para a Comissão Coordenadora de Curso – CoC PNV: 

·         Beatriz Tai Lopes (Titular) João Pedro Cunha Machado da Silva (Suplente).

 

Portaria 2249/2017 – PPGEP:

Chapa eleita:

·         Graziela Darla Araujo Galvão (Titular) e Diego Honorato Clemente (Suplente);

 

Os mandatos somente terão início após a validação do processo eleitoral pela Procuradoria Geral da USP.

 Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

 

Programa de integração entre alunos de Engenharia da USP entra na fase final

Estudantes selecionados para a segunda etapa do PIE² estão passando a semana na Escola Politécnica.

Aprender com dois nomes reconhecidos dos setores sucroenergético e de consultoria em inovação foi a tarefa do terceiro dia de atividades dos estudantes de Engenharia de diferentes campi da Universidade de São Paulo (USP), reunidos na Escola Politécnica (Poli-USP) para a realização da segunda etapa do Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIE2). O evento ocorre entre os dias 11 e 16 de dezembro, nas dependências da Poli, e é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade e da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).

As duas palestras foram divididas entre a manhã e a tarde desta quarta-feira (13/12), e contaram com a presença de Pedro Eduardo Pinho de Assis, da PASys Engenharia e Sistemas, empresa que presta consultoria na área de negócios agroindustriais; e Fábio Pando, CEO da Horizon Consulting, empresa de inovação em negócio.

A primeira etapa do Programa premiou os melhores projetos inscritos entre todos os cursos de Engenharia oferecidos pela universidade nos campi de São Paulo e de cidades do interior. Nela, as equipes tiveram que pensar em uma solução para os problemas identificados por ela sem uma fotografia da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Agora, os finalistas se reúnem na Poli para competir entre si, e a equipe vencedora receberá apoio financeiro para a realização de um estágio no exterior no valor de US$ 1,2 mil mensais para cada membro.

Perspectivas para a cana - A primeira palestra do dia - “Evolução tecnológica do setor sucroenergético” - foi feita por Pinho de Assis, e trouxe aos estudantes um resumo da história do setor e dos seus momentos mais importantes, como a criação do programa Proálcool, em 1975; e das possibilidades de crescimento da indústria sucroenergética com a aprovação da Renovabio, lei que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis na matriz energética brasileira e que pode significar um incentivo aos produtores de álcool a melhorarem a eficiência e diminuírem ainda mais a emissão de carbono.

Segundo o palestrante, o objetivo da conversa com os alunos foi “motivá-los a estudar o setor e quem sabe até entrar nele, uma vez que o álcool volta na pauta mundial com as perspectivas de mudanças climáticas”. Para ele, a estagnada no preço da gasolina há mais de sete anos no país pode ter significado um congelamento do crescimento da indústria do álcool, mas esse cenário pode mudar a qualquer momento. “O setor sucroenergético tende a responder muito rapidamente aos estímulos de investimentos”, confirma o palestrante. Diante disso, ele convidou os participantes a pensarem na atuação “nesse mar de oportunidades”.

Um dosdesafios apontados por Pinho foi a questão do melhor aproveitamento da vinhaça, líquido resultante da produção do álcool. Atualmente, ela é destinada para irrigação dos canaviais,, uma vez que é composta basicamente de água e de resíduos não prejudiciais ao solo. Contudo, sabe-se que ela pode ser transformada em biogás. Eletambém apresentouum panorama dos principais acontecimentos para o setor açucareiro e algumas curiosidades, como o fato das primeiras utilizações da mistura de álcool e gasolina para alimentar os motores de carros datarem de 1908.

Como inovar no mundo atual - A segunda palestra, proferida por Pando, trouxe aos alunos as principais estratégias para conseguir desenvolver e aplicar uma ideia inovadora. Segundo ele, o Brasil passa pelo chamado bônus demográfico - quando há mais gente trabalhando do que aposentada -, hora mais propícia para o investimento no crescimento econômico e tecnológico do país.

Para isso, o palestrante afirmou serem necessárias mudanças drásticas na lógica da gestão das empresas, por exemplo. “Atualmente, o mundo contemporâneo é centrado no indivíduo, que produz, compartilha e é dono de seu próprio conteúdo na internet. Quando analisamos a estrutura de uma instituição tradicional - extremamente hierárquica e conservadora -, percebemos que ela não se encaixa mais nesse modelo”, explicou.

Ainda segundo Pando, as mudanças trazidas pela era digital afetaram também a lógica de consumo da sociedade atual. “Os estoques estão se tornando desnecessários, uma vez que os produtos são feitos sob medida para os compradores”, afirmou. “O que as empresas devem fazer é tentar entender o que o consumidor quer, e se isso é tecnicamente possível e financeiramente viável”.

Para isso, lançou o desafio aos estudantes presentes. “O que o consumidor quer é algo muito complexo de descobrir. A chave é tentar humanizar ao máximo as relações com ele e tornar suas tomadas de decisão as mais simples possíveis”, finalizou.

 

Multidisciplinaridade e pesquisa conjunta estão entre caminhos apontados pelo futuro reitor da USP

Entrevista Vahan Agopyan

Por Clarissa Turra

Em 25 de janeiro de 2018, o Engenheiro Civil Politécnico Vahan Agopyan assumirá a tarefa de gerir a Universidade de São Paulo (USP) e será o 27º reitor da maior universidade pública do Brasil. Nascido na Turquia e naturalizado brasileiro, Agopyan já foi Chefe do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, assim como Diretor da Escola e, também, Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. O novo reitor da USP nomeado para atuar a partir do próximo ano em um mandato de quatro anos, nessa entrevista, comenta as oportunidades e os desafios da nova gestão. Um dos desafios é fortalecer, em toda a Universidade, a internacionalização. "É essencial para alcançarmos excelência", considera Agopyan sobre o tema. "A internacionalização não tem a ver apenas com mobilidade de alunos e professores, mas com a criação de um ambiente internacional de ensino e pesquisa", completa. O outro desafio, junto à oportunidade inerente, é aproximar sociedade, universidade e governo por meio da criação de grupos de trabalhos multidisciplinares para a proposição de políticas públicas. Temas tais como sustentabilidade e o perfil do "profissional gestor", também estão em pauta. "Sustentabilidade significa desenvolver soluções que promovam equilíbrio entre questões sociais, culturais, econômicas e ambientais. Isso vale para todas as nossas atividades, inclusive para a vida familiar", diz o futuro reitor. Se os desafios existem, também existem soluções. E, segundo ele, o conjunto de incertezas que permeiam a vida de um engenheiro torna-se uma poderosa ferramenta de gestão, inclusive universitária. "Engenharia é administrar o risco. Por isso, temos facilidade para atuar em áreas administrativas, financeiras e de recursos humanos, pois estamos acostumados a trabalhar com incertezas", ensina ele. "É algo rotineiro na cabeça de um engenheiro, uma ferramenta de gestão", acredita. Leia, a seguir, a conversa com Agopyan.

Durante o momento de comemoração de sua nomeação para futuro reitor da USP, junto ao grupo de professores, funcionários, pesquisadores e convidados do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, no último dia 17 de novembro, você ressaltou que a extensa experiência no âmbito do Departamento fortalece sua atuação na reitoria. Poderia comentar isso?

Vahan Agopyan - Em minha fala durante a confraternização, o que destaquei é que nosso Departamento, no início, teve a felicidade de contar com muitos docentes jovens. Essa geração inclui os professores Alex Abiko, Eduardo Ioshimoto, Hermes Fajersztajn, Moacyr Eduardo Alves da Graça, Paulo Helene, Orestes Marracini Gonçalves, o saudoso Vanderlei Flausino e eu. Nesse grupo, alguns de nós tivemos a oportunidade de assumir tarefas e responsabilidades que, atualmente, jovens doutores raramente assumem. Eu, com quarenta anos, tive cargo de chefia. Na década de 1990, fui Chefe de Departamento sendo apenas um Professor Doutor, e coordenei um programa de pós-graduação como um Doutor recente. Esse foi um período com boas experiências para todos nós. O Departamento, então, foi um bom ambiente para me preparar para atividades administrativas acadêmicas.

Em uma das reportagens publicadas sobre sua nomeação, chamou atenção a seguinte frase: “O engenheiro é o profissional que toma decisões na incerteza”. Como funciona o processo da tomada de decisão na área da Engenharia?  

Vahan Agopyan - Na engenharia somos treinados para isso, tomamos decisões em cenário de incertezas. Em tudo o que fazemos há uma certa probabilidade de insucesso. Nossos projetos, nossa produção, têm incerteza, pois não é possível modelar como se desejaria: há sempre uma porção de incerteza, e essa incerteza varia conforme o grau de responsabilidade e de dificuldade. Por exemplo, projetar e construir um liquidificador traz menos risco para os usuários do que projetar um carro. Uma falha em um carro pode levar a uma perda humana, enquanto uma falha em um liquidificador faz com que, no máximo, seja necessário comprar outro. O engenheiro, portanto, leva em conta essas ponderações. Engenharia é risco. Mesmo com aplicação de uma matemática sofisticada, a nossa atuação é ainda muito relacionada com incertezas. Por isso, os engenheiros se dão bem em áreas administrativas, financeiras e de recursos humanos, pois estão acostumados a trabalhar com incertezas. Nada nos oferece 100% de garantia, e isso nos leva ao trabalho de quantificar. Nós quantificamos e assumimos os riscos, o tempo todo.

Como você definiria o perfil clássico de um engenheiro, e no que ele ajuda na gestão da maior universidade pública do Brasil?

Vahan Agopyan - O fato de não ter certeza do que vai acontecer é o que nos define. O engenheiro, então, faz uma tabela de riscos, verifica as consequências desses riscos e a possibilidade de eles ocorrerem. Checa, portanto, os cuidados que ele tem que tomar e somente assim segue adiante. É algo rotineiro na cabeça de um engenheiro: uma ferramenta de gestão. Assim, o engenheiro ataca o problema mais grave e que pode ter consequências piores.

Então estamos falando de um sucesso na gestão, correto?

Vahan Agopyan - Estamos falando não só sobre a gestão de um projeto, mas também sobre a sua execução. Por exemplo, no momento da definição de um projeto de engenharia que visa ao conforto térmico, o que é mais grave? Levar em conta o efeito do vento? Ou, do calor? A resposta: depende do projeto. Ou, ainda, o que é mais grave no momento da construção, subestimar a espessura da argamassa ou os recursos necessários ao assentamento do bloco? Todas essas questões devem ser levadas em conta para que atuemos.

As respostas para essas questões são formuladas não somente com base em conhecimento tecnológico, mas também no empírico, ou mesmo no adquirido na prática cotidiana?

Vahan Agopyan - Sim. Por exemplo, quando um juiz pergunta se um acidente ocorrido foi por falha de engenharia, muitas vezes é por um desconhecimento do fenômeno como um todo. Comumente, o fato que provocou o acidente em questão não havia ocorrido antes, era desconhecido, e as pessoas não estavam preparadas para resolver esse tipo de problema. As novas ciências da engenharia surgiram por causa de acidentes gravíssimos. Na década de 1960, rompeu uma barragem na França, foi um acidente com muitos mortos porque gerou uma espécie de onda enorme, como um tsunami fora do mar, que destruiu tudo por onde passou, causando perdas humanas e danos ambientais.  Foi quando surgiu a mecânica das rochas. Até então, uma rocha era considerada algo inerte, tal como um material sólido sem risco nenhum. Assim, criou-se uma ciência da engenharia por causa de um desastre. Outro exemplo, a mecânica dos solos é da década de 1930, não tem nem cem anos. Já o cálculo probabilístico de estruturas é dos anos 1970, 1980. Tais conhecimentos são muito recentes.

Como inovar na construção civil?

Vahan Agopyan - A construção civil trabalha com “produtos” que são adquiridos, como residências e edificações institucionais (por exemplo, escolas), e que têm um ciclo de vida muito extenso, diferentemente de um aparelho celular, que é trocado a cada dois anos. Como trocamos o celular a cada dois anos, uma inovação nesse tipo de objeto pode ser implementada com mais rapidez. Por outro lado, a casa em que moro já tem 20 anos e, desde então, houve evolução no conhecimento, mas a casa continua como era há duas décadas. Explico melhor: por exemplo, utilizo um sistema predial que não previa cabeamento de rede, o que já acontece em um apartamento novo. Entendo que você não vai descartar um apartamento porque ele não tem cabeamento de rede. Você faz uma reforma, um retrofit. Portanto, é um bem durável cujo trabalho de inovação é de longo prazo. Uma estrada, por exemplo, como a Via Anchieta, continua existindo, mesmo com a construção da Rodovia Imigrantes. E o Caminho do Mar só foi fechado porque as pessoas não compreenderam que a velocidade lá devia ser de 30 km/h, porque foi construída originalmente para a passagem de charretes. Inovar na construção civil é um trabalho cuidadoso, de longo prazo. 

Veja como funciona a evolução do conhecimento: quanto mais aprendemos com o que acontece, mais otimizamos nossos produtos. Nosso conhecimento faz com que sejamos mais ousados. Uma ponte construída no século XXI é mais delgada e mais leve do que a de cinquenta anos atrás, e muito mais leve do que a de cem anos atrás. A evolução nos torna mais confiantes. Já o desconhecimento faz com que nos protejamos. Ousamos a ter menos reservas, menos sobras de desempenho porque sabemos melhor como as coisas funcionam. A evolução nas ciências da engenharia modificou muito as coisas. A evolução do automóvel deixa bem claro como hoje ele é mais seguro e mais leve, com menos gasto em material. Antes da Segunda Guerra, carros seguros eram os carros robustos. Atualmente, o carro deforma-se numa batida para proteger o motorista e os passageiros. Ele absorve o impacto para que os passageiros não sofram. Antigamente era o contrário, buscava-se a rigidez do automóvel era visando à segurança dos ocupantes, o que se sabe hoje não é o melhor caminho.

Então, na construção civil, o processo de inovação visa ao uso mais eficiente de materiais e aumento da segurança de desempenho das edificações de modo concomitante?

Vahan Agopyan - No nosso caso, na Engenharia, com mais conhecimento pode-se projetar com mais segurança, menos gasto e com a redução do uso de elementos construtivos e materiais que, em princípio, se mostravam necessários para a eficiência do conjunto construído. Por exemplo, este edifício onde estamos, que abriga a sede da reitoria da USP e foi construído entre o fim da década de 1950 e início dos anos 1960, tem pilares enormes. Hoje, não gastaríamos nem metade desse material para projetá-lo e construí-lo de modo eficiente e seguro. Mas, naquela época, os projetistas tinham evoluído até certo ponto do conhecimento que indicava, por segurança, a necessidade de uso dessa solução de pilar.

A internacionalização foi um importante legado de sua gestão na diretoria da Escola Politécnica. Como reitor, pretende fortalecer ainda mais essa característica em toda a USP?

Vahan Agopyan - A internacionalização é essencial para alcançarmos excelência. É preciso ter parâmetros internacionais de qualidade para buscar excelência. Na Engenharia, não temos dúvida nenhuma: hoje, o engenheiro trabalha em grupos internacionais. Li recentemente uma reportagem sobre a Embraer, que mostrava como cada pedaço de um avião é fabricado em um lugar diferente. Seus engenheiros falam inglês porque vêm de vários países. Isso é muito importante. Para a Escola Politécnica, era uma condição o engenheiro ser internacional para que conseguíssemos mostrar e buscar excelência. E para o aluno, é importante conviver em um ambiente onde se trabalha com grupos internacionais. O aluno terá parceiros que estão na Índia, na China, nos Estados Unidos e na Espanha. Atualmente, os projetos da área de Engenharia acontecem 24 horas do dia, pois, enquanto um dorme, outro trabalha. Esse ambiente, portanto, é fundamental. O mesmo vale para a USP. Não conseguiremos ter parâmetros de qualidade se não tivermos esse relacionamento internacional. A internacionalização não tem a ver apenas com a mobilidade de alunos e professores, ela envolve a criação de um ambiente internacional de ensino e pesquisa. É esse esforço que estamos fazendo, adotando o modelo da Poli para a Universidade de São Paulo. Se você tem convênios internacionais fortes, consequentemente conseguirá mandar seus alunos para fora do país e receberá os de lá, ampliando o convívio nesse ambiente internacional. Um aluno francês em sala de aula altera totalmente o comportamento daquela sala. O mesmo acontece com um aluno nosso que passa um tempo fora e retorna. Atualmente, cerca de 20% dos alunos da Politécnica vão para o exterior. Metade vai para obter um duplo diploma e metade permanece por curtos períodos. A partir do terceiro ano, as salas de aula do curso da Poli já têm um ambiente internacional.

Um dos caminhos para criar esse ambiente na USP é aumentar a quantidade de convênios de pesquisas internacionais?

Vahan Agopyan - Aumentar e fazer pesquisa conjunta. É isso que está sendo feito.

Atualmente, o tema da internacionalização tem relação direta com os esforços que estão sendo feitos no sentido de superar a crise financeira e angariar recursos?

Vahan Agopyan - Tem relação. Obviamente, um número reduzido de bolsas de estudos e menos recursos para pesquisa prejudicam a criação desse ambiente. Mas, no Estado de São Paulo, existe um importante agente financiador que é a FAPESP. Se você tem bons projetos de pesquisa, você consegue recursos para investir no Brasil. Com uma boa proposta, é possível montar um grupo de pesquisa conjunta, aqui e no exterior.

Essa mensagem é interessante não só para o aluno da Escola Politécnica, mas para os alunos da USP, correto?

Vahan Agopyan - Sim. São Paulo ainda tem uma condição privilegiada, mas precisa de bons projetos. No âmbito de todas as áreas de conhecimento, escolas e faculdades que integram a USP, consegue-se montar um projeto internacional, com um parceiro no exterior. E isso valoriza tanto nossos alunos, como nossos professores e pesquisadores, pois eles se tornam reconhecidos no exterior.

Nesse sentido, tanto professores quanto alunos podem participar de maneira mais ativa na interlocução com a nova reitoria e desenvolver esse tipo de projeto...

Vahan Agopyan - Na Politécnica isso já é rotina. Não é tão rotineiro em alguns ambientes por uma série de razões, mais ideológicas do que de competência.

Talvez isso seja um desafio. Oportunidades e desafios caminham juntos. Nesse sentido, em âmbito nacional, você declarou que irá criar grupos de trabalho com foco em gerar conhecimento e realizar pesquisas junto aos órgãos públicos brasileiros. Como funcionarão esses grupos?

Vahan Agopyan - Trata-se de grupos que buscarão criar propostas de políticas públicas. Na USP, temos especialistas em diversas áreas que produzem conhecimento avançado diretamente relacionado a diversos desafios enfrentados pela esfera do poder público. Nós, como instituição, por exemplo, não propusemos para o Estado de São Paulo uma ideia de política pública para o ensino básico, nem para o ensino superior. Nós temos universidades federais, estaduais, privadas, instituições isoladas, FATECS, a Universidade Virtual, e ainda não elaboramos nenhuma proposta. As coisas seguem caminhando no poder público, sem nosso envolvimento. Não podemos, portanto, cobrar nada de ninguém porque nós ainda não propusemos nada. Nós é que temos mais condições para apresentar projetos de política pública. Não podemos criticar nossos deputados e nossos secretários, pois ainda precisamos contribuir.

Temos, por exemplo, problemas relacionados à energia que não são mais problemas que envolvem apenas a Engenharia. Hoje, a questão da energia no Estado de São Paulo é legal. Está também no âmbito do Direito, e não apenas da Engenharia, porque há uma série de restrições e dificuldades legais que precisam de um bom arcabouço jurídico. Então, poderíamos reunir engenheiros da Escola Politécnica, integrantes da Faculdade de Direito e sociólogos da Faculdade de Filosofia, dentre outros, e buscar apresentar uma proposta. Poderíamos, assim, também angariar mais recursos.  

Nesse sentido, como será possível angariar mais recursos?

Vahan Agopyan - Acho difícil para o Estado fornecer mais recursos diretos para a Universidade, mas ele poderia criar modelos de interlocução a partir dos quais a Universidade passasse a ajudá-lo a resolver seus problemas.

O Estado de São Paulo tem cerca de 640 municípios, sendo 500 de pequeno e médio portes. Não vamos resolver seus problemas, mas podemos e devemos identificar prioridades, orientar, propor, apresentar soluções, realizar treinamentos para equipes locais. Não estou pensando em fazer planos diretores para 500 municípios pequenos, pois prestar serviços rotineiros não é tarefa da USP. Mas podemos orientar, treinar, propor checklists.

Especificamente na área de conhecimento do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, há algum tema que considere prioritário?

Vahan Agopyan - No Departamento, existe a área de Engenharia Urbana, que atinge esses 500 municípios. Há quinze, vinte anos atrás, contribuímos fortemente em toda a parte de qualidade de construção, por meio de vários docentes. Isso ajudou o Ministério das Cidades, por exemplo. Mas sempre se tratou de iniciativas realizadas por pessoas físicas, por um docente. Acredito que ao criar novas iniciativas capitaneadas pela pessoa jurídica - o Departamento, a Escola Politécnica, a USP -, é possível valorizar o caráter multidisciplinar do conhecimento. A multidisciplinaridade é uma ferramenta fundamental, pois permite visão sistêmica e integrada sobre a questão a ser estudada. A equipe do laboratório de estudos em materiais da construção civil, do professor Vanderley Moacyr John, é um exemplo: há engenheiros civis, engenheiros de materiais, físicos, químicos e  biólogos, entre outros.

Em seu livro Os Desafios da Sustentabilidade na Construção Civil (ed. Blucher, série Sustentabilidade José Goldemberg), em co-autoria com o professor Vanderley Moacyr John, você trata de sustentabilidade. Existe algo relacionado ao tema que gostaria de ressaltar entre os objetivos de sua gestão, a partir do próximo dia 25 de janeiro? Imagino que esteja, por exemplo, buscando sustentabilidade financeira.

Vahan Agopyan - Vamos tratar o tema sustentabilidade em diversos aspectos, o que inclui o viés financeiro. Por exemplo, nossos campi têm que ser sustentáveis. Ganhamos um concurso internacional entre universidades de proposta de projeto de campus sustentável, chamado Sustainable Campus Excellence Award, concedido pela Rede Internacional dos Campi Sustentáveis (ISCN, na sigla em inglês), no dia 14 de junho de 2016, e agora temos a missão de implantá-lo. O projeto inclui mobilidade; redução da utilização de água, de eletricidade e de energia em geral; manejo sustentável de lixo urbano e orgânico; além de toda a questão que envolve a valorização da presença de áreas verdes e a implantação de compostagem. Quando esse projeto foi feito, o professor Marcelo Romero era o superintendente de gestão ambiental da USP.

O projeto será, então, a oportunidade de uma vivência prática na USP dos conceitos que definem sustentabilidade?

Vahan Agopyan - Sim. Tanto nas edificações, como nas soluções urbanas.

A sustentabilidade é um conceito de como fazer o desenvolvimento sem agredir a natureza, sempre considerando o necessário equilíbrio entre questões ambientais, sociais, culturais e econômicas. Então, isso obviamente é importante para a construção civil, pois somos um setor com índice muito elevado de consumo de matérias-primas. Mas isso vale para todas as nossas atividades, inclusive para a nossa vida familiar. Então, esse conceito de sustentabilidade deve ser implementado pela USP, inclusive porque desenvolvemos na instituição como um todo estudos relevantes em diversas áreas de conhecimento que são relacionadas a ele.

Atualmente, fala-se de economia circular, em que o resíduo de uma edificação, por exemplo, torna-se matéria-prima de outra. Portanto, já estamos falando de algo que não considera somente a dinâmica de estudos "do berço ao túmulo". Já temos dois grupos de pesquisa trabalhando intensamente em economia circular.

A Escola Politécnica é reconhecida pela tradição em formar os melhores engenheiros do país. Ocupa com frequência o primeiro lugar no Guia do Estudante, publicação anual da Editora Abril. Quanto aos temas cota social e cota racial, você tem alguma mensagem para os alunos?

Vahan Agopyan - Sim. Falo do ponto de vista do engenheiro, de maneira bem pragmática. Queremos ter, como alunos, os melhores talentos. Até recentemente, só conseguimos atrair aqueles talentos que tinham a oportunidade de se preparar para o nosso vestibular. Trabalhávamos, assim, com aproximadamente 10% do universo dos nossos jovens. Os outros 90%, não conseguíamos atingir. Provavelmente, nesse universo de 90% há talentos que perdíamos, com as cotas iremos abarcá-los. Ainda do ponto de vista pragmático, com a cota social, o aluno que vai chegar é tão talentoso quanto os outros que já ingressavam pertencentes ao universo de 10% citado. O que é necessário, e já está sendo feito, é que o aluno que ingressa com possíveis deficiências em ensino - como em português ou matemática -, por exemplo, receba (e isso a reitoria já está oferecendo) cursos gratuitos online. No caso da Escola Politécnica, por exemplo, o aluno precisará ter excelente desempenho em matemática, uma disciplina que tem muito peso na grade curricular. Então, possivelmente, precisará de reforço nessa área do conhecimento. Assim, essas deficiências pontuais serão resolvidas com cursos concebidos para adequar os alunos em cerca de seis meses.

Tem outra coisa, também pragmática. Quero formar líderes. Uma universidade de excelência não forma profissionais apenas, forma líderes, pessoas que vão mudar a sociedade para melhor. Não posso formar líderes de um mesmo grupo social. É interessante que eu tenha pessoas com outras origens sociais. Isso não acontece só na USP. Grandes universidades do exterior reservam uma cota de bolsas para alunos que não podem pagar, pois consideram importante ter alunos de realidades sociais diferentes para que todos entendam a complexidade da sociedade contemporânea. São palavras de um reitor de Stanford, universidade que há vinte anos reserva cotas. Já aqui na USP, as cotas também estão repercutindo. Um exemplo ocorreu em uma sala de aula de disciplina de Urbanismo, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Antes das cotas, os alunos que estudavam tinham todo o material completo - pranchetas, softwares de CAD, tudo direitinho. Acabada a aula, todos iam para casa. Agora, com o início da inserção de um maior número de alunos vindos de escolas públicas, uma parte dos alunos do primeiro ano não vai embora para casa quando a aula acaba. Isso porque eles não têm uma mesa de 1,5 m em casa para desenhar, nem computadores, tampouco o material completo, e precisam estudar aqui (na USP). O resultado é que a partir do próximo ano, a FAU resolveu dar um kit básico para todos os alunos que ingressarem, seja ou não via cota social. Além disso, como estes alunos permanecem mais tempo na faculdade, o professor tem condições de interagir mais com eles.

Nas aulas de Sociologia acontece o mesmo. Certa vez, um professor comentou sobre violência em áreas periféricas ao centro da São Paulo, muitas delas sob domínio do tráfico. Um dos alunos rebateu, dizendo que se sentia tranquilo morando em uma dessas áreas, porque ao voltar tarde da noite para casa após a faculdade, sabia que sua casa e sua família estariam em segurança, oferecida exatamente por se tratar de uma área dominada pelo tráfico.  

A cota é importante para a USP e universidades em âmbito mundial, não é assistencialismo. É claro que existem problemas: muito provavelmente esses alunos precisarão de apoio para alimentação, bolsa para permanecer estudando aqui (na USP), o que significa que teremos que buscar recursos adicionais para a permanência desses estudantes. É um desafio, mas o curso em si não vai mudar. A preocupação é com o preparo prévio desses alunos. São jovens talentosos que não tiveram oportunidade.

Isso é, na verdade, um cenário de oportunidades e desafios. Existem os problemas, mas há planos para superar os problemas, correto?

Vahan Agopyan - Teremos desafios, mas também condições de garantir que esse jovem, sem possibilidades financeiras e com talento, possa continuar seus estudos. Em 2021, o percentual mínimo de alunos ingressantes vindos de escolas públicas será de 50%, em todos os cursos. Curiosamente, a Medicina já tem um número alto de cotistas; mas o curso de Relações Internacionais tem um número baixo. Para um aluno de classe média baixa, cursar Medicina ou Engenharia representa uma ascensão social muito mais provável do que entrar em Relações Internacionais, área na qual arrumar emprego é mais difícil e o salário, muitas vezes, mais baixo. O que quero chamar atenção, em princípio, é que alguns cursos mais concorridos, como Medicina, têm, surpreendentemente, percentual relevante de pessoas com menor poder aquisitivo entre os matriculados. Medicina não tem somente alunos da elite, como muitos pensam. A profissão tem aceitação no mercado. O jovem de classe média baixa se esforça para entrar em cursos que têm índices melhores de empregabilidade.

Uma pessoa esforçada muitas vezes chega mais longe do que uma pessoa que teve acesso a mais recursos, não?

Vahan Agopyan - Isso acontece em qualquer profissão. Certa vez, vi um corredor de Fórmula 1 dizendo que sua profissão não tinha segredo, não era apenas uma questão de dom. Esses profissionais trabalham várias horas por dia, sem parar. Aqui na USP, todos os professores talentosos trabalham mais de 60 horas por semana. Não se trata de ser um gênio, é preciso ter força de vontade, aceitar desafios. Isso vale tanto aqui como fora da universidade.

Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade da USP?

Vahan Agopyan - A universidade é uma instituição milenar porque soube se adequar para atender e até antecipar as expectativas da sociedade, e superar desafios. Cabe a nós manter essa postura.

 

Embaixador da Holanda visita o RCGI

Ele conheceu os projetos do Centro e também esteve no Tanque de Provas Numérico da Escola Politécnica da USP.

O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) recebeu em sua sede, nas dependências da Escola Politécnica da USP, em São Paulo, a visita do embaixador da Holanda, Han Peters, na última quarta-feira (06/12). Ele foi recepcionado pelo professor Julio Meneghini, diretor científico do RCGI, que fez uma apresentação sobre os programas e projetos que o Centro mantém para o embaixador. Segundo ele, o objetivo da visita foi estreitar o relacionamento com universidades holandesas, tanto em projetos já existentes quanto em novas parcerias focadas em áreas que apresentem sinergia para intercâmbio entre pesquisadores.

“A visita foi agendada após conhecermos o embaixador em um evento organizado pela Universidade Técnica de Delft, no Consulado da Holanda no Brasil. Ele se interessou em conhecer o RCGI, inclusive por conta de nossa parceria com a Shell, uma empresa anglo-holandesa. Já estamos planejando, para o início do ano que vem, uma viagem para a Holanda no intuito de fazer algo como um road show sobre o RCGI nas universidades holandesas, para atrair pesquisadores e parceiros”, revela Meneghini.

Também acompanharam a visita ao RCGI o coordenador adjunto de Programas Especiais e Colaborações em Pesquisa da Fapesp, Luiz Nunes de Oliveira, representando o diretor científico da instituição, Carlos Henrique de Brito Cruz, e integrantes do RCGI: Emílio Silva, diretor do Programa de Engenharia; Rita de Brito Alves, vice-diretora do Programa de Físico Química; Karen Mascarenhas, diretora de RH e Liderança; e Suani Teixeira Coelho, vice-diretora do Programa de Políticas de Energia e Economia.

O embaixador fez, ainda, uma visita ao Tanque de Provas Numérico da Escola Politécnica da USP, acompanhado pelo professor Kazuo Nishimoto.

Sobre o RCGI: O RCGI – Fapesp-Shell Research Centre for Gas Innovation realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, e estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil de forma sustentável. Os pesquisadores do centro atuam em quatro programas: Engenharia, Físico/Química, Políticas de Energia e Economia, e captura e armazenamento de carbono. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, na capital paulista, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da empresa Shell. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

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ATENDIMENTO A IMPRENSA
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