Escola Politécnica da USP

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Treinamento odontológico em realidade virtual é premiado em congresso nacional

Projeto que envolve diversos institutos e departamentos, entre esses o PCS, da Poli, criou ambiente em realidade virtual para treinamento em Odontologia.

Um projeto que recria virtualmente um consultório odontológico e simula situações em que os estudantes de odontologia podem praticar procedimentos, como aplicação de anestesia foi desenvolvido em parceria por pesquisadores e docentes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), da Faculdade de Odontologia da USP do campus de Bauru, e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP), além de contar com a participação de estudantes de ciências moleculares e design.

Chamado de Virtual Interactive Distance learning on Anatomy (VIDA), Vida Odonto, o projeto teve origem no doutorado de Cléber Gimenez Corrêa, Simulador de Anestesia Odontológica. Ele foi co-orientado pelo professor do Departamento de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, Romero Tori, e pela professora da EACH, Fátima de Lourdes dos Santos Nunes Marques.

A pesquisa evoluiu para uma versão imersiva que foi tema do artigo Treinamento Odontológico Imersivo por meio de Realidade Virtual, que recebeu o prêmio de melhor artigo na Trilha 2 no XXVII Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, ocorrido em Uberlândia, Minas Gerais. O texto é de autoria do professor Tori, da professora da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru (FOB-USP), Maria Aparecida Andrade Moreira Machado, e dos estudantes Gustavo Wang, Lucas Henna Sallaberry, Allan Tori e Elen Collaço de Oliveira.

Com o ambiente, os alunos têm a capacidade de treinar sem a utilização de corpos (que não expressam reações fisiológicas) ou animais vivos (que esbarraria na questão ética). O aluno, ao colocar o capacete de realidade virtual, visualiza o paciente virtual e pode realizar procedimentos odontológicos com as mãos. O professor Tori destaca que com a realidade virtual o estudante tem uma melhor noção espacial, o que facilita no aprendizado. Segundo ele, o projeto é inédito no mundo.

“Enquanto o foco do simulador foi o realismo do retorno háptico na simulação da aplicação de anestesia, no projeto VIDA Odonto, que usou o mesmo modelo de cabeça do paciente o foco foi a imersão em Realidade Virtual” explica Tori.

O evento - O Simpósio Brasileiro de Informática na Educação acontece desde 1990 e atualmente ocorre dentro do Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE), o maior evento da área no País. O simpósio é dividido em cinco trilhas, sendo a trilha dois, na qual a equipe da USP foi premiada, a que compreende jogos, simulação, gamificação, meta-cognição e neurociência em Ambientes e Sistemas Computacionais para Ensino/Aprendizagem.

O artigo pode ser encontrado no site do Simpósio.

(Larissa Lopes | Jornalismo Júnior, com edição da Assessoria de Imprensa da Poli - USP)

 

Sergio Adorno ministra aula magna na Poli Santos

Campus no litoral se fortalece, com a realização de pesquisas envolvendo demandas da região e novo curso de Engenharia da Complexidade.

O cientista social Sergio Adorno irá ministrar amanhã, quinta-feira (09/03), às 10 horas, a aula magna para os calouros do curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em Santos, litoral paulista. Adorno é professor do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, (FFLCH-USP), e uma das maiores referências no Brasil quando se trata de estudos sobre violência, direitos humanos, criminalidade urbana, controle social e conflitos sociais.

“A Engenharia tem como finalidade principal a melhoria da qualidade de vida das pessoas e auxiliar na solução dos problemas sociais. Ninguém melhor do que o professor Sergio Adorno para falar das questões sociais para nossos ingressantes”, destaca o diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira. A Poli disponibilizou para 2017 um total de 50 vagas no curso de Engenharia de Petróleo em Santos – seis pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e 44 pela Fuvest.

A cada ano as atividades da Escola em Santos se fortalecem. “O campus da Poli em Santos desenvolveu-se e está totalmente integrado à cidade, trabalhando no sentido de colaborar com a solução das questões municipais relevantes”, ressalta Piqueira. Algumas iniciativas exemplificam essa integração, como os estudos multidisciplinares com intuito de avaliar as possibilidades técnico-econômicas de ampliação sustentável das atividades do Porto de Santos e o projeto de pesquisa sobre os impactos da dragagem do Porto ao meio ambiente.

O campus da USP em Santos ganhará ainda mais destaque com a realização do curso de Engenharia da Complexidade, a ser realizado na cidade. Ele já foi aprovado no âmbito da Congregação da Poli e está tramitando nos órgãos da Reitoria que são responsáveis pela análise e aprovação de novos cursos na USP. Trata-se de uma iniciativa pioneira, em nível mundial, feita em conjunto com o Groupe des Écoles Centrales, da França.

Um breve currículo do professor Adorno – Graduado em Ciências Sociais pela USP, Sergio Franca Adorno de Abreu é doutor em Sociologia, também pela USP, e tem pós-doutorado pelo Centre de Recherches Sociologiques sur le Droit et les Institutions Pénales (CESDIP), na França. Foi agraciado com a classe Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2008.

Ele é coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP e é responsável pela Cátedra Unesco de Educação para a Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância, e Coordenador Científico do Projeto CEPID/FAPESP USP “Building Democracy Daily: Human Righs, Violence and Institutional Trust” (2013-2018).

Serviço:
Aula magna Santos com o professor Sergio Adorno.
Data e horário: 9 de março, 10h.
Local: Campus da USP em Santos.
Endereço: Praça Narciso de Andrade, S/N - Vila Matias. Santos.

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Poli-USP produz vídeo para combater assédio e violência sexual na Universidade

Material foi lançado hoje (08/03), Dia Internacional da Mulher, e integra política da
Escola de 
promover o respeito e a ética nas relações interpessoais.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli - USP) lançou hoje (08/03), Dia Internacional da Mulher, o vídeo “USP: Aqui Não”, produzido pela instituição, e que trata do tema “Abuso na Universidade”. Nele, alunas relatam casos de situações machistas, de assédio e violência sexual vivenciados por elas ou por colegas em salas de aula, festas e no cotidiano da USP. 

No vídeo, há também depoimentos do diretor da Escola, professor José Roberto Castilho Piqueira, e da vice-diretoria, professora Liedi Legi Bariani Bernucci, que teve participação ativa no roteiro. Em seu depoimento, ela relata sua experiência como mulher na maior escola de Engenharia do País e a importância de lutar contra as desigualdades de gênero, que ainda persistem no ensino e no exercício da profissão de engenheiro. Há também depoimento da professora Eva Alterman Blay, coordenadora do programa USP Mulheres/ONU, projeto que combate a violência contra a mulher na Universidade.

A produção do vídeo foi uma iniciativa da Poli, em parceria com a USP Mulheres e as alunas. O vídeo está sendo divulgado pelo site e mídias sociais da Poli e foi exibido pela Diretoria da Escola na última segunda-feira (06/03) para os alunos ingressantes que participaram da aula inaugural de 2017.

Confira o vídeo no canal da Poli no Youtube.

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Alunos organizam campanha de apoio para estudantes de baixa renda da Poli-USP

Programa “Nosso Estojo” aceita doações em dinheiro, por meio da internet, e de materiais escolares, que integrarão kits a serem distribuídos aos graduandos.

A Universidade de São Paulo (USP) tem um dos maiores programas de bolsas e auxílio permanência voltados para os alunos de baixa renda no País. Apesar disso, e da universidade ser gratuita, muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades para viabilizar sua ida às aulas, por causa de despesas com alimentação, transporte e material escolar. Diante dessa situação, um grupo de alunos de graduação da Escola Politécnica da USP (Poli) acaba de lançar o projeto “Nosso Estojo”, com o objetivo de ajudar os estudantes de baixa renda que ingressaram na instituição este ano, por meio da doação de kits com materiais de estudo.

Nesta fase do projeto, os promotores da campanha estão buscando financiamento, em dinheiro ou na forma de doação de materiais escolares como apontadores, canetas, borracha, lápis, régua, cadernos, folhas sulfites, entre outros, para compor os kits. Esses materiais podem ser doados em postos a serem montados pela equipe do projeto em locais que serão divulgados posteriormente. Já a arrecadação de recursos financeiros é feita via crowdfunding. É possível contribuir pelo site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/nosso-estojo-escola-politecnica-da-usp. Qualquer pessoa pode fazer sua doação. O grupo pretende arrecadar R$ 7 mil para poder montar e distribuir um total de 300 kits. O orçamento está detalhado no site.

“Nosso objetivo é ajudar o estudante de baixa renda da Poli a assistir as aulas, além de propiciar atenção e acolhimento a esses alunos, expressando por meio do projeto um gesto de amizade a quem já lutou muito. Não é justo terem  superado condições adversas para passar no vestibular, chegar até aqui e não conseguir avançar por falta de dinheiro para coisas básicas como alimentação e compra de material escolar”, afirma George Emiliano, um dos idealizadores do projeto. “Queremos promover a integração desses alunos, oferecendo não só os kits, mas apoio. Estamos disponíveis para ajudá-los em caso de dúvidas sobre o funcionamento da Poli, dificuldades com as matérias etc”, completa Bruno Beltramini Cruz.

A campanha também tem um aspecto educativo para a própria comunidade politécnica. “Não queremos que as diferenças econômicas marginalizem as pessoas dentro da Poli, então, queremos que os demais alunos da Escola entendam que podem ajudar quem tem menos recursos. Por meio desse pequeno gesto, queremos começar a quebrar a barreira da exclusão social e econômica dentro da instituição”, continua Vinicius Shinya, outro integrante do grupo. Além deles, também trabalham no projeto “Nosso Estojo” os graduandos Abidan Henrique e Fernando Liguori. A iniciativa conta com o apoio da Diretoria da Poli.

Os kits – Por ser um projeto recém-elaborado, o “Nosso Estojo” está numa fase piloto. Está prevista a distribuição de 100 kits de cada tipo. No “Kit Básico”, haverá apontador com reservatório, borracha, duas canetas esferográficas azuis e uma vermelha, um estojo, dois lápis grafite 02, uma caneta marca-texto, e uma régua transparente de 15 centímetros. O “Kit Caderno” conterá um bloco com 100 folhas sulfite e três cadernos pautados com capa dura. O “Kit Desenho” será composto por um apontador com reservatório, uma borracha, um bloco com 100 folhas de sulfite, um caderno quadriculado com capa dura, um lápis grafite 02, um lápis grafite técnico HB, um lápis grafite técnico 2B, uma pasta de elástico, um conjunto para desenho contendo um transferidor, um esquadro de 45 graus, um esquadro de 60 graus e uma régua de 30 centímetros.

“Pensamos na divisão de kits porque o estudante pode já ter, por exemplo, um estojo completo, mas não ter os cadernos ou o material para desenho”, exemplifica George Emiliano. Para receber o kit, o aluno deverá se inscrever na internet e enviar um comprovante de renda. A data de abertura do formulário e da entrega dos kits será definida posteriormente, pois depende do andamento da campanha de financiamento e arrecadação de materiais. 

(Janaína Simões)

 

Diretor da Poli destaca importância das fundações na interação da Escola com a sociedade

José Roberto Castilho Piqueira participou do primeiro de cinco seminários que celebram os 50 anos da Fundação Vanzolini.

O trabalho das fundações de apoio como a Vanzolini é fundamental para que a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo tenha uma visão que ultrapassa os muros da universidade e interaja com a sociedade. A afirmação é do diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, que participou nesta terça-feira (07/03) do primeiro de uma série de cinco seminários que estão sendo realizados pela Fundação Vanzolini, como celebração de seus 50 anos de existência. O seminário “O Papel da Fundação Vanzolini na Relação Universidade-Empresa” foi realizado no auditório do Departamento de Engenharia de Produção da Escola, no campus do Butantã, em São Paulo.

Também integraram a mesa o vice-reitor da USP e também docente da Poli, Vahan Agopyan, representando o reitor da universidade, professor Marco Antônio Zago; o presidente da Diretoria Executiva da Fundação Vanzolini, João Amato Neto; o chefe do Departamento de Engenharia de Produção, professor Fernando Laurindo; e Airton Grazzioli, curador das Fundações no âmbito do Ministério Público. A vice-diretora da Poli-USP, professora Liedi Legi Bariani Bernucci, esteve na plateia, assistindo o seminário.

“A Poli é uma Escola de Engenheira pública, gratuita e de alto nível, e, sendo assim, precisa de recursos, mas o que recebemos do governo do Estado é insuficiente para mantermos o nível”, afirmou Piqueira. “Nesse sentido temos a contribuição fundamental da Vanzolini e de duas outra fundações a nós associadas [a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica - FCTH e a Fundação de Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia – FDTE] para a manutenção desse ensino gratuito e de alto nível”, completou.

Os patrimônios da Escola – O diretor da Poli destacou a importância da Vanzolini e demais fundações para a manutenção do que ele define como os três grandes patrimônios da Escola – o físico, o intelectual e o moral. “Sem a ajuda das fundações, nosso patrimônio físico não estaria nas condições aceitáveis que temos hoje. A Poli conseguiu atravessar esse período de desequilíbrio financeiro da universidade sem sofrer grandes consequências porque ela sempre pôde contar com recursos de projetos, de trabalhos de seus professores e da interação com as fundações. Essa contribuição é preciosa”, disse.

Segundo ele, as fundações também são essenciais no apoio à manutenção do patrimônio intelectual, representado pelos professores, alunos e funcionários da Poli. “Os professores da Vanzolini trabalham, efetivamente, com agentes do mercado, com a sociedade e, portanto, trazem para dentro da nossa Escola uma visão muito importante do mundo externo”, pontuou. “A Fundação Vanzolini nos ajuda sobremaneira a interagir com a sociedade e faz algo que é fundamental, o compartilhamento do conhecimento aqui desenvolvido com a sociedade”, prosseguiu.

Por fim, Piqueira falou no patrimônio moral, que é expresso no reconhecimento do mercado e da sociedade, de forma geral, de que a Poli forma os melhores profissionais no campo da Engenharia. “Por causa dele, preenchemos todas as vagas no Sisu, apesar de termos colocado uma nota de corte altíssima e muitos terem dito que não conseguiríamos completar as vagas”, exemplificou. “Esse patrimônio moral é muito importante para todos nós e tem sido reforçado e resguardado pelo bom trabalho da Fundação Vanzolini”, comentou. Ele encerrou sua participação no seminário agradecendo a todos os que trabalharam e trabalham na Fundação Vanzolini e colaboram para que ela ofereça um suporte de valor inestimável para a Poli.

Confira aqui mais detalhes sobre o ciclo de Seminários da Fundação Vanzolini “5 Temas em Debate para os Próximos 50 Anos”. 

(Janaína Simões)

 

Lotação máxima na aula magna ministrada por José Goldemberg na Poli-USP

Ingressantes de 2017 tiveram a oportunidade de aprender mais sobre a questão energética e sustentabilidade.

Mais de 800 alunos participaram hoje (06/03) da aula magna da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), proferida pelo professor emérito da USP e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o físico José Goldemberg, no auditório do Centro de Difusão Internacional da USP (CDI), no campus do Butantã, em São Paulo. Ele falou sobre o tema “Energia, Tecnologia e Desenvolvimento”, e ressaltou o papel da Engenharia nas pesquisas para o desenvolvimento do Brasil e também para o enfrentamento das questões relacionadas a sustentabilidade da vida na Terra.

Antes da aula, o diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, deu as boas-vindas e parabenizou os novos alunos da Escola. Ele destacou a importância da formação ética dos futuros profissionais, fundamental para a recuperação e desenvolvimento do País. “Chamamos para a aula magna alguém que represente um modelo profissional e ético em Ciências Exatas, e é um honra ter o professor Goldemberg para ministrá-la, uma pessoa que dispensa apresentações”, destacou Piqueira ao participar da mesa de abertura, ao lado do vice-reitor da USP e docente da Poli, Vahan Agopyan e de um dos coodenadores do Ciclo Básico, professor Augusto Neiva.

Agopyan cumprimentou os alunos por perserverarem nos estudos, por terem escolhido a carreira de Engenharia e a Poli, que, recordou ele, busca formar engenheiros que “façam a diferença”. O vice-reitor também ressaltou o trabalho do professor Goldemberg na USP quando este ocupou a reitoria da instituição, entre 1986 e 1990. “Se a USP hoje está presente nos rankings internacionais como uma das melhores da América Latina, devemos isso também ao professor Goldemberg, que promoveu uma reforma na universidade e a desenhou para ser a instituição de ponta que temos hoje”, concluiu.

Ao iniciar a aula magna, (cujo documento-base pode ser acessado aqui), Goldemberg lembrou que há cerca de 40 anos ele deu uma aula para uma turma de iniciantes na Poli. “Foi a primeira vez que falei para uma classe com mais de 600 alunos e hoje temos mais estudantes aqui”, brincou. Ele contou como se tornou professor catedrático da Poli, e que trouxe para a Escola um conteúdo mais moderno da Física. Enquanto os docentes anteriores trabalhavam com a Física Clássica, baseada nas Leis de Newton, ele trouxe os avanços científicos da época para o curso, dando ênfase aos conteúdos da Teoria da Relatividade e da Física Quântica.

“Vocês vão reclamar dos próximos dois anos como os meus alunos reclamaram há 40 anos, mas saibam que o que fazemos é para o bem de vocês”, afirmou ele, despertando as primeiras risadas entre os alunos. “Hoje, encontro alunos que foram meus estudantes há quatro décadas e atualmente são dirigentes de bancos e grandes empresas e todos eles me agredecem pelo ensino de Física, que incorporou os avanços modernos da época. É um tipo de conhecimento que será muito útil para vocês ao longo da vida”, disse.

A seguir, ele entrou nos aspectos técnico-científicos do tema da aula, sua especialidade: a energia. Apresentou um panorama da evolução do consumo de energia ao longo da História humana, destacando quanto o uso se ampliou na medida em que mais evoluía a tecnologia e mais se complexa se tornava a vida das sociedades.

Mostrou também um panorama de como se dá a produção e consumo de energia de forma global, da dependência por energias fósseis e da desigualdade energética, considerando que apenas metade da população do planeta tem acesso a energia produzida por fontes mais desenvolvidas, como carvão, petróleo gás natural, hidrelétrica, nuclear e biomassa. “Para metade da Humanidade esse sistema funciona, enquanto a outra metade usa sistemas mais primitivos. Não se trata de um problema de energia, mas de desenvolvimento dos países”, ponderou.

Goldemberg também falou sobre a exaustão das reservas de petróleo e os impactos ambientais provocados pelo uso de combustíveis fósseis, com destaque para o processo de aquecimento global. Destacou o diferencial da matriz energética brasileira em relação a de outros países, já que 46% dela é baseada em energia renovável, enquanto os fósseis predominam na matriz de outras economias do mundo, como a dos Estados Unidos. “Há um enorme campo para a Ciência e a Engenharia nessa área, campo do qual vocês, da Poli, terão chance de participar. O papel da energia renovável é crescente em outros países e o Brasil tem condições de liderar esse processo”, lembrou.

O professor defendeu um novo modelo de desenvolvimento que não seja calcado no elevado consumo de energia. “Não precisamos repetir a trajetória de países como Estados Unidos, Alemanha, França etc no que se refere ao uso de energia. Temos o modelo do etanol para mostrar que podemos usar uma fonte de energia renovável e não poluente. Podemos dar um salto à frente e o local onde podemos dar esse salto é a Escola Politécnica. São vocês”, finalizou a aula.

Mensagens da Diretoria da Poli – Após a aula magna, o diretor da Poli, professor Piqueira, assumiu novamente a palavra, com o objetivo de aconselhar e orientar os ingressantes sobre a vida na Escola. Ele deu conselhos sobre questões práticas, como segurança e aproveitamento de tudo que a Poli tem a oferecer, como o trabalho em projetos de pesquisa nos laboratórios, e programas como o de iniciação científica e de duplo diploma, mas sua fala foi especialmente enfática sobre a questão da formação e comportamento éticos.

“A Poli tem três patrimônios: o físico, o intelectual e o moral. Este último é que nos dá a ideia de que quem estuda na Poli terá um emprego garantido depois, então preservem esse patrimônio”, recomendou. “Nossa Engenharia está sendo jogada no lixo por engenheiros bem formados, tecnicamente, mas com patrimônio moral zero”, apontou.

Outro aspecto para o qual chamou atenção foi a necessidade de se trabalhar e estudar intensamente. “A Poli é muito dura? Sim, é, mas se Engenharia fosse simples, cada um construiria um ponte estaiada no seu quintal”, brincou, desperando risadas na plateia. Piqueira também comentou que o Brasil precisa de engenheiros. “Basta olhar o Carnaval do Rio de Janeiro deste ano. O engenheiro é o profissional poderia dizer que aquela estrutura não suportaria tanto peso”, exemplificou.

Piqueira também lembrou que a Poli, como toda a USP, não é gratuita. “Temos quase 500 professores, com doutorado, cerca de 400 deles trabalhando em tempo integral. Não dá para comparar com qualquer outra Escola de Engenharia. E isso custa. A Poli é uma Escola paga por toda a sociedade”, ressaltou. “Quando saírem daqui, vocês terão de devolver esse investimento da sociedade. Não na forma de dinheiro, necessariamente. Vocês podem criar uma empresa e gerar empregos, mas, principalmente, vocês podem devolver esse investimento sendo éticos”, disse.

Ele recordou, ainda, que a Poli foi fundada por republicanos paulistas. “Não cabe, numa Escola republicana como a nossa, o preconceito, o cerceamento de ideias, mas sim o tratamento igualitário”, afirmou. Ao final, foi exibido um vídeo produzido pela Poli, entitulado “USP: Aqui Não”, focado no combate ao preconceito e assédio sexual, com depoimentos de alunas e professoras da Poli e de outras faculdades da USP. O vídeo será lançado quarta-feira (08/03), no Dia Internacional da Mulher.

Na parte da tarde, os calouros assistiram o vídeo institucional sobre a Poli e palestras diversos. O professor Augusto Neiva, Coordenador do Ciclo Básico,  deu diversas informações sobre a parte acadêmica do curso e sobre a vida universitária. O Prof. Márcio Lobo apresentou o programa de internacionalização da Poli e a professora Carina Ulsen falou sobre as atividades de pesquisa da Escola. Representantes do Grêmio e da Atlética finalizaram as atividades do primeiro dia letivo dos calouros de 2017.

A Semana de Recepção aos Calouros continua prossegue com palestras diversas, visitas a laboratórios e ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), entre outras atividades (confira aqui a agenda e também o hotsite com informações especiais para os calouros).

A Semana de Recepção termina neste sábado (11/03), com o Trote Solidário, realizado pelo grupo Poli Social. Calouros e veteranos ajudarão na reforma do pátio da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento (EMEI Antônio Bento), instituição que atende cerca de 150 crianças, localizada nas proximidades da Universidade. 

Confira as fotos da aula inaugural no álbum da Poli no Flickr

(Janaína Simões)

 

Mais de 800 pessoas participam da reunião de pais da Poli-USP

Calouros de 2017 e familiares são recebidos pela Diretoria da Escola em evento no CDI neste domingo.

Mais de 800 pessoas, entre pais, familiares, responsáveis e calouros participaram da Reunião de Pais promovida pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) neste domingo (05/03). O evento ocorreu no auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP. Os novos estudantes foram recepcionados pelo diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, pela vice-diretora da Escola, professora Liedi Legi Bariani Bernucci, pelo coordenador do ciclo básico, professor Augusto Camara Neiva, pelo presidente do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, Lucas Sancassani, e pelo representante da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP), Gustavo Anzai.

A reunião ocorre todo ano e busca apresentar o universo da Escola e da Universidade aos pais e responsáveis dos calouros. Piqueira, que foi o primeiro a falar, abriu a cerimônia parabenizando os ingressantes e seus familiares pela conquista e mencionando a importância da família na preparação do aluno. Após apresentar a diretoria, ele destacou o seu “compromisso em colocar a Escola entre as mais conceituadas do mundo e em garantir que o estudante tenha consciência do ambiente em que vive”. O diretor também defendeu a formação “ética, moral e técnica” do engenheiro como uma das prioridades da Poli.

Após sua fala, Piqueira deu início a uma curta apresentação da história da Poli, que foi fundada em 1893 por Paula Souza. O diretor não deixou de falar sobre o panorama da profissão no Brasil e no mundo, questionando a pouca visibilidade social que o engenheiro brasileiro possui e enaltecendo os muitos ramos que um politécnico pode seguir, desde a área acadêmica até setores empresariais e administrativos. Ele explicou ainda sobre a estrutura da Poli, que possui 15 Departamentos, 103 laboratórios de pesquisa e aproximadamente 450 docentes, e deixou o seu entusiasmado incentivo à iniciação científica dos estudantes, um dos fatores que tornam a Poli uma das mais conceituadas escolas de engenharia da América Latina.

As entidades acadêmicas independentes à diretoria, como o grêmio e a atlética, também foram apresentadas por Piqueira, que não deixou de elogiar o bom trabalho feito por elas. Para fechar seu discurso, o diretor deixou um pedido aos pais e familiares dos novos alunos: o de apoiá-los nos próximos momentos que, segundo ele, não serão fáceis, mas que podem ser gratificantes.  

Após a fala do diretor, o vídeo institucional da Escola foi exibido aos pais. Nele, foram apresentados os principais laboratórios e centros de pesquisa que a Poli oferece.

Lucas Sancassani, presidente do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, explicou aos presentes o funcionamento do Fundo, que se baseia em modelos internacionais de endowment utilizados por Universidades renomadas. Lançado em 2012, o Fundo já conta com aproximadamente R$ 12 milhões em doações e já apoiou mais de 40 projetos de estudantes da Poli, entre eles a criação das disciplinas “Desenvolvimento Integrado de Produtos” e “Próteses e Órteses de Baixo Custo”. “O objetivo do Fundo é de desenvolver o potencial dos alunos da Poli, contribuindo sempre com a excelência da sua formação”, defendeu Lucas.

Gustavo Anzai, representante da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP), explicou que a entidade reúne os antigos alunos da Poli e que promove eventos para melhorar a integração dos mais de 20 mil engenheiros formados pela Escola desde a sua fundação. A associação, segundo ele, oferece uma grande quantidade de bolsas de estudo e iniciação científica aos alunos, garantindo assim maior permanência estudantil àqueles com baixa renda.

O professor Augusto Camara Neiva, coordenador do ciclo básico da Poli, se encarregou de dar alguns esclarecimentos a respeito da estrutura curricular da Escola, que nos dois primeiros anos é composta basicamente de matérias fundamentais comuns a todos os alunos, o denominado biênio. Além disso, ele ainda falou sobre a programação da Semana de Recepção aos Calouros 2017, que se inicia hoje (06/03).

Encerrando o evento, a vice-diretora e professora Liedi Legi Bariani Bernucci explicou como funciona a administração financeira da Universidade e como as inúmeras parcerias que a Poli possui com empresas, associações e entidades externas contribuem na produção de conhecimento tecnológico para a sociedade e de conhecimento didático para os alunos. “Nosso esforço é para que a Escola tenha cada vez mais recursos e se torne cada vez melhor”, contou a professora. Ela ainda expressou o desejo de reencontrar os pais e familiares em outra cerimônia, a da colação de grau dos alunos.

A Atlética Acadêmica Politécnica promoveu a venda de peças de vestuário com o emblema da Poli. Junto a ela, o Fundo Patrimonial Amigos da Poli e a AEP montaram estandes para o recolhimento de doações.

Confira as fotos do evento - https://www.flickr.com/photos/poliusp/albums/72157677686965913

(Amanda Panteri)

 


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