Escola Politécnica da USP

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Programa de integração entre alunos de Engenharia da USP entra na fase final

Estudantes selecionados para a segunda etapa do PIE² estão passando a semana na Escola Politécnica.

Aprender com dois nomes reconhecidos dos setores sucroenergético e de consultoria em inovação foi a tarefa do terceiro dia de atividades dos estudantes de Engenharia de diferentes campi da Universidade de São Paulo (USP), reunidos na Escola Politécnica (Poli-USP) para a realização da segunda etapa do Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIE2). O evento ocorre entre os dias 11 e 16 de dezembro, nas dependências da Poli, e é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade e da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).

As duas palestras foram divididas entre a manhã e a tarde desta quarta-feira (13/12), e contaram com a presença de Pedro Eduardo Pinho de Assis, da PASys Engenharia e Sistemas, empresa que presta consultoria na área de negócios agroindustriais; e Fábio Pando, CEO da Horizon Consulting, empresa de inovação em negócio.

A primeira etapa do Programa premiou os melhores projetos inscritos entre todos os cursos de Engenharia oferecidos pela universidade nos campi de São Paulo e de cidades do interior. Nela, as equipes tiveram que pensar em uma solução para os problemas identificados por ela sem uma fotografia da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Agora, os finalistas se reúnem na Poli para competir entre si, e a equipe vencedora receberá apoio financeiro para a realização de um estágio no exterior no valor de US$ 1,2 mil mensais para cada membro.

Perspectivas para a cana - A primeira palestra do dia - “Evolução tecnológica do setor sucroenergético” - foi feita por Pinho de Assis, e trouxe aos estudantes um resumo da história do setor e dos seus momentos mais importantes, como a criação do programa Proálcool, em 1975; e das possibilidades de crescimento da indústria sucroenergética com a aprovação da Renovabio, lei que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis na matriz energética brasileira e que pode significar um incentivo aos produtores de álcool a melhorarem a eficiência e diminuírem ainda mais a emissão de carbono.

Segundo o palestrante, o objetivo da conversa com os alunos foi “motivá-los a estudar o setor e quem sabe até entrar nele, uma vez que o álcool volta na pauta mundial com as perspectivas de mudanças climáticas”. Para ele, a estagnada no preço da gasolina há mais de sete anos no país pode ter significado um congelamento do crescimento da indústria do álcool, mas esse cenário pode mudar a qualquer momento. “O setor sucroenergético tende a responder muito rapidamente aos estímulos de investimentos”, confirma o palestrante. Diante disso, ele convidou os participantes a pensarem na atuação “nesse mar de oportunidades”.

Um dosdesafios apontados por Pinho foi a questão do melhor aproveitamento da vinhaça, líquido resultante da produção do álcool. Atualmente, ela é destinada para irrigação dos canaviais,, uma vez que é composta basicamente de água e de resíduos não prejudiciais ao solo. Contudo, sabe-se que ela pode ser transformada em biogás. Eletambém apresentouum panorama dos principais acontecimentos para o setor açucareiro e algumas curiosidades, como o fato das primeiras utilizações da mistura de álcool e gasolina para alimentar os motores de carros datarem de 1908.

Como inovar no mundo atual - A segunda palestra, proferida por Pando, trouxe aos alunos as principais estratégias para conseguir desenvolver e aplicar uma ideia inovadora. Segundo ele, o Brasil passa pelo chamado bônus demográfico - quando há mais gente trabalhando do que aposentada -, hora mais propícia para o investimento no crescimento econômico e tecnológico do país.

Para isso, o palestrante afirmou serem necessárias mudanças drásticas na lógica da gestão das empresas, por exemplo. “Atualmente, o mundo contemporâneo é centrado no indivíduo, que produz, compartilha e é dono de seu próprio conteúdo na internet. Quando analisamos a estrutura de uma instituição tradicional - extremamente hierárquica e conservadora -, percebemos que ela não se encaixa mais nesse modelo”, explicou.

Ainda segundo Pando, as mudanças trazidas pela era digital afetaram também a lógica de consumo da sociedade atual. “Os estoques estão se tornando desnecessários, uma vez que os produtos são feitos sob medida para os compradores”, afirmou. “O que as empresas devem fazer é tentar entender o que o consumidor quer, e se isso é tecnicamente possível e financeiramente viável”.

Para isso, lançou o desafio aos estudantes presentes. “O que o consumidor quer é algo muito complexo de descobrir. A chave é tentar humanizar ao máximo as relações com ele e tornar suas tomadas de decisão as mais simples possíveis”, finalizou.

Última atualização em Qua, 13 de Dezembro de 2017 15:41
 

Multidisciplinaridade e pesquisa conjunta estão entre caminhos apontados pelo futuro reitor da USP

Entrevista Vahan Agopyan

Por Clarissa Turra

Em 25 de janeiro de 2018, o Engenheiro Civil Politécnico Vahan Agopyan assumirá a tarefa de gerir a Universidade de São Paulo (USP) e será o 27º reitor da maior universidade pública do Brasil. Nascido na Turquia e naturalizado brasileiro, Agopyan já foi Chefe do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, assim como Diretor da Escola e, também, Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. O novo reitor da USP nomeado para atuar a partir do próximo ano em um mandato de quatro anos, nessa entrevista, comenta as oportunidades e os desafios da nova gestão. Um dos desafios é fortalecer, em toda a Universidade, a internacionalização. "É essencial para alcançarmos excelência", considera Agopyan sobre o tema. "A internacionalização não tem a ver apenas com mobilidade de alunos e professores, mas com a criação de um ambiente internacional de ensino e pesquisa", completa. O outro desafio, junto à oportunidade inerente, é aproximar sociedade, universidade e governo por meio da criação de grupos de trabalhos multidisciplinares para a proposição de políticas públicas. Temas tais como sustentabilidade e o perfil do "profissional gestor", também estão em pauta. "Sustentabilidade significa desenvolver soluções que promovam equilíbrio entre questões sociais, culturais, econômicas e ambientais. Isso vale para todas as nossas atividades, inclusive para a vida familiar", diz o futuro reitor. Se os desafios existem, também existem soluções. E, segundo ele, o conjunto de incertezas que permeiam a vida de um engenheiro torna-se uma poderosa ferramenta de gestão, inclusive universitária. "Engenharia é administrar o risco. Por isso, temos facilidade para atuar em áreas administrativas, financeiras e de recursos humanos, pois estamos acostumados a trabalhar com incertezas", ensina ele. "É algo rotineiro na cabeça de um engenheiro, uma ferramenta de gestão", acredita. Leia, a seguir, a conversa com Agopyan.

Durante o momento de comemoração de sua nomeação para futuro reitor da USP, junto ao grupo de professores, funcionários, pesquisadores e convidados do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, no último dia 17 de novembro, você ressaltou que a extensa experiência no âmbito do Departamento fortalece sua atuação na reitoria. Poderia comentar isso?

Vahan Agopyan - Em minha fala durante a confraternização, o que destaquei é que nosso Departamento, no início, teve a felicidade de contar com muitos docentes jovens. Essa geração inclui os professores Alex Abiko, Eduardo Ioshimoto, Hermes Fajersztajn, Moacyr Eduardo Alves da Graça, Paulo Helene, Orestes Marracini Gonçalves, o saudoso Vanderlei Flausino e eu. Nesse grupo, alguns de nós tivemos a oportunidade de assumir tarefas e responsabilidades que, atualmente, jovens doutores raramente assumem. Eu, com quarenta anos, tive cargo de chefia. Na década de 1990, fui Chefe de Departamento sendo apenas um Professor Doutor, e coordenei um programa de pós-graduação como um Doutor recente. Esse foi um período com boas experiências para todos nós. O Departamento, então, foi um bom ambiente para me preparar para atividades administrativas acadêmicas.

Em uma das reportagens publicadas sobre sua nomeação, chamou atenção a seguinte frase: “O engenheiro é o profissional que toma decisões na incerteza”. Como funciona o processo da tomada de decisão na área da Engenharia?  

Vahan Agopyan - Na engenharia somos treinados para isso, tomamos decisões em cenário de incertezas. Em tudo o que fazemos há uma certa probabilidade de insucesso. Nossos projetos, nossa produção, têm incerteza, pois não é possível modelar como se desejaria: há sempre uma porção de incerteza, e essa incerteza varia conforme o grau de responsabilidade e de dificuldade. Por exemplo, projetar e construir um liquidificador traz menos risco para os usuários do que projetar um carro. Uma falha em um carro pode levar a uma perda humana, enquanto uma falha em um liquidificador faz com que, no máximo, seja necessário comprar outro. O engenheiro, portanto, leva em conta essas ponderações. Engenharia é risco. Mesmo com aplicação de uma matemática sofisticada, a nossa atuação é ainda muito relacionada com incertezas. Por isso, os engenheiros se dão bem em áreas administrativas, financeiras e de recursos humanos, pois estão acostumados a trabalhar com incertezas. Nada nos oferece 100% de garantia, e isso nos leva ao trabalho de quantificar. Nós quantificamos e assumimos os riscos, o tempo todo.

Como você definiria o perfil clássico de um engenheiro, e no que ele ajuda na gestão da maior universidade pública do Brasil?

Vahan Agopyan - O fato de não ter certeza do que vai acontecer é o que nos define. O engenheiro, então, faz uma tabela de riscos, verifica as consequências desses riscos e a possibilidade de eles ocorrerem. Checa, portanto, os cuidados que ele tem que tomar e somente assim segue adiante. É algo rotineiro na cabeça de um engenheiro: uma ferramenta de gestão. Assim, o engenheiro ataca o problema mais grave e que pode ter consequências piores.

Então estamos falando de um sucesso na gestão, correto?

Vahan Agopyan - Estamos falando não só sobre a gestão de um projeto, mas também sobre a sua execução. Por exemplo, no momento da definição de um projeto de engenharia que visa ao conforto térmico, o que é mais grave? Levar em conta o efeito do vento? Ou, do calor? A resposta: depende do projeto. Ou, ainda, o que é mais grave no momento da construção, subestimar a espessura da argamassa ou os recursos necessários ao assentamento do bloco? Todas essas questões devem ser levadas em conta para que atuemos.

As respostas para essas questões são formuladas não somente com base em conhecimento tecnológico, mas também no empírico, ou mesmo no adquirido na prática cotidiana?

Vahan Agopyan - Sim. Por exemplo, quando um juiz pergunta se um acidente ocorrido foi por falha de engenharia, muitas vezes é por um desconhecimento do fenômeno como um todo. Comumente, o fato que provocou o acidente em questão não havia ocorrido antes, era desconhecido, e as pessoas não estavam preparadas para resolver esse tipo de problema. As novas ciências da engenharia surgiram por causa de acidentes gravíssimos. Na década de 1960, rompeu uma barragem na França, foi um acidente com muitos mortos porque gerou uma espécie de onda enorme, como um tsunami fora do mar, que destruiu tudo por onde passou, causando perdas humanas e danos ambientais.  Foi quando surgiu a mecânica das rochas. Até então, uma rocha era considerada algo inerte, tal como um material sólido sem risco nenhum. Assim, criou-se uma ciência da engenharia por causa de um desastre. Outro exemplo, a mecânica dos solos é da década de 1930, não tem nem cem anos. Já o cálculo probabilístico de estruturas é dos anos 1970, 1980. Tais conhecimentos são muito recentes.

Como inovar na construção civil?

Vahan Agopyan - A construção civil trabalha com “produtos” que são adquiridos, como residências e edificações institucionais (por exemplo, escolas), e que têm um ciclo de vida muito extenso, diferentemente de um aparelho celular, que é trocado a cada dois anos. Como trocamos o celular a cada dois anos, uma inovação nesse tipo de objeto pode ser implementada com mais rapidez. Por outro lado, a casa em que moro já tem 20 anos e, desde então, houve evolução no conhecimento, mas a casa continua como era há duas décadas. Explico melhor: por exemplo, utilizo um sistema predial que não previa cabeamento de rede, o que já acontece em um apartamento novo. Entendo que você não vai descartar um apartamento porque ele não tem cabeamento de rede. Você faz uma reforma, um retrofit. Portanto, é um bem durável cujo trabalho de inovação é de longo prazo. Uma estrada, por exemplo, como a Via Anchieta, continua existindo, mesmo com a construção da Rodovia Imigrantes. E o Caminho do Mar só foi fechado porque as pessoas não compreenderam que a velocidade lá devia ser de 30 km/h, porque foi construída originalmente para a passagem de charretes. Inovar na construção civil é um trabalho cuidadoso, de longo prazo. 

Veja como funciona a evolução do conhecimento: quanto mais aprendemos com o que acontece, mais otimizamos nossos produtos. Nosso conhecimento faz com que sejamos mais ousados. Uma ponte construída no século XXI é mais delgada e mais leve do que a de cinquenta anos atrás, e muito mais leve do que a de cem anos atrás. A evolução nos torna mais confiantes. Já o desconhecimento faz com que nos protejamos. Ousamos a ter menos reservas, menos sobras de desempenho porque sabemos melhor como as coisas funcionam. A evolução nas ciências da engenharia modificou muito as coisas. A evolução do automóvel deixa bem claro como hoje ele é mais seguro e mais leve, com menos gasto em material. Antes da Segunda Guerra, carros seguros eram os carros robustos. Atualmente, o carro deforma-se numa batida para proteger o motorista e os passageiros. Ele absorve o impacto para que os passageiros não sofram. Antigamente era o contrário, buscava-se a rigidez do automóvel era visando à segurança dos ocupantes, o que se sabe hoje não é o melhor caminho.

Então, na construção civil, o processo de inovação visa ao uso mais eficiente de materiais e aumento da segurança de desempenho das edificações de modo concomitante?

Vahan Agopyan - No nosso caso, na Engenharia, com mais conhecimento pode-se projetar com mais segurança, menos gasto e com a redução do uso de elementos construtivos e materiais que, em princípio, se mostravam necessários para a eficiência do conjunto construído. Por exemplo, este edifício onde estamos, que abriga a sede da reitoria da USP e foi construído entre o fim da década de 1950 e início dos anos 1960, tem pilares enormes. Hoje, não gastaríamos nem metade desse material para projetá-lo e construí-lo de modo eficiente e seguro. Mas, naquela época, os projetistas tinham evoluído até certo ponto do conhecimento que indicava, por segurança, a necessidade de uso dessa solução de pilar.

A internacionalização foi um importante legado de sua gestão na diretoria da Escola Politécnica. Como reitor, pretende fortalecer ainda mais essa característica em toda a USP?

Vahan Agopyan - A internacionalização é essencial para alcançarmos excelência. É preciso ter parâmetros internacionais de qualidade para buscar excelência. Na Engenharia, não temos dúvida nenhuma: hoje, o engenheiro trabalha em grupos internacionais. Li recentemente uma reportagem sobre a Embraer, que mostrava como cada pedaço de um avião é fabricado em um lugar diferente. Seus engenheiros falam inglês porque vêm de vários países. Isso é muito importante. Para a Escola Politécnica, era uma condição o engenheiro ser internacional para que conseguíssemos mostrar e buscar excelência. E para o aluno, é importante conviver em um ambiente onde se trabalha com grupos internacionais. O aluno terá parceiros que estão na Índia, na China, nos Estados Unidos e na Espanha. Atualmente, os projetos da área de Engenharia acontecem 24 horas do dia, pois, enquanto um dorme, outro trabalha. Esse ambiente, portanto, é fundamental. O mesmo vale para a USP. Não conseguiremos ter parâmetros de qualidade se não tivermos esse relacionamento internacional. A internacionalização não tem a ver apenas com a mobilidade de alunos e professores, ela envolve a criação de um ambiente internacional de ensino e pesquisa. É esse esforço que estamos fazendo, adotando o modelo da Poli para a Universidade de São Paulo. Se você tem convênios internacionais fortes, consequentemente conseguirá mandar seus alunos para fora do país e receberá os de lá, ampliando o convívio nesse ambiente internacional. Um aluno francês em sala de aula altera totalmente o comportamento daquela sala. O mesmo acontece com um aluno nosso que passa um tempo fora e retorna. Atualmente, cerca de 20% dos alunos da Politécnica vão para o exterior. Metade vai para obter um duplo diploma e metade permanece por curtos períodos. A partir do terceiro ano, as salas de aula do curso da Poli já têm um ambiente internacional.

Um dos caminhos para criar esse ambiente na USP é aumentar a quantidade de convênios de pesquisas internacionais?

Vahan Agopyan - Aumentar e fazer pesquisa conjunta. É isso que está sendo feito.

Atualmente, o tema da internacionalização tem relação direta com os esforços que estão sendo feitos no sentido de superar a crise financeira e angariar recursos?

Vahan Agopyan - Tem relação. Obviamente, um número reduzido de bolsas de estudos e menos recursos para pesquisa prejudicam a criação desse ambiente. Mas, no Estado de São Paulo, existe um importante agente financiador que é a FAPESP. Se você tem bons projetos de pesquisa, você consegue recursos para investir no Brasil. Com uma boa proposta, é possível montar um grupo de pesquisa conjunta, aqui e no exterior.

Essa mensagem é interessante não só para o aluno da Escola Politécnica, mas para os alunos da USP, correto?

Vahan Agopyan - Sim. São Paulo ainda tem uma condição privilegiada, mas precisa de bons projetos. No âmbito de todas as áreas de conhecimento, escolas e faculdades que integram a USP, consegue-se montar um projeto internacional, com um parceiro no exterior. E isso valoriza tanto nossos alunos, como nossos professores e pesquisadores, pois eles se tornam reconhecidos no exterior.

Nesse sentido, tanto professores quanto alunos podem participar de maneira mais ativa na interlocução com a nova reitoria e desenvolver esse tipo de projeto...

Vahan Agopyan - Na Politécnica isso já é rotina. Não é tão rotineiro em alguns ambientes por uma série de razões, mais ideológicas do que de competência.

Talvez isso seja um desafio. Oportunidades e desafios caminham juntos. Nesse sentido, em âmbito nacional, você declarou que irá criar grupos de trabalho com foco em gerar conhecimento e realizar pesquisas junto aos órgãos públicos brasileiros. Como funcionarão esses grupos?

Vahan Agopyan - Trata-se de grupos que buscarão criar propostas de políticas públicas. Na USP, temos especialistas em diversas áreas que produzem conhecimento avançado diretamente relacionado a diversos desafios enfrentados pela esfera do poder público. Nós, como instituição, por exemplo, não propusemos para o Estado de São Paulo uma ideia de política pública para o ensino básico, nem para o ensino superior. Nós temos universidades federais, estaduais, privadas, instituições isoladas, FATECS, a Universidade Virtual, e ainda não elaboramos nenhuma proposta. As coisas seguem caminhando no poder público, sem nosso envolvimento. Não podemos, portanto, cobrar nada de ninguém porque nós ainda não propusemos nada. Nós é que temos mais condições para apresentar projetos de política pública. Não podemos criticar nossos deputados e nossos secretários, pois ainda precisamos contribuir.

Temos, por exemplo, problemas relacionados à energia que não são mais problemas que envolvem apenas a Engenharia. Hoje, a questão da energia no Estado de São Paulo é legal. Está também no âmbito do Direito, e não apenas da Engenharia, porque há uma série de restrições e dificuldades legais que precisam de um bom arcabouço jurídico. Então, poderíamos reunir engenheiros da Escola Politécnica, integrantes da Faculdade de Direito e sociólogos da Faculdade de Filosofia, dentre outros, e buscar apresentar uma proposta. Poderíamos, assim, também angariar mais recursos.  

Nesse sentido, como será possível angariar mais recursos?

Vahan Agopyan - Acho difícil para o Estado fornecer mais recursos diretos para a Universidade, mas ele poderia criar modelos de interlocução a partir dos quais a Universidade passasse a ajudá-lo a resolver seus problemas.

O Estado de São Paulo tem cerca de 640 municípios, sendo 500 de pequeno e médio portes. Não vamos resolver seus problemas, mas podemos e devemos identificar prioridades, orientar, propor, apresentar soluções, realizar treinamentos para equipes locais. Não estou pensando em fazer planos diretores para 500 municípios pequenos, pois prestar serviços rotineiros não é tarefa da USP. Mas podemos orientar, treinar, propor checklists.

Especificamente na área de conhecimento do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica, há algum tema que considere prioritário?

Vahan Agopyan - No Departamento, existe a área de Engenharia Urbana, que atinge esses 500 municípios. Há quinze, vinte anos atrás, contribuímos fortemente em toda a parte de qualidade de construção, por meio de vários docentes. Isso ajudou o Ministério das Cidades, por exemplo. Mas sempre se tratou de iniciativas realizadas por pessoas físicas, por um docente. Acredito que ao criar novas iniciativas capitaneadas pela pessoa jurídica - o Departamento, a Escola Politécnica, a USP -, é possível valorizar o caráter multidisciplinar do conhecimento. A multidisciplinaridade é uma ferramenta fundamental, pois permite visão sistêmica e integrada sobre a questão a ser estudada. A equipe do laboratório de estudos em materiais da construção civil, do professor Vanderley Moacyr John, é um exemplo: há engenheiros civis, engenheiros de materiais, físicos, químicos e  biólogos, entre outros.

Em seu livro Os Desafios da Sustentabilidade na Construção Civil (ed. Blucher, série Sustentabilidade José Goldemberg), em co-autoria com o professor Vanderley Moacyr John, você trata de sustentabilidade. Existe algo relacionado ao tema que gostaria de ressaltar entre os objetivos de sua gestão, a partir do próximo dia 25 de janeiro? Imagino que esteja, por exemplo, buscando sustentabilidade financeira.

Vahan Agopyan - Vamos tratar o tema sustentabilidade em diversos aspectos, o que inclui o viés financeiro. Por exemplo, nossos campi têm que ser sustentáveis. Ganhamos um concurso internacional entre universidades de proposta de projeto de campus sustentável, chamado Sustainable Campus Excellence Award, concedido pela Rede Internacional dos Campi Sustentáveis (ISCN, na sigla em inglês), no dia 14 de junho de 2016, e agora temos a missão de implantá-lo. O projeto inclui mobilidade; redução da utilização de água, de eletricidade e de energia em geral; manejo sustentável de lixo urbano e orgânico; além de toda a questão que envolve a valorização da presença de áreas verdes e a implantação de compostagem. Quando esse projeto foi feito, o professor Marcelo Romero era o superintendente de gestão ambiental da USP.

O projeto será, então, a oportunidade de uma vivência prática na USP dos conceitos que definem sustentabilidade?

Vahan Agopyan - Sim. Tanto nas edificações, como nas soluções urbanas.

A sustentabilidade é um conceito de como fazer o desenvolvimento sem agredir a natureza, sempre considerando o necessário equilíbrio entre questões ambientais, sociais, culturais e econômicas. Então, isso obviamente é importante para a construção civil, pois somos um setor com índice muito elevado de consumo de matérias-primas. Mas isso vale para todas as nossas atividades, inclusive para a nossa vida familiar. Então, esse conceito de sustentabilidade deve ser implementado pela USP, inclusive porque desenvolvemos na instituição como um todo estudos relevantes em diversas áreas de conhecimento que são relacionadas a ele.

Atualmente, fala-se de economia circular, em que o resíduo de uma edificação, por exemplo, torna-se matéria-prima de outra. Portanto, já estamos falando de algo que não considera somente a dinâmica de estudos "do berço ao túmulo". Já temos dois grupos de pesquisa trabalhando intensamente em economia circular.

A Escola Politécnica é reconhecida pela tradição em formar os melhores engenheiros do país. Ocupa com frequência o primeiro lugar no Guia do Estudante, publicação anual da Editora Abril. Quanto aos temas cota social e cota racial, você tem alguma mensagem para os alunos?

Vahan Agopyan - Sim. Falo do ponto de vista do engenheiro, de maneira bem pragmática. Queremos ter, como alunos, os melhores talentos. Até recentemente, só conseguimos atrair aqueles talentos que tinham a oportunidade de se preparar para o nosso vestibular. Trabalhávamos, assim, com aproximadamente 10% do universo dos nossos jovens. Os outros 90%, não conseguíamos atingir. Provavelmente, nesse universo de 90% há talentos que perdíamos, com as cotas iremos abarcá-los. Ainda do ponto de vista pragmático, com a cota social, o aluno que vai chegar é tão talentoso quanto os outros que já ingressavam pertencentes ao universo de 10% citado. O que é necessário, e já está sendo feito, é que o aluno que ingressa com possíveis deficiências em ensino - como em português ou matemática -, por exemplo, receba (e isso a reitoria já está oferecendo) cursos gratuitos online. No caso da Escola Politécnica, por exemplo, o aluno precisará ter excelente desempenho em matemática, uma disciplina que tem muito peso na grade curricular. Então, possivelmente, precisará de reforço nessa área do conhecimento. Assim, essas deficiências pontuais serão resolvidas com cursos concebidos para adequar os alunos em cerca de seis meses.

Tem outra coisa, também pragmática. Quero formar líderes. Uma universidade de excelência não forma profissionais apenas, forma líderes, pessoas que vão mudar a sociedade para melhor. Não posso formar líderes de um mesmo grupo social. É interessante que eu tenha pessoas com outras origens sociais. Isso não acontece só na USP. Grandes universidades do exterior reservam uma cota de bolsas para alunos que não podem pagar, pois consideram importante ter alunos de realidades sociais diferentes para que todos entendam a complexidade da sociedade contemporânea. São palavras de um reitor de Stanford, universidade que há vinte anos reserva cotas. Já aqui na USP, as cotas também estão repercutindo. Um exemplo ocorreu em uma sala de aula de disciplina de Urbanismo, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Antes das cotas, os alunos que estudavam tinham todo o material completo - pranchetas, softwares de CAD, tudo direitinho. Acabada a aula, todos iam para casa. Agora, com o início da inserção de um maior número de alunos vindos de escolas públicas, uma parte dos alunos do primeiro ano não vai embora para casa quando a aula acaba. Isso porque eles não têm uma mesa de 1,5 m em casa para desenhar, nem computadores, tampouco o material completo, e precisam estudar aqui (na USP). O resultado é que a partir do próximo ano, a FAU resolveu dar um kit básico para todos os alunos que ingressarem, seja ou não via cota social. Além disso, como estes alunos permanecem mais tempo na faculdade, o professor tem condições de interagir mais com eles.

Nas aulas de Sociologia acontece o mesmo. Certa vez, um professor comentou sobre violência em áreas periféricas ao centro da São Paulo, muitas delas sob domínio do tráfico. Um dos alunos rebateu, dizendo que se sentia tranquilo morando em uma dessas áreas, porque ao voltar tarde da noite para casa após a faculdade, sabia que sua casa e sua família estariam em segurança, oferecida exatamente por se tratar de uma área dominada pelo tráfico.  

A cota é importante para a USP e universidades em âmbito mundial, não é assistencialismo. É claro que existem problemas: muito provavelmente esses alunos precisarão de apoio para alimentação, bolsa para permanecer estudando aqui (na USP), o que significa que teremos que buscar recursos adicionais para a permanência desses estudantes. É um desafio, mas o curso em si não vai mudar. A preocupação é com o preparo prévio desses alunos. São jovens talentosos que não tiveram oportunidade.

Isso é, na verdade, um cenário de oportunidades e desafios. Existem os problemas, mas há planos para superar os problemas, correto?

Vahan Agopyan - Teremos desafios, mas também condições de garantir que esse jovem, sem possibilidades financeiras e com talento, possa continuar seus estudos. Em 2021, o percentual mínimo de alunos ingressantes vindos de escolas públicas será de 50%, em todos os cursos. Curiosamente, a Medicina já tem um número alto de cotistas; mas o curso de Relações Internacionais tem um número baixo. Para um aluno de classe média baixa, cursar Medicina ou Engenharia representa uma ascensão social muito mais provável do que entrar em Relações Internacionais, área na qual arrumar emprego é mais difícil e o salário, muitas vezes, mais baixo. O que quero chamar atenção, em princípio, é que alguns cursos mais concorridos, como Medicina, têm, surpreendentemente, percentual relevante de pessoas com menor poder aquisitivo entre os matriculados. Medicina não tem somente alunos da elite, como muitos pensam. A profissão tem aceitação no mercado. O jovem de classe média baixa se esforça para entrar em cursos que têm índices melhores de empregabilidade.

Uma pessoa esforçada muitas vezes chega mais longe do que uma pessoa que teve acesso a mais recursos, não?

Vahan Agopyan - Isso acontece em qualquer profissão. Certa vez, vi um corredor de Fórmula 1 dizendo que sua profissão não tinha segredo, não era apenas uma questão de dom. Esses profissionais trabalham várias horas por dia, sem parar. Aqui na USP, todos os professores talentosos trabalham mais de 60 horas por semana. Não se trata de ser um gênio, é preciso ter força de vontade, aceitar desafios. Isso vale tanto aqui como fora da universidade.

Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade da USP?

Vahan Agopyan - A universidade é uma instituição milenar porque soube se adequar para atender e até antecipar as expectativas da sociedade, e superar desafios. Cabe a nós manter essa postura.

Última atualização em Qui, 14 de Dezembro de 2017 12:11
 

Embaixador da Holanda visita o RCGI

Ele conheceu os projetos do Centro e também esteve no Tanque de Provas Numérico da Escola Politécnica da USP.

O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) recebeu em sua sede, nas dependências da Escola Politécnica da USP, em São Paulo, a visita do embaixador da Holanda, Han Peters, na última quarta-feira (06/12). Ele foi recepcionado pelo professor Julio Meneghini, diretor científico do RCGI, que fez uma apresentação sobre os programas e projetos que o Centro mantém para o embaixador. Segundo ele, o objetivo da visita foi estreitar o relacionamento com universidades holandesas, tanto em projetos já existentes quanto em novas parcerias focadas em áreas que apresentem sinergia para intercâmbio entre pesquisadores.

“A visita foi agendada após conhecermos o embaixador em um evento organizado pela Universidade Técnica de Delft, no Consulado da Holanda no Brasil. Ele se interessou em conhecer o RCGI, inclusive por conta de nossa parceria com a Shell, uma empresa anglo-holandesa. Já estamos planejando, para o início do ano que vem, uma viagem para a Holanda no intuito de fazer algo como um road show sobre o RCGI nas universidades holandesas, para atrair pesquisadores e parceiros”, revela Meneghini.

Também acompanharam a visita ao RCGI o coordenador adjunto de Programas Especiais e Colaborações em Pesquisa da Fapesp, Luiz Nunes de Oliveira, representando o diretor científico da instituição, Carlos Henrique de Brito Cruz, e integrantes do RCGI: Emílio Silva, diretor do Programa de Engenharia; Rita de Brito Alves, vice-diretora do Programa de Físico Química; Karen Mascarenhas, diretora de RH e Liderança; e Suani Teixeira Coelho, vice-diretora do Programa de Políticas de Energia e Economia.

O embaixador fez, ainda, uma visita ao Tanque de Provas Numérico da Escola Politécnica da USP, acompanhado pelo professor Kazuo Nishimoto.

Sobre o RCGI: O RCGI – Fapesp-Shell Research Centre for Gas Innovation realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, e estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil de forma sustentável. Os pesquisadores do centro atuam em quatro programas: Engenharia, Físico/Química, Políticas de Energia e Economia, e captura e armazenamento de carbono. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, na capital paulista, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da empresa Shell. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

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ATENDIMENTO A IMPRENSA
Acadêmica Agência de Comunicação
Angela Trabbold – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. "> Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
(11) 5549-1863 / 50815237

Última atualização em Seg, 11 de Dezembro de 2017 09:56
 

Resultado de eleições discentes EPUSP

Informamos o resultado das eleições para representação discente junto aos diversos colegiados da Escola Politécnica da USP:

 

  • Representantes discentes de graduação junto à Congregação, ao Conselho Técnico Administrativo - CTA, à Comissão de Graduação - CG, à Comissão de Cultura e Extensão Universitária - CCEx, à Comissão de Bibliotecas - CBiblio e à Comissão do Ciclo Básico – CCB, da Escola Politécnica da USP. PORTARIA Nº 2214 DE 19 DE SETEMBRO DE 2017.

Resultado Eleições Graduação

  • Representantes discentes de graduação junto à Coordenação dos cursos quadrimestrais – CCQ da Escola Politécnica da USP. PORTARIA Nº 2216 DE 19 DE SETEMBRO DE 2017.

Resultado Eleições Quadrimestral

  • Representantes discentes de pós-graduação junto à Congregação, à Comissão de Pós-Graduação – CPG, à Comissão de Pesquisa – CPq e à Comissão de Biblioteca – CBIBLIO. PORTARIA Nº 2215 DE 19 DE SETEMBRO DE 2017.

Resultado Eleições Pós

Os mandatos somente terão início após a validação do processo eleitoral pela Procuradoria Geral da USP.

 

Evento da Poli-USP busca apontar as ações mais eficazes para a revitalização de rios urbanos

O Simpósio conta com palestras, apresentações de trabalhos acadêmicos sobre o tema, oficina de discussão e visita técnica.

 

Evitar o acúmulo de resíduos urbanos nos rios ao diminuir a quantidade de lixo nas ruas, ocupar as margens dos mesmos com instalações que podem ser inundadas (como piscinões, parques e quadras poliesportivas) e desenvolver projetos paisagísticos para eles são algumas das soluções utilizadas hoje em diferentes cidades ao redor do mundo e que serão discutidas durante o II Simpósio de Revitalização de Rios Urbanos, realizado na Escola Politécnica de São Paulo (Poli-USP) entre os dias 23 e 27 de outubro. As inscrições  são gratuitas para a comunidade USP e variam de preço para externos.

O evento é coordenado pelos docentes José Rodolfo Scarati Martins e Monica Ferreira do Amaral Porto, ambos do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA). Porto explica que a importância da discussão do assunto se deve, sobretudo, pelo fato de que a recuperação de um rio poluído ir muito além do tratamento do esgoto despejado em seu corpo. “Para requalificar um rio, é necessário também um grande esforço para que esses corpos hídricos reintegrem a paisagem urbana”, ressalta.

Esforço esse que, para ela, exige a mobilização de diferentes setores. “Obrigatoriamente é uma dedicação coletiva. Precisamos de um boa parceria entre a entidade que é responsável pela coleta e tratamento de esgoto, as prefeituras municipais e a população”.

Atualmente, as cidades influenciam na contaminação dos rios de diversas maneiras. Além do despejo de esgotos não tratados, os corpos hídricos podem sofrer com a chamada carga difusa, que consiste no acúmulo de resíduos tipicamente urbanos – como partículas de asfalto, óleo, gasolina, bitucas de cigarro e embalagens de todo tipo. Por ser o ponto mais baixo da topografia da bacia, o rio acaba servindo como um acumulador de lixo, que é trazido pela água da chuva.

Outro problema apontado por Porto diz respeito à ocupação urbana não respeitar as margens dos rios. “Nosso padrão usual de ocupação das cidades é ir até a beirada da margem com avenidas e casas”. Os corpos hídricos costumam ter dois volumes de leito durante o ano: o leito menor, que corresponde à vazão que ocupam durante o tempo seco, e o leito maior, resultado das sublimações naturais em épocas mais chuvosas. O que acontece, explica Porto, é que as construções geralmente são feitas tendo em vista o leito menor. “Por isso, quando vem a cheia, nos queixamos que a cidade sofre com inundações”. Parte do processo de requalificação seria, então, dar mais espaço aos rios.

Com o intuito de resolver o problema, Porto ainda exemplifica a iniciativa da Prefeitura da cidade de São Paulo, em uma parceira com a Sabesp. O projeto “Córrego Limpo” consiste na tentativa de revitalizar os rios da cidade que abrange atualmente 150 córregos do município. Para trazer os mesmo de volta à paisagem urbana, a prefeitura cuida da recomposição das margens e dos serviços de zeladoria, enquanto a Sabesp garante que nenhum tipo de esgoto não tratado chegue até esses locais.

Destaques do evento – O Simpósio foi pensado para a comunidade acadêmica em geral, instituições nacionais e estrangeiras e representantes de diversas áreas relacionadas ao planejamento e gestão de recursos hídricos. Os três primeiros dias serão de oficinas de projetos, enquanto os dois últimos contarão com palestras e apresentação de trabalhos acadêmicos, inscritos no mês de setembro. Haverá também uma visita técnica a uma bacia hidrográfica a ser definida. Nas oficinas, serão selecionados 15 participantes com formações diversas a fim de promover um debate interdisciplinar sobre as alternativas para a revitalização de uma bacia hidrográfica.

Os participantes poderão ainda entender mais sobre os resultados do projeto piloto capitaneado pela entidade “Águas Claras de Pinheiros”, e feito em uma parceria com a Poli, que atuaram na requalificação do Rio Jaguaré, próximo da Escola. A partir dos resultados obtidos com o projeto, os presentes poderão identificar quais as ações foram mais eficazes para o Jaguaré. “Será uma discussão, com base naquilo que foi experiência do projeto Jaguaré, sobre quais são as soluções que melhor se encaixam para as cidades brasileiras”, conta Porto.

 

 

Limpeza de poluição usando luz é uma das atrações da Poli-USP na Semana Nacional de C&T

Participantes poderão visitar ainda os simuladores de voo e marítimo, a Caverna Digital, o Laboratório de Pavimentação e ver demonstrações de robótica.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo preparou uma série de atividades que serão desenvolvidas ao longo da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que começa nesta segunda-feira (23) em todo o País. A iniciativa é do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC). A entrada é gratuita. Algumas das atrações já são tradicionais, como a visita aos simuladores de voo e marítimo e à Caverna Digital, mas nesta edição a Poli traz novidades.

Uma delas é a demostração do grupo de pesquisa AdOX – Reserach in Advanced Oxidation Process, sediado no Departamento de Engenharia Química, que vai mostrar em laboratório, nesta quarta-feira, 25 de outubro, entre 14h e 17h, alguns processos que usam ultra-violeta e luz solar para remover antibióticos, pesticidas e outros contaminantes de elevado risco ambiental da água.

Outra atração que passou a integrar a programação deste ano é a visita monitorada ao Laboratório de Tecnologia de Pavimentação. Quem quiser entender os materiais e tecnologias usados para o asfaltamento de ruas, avenidas e rodovias não pode deixar de conhecer o laboratório e interagir com a equipe de pesquisadores. São mais de 30 anos de pesquisas acumulados pelos seus profissionais, que estarão recebendo o público nesta segunda-feira, dia 23 de outubro, das 9h às 16h.

Como ocorreu em anos anteriores, estão programadas visitas a dois simuladores para pesquisas na área da aviação e marítima. O simulador de navios, usado para avaliar a segurança das operações em alto mar e portuárias, representa com fidelidade o comportamento de navios em ambiente marítimo, e estará recebendo os visitantes na sexta-feira, 27 de outubro, das 16h às 19h. Já o simulador de voo do Centro de Engenharia de Conforto da Poli vai abrir suas portas na terça-feira, 24 de outubro, e na quinta-feira, 26 de outubro, das 10h às 13h.

A Engenharia Mecatrônica também estará presente, com pesquisadores e professores fazendo a demonstração do funcionamento de robôs industriais nos dias 26 e 27 de outubro, quinta e sexta-feira, das 17h às 19h.

A Caverna Digital, outro local de passagem obrigatória para quem visita a Poli, estará aberta na sexta-feira e sábado, dias 27 e 28 de outubro, das 9h às 19h. Lá os participantes poderão ver duas instalações de realidade virtual, a arqueologia digital e manutenção de rede elétrica.

Confira os dias, horários e requisitos para a visita das atrações da Poli no site da USP que traz mais detalhes do evento - http://usp.br/semanact/2017/tag/escola-politecnica/?platform=hootsuite

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ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

Janaína Simões

(11) 5549-1863

 

Brasil se mobiliza para formar cadeia produtiva de terras raras

Evento da Poli-USP reunirá os players deste mercado para discutir a exploração, o processamento e a aplicação desses minérios.

 Apesar de o Brasil deter 17% das reservas mundiais de terras raras do mundo, perdendo apenas para a China, que possui 44%, o País não se destaca na produção desses minerais. Os chineses lideram esse mercado, com 85% da produção de óxidos de terras raras. O desafio de estruturar a cadeia produtiva no Brasil para explorar as reservas nacionais é tema do IV Seminário Brasileiro de Terras Raras, que será realizado nos dias 17 e 18 de outubro pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.

Os dados sobre reservas e produção são da última edição do Sumário Mineral Brasileiro, produzido em 2015 pelo Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia (DNPM-MME). “Hoje participamos desse mercado como consumidores, mas agora estamos próximos de atuarmos como produtores, inicialmente no mercado interno”, aponta Fernando Landgraf, professor da Poli-USP e diretor do IPT, um dos principais pesquisadores brasileiros no tema.

Segundo Landgraf, o Brasil não explorou suas reservas até agora porque não conseguiu estruturar uma cadeia de produção completa, ‘da mina ao imã’. “Temos a competição da China, que, no momento, detém o monopólio desse mercado e controla os preços internacionais”, diz. O seminário pretende estreitar as relações de cooperação entre as instituições e as empresas para enfrentar esse desafio.

Terras raras compõem um grupo de 17 elementos químicos da série dos Lantanídeos, começando por lantânio (La) e terminando por lutécio (Lu), acrescidos do escândio (Sc) e do ítrio (Y), que apresentam comportamentos químicos similares. Estão presentes em mais de 250 espécies minerais conhecidas, mas somente em algumas delas ocorrem em concentração suficiente para justificar sua exploração.

Eles são utilizados na fabricação de imãs para motores miniaturizados e superimãs para turbinas para energia eólica, composição e polimentos de vidros e lentes especiais, catalisadores de automóveis, refino de petróleo, telas planas de televisores e monitores de computadores, ressonância magnética nuclear, cristais geradores de laser, e armas de precisão, entre outros. Embora haja muita pesquisa de novos materiais, não há substitutos eficientes para os diversos usos de terras raras.

Mobilização – Entre os destaques do seminário estão os relatos de empresas que já têm projetos de exploração de minas no Brasil, como CBMM, Mineração Serra Verde, Mineração Taboca e CMOC International. A CBMM, por exemplo, detém a mina com maior potencial para fornecer terras raras para o mercado local e internacional no curto prazo, pois já tem capacidade para produzir três mil toneladas anuais de concentrado.

Outras três companhias vão tratar da aplicação desses minérios: Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC) e a Brats – empresa especializada na produção de pós metálicos por atomização a água e conformação de pós metálicos voltados para produtos porosos.

O seminário mostrará ainda as experiências de articulação entre os setores empresarial, acadêmico e governamental com foco na produção de terras raras no Brasil. Uma grande iniciativa nesse campo é o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) PATRIA – Processamento e Aplicações de Ímãs de Terras Raras para Indústria de Alta Tecnologia. Também está sendo constituído o Projeto Regina, que vai unir sete instituições alemãs e sete brasileiras para promover projetos de pesquisa que desenvolvam os vários aspectos da tecnologia em terras raras.

Já as estratégias de mercado em terras raras e de seus produtos serão apresentadas por pesquisadores de universidades federais como a Fluminense (UFF). Representantes do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), ABDI, CNPq e Fundação Certi, de Santa Catarina, vão discutir as oportunidades em relação a integração da cadeia produtiva.

Avanços tecnológicos – Também será possível conhecer projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tocados por entidades como o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), a Poli-USP, o IPT, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

O IPT, por exemplo, com apoio da Embrapii, CBMM, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está desenvolvendo tecnologia para transformar o óxido de neodímio em metal neodímio. “É uma etapa na fabricação desse metal, de fundamental importância para a produção de superimã, utilizado, por exemplo, nas turbinas eólicas”, conta Landgraf.

A USP também tem um projeto em que estuda o controle de solidificação da liga de neodímio-ferro-boro, importante para viabilizar economicamente a produção de imãs. A UFSC e o IPT estão colaborando em um projeto de pesquisa sobre proteção contra corrosão.

Serviço: O IV Seminário Brasileiro de Terras Raras será realizado nos dias 17 e 18 de outubro, das 8h às 17h, no auditório Francisco Romeu Landi do prédio da Administração da Poli-USP (Av. Professor Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380 – Cidade Universitária – Butantã – São Paulo). Confira a programação neste link: http://www.ipt.br/eventos/194-iv_seminario_brasileiro_de_terras_raras.htm

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ATENDIMENTO À IMPRENSA:

Acadêmica Agência de Comunicação

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