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RCGI promove workshop sobre modelagem e simulação de emissões do setor energético

Evento reunirá academia, governo, setor privado e ONGs para promover a troca de experiências entre grupos que estudam o tema; inscrições são gratuitas e estão abertas.

No próximo dia 30 de janeiro, o RCGI – Fapesp-SHELL Research Centre for Gas Innovation (Fapesp-SHELL Centro de Pesquisa em Inovação em Gás) realiza um workshop sobre modelagem e simulação de cenários de emissões de gases de efeito estufa no setor de energia brasileiro. O evento acontece em São Paulo, nas dependências da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e tem a proposta de reunir representantes da academia, governo, setor privado e organizações não governamentais para otimizar a troca de conhecimento na área.

O RCGI é um centro de excelência em pesquisa sobre gás natural, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Shell. Entre os 29 projetos desenvolvidos pelo Centro, um deles (Brazilian Greenhouse Gas Inventory and Scenarios for Emissions Reductions Related to Natural Gas, ou projeto 23) é focado na modelagem e simulação de emissões com diversas fontes de energia, em especial o gás natural. São simulações que possibilitam antever, por exemplo, o que ocorreria se todos os ônibus a diesel fossem trocados por uma frota movida por o gás natural.

“O Brasil assumiu, na última Conferência do Clima, em Paris, compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025, e em 43% até 2030. Diante desse desafio, é fundamental traçar cenários confiáveis que possam ser usados como parâmetros na formulação de políticas públicas”, destaca Ricardo Esparta, um dos coordenadores do projeto 23 no RCGI. “O workshop será uma grande oportunidade de melhorar o intercâmbio entre as instituições que têm interesse no tema”, acrescenta.

Para isso, Esparta convidou representantes do governo, da academia, do setor privado e também do terceiro setor. “Chamamos a University College Cork, uma instituição irlandesa, a COPPE/UFRJ, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Secretaria de Minas e Energia de SP, a Shell, a Comgás e ongs como o Observatório do Clima e o World Resources Institute – WRI”, contabiliza. O professor deve sugerir aos participantes a assinatura de um protocolo de troca de experiências entre os diversos grupos presentes.

O evento contará com palestras de sete especialistas do Brasil e exterior. Uma delas será com o professor Brian Ó Gallachóir, da University College Cork, que é presidente da Energy Technology Systems Analysis, da International Energy Agency (ETSAP/IEA). A metodologia da ETSAP/IEA lidera o rol de soluções mundiais com fonte aberta para modelagem de cenários. Seu programa de colaboração conta com 18 países membros, a Comissão Europeia e mais duas empresas patrocinadoras.

“O projeto 23 passará a usar uma das ferramentas dessa agência, a plataforma VEDA-TIMES, que tem a vantagem de ser um software utilizado em diversos projetos que trabalham com modelagem no mundo todo e de possibilitar a resolução de dúvidas em rede pela comunidade usuária, o que é muito dinâmico”, conta Esparta. “Entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro, será realizado um treinamento fechado, com 25 participantes, sobre o uso dessa plataforma”, acrescenta.

Serviço: O workshop será realizado no dia 30/1, das 9h às 17h, no anfiteatro da Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica. Inscrições e programação completa no site do RCGI

 

Defesa Civil de Santos é modelo de prevenção e de integração

Pesquisa da Escola Politécnica da USP mostra que a Defesa Civil
do município é avançada em termos de resiliência urbana.

Em seu mestrado em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a geógrafa Karolyne Ferreira estudou as formas de gestão e a atuação da Defesa Civil de Santos e constatou que suas boas práticas podem servir como benchmarking para órgãos equivalentes de diversos Estados e cidades do País. Para a pesquisa, ela usou o conceito de resiliência urbana, relacionado ao poder que um município tem de responder e se recuperar rapidamente de um desastre, o que envolve diretamente o papel e ação da Defesa Civil.

A resiliência urbana vai além da resolução dos problemas que decorrem de um desastre, pois envolve questões preventivas. No estudo de caso de Santos, a pesquisadora avaliou até que ponto a cidade avançou em resiliência e como isso impactou positivamente o município. O ponto de partida foi o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), que o município passou a adotar desde 1989 e que contou com o envolvimento de vários órgãos da gestão municipal, do governo estadual e até federal, o que se coaduna com o conceito de resiliência que ela utilizou como base na sua análise.

Uma das bases do PPDC, conta a pesquisadora, foi um mapeamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) que resultou na primeira carta geotécnica em ambiente urbano no Brasil, abarcando os morros de Santos e São Vicente. “O PPDC de Santos é instrumento de convivência com o risco. Orienta ações para evitar a perda de vidas humanas, e é baseado na possibilidade de agir antes do desastre em si”, explica Karoline. O Plano prevê a montagem de equipes de plantão 24h no verão; um plano específico de contingência; a definição de apoio logístico; o cadastro de áreas de risco; o desenvolvimento de atividades de capacitação, informação e conscientização para população que mora em área de risco; e a criação e manutenção de estoque de materiais estratégicos para fase de socorro.

As ações são respaldadas por dados fornecidos por diversos órgãos, como informações geomorfológicas, geológicas e climáticas do Instituto Geológico de São Paulo (IG) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). E contam também com a parceria da Defesa Civil estadual.

O monitoramento das chuvas é a grande preocupação das equipes, diz a pesquisadora. Em conjunto com a Defesa Civil Estadual e com base em outro estudo do Instituto de IPT, foi definido um coeficiente de quantidade de precipitação que pode desencadear um escorregamento. A partir dele, determina-se o estado de observação, atenção e alerta para as populações das áreas de risco.

“A resiliência urbana em Santos é fortalecida por causa das ações preventivas. Antes do período de chuvas, os agentes da Defesa Civil percorrem áreas de risco e entregam informativos para a população”, conta Karolyne que acompanhou o trabalho dos agentes. “Nesse informativo, tem um protocolo que o morador assina, coloca número de telefone e as informações entram em banco de dados da Defesa Civil, de forma que eles emitam alertas via SMS para as pessoas”, conta.

Em paralelo, há treinamentos anuais para a população por meio do Núcleo Comunitário de Defesa Civil. “A Defesa Civil mantém uma relação constante com a comunidade, durante o ano todo, o que já faz a população ficar em alerta. As próprias pessoas reportam problemas nas visitas dos agentes – rachaduras, árvores tortas –, demonstrando estar consciente dos sinais de risco. Esse contato frequente com os moradores amplia a eficácia do plano”, destaca.

Aprimoramentos – Na pesquisa, Karolyne analisou os instrumentos legais na gestão de riscos de escorregamentos por parte da Defesa Civil. Apesar de ser considerado um exemplo, Santos ainda pode aprimorar vários aspectos. “Não basta ter o instrumento legal, é preciso ter profissionais que saibam interpretá-los, articulá-los e operacionalizá-los”, aponta.

Ela alerta também para o fato de a Defesa Civil não conseguir trabalhar, sozinha, em todas as etapas do ciclo de gestão em desastres, que inclui medidas de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. “Esse conjunto de ações deve ser integrado à gestão territorial e ser intersetorial, ou seja, é preciso ser um compromisso de todas as secretarias municipais, mas especialmente das secretarias de Saúde, Assistência Social, Habitação e Meio Ambiente”, completa, lembrando que o ideal para o município seria acelerar as ações de realocação das famílias que estão morando em áreas de risco e as obras que podem ser feitas para tornar mais seguras as moradias em morros habitáveis.

Outro aspecto é a criação da carreira de agente da Defesa Civil, hoje inexistente nos concursos públicos. Os funcionários são, em geral, realocados de outras áreas de governo para os órgãos. “Essa é uma demanda das próprias Defesas Civis de vários municípios e Estados e é importante reconhecer a carreira, como forma de manter os profissionais atuando e não perder a experiência e conhecimento acumulados”, afirma.

Resiliência como política – No Brasil, esse conceito está contemplado na política pública brasileira, cuja evolução mais recente foi a lei 12.608/2012, que instituiu a Política e o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Segundo o professor Alex Abiko, do Departamento de Engenharia de Construção Civil) da Politécnica, que orientou a pesquisa de mestrado, a resiliência se tornou um tema constante nos debates de engenharia e planejamento urbano. “A resiliência nasceu do processo de amadurecimento das próprias ações e da política pública existente em relação à Defesa Civil. O Brasil tem uma estrutura bem implementada, mas ainda muito focada na resolução dos problemas decorrentes dos desastres. É preciso avançar mais em ações preventivas”, finaliza.

 

Estudantes da Poli desenvolvem aparelho que reconhece e digitaliza caligrafia

Projeto foi destaque dentre 45 outros trabalhos apresentados por alunos que se formaram em Engenharia da Computação e Sistemas Digitais.

Os formandos do Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Letícia Li Koga e Cássio Sakayanagui, desenvolveram como trabalho de conclusão do curso um aparelho que reconhece caligrafias e digitaliza o que o usuário escreveu a mão. O projeto foi considerado o melhor de 2016 durante avaliação prática na Escola. “O Marky facilita a vida das pessoas porque traz o conforto de escrever à mão com o benefício de o que foi escrito ser transposto automaticamente para o virtual”, conta a dupla.

No projeto, os alunos utilizaram uma placa de circuito SMD e dupla face fabricada apenas com os equipamentos disponíveis no laboratório do departamento. “É espetacular ter a oportunidade de criar nossa própria placa ao invés de encomendar em algum lugar. Isso ajudou muito na nossa formação como engenheiros eletricistas”, afirmam os formandos premiados.

Letícia e Cássio afirmam que os técnicos do PCS e o professor doutor Bruno de Carvalho Albertini, que os orientou ao longo do TCC, foram fundamentais para a conclusão do projeto. “Eles nos ajudaram a pensar em soluções para os nossos problemas, a manusear equipamentos e a nos indicar onde poderíamos conseguir ajuda”, diz Letícia.

A avaliação prática dos trabalhos dos alunos do PCS ocorreu no dia 15 de dezembro. Mais de 45 projetos de formatura foram avaliados e abordaram temas como automação residencial e até questões relacionadas à política e à economia. Além de Marky, outros cinco trabalhos receberam menções honrosas. Entre eles esteve o de Vinícius Adaime e Pedro Martinez. A dupla desenvolveu um jogo de inteligência artificial que simula emoções com o objetivo de oferecer para o jogador uma experiência diferente. “A ideia era conquistar os jogadores propiciando para cada um deles uma experiência única por meio das emoções, para ganhar a empatia deles”, contam.

O professor doutor do PCS, João Batista Camargo Júnior, explica como tudo ocorreu: “Uma banca de avaliação prática percorreu os projetos para avaliar o desempenho e funcionamento, a utilidade e a eficiência”. Segundo o estudante de doutorado e participante da banca Daniel Baraldi Sesso, a avaliação consistiu em olhar como foi a implementação das ideias que os alunos projetaram. “Procurei avaliar como é que foi o desenvolvimento do projeto de engenharia, quais os requisitos utilizados [pelos alunos], as etapas que eles cumpriram e o que ficou a desejar”, diz.

Ainda de acordo com o professor Camargo Júnior, o grande prêmio dos alunos foi o reconhecimento acadêmico pelo trabalho. “O mais importante para o estudante é colocar no currículo dele que seu projeto foi eleito com menção honrosa ou como melhor projeto do ano”.

(Caio Vinícius Nascimento | Jornalismo Júnior, com edição do Departamento de Comunicação da Poli)

 

Plantas-pilotos do Laboratório de Controle de Processos Industriais completam seis anos de operação

Laboratório tem equipamentos usados comercialmente e pesquisa inovações em controles de processos em empresas que lidam com fluidos.

O Laboratório de Controle de Processos Industriais (LCPI), vinculado ao Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), acaba de completar seis anos de operação ininterrupta. Inaugurado oficialmente em 2010, o LCPI simula métodos de controle de processos em condições reais, encontradas em ‘chão de fábrica’. Essas tecnologias são essenciais em qualquer planta industrial que lide com fluidos: líquidos, gases e vapores.

“O objetivo dessa planta-piloto é oferecer infraestrutura para que alunos de graduação e estudantes de pós-graduação possam desenvolver pesquisas sobre controle de processos industriais”, ressalta o professor Claudio Garcia, coordenador do LCPI. Nela, alunos desenvolvem projetos de conclusão de curso de graduação na Poli, pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e ainda estudos para cursos do Programa de Educação Continuada da Poli, o PECE. Atualmente são desenvolvidos no LCPI um projeto de iniciação científica, quatro trabalhos de conclusão de curso na graduação, dois de mestrado e dois de doutorado.

“O laboratório é composto por equipamentos que precisam atuar com o máximo de precisão para controlar variáveis diversas, como nível, pressão, vazão, temperatura e pH dos fluidos”, esclarece Garcia. Ele explica que uma planta industrial pode ter centenas de sensores e válvulas responsáveis por monitorar diversos fluidos e suas variáveis.

Na indústria, as válvulas de controle devem operar por um período relativamente longo de tempo sem apresentar falhas. No caso de refinarias, por exemplo, as válvulas precisam funcionar por, pelo menos, cinco anos, o intervalo previsto para paradas de manutenção. Contudo, é comum as válvulas se desgastarem e perderem performance antes desse prazo. Em geral, cerca de 30% das válvulas de uma planta apresentam alto atrito, que gera dificuldades em sua movimentação e uma consequente piora no desempenho da malha de controle. O problema é que, para fazer a manutenção de equipamentos de controle de processos industriais, é preciso interromper a produção por várias horas ou mesmo dias. “Imagine o prejuízo causado pela parada da linha de produção de uma empresa de petróleo, química ou siderúrgica”, questiona Garcia.

“Com as pesquisas no laboratório, desenvolvemos algoritmos para melhorar o funcionamento das válvulas e para a empresa manter um bom controle dos seus processos até chegar o momento de parar a planta industrial para fazer a manutenção”, explica. “Não é um laboratório didático para usarmos em aulas, com equipamentos delicados. É uma planta que simula os equipamentos usados pelas indústrias em suas operações. Ou seja: os dados das nossas pesquisas são obtidos em condições reais de produção”, prossegue, lembrando que o LCPI começou a ser montado em 2003.

Leia mais: LCPI: sistema de controle similar ao de uma pequena refinaria de petróleo

Leia mais: LCPI simula um sistema de tratamento de efluentes industriais 

 

RCGI estuda novos projetos para 2017

Entre os temas estão biodigestores, carro movido a hidrogênio e substituição do diesel em caminhões da indústria mineradora. Centro é sediado na Poli-USP.

Biodigestores, carro movido a hidrogênio e substituição do diesel em caminhões da indústria mineradora são temas cogitados para os próximos projetos do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (RCGI – Research Centre for Gas Innovation), sediado na Escola Politécnica da USP (Poli). Pesquisadores se reuniram no “II Workshop Interno RCGI: resultados de julho a dezembro de 2016” e discutiram os próximos passos, além de fazerem um balanço das atividades de um ano de atuação do Centro e assistirem a apresentação dos 29 atuais projetos da sua rede de pesquisa. O workshop aconteceu nos dias 14 e 15 de dezembro último, na Poli.

“Temos algumas propostas de novos projetos, ainda em estudo. O carro movido a hidrogênio é um deles. Seu mérito científico foi reconhecido, mas é preciso arrumar a contrapartida de um fabricante de ônibus para conseguirmos tocar adiante a proposta. Também estamos estudando projetos na área de biodigestores, em diversas linhas. A professora Suani Coelho, uma das maiores experts do mundo em biogás, está responsável por essas propostas. Temos ainda uma proposta de estudo de hubs offshore, no âmbito do conceito gas to wire, e de substituição do diesel em caminhões usados no setor de mineração, junto com a equipe do professor Kazuo Nishimoto, do Tanque de Provas Numérico da Poli-USP”, afirmou professor Julio Meneghini, diretor acadêmico do RCGI

Segundo ele, há ainda a possibilidade de um aporte adicional de recursos por parte da Shell, uma das mantenedoras do RCGI. “Eles estão muito felizes com nosso trabalho e as perspectivas para o próximo ano são muito boas. O Centro poderá contar com o patrocínio da FAPESP/SHELL por um prazo de até 11 anos. Poderemos começar o segundo ano de atividades com motivação adicional”, afirmou, lembrando que a missão do RCGI também sofreu mudanças o longo deste primeiro ano, focando, além do uso sustentável do gás natural, também o hidrogênio, o biogás e o abatimento de emissões de gás carbônico em escala global.

Meneghini enfatizou a necessidade de adicionar universidades internacionais, com expertise nos temas ligados ao Centro, à lista de parceiros do RCGI. “Isso já fazia parte do nosso primeiro planejamento estratégico, o Centro começou suas atividades com uma forte parceria com o Imperial College London. Mas entendo que temos também que focar em algumas outras renomadas instituições, entre as quais eu cito a Universidade de Oxford, que tem excelência em estudos sobre combustão; a universidade de Stanford, que também poderá vir a trabalhar o conceito do separador supersônico de gases; o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech); a Universidade de Tóquio, que trabalha muito com a tecnologia de Carbon Capture and Storage (CCS) e com hidratos de metano; e também a Universidade Nacional de Yokohama.” Além delas, o professor citou as brasileiras Unicamp, Universidade Federal do ABC e Universidade Federal de São Carlos, com quem o RCGI já vem mantendo contato.

Ele também ressaltou a quantidade de publicações dos pesquisadores do RCGI. “As publicações são importantes, mas hoje, também é dada muita ênfase à inovação e ao depósito de pedidos de registro de patentes. Lembrando que só há inovação quando uma patente torna-se um produto e chega ao mercado.”

Modelos de inovação– Após a exposição de Meneghini, a consultora Karen Mascarenhas expôs os primeiros resultados de suas pesquisas em universidades estrangeiras. Ela está estudando e comparando diferentes modelos de centros de pesquisa no mundo. Visitou diversas universidades nos EUA, Reino Unido e Japão para saber em detalhes como desenvolvem inovação, como obtêm financiamento e como trabalham com o conceito de tripla hélice, o qual envolve esforços do governo, academia e setor privado.

“Percebi que há no mínimo dois modelos: o adotado no Reino Unido e nos EUA, em que o financiamento vem tanto do governo quanto da iniciativa privada, e ainda de doações de ex-alunos e de fomento a partir da atração de estudantes estrangeiros; e o modelo japonês, em que o financiamento é maior por parte do governo.”

No primeiro caso, há grande internacionalização e foco em tecnologia de ponta. As instituições americanas e inglesas atraem os melhores estudantes, que produzem inovação, desenvolvem start-ups… A iniciativa privada foca sua atuação em produtos aplicados, que podem ser disseminados e utilizados em larga escala.

Já no Japão, acrescenta ela, a maioria dos centros de pesquisa está dentro das empresas. Eles trabalham com grande amplitude de temas e contratam recém formados, pessoas jovens, como funcionários, que muitas vezes trabalham em parceria com outras empresas. Lá eles também estão investindo em internacionalização, mas há o problema do idioma, que pesa um pouco na hora de atrair alunos estrangeiros.

 

ThundeRatz participa do Mundial de Robótica no Japão

Equipe participou das categorias robô autônomo e radiocontrolado. Disputa consiste em uma luta de sumô.

A equipe ThundeRatz participou do International Robot Sumo Tournament , um torneio mundial de Robótica disputado nos dias 17 e 18 de dezembro, no Japão, por mais de 60 equipes de 21 países. A ThundeRatz levou para a competição um robô de cada categoria – o Moai, autônomo, e o Stonehenge, rádio controlado. Os participantes disputam uma luta de sumô.

Participam do International Robot Sumo Tournament apenas robôs de sumô de três quilos. O intuito da categoria de robôs de sumô é tirar o adversário do dojo, a arena de luta. “Para se prender melhor à arena e aumentar a tração nas rodas para empurrar melhor o adversário, os robô possuem imãs em sua base que grudam no chão de aço”, explica Lucas Eder Alves, capitão da ThundeRatz. Os robôs chegam a atingir mais de 20 quilômetros por hora no dojo, que tem 1,5 metro de diâmetro. O vencedor é determinado após um melhor de três rounds.

Os robôs rádio controlados possuem um piloto os controlando durante o round, por meio de um controle remoto. Já os autônomos têm vários sensores que, junto com uma estratégia pré-programada, fazem com que o robô consiga se situar na arena, saber onde está o adversário e encontrar a melhor forma de investir, sem nenhuma intervenção humana durante os rounds.

O Moai já estava classificado para o torneio principal, devido à quarta posição obtida na RoboGames, uma competição da qual a ThundeRatz participou em abril deste ano, na California (EUA). Já o Stonehenge teve que participar do pré-torneio para tentar uma vaga no mundial. A equipe chegou até as quartas de final, mas não foi classificada. No torneio principal, o Moai perdeu no início para a equipe da Turquia, que ficou em quarto lugar na final.

“Participar da competição trouxe um grande aprendizado para a equipe e os três membros que nos representaram na International Robot Sumo Tournament, já que tiveram a oportunidade de conversar com os criadores dos melhores robôs do mundo na categoria e poderão compartilhar os novos conhecimentos em robótica com todos os membros da ThundeRatz”, finalizou.

 

Poli-USP e parceiros premiam melhores alunos formados na graduação em 2015

Prêmio Professor Doutor Oscar Brito Augusto, criado pela Diretoria da Escola, foi destaque na cerimônia.

Uma noite de celebração. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e parceiros entregaram um total de 21 prêmios em categorias diversas nesta terça-feira (20/12) aos formados em 2015 que mais se destacaram na graduação. Um dos pontos altos da noite foi a entrega do Prêmio Professor Doutor Oscar Brito Augusto, criado este ano pela Diretoria da Escola, em homenagem ao docente, falecido em abril deste ano. Foi concedido pela primeira vez para Paulo Ricardo Radatz de Freitas, que cursou Engenharia Elétrica – Ênfase em Energia e Automação Elétricas. Ele recebeu o prêmio das mão do professor Alexandre Nicolaos Simos, chefe do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli.

Freitas também foi o primeiro colocado no Prêmio Conde Armando Alvares Penteado, oferecido pela Diretoria da Poli anualmente aos formados classificados nos três primeiro lugares nos cursos de graduação da Escola. Em segundo ficou Lucas Arnaud Postal e em terceiro Igor Malta Baracat, ambos do curso de Engenharia Mecânica.

Outro reconhecimento é o Prêmio Francisco de Paula Ramos de Azevedo, dado pela Diretoria ao formado da Poli que tenha se destacado nos últimos três anos do curso, em qualquer habilitação oferecida pela Escola. O estudante Rogério Vian Silva, do curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Sistemas Eletrônicos, recebeu o prêmio das mãos da vice-diretora da Poli, a professora Liedi Legi Bariani Bernucci.

Segundo o professor Piqueira, o dia da premiação é especial para a Escola, pois é quando ela recebe os alunos formados no ano anterior para serem reconhecidos pelo seu desempenho na graduação. “Temos muito orgulho de dizer que a Poli está entre as 55 melhores escolas de Engenharia do mundo, e queremos nos aprimorar cada vez mais, fazer o máximo da nossa capacidade para transmitir nosso conhecimento aos alunos”, afirmou.

Piqueira também destacou a importância da criação do prêmio em homenagem ao professor Oscar Brito Augusto. “Ele foi um dos grandes responsáveis pelo avanço do programa de duplo diploma da Poli, com sua sabedoria desburocratizou o processo de reconhecimento de créditos e transformou o programa num sucesso, tanto que hoje temos mais de mil alunos com duplo diploma”, ressaltou.

A vice-diretora da Poli lembrou que a Poli foi fundada para apoiar o desenvolvimento das indústrias paulistas. “A Escola cumpre seu papel de formar líderes que têm, como missão, melhorar esse País. Contamos com vocês para ajudarem o Brasil nesse momento difícil; temos confiança na formação sólida que oferecemos e que poderá contribuir para retomarmos o crescimento, reduzir as diferenças sociais e melhorar a vida da nossa sociedade”, disse.

O vice-reitor da USP e também professor da Poli, Vahan Agopyan, falou sobre o esforço dos estudantes para passar na Fuvest, entrar na Escola e concluir os estudos. “Vocês são os melhores entre os que já são muito bons. Vocês são nossa esperança de modificar para melhor esse País; têm conhecimento, talento e força de vontade, elementos imprecindíveis para serem líderes”, elogiou.

O pró-reitor de Pós-Graduação da USP, professor Carlos Gilberto Carlotti Jr., contou que o programa de internacionalização da Poli tem sido um exemplo para toda a universidade. Muitos dos alunos premiados participaram de atividades no exterior, como a duplo diplomação. “São de pessoas como vocês que o Brasil precisa na liderança para melhorarmos nosso País”, apontou. Já o capitão de mar-e-guerra e diretor do Centro de Coordenação de Estudos da Marinha em São Paulo, o engenheiro naval Jorge Luiz da Cunha, recomendou aos premiados que mantenham a excelência em suas vidas.

Ao final, o agora engenheiro elétrico Paulo Ricardo Radatz de Freitas agradeceu a todos pelo apoio em sua jornada na Poli. Disse que a Escola lhe deu a oportunidade de conhecer uma realidade que era distante dele até então, que estudou em escola pública na Zona Leste de São Paulo, em um bairro onde a maioria sequer sabe o que é a USP. “Lembro da construção dessa ponte para essa nova realidade, do que passei para me tornar aluno da Poli. Não faltaram desculpas para desistir, mas escolhi dar o meu melhor a cada dia e não ceder a essas desculpas para me confortar diante de possíveis fracassos”, recordou. Dar o seu melhor para superar os obstáculos e construir as pontes, lembrando que é mais fácil fazer isso contando com o apoio das pessoas, foi o conselho emocionado que ele deixou a todos os participantes da comemoração.

O engenheiro Plínio Cabral Jr., diretor de Engenharia Elétrica da GM do Brasil, fez um breve discuro representando todos os premiadores da noite. “Sejam inovadores, sejam criativos, as empresas precisam disso. Sempre procurem algo melhor, não se deixem oprimir pelas dificuldades e, lembrem-se, ninguém faz nada sozinho”, aconselhou. O diretor da Poli, professor Piqueira, encerrou o evento, dizendo-se comovido pelas palavras de Radatz de Freitas. “A Escola têm três patrimônios: o físico, o intelectual e o moral, que é o principal: nos ajudem a preservá-lo. Ao exercer sua profissão no mercado de trabalho, sejam como o Paulo, éticos e generosos”, finalizou.

Prêmios por Departamento – Além da Diretoria, alguns departamentos da Poli também premiaram os melhores alunos. O de Engenharia de Telecomunicações e Controle ofereceu o Prêmio Professora Jocelyn Freitas Bennaton ao aluno Rafael Menegazzi, que obteve a maior média ponderada global no curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Automação. Por meio do Laboratório de Comunicações e Sinais (LCS), o Departamento premiou ainda os melhores alunos do quatro e do quinto ano do curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Telecomunicações, respectivamente Maurício Dantas Scramim e Jéssica Goya Outi, com o Prêmio Luiz de Queiroz Orsini.

O Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas premiou Lucas Monogios Koleff e Pedro Paulo Bezerra Machado por terem apresentado o melhor trabalho de formatura no curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Energia e Automação Elétricas -, com o Prêmio Professor Doutor Áurio Gilberto Falcone. Lucas Franco da Silva, Lucile Marie Sophie Michon e Thibault Yves Marie Collin também foram premiados pelo Departamento por terem desenvolvido o melhor trabalho de conclusão de curso em Engenharia Elétrica – Ênfase em Automação e Controle. Eles conquistaram o Prêmio Professor Marcio Rillo.

O Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli contemplou Lilian Etienne Parada (Engenharia Ambiental) e William Brascher (Engenharia Civil), os formados que obtiveram a melhor média no conjunto das disciplinas ministradas pelo Departamento nos respectivos cursos, com o Prêmio professor Lucas Nogueira Garcez.

Também ofereceram prêmios para os graduados da Poli os seguintes parceiros: a Marinha do Brasil; o Instituto de Engenharia; a Fundação Carlos Alberto Vanzolini; o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP); o Conselho Regional de Química IV – Região SP; a Associação Paulista de Engenheiros de Minas (Apemi); a Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena); a Associação Brasileira de Engenharia Química; a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA); a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração; o Programa Partners for the Advancement of Collaborative Engineering Education; a empresa Águia Sistemas de Armazenagem S.A.; e a empresa Procter & Gamble Brazil.

Clique aqui para acessar o documento com os nomes de todos os premiados de 2016.

Confira aqui as fotos da festa de premiação.

 

 


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