Escola Politécnica da USP

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Visita do embaixador do Reino Unido destaca a importância do RCGI

Rangarajan mostrou interesse pelo impacto econômico dos resultados dos projetos do RCGI, muitos dos quais envolvem tecnologias disruptivas.

O embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, visitou no último dia 12 o Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, ambos sediados na USP. Rangarajan veio a convite do professor Jacques Marcovitch, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP) e estava acompanhado da assessora de economia do Consulado Britânico no Brasil, Raquel Borges de Sá.

No RCGI, o embaixador foi recebido pelo professor Julio Meneghini, diretor do Centro, que fez uma apresentação sobre a atuação e os projetos de pesquisa em andamento no RCGI. “Eu já conhecia um pouco sobre os temas tratados pelo time de pesquisadores do RCGI. Mas fiquei impressionado com o nível de detalhamento dos projetos na apresentação do professor Júlio”, disse o embaixador, contando que antes havia conversado com empresas britânicas, entre elas a própria Shell (anglo-holandesa), a respeito das pesquisas do RCGI. Na visita, o embaixador mostrou interesse pelo impacto econômico dos resultados dos projetos do RCGI, muitos dos quais envolvem tecnologias disruptivas.

O encontro teve a presença de diversos integrantes do RCGI: os pesquisadores Edmilson Moutinho, Virgínia Parente, Emílio Silva, Cláudio Oller e Dominique Mouette, além do diretor de Difusão de Conhecimento e Comunicação, Gustavo Assi; e a diretora de Recursos Humanos e liderança, Karen Mascarenhas. Contou ainda com a presença de Rob Littel e Tiago Vicente, respectivamente gerente geral de Separação de Gases e chefe do Escritório de Relações Internacionais da Shell; do diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, Carlos Alberto Zeron; e do próprio professor Jacques Marcovitch.

Registro histórico – O trabalho do RCGI, que envolve investimentos da USP, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Shell, e mais de uma centena de pesquisadores em colaboração estreita com instituições estrangeiras, merece, na opinião de Marcovitch ter um registro histórico. “O que temos aqui é uma rara oportunidade de um arranjo que inclui uma universidade pública brasileira e instituições de pesquisa de outros países, junto ao setor privado. Então, é preciso pensar em quem vai registrar isso e como esse conhecimento será exposto para as outras pessoas”, disse. É algo que deve ser registrado e documentado para que as novas gerações de pesquisadores saibam como vocês trabalharam essa interface entre instituições diversas”, acrescentou.

Para Meneghini, os memoriais dos projetos são uma questão relevante, que deve ser pensada junto à Shell e a outras instituições parceiras. Gustavo Assi concordou: “Temos de aprender com essa oportunidade única e passar à frente as experiências que temos, sobre como o modelo funciona e sobre próprio aprendizado ao longo do caminho”, disse. Ele lembrou também que o RCGI ‘fala’ com um público diverso – da academia, passando por empresas, até o público leigo. E que essa é uma preocupação da comunicação no RCGI.

O diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin disse que a instituição pode contribuir com a ideia do registro da memória dos projetos do RCGI. “Nós temos a memória e a história da relação entre o Brasil e outros países do mundo, especialmente a Grã-Bretanha, cuja presença aqui no século XIX foi marcante”, disse Zeron.

Após conhecer a sede e os projetos do RCGI, embaixador e parte da comitiva visitaram a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Lá, ele foi recebido também por três dos quatro filhos do casal Mindlin – Diana, Sonia e Betty Mindlin – e pelo vice-diretor da instituição. O embaixador foi presenteado com vários livros e fez uma visita guiada pela biblioteca, que tem mais de 60 mil volumes, sendo uma parcela significativa composta por edições raras. 

 

Arquivo histórico dos primeiros 40 anos da Escola Politécnica da USP é lançado on-line

A Poli foi fundada em 1893 em meio a um período histórico de transformações, e nos documentos do acervo, é possível constatar sua participação nas grandes obras e projetos que moldaram a cidade e o país.

Pesquisar sobre a história da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) ficará mais fácil. Isto porque um projeto da Poli, em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), disponibilizará na Internet 80 mil documentos gerados nos primeiros 40 anos de existência da Escola, em um sistema de busca que foi lançado no dia 14 de dezembro, durante a última Congregação do ano. “Nosso acervo conta uma história importante não só da Escola Politécnica da USP, mas da Engenharia brasileira. Disponibilizar essa história para a sociedade é cumprir com nosso papel de democratizar o acesso ao conhecimento e também de resgatar o valor da nossa Engenharia no Brasil”, destaca o diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira.

O projeto de digitalização do Arquivo Histórico, como é chamado, utilizou como base os documentos armazenados desde a fundação da Poli, em 1893, até o ano de 1934. Eles foram cadastrados segundo as regras do Arquivo Geral da USP (AGUSP) e da Norma Brasileira de Descrição Arquivística (NOBRADE).

Os documentos físicos foram higienizados, armazenados e catalogados em novos suportes de polionda, e estão acomodados no prédio do Biênio. Eles haviam sido organizados pela última vez há 20 anos em um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Atualmente, para ter acesso a eles e poder manuseá-los, o pesquisador deve elaborar um pedido de autorização à Diretoria, explicando os motivos da pesquisa, e ser acompanhado de uma pessoa encarregada durante a visitação do acervo para a consulta.

Com a digitalização dos arquivos, todo o processo poderá ser encurtado. Digitando palavras-chave, é possível acessar os documentos avulsos e encadernados como atas de reuniões da Congregação, recibos de compras feitas por laboratórios e departamentos, fotografias de alunos e instalações, projetos e plantas arquitetônicas desenvolvidas por professores, entre outros materiais administrativos e financeiros. “Para garantir a facilidade na busca foi escolhida uma plataforma que também é utilizada para repositório de arquivos, por outras universidades e instituições ao redor do mundo, como o Arquivo do Estado de São Paulo”, explica Enio Blay, coordenador do projeto na FDTE. Trata-se da ICA-AtoM, baseada em um software livre, que foi adaptada para as características do acervo a ser lançado.

Blay afirma ainda que foi feita a divisão cronológica porque a primeira fase do trabalho abrange desde a criação da Poli em 1893 – com o decreto legislativo de fundação da Escola, que conta com assinaturas de Antônio Francisco de Paula Souza e Bernardino de Campos, entre outros – até a sua incorporação à USP, em 1934. Para ser possível uma reprodução fac-símile dos documentos, o armazenamento das imagens foi feito em alta definição e, para facilidade de acesso e pesquisa, em mais baixa resolução, em formato pdf.

A empresa responsável pela plataforma, a Mercúrio, ainda cuidará do site por mais 28 meses para assegurar que não haja nenhum problema com o funcionamento do mesmo. Vale lembrar também que os documentos pessoais não serão disponibilizados abertamente ao público, e ainda necessitarão de autorização prévia. Contudo, a sua ficha catalográfica está no arquivo e será pública.

“Tivemos o cuidado de separar o que é privado do que é público, mas sempre tendo em mente que o acesso à informação é um direito de todos”, afirma Blay.

De onde vieram os recursos – Consta na Lei Rouanet, sancionada em 1991, a possibilidade de pessoas físicas e empresas aplicarem parte de seus impostos de renda devidos em ações culturais, o que foi o caso do projeto da Poli/FDTE.

Para que fosse aprovada, a proposta para digitalização teve que ser submetida a uma aprovação do Ministério da Cultura. Uma vez aceita, iniciou-se a etapa de arrecadação da verba estipulada – R$ 4,7 milhões de reais. A Poli entrou em contato com empresas privadas e conseguiu o valor de R$ 1,5 milhão, suficiente para a realização da primeira parte do projeto.

Blay diz que o restante dos documentos será digitalizado nas outras fases, que ainda precisam da captação de recursos para serem executadas. 

Última atualização em Qui, 14 de Dezembro de 2017 14:58
 

Alunos da Poli-USP identificam iniciativas em smart cities em 11 municípios de SP

Estudo foi parte da disciplina Gestão Integrada de Cidades Inteligentes, oferecida pelo Departamento de Engenharia de Produção.

Um conjunto de estudos feitos por alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) envolvendo 11 municípios mostrou algumas iniciativas em projeto ou já em andamento para a implementação de cidades inteligentes, ou smart cities, no Estado de São Paulo. As pesquisas são resultado do trabalho de conclusão da disciplina “Gestão Integrada de Cidades Inteligentes”, oferecida pelo Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Poli. Os resultados foram apresentados no evento “Conecticidade de Premiação para Smart Cities”, realizado nesta quarta-feira (13/12), no auditório da PRO, no campus da Cidade Universitária, em São Paulo.

O evento marcou o encerramento das atividades da disciplina PRO-3480, oferecida de forma optativa para estudantes da Poli e de outras unidades da USP, e aplicada pelos professores Marcelo Schneck de Paula Pessoa, Leandro Patah e José Joaquim do Amaral Ferreira. Em grupo, os alunos estudaram as cidades de Campinas, Campo Limpo Paulista, Capivari, Diadema, Guarulhos, Itu, Jundiaí, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Sorocaba e Vinhedo, analisando questões relacionadas com a gestão de cidades inteligentes, buscando conhecer a realidade destas, seus problemas e como estes podem ser resolvidos com a ajuda de tecnologias da Comunicação e Informação.

Os cases – Cada grupo destacou uma ou mais iniciativas no sentido da implementação das cidades inteligentes. Jundiaí, por exemplo, disponibilizou um aplicativo integrado, no qual os cidadãos podem acessar cerca de 100 serviços diferentes. Santa Bárbara d’Oeste já está usando drones, wi-fi e câmeras para segurança pública e tem um sistema inteligente de estacionamento onde os cidadãos podem pagar de forma online pelo uso das vagas.

Em Limeira, foi desenvolvido um sistema de botão de pânico para mulheres em situação de risco e um sistema mobile de estacionamento rotativo baseado em IoT. Vinhedo monitora todas as entradas e saídas da cidade em tempo real, por meio de um sistema de câmeras, avança na implantação do sistema de iluminação LED e planeja a instalação de estacionamentos e hidrômetros inteligentes. Em Sorocaba, todas as viaturas policiais agora contam com computadores de bordo integrados a um sistema central de segurança.

Em Capivari, foi criado o Sistema Integrado de Administração Municipal (SIAM), por meio do qual o cidadão pode pedir solução para problemas que são de competência da prefeitura. Em Diadema, a totalidade dos processos internos relacionados à gestão do município estão digitalizados. Outro exemplo é Itu, na qual a Secretaria de Planejamento lidera a integração entre as demais secretarias, promovendo a digitalização dos processos.

Campo Limpo está projetando um novo portal interativo e integrado, que liga todas as áreas da administração do município. Já em Guarulhos, a prefeitura está trabalhando em um projeto de big data para integrar os dados de gestão. E Campinas está adotando uma plataforma aberta para implementar soluções em IoT voltadas ao atendimento aos cidadãos, e que foi desenvolvida pelo CPqD, que fica no município.

Disciplina como base para formação de grupo de pesquisa – Este foi o primeiro ano de realização da disciplina “Gestão Integrada de Cidades Inteligentes”, que será oferecida novamente pelo Departamento no segundo semestre de 2018. Sua concepção se alinha aos três eixos de atuação da Poli, o ensino, a pesquisa e a extensão, conforme explicou o professor Marcelo Pessoa. Além de abrir espaço para que os estudantes aprendam, na prática, a utilizar os conceitos aprendidos em sala de aula, e também a fazerem pesquisa, ajuda os municípios a terem um diagnóstico, com avanços e demandas, promovendo a interação com a sociedade por meio do apoio à ação dos gestores de políticas públicas.

A disciplina também tem por objetivo ser a base para formação de um grupo de pesquisas sobre cidades inteligentes na Poli e já se articula com o Laboratório de Cidades, Tecnologia e Urbanismo, sediado no Departamento. Esse laboratório conta ainda com a participação e apoio da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Fundação Vanzolini, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU) e Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Uma das metas das nossas pesquisas é desenvolver uma certificação para cidades inteligentes”, contou o professor Leandro Patah.

Na abertura do Conecticidade, a professora Patrícia Faga Iglecias Lemos, superintendente de Gestão Ambiental da USP e representando o reitor da Universidade, professor Marco Antonio Zago, lembrou que a USP sedia o primeiro escritório regional do Programa Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e convidou os pesquisadores para participarem dessa iniciativa. “O trabalho que a Poli desenvolveu, colocando seus estudantes em contato com a realidade das prefeituras, mostrou o quanto a universidade pode contribuir com a sociedade”, destacou.

O chefe do Departamento de Engenharia de Produção, professor Fernando Laurindo, explicou que a criação da disciplina reflete o caráter multisdiciplinar do curso. “Essa disciplina procura tratar o tema cidades inteligentes com uma visão de sistema integrado, holístico, com o objetivo último de termos cidades melhores para vivermos”, concluiu.

O evento teve, ainda, uma apresentação sobre as atividades do Projeto Rondon SP, que promove a integração entre prefeituras e universidades, por meio do trabalho voluntário de alunos e professores dispostos a ajudar os municípios na busca por soluções dos diversos problemas enfrentados pela administração pública.

Autoridades públicas, representando as prefeituras das cidades estudadas, estiverem presentes no Conectividade e ganharam um certificado por terem participado da iniciativa: André Luiz de Camargo Von Zuben, secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas; Caroline Rocha Michels, secretária de Assistência Social e Cidadania, Carla Dualib Sonnewend, secretária de Comunicação, Luis Carlos Fabbrini da Silva, diretor de TI, e Wesley Oliveira, analista de sistemas, todos da prefeitura de Diadema; Plinio Berbardi Junior, secretário de Planejamento de Itu; Mariana Savedra Pfitzner, Diretora de Ciência e Tecnologia, e Júlio César Durante, diretor do Departamento de Fomento ao Comércio e Serviços, ambos da prefeitura de Jundiaí; Lexandro A.G. de Melo, diretor de TI da prefeitura de Vinhedo; Danilo Cesar de Oliveira, diretor da Secretaria de Planejamento de Sorocaba.

Confira as fotos do evento no Flickr da Poli. https://www.flickr.com/photos/poliusp/albums/72157661560018647

 

Alunos da Poli-USP trabalham em próteses de mão eletromecânicas produzidas por impressoras 3D

Atividade faz parte da formação de estudantes de Engenharia Mecatrônica, que são orientados pelo professor Chi-Nan Pai.

Alunos do curso de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) estão desenvolvendo, já na graduação, protótipos de próteses para pessoas sem a mão, seja devido a defeitos congênitos, ou devido a amputação. Segundo o professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR), Chi-Nan Pai, o objetivo do projeto é fazer com que os alunos tenham a oportunidade de praticar os conceitos e teorias aprendidos ao longo do curso, ao mesmo tempo em que trabalham no desenvolvimento de uma tecnologia inovadora e que traz impacto positivo para a sociedade.

A prótese de mão em desenvolvimento na Poli-USP poderá ser fabricada utilizando impressoras 3D. Totalmente customizada para o corpo de cada pessoa e também para as funções que ela precisa realizar, o projeto começou tendo como base uma prótese desenvolvida por engenheiros de uma startup japonesa chamada Exiii. Essa customização é o grande diferencial do projeto politécnico, pois já existem em vários países iniciativas open source nas quais os projetos de próteses estão disponíveis para quem quiser fabricar seu próprio equipamento, usando impressora 3D, mas são projetos muito genéricos, que não levam em consideração as particularidades de cada usuário.

“Enquanto no Japão o maior foco do trabalho foi no design, aqui estamos pesquisando as questões da Engenharia, em si. Queremos melhorar as partes mecânica e funcional da prótese”, explica. O primeiro passo foi fazer uma prótese idêntica a dos japoneses, para aprender mais sobre a mesma, mas essa fase inicial já apontou aspectos que devem ser aperfeiçoados.

Para a prótese ter mobilidade, mexer punhos, dedos etc, é preciso colocar motores na mesma. “Estamos estudando uma forma melhor de projetar esses mecanismos para dar mais funções para as próteses”, conta. Dar função significa montar a prótese de forma que ela permita que o paciente alcance um objetivo a partir da realização de determinados movimentos: se ele quer trabalhar com escrita, precisa de uma prótese capaz de segurar uma caneta; se quer cozinhar, o mecanismo deve segurar algo leve e frágil como um ovo, sem quebrá-la.

Próteses customizadas – Segundo Chi-Nan, a customização da prótese poderá chegar ao seu potencial máximo, pois ele será um dispositivo fabricado não só de acordo com as características físicas únicas de cada pessoa – como, por exemplo, o comprimento do braço –, mas também à forma como cada pessoa vive, às atividades que realiza e como usa suas mãos. “Queremos projetar as próteses de acordo com a necessidade de cada um. Talvez para uma pessoa não seja um problema se a prótese amassar um pouco os objetos que ela manipular, então não precisa ter um controle muito fino da prótese para a questão da força, por exemplo”, comenta. “Podemos pensar até em fazer próteses intercambiáveis no futuro: a pessoa terá várias delas, e poderá usar uma para escrever, outra para realizar tarefas delicadas etc”, completa.

Para estudar esse aspecto, o docente fez parceria com a Escola de Engenharia de São Carlos da USP, cujos pesquisadores implementaram uma técnica de controle para movimentação vertical do braço de um manipulador industrial onde uma simples batata ‘chips’ foi usada, sem quebrar, para levantar o braço, extremamente pesado (https://www.youtube.com/watch?v=WS1gSRcJbJQ). A ideia é usar a mesma técnica na prótese, começando com o estudo implementando essa teoria de controle em uma prótese de três dedos, em tamanho maior que o da mão humana, para melhor visualização e entendimento do problema. O objetivo desse protótipo inicial é chegar a um sistema de controle da mão de forma que a prótese consiga pegar qualquer objeto sem esmagá-lo.

O uso das mãos está relacionado com as características técnicas da prótese e ambos são fatores que impactam diretamente no seu preço, uma grande preocupação do projeto brasileiro. “Queremos produzir próteses de baixo custo, então, quanto mais função precisar, mais motores. Com isso, o preço de produção aumenta, assim como a necessidade de fazer manutenção e trocas eventuais de componentes pelo desgaste ao longo do tempo ou por quebra”, destaca.

Na prótese feita no Japão, todos os motores estão instalados nas mãos, o que se revelou um problema, segundo a pesquisa brasileira. “É justamente a parte mais móvel da prótese e onde tem maior chance de quebrar. Se isso ocorrer, é preciso refazer tudo e acaba se tornando caro para o usuário”, ressalta. Por isso, em vez de colocar os mecanismos importantes na mão, estamos estudando a instalação dos motores no antebraço. “A mão será só um mecanismo para fazer a movimentação, de modo que fique mais barato trocar uma peça se quebrar”, explica.

Há também desafios na área da saúde. “Não podemos permitir uma compressão das áreas de contato da prótese com o local onde ela se encaixa no braço da pessoa, chamado de coto de amputação, pois isso causa necrose do tecido e pode levar a uma nova amputação”, diz. Para investigar esse problema, será preciso envolver outros pesquisadores. Chi-Nan já teve uma conversa inicial com o Instituto de Ortopedia da Faculdade de Medicina da USP, pois lá existe uma oficina onde se faz rotineiramente essa interface da prótese e do membro natural, evitando a lesão.

Ainda não é possível saber quanto seria mais barata a prótese desenvolvida na Poli em relação às já existentes. Para isso, será preciso avançar mais no estudo. “Até agora, o custo dos componentes para a fabricação de uma prótese é de R$500,00, mas com certeza não será esse o custo final”, diz. A ideia é que o projeto consiga ser viável de forma a atender pacientes do SUS. Para chegar lá, o professor precisará encontrar mais alunos que queiram se engajar no projeto nos próximos anos e encontrar um parceiro interessado em fabricar um número maior de protótipos das próteses, pois é preciso testar a tecnologia em um grande número de pessoas.

O projeto de desenvolvimento dessa prótese está relacionado a outra iniciativa, que deve culminar com a produção de um robô para atender pessoas com tetraplegia e que também é tocada por alunos do sétimo semestre do curso de Engenharia Mecatrônica, que podem participar de uma iniciativa interdisciplinar chamada “Projeto Integrado do Sétimo Semestre” (PI-7), em que terão a oportunidade de desenvolver projetos utilizando conhecimentos de cinco disciplinas da grade: “Sistemas Embarcados”, “Atuadores e Acionamentos”, “Controle I”, “Mecanismos para Automação” e “Microprocessadores em Automação e Robótica”.

Uma das turmas desenvolveu protótipos de um pequeno robô que leva um copo até a boca de uma pessoa. Eles pesquisaram e testaram diversos tipos de mecanismo e controle na busca por um dispositivo que conseguisse segurar e virar um copo na boca, sem derramar o líquido. Essas iniciativas contam com apoio financeiro do Amigos da Poli, fundo de endowment que capta doações e aplica os recursos em projetos da própria Poli. O projeto ganhou o segundo lugar em 2016 entre todos os apoiados pelo fundo Amigos da Poli, pelo impacto e excelência alcançados.

 

Workshop Poli-USP sobre Mecânica Computacional traz especialistas da Alemanha para o Brasil

Iniciativa é resultado do esforço de estruturação de grupos de pesquisa teuto-brasileiros em uma área fundamental para o aperfeiçoamento de da simulação computacional na Engenharia.

Dois dos pesquisadores de maior destaque em Mecânica Computacional estarão no Brasil nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2018 para participar de um workshop sobre a área, promovido pelo professor Paulo de Mattos Pimenta, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Ambos são da Alemanha: Peter Wriggers, vice-reitor e catedrático em Mecânica Computacional na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Leibniz de Hannover, e Jörg Schröder, pró-reitor de Pesquisa e catedrático de Mecânica Computacional na Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Duisburg-Essen.

Além deles, outros dez pesquisadores virão da Alemanha para participar do workshop. Também estão confirmadas as presenças de especialistas da própria Poli-USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Reunir grandes nomes que atuam nesse campo para trocar experiência, conhecimento e prospectar possíveis projetos em cooperação são os objetivos deste workshop”, afirma Pimenta.

Entre os temas a serem abordados no evento estão os sistemas mecânicos flexíveis (máquinas, biomecânica); problemas envolvendo contato; problemas envolvendo interação de sólidos com fluidos; mecânica dos materiais (estrutura da matéria) e novos métodos computacionais.

A Mecânica Computacional é uma área essencial da Engenharia, pois possibilita desenvolver ferramentas para simular e testar sistemas, hoje cada vez mais complexos e com enormes quantidades de variáveis. “Ela permite simular desde grandes sistemas, como o climático, passando por grandes objetos, como aviões e navios, até pequenos sistemas, como o celular, ou a interação entre átomos e moléculas”, exemplifica.

É uma área de aplicação transversal que permite melhor controle dos experimentos virtuais. É o caso do desenvolvimento de novos materiais. “A Mecânica Computacional está evoluindo para permitir a simulação do que ocorre dentro dos materiais, como eles se rompem, como se deformam, como fraturam etc. Esperamos grandes progressos nessa área pelos próximos 10 a 20 anos”, conta.

Fronteira do conhecimento – Peter Wriggers, que é doutor honoris causa em mais de dez universidades estrangeiras, membro do conselho da American Society of Mechanical Engineers (ASME) e editor da Computational Mechanics, principal revista científica mundial sobre o tema, deverá abordar um novo método computacional chamado elementos finitos virtuais. Já Jörg Schröder deverá abordar a anisotropia – característica de certas propriedades físicas de uma substância que variam conforme a direção. “A anisotropia é fundamental para as pesquisas envolvendo materiais fibrosos. Trata-se do futuro dos materiais, já que muitos estudos procuram reforçá-los com o uso de fibras”, explica Pimenta.

O workshop é resultado de um trabalho que o professor Pimenta vem desenvolvendo em cooperação com Alemanha já há alguns anos. Ele foi o primeiro pesquisador brasileiro, e o primeiro engenheiro do mundo, a ser agraciado com o Georg Forster Research Award, concedido pela Fundação Alexander von Humboldt, da Alemanha. Como parte do prêmio, ele atuou a partir de 2015 na Universidade de Duisburg-Essen, com o objetivo de estruturar um grupo de pesquisa conjunto de Mecânica Computacional (link http://www.poli.usp.br/pt/comunicacao/noticias/arquivo-de-noticias/1714-poli-usp-articula-com-alemanha-formacao-de-grupo-de-pesquisa-em-mecanica-computacional.html). A expectativa é que o workshop possibilite criar uma rede maior de pesquisadores.

“A Alemanha é um país muito relevante do ponto de vista acadêmico nessa área”, ressalta. “Além disso, os alemães enxergam o Brasil como parceiro estratégico na área cientifica, tanto que São Paulo é uma entre apenas cinco cidades a ter uma sede do DWIH”, completa. DWIH é a sigla em alemão para Centro Alemão de Ciência e Inovação, uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores em cooperação com o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha para internacionalizar a ciência alemã e desenvolver soluções para os desafios globais. Há Centros do mesmo tipo apenas nos Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia.

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Serviço:

Workshop Teuto-Brasileiro em Mecânica Computacional

Data: 19 e 20 de fevereiro de 2018.

Local: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Edifício Mário Covas Júnior

Endereço: Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380. São Paulo – SP

Informações e inscrição (gratuita): www.gbwcm2018.com

 

Resultado de eleições discentes: PNV e PPGEP

Informamos o resultado das eleições para representação discentes junto ao Conselho de Departamento e à Comissão Coordenadora de Curso do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica – PNV – (Portaria 2248 de 08/11/2017) e junto à Comissão de Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção – PPGEP –  (Portaria 2249 de 08/11/2017) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo:

Portaria 2248/2017 – PNV:

Chapa eleita para o Conselho de Departamento – PNV:

·         João Machado Baptista (Titular) Maurício Hiroshi Shiguihara (Suplente).

Chapa eleita para a Comissão Coordenadora de Curso – CoC PNV: 

·         Beatriz Tai Lopes (Titular) João Pedro Cunha Machado da Silva (Suplente).

 

Portaria 2249/2017 – PPGEP:

Chapa eleita:

·         Graziela Darla Araujo Galvão (Titular) e Diego Honorato Clemente (Suplente);

 

Os mandatos somente terão início após a validação do processo eleitoral pela Procuradoria Geral da USP.

 Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

 

Programa de integração entre alunos de Engenharia da USP entra na fase final

Estudantes selecionados para a segunda etapa do PIE² estão passando a semana na Escola Politécnica.

Aprender com dois nomes reconhecidos dos setores sucroenergético e de consultoria em inovação foi a tarefa do terceiro dia de atividades dos estudantes de Engenharia de diferentes campi da Universidade de São Paulo (USP), reunidos na Escola Politécnica (Poli-USP) para a realização da segunda etapa do Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIE2). O evento ocorre entre os dias 11 e 16 de dezembro, nas dependências da Poli, e é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade e da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).

As duas palestras foram divididas entre a manhã e a tarde desta quarta-feira (13/12), e contaram com a presença de Pedro Eduardo Pinho de Assis, da PASys Engenharia e Sistemas, empresa que presta consultoria na área de negócios agroindustriais; e Fábio Pando, CEO da Horizon Consulting, empresa de inovação em negócio.

A primeira etapa do Programa premiou os melhores projetos inscritos entre todos os cursos de Engenharia oferecidos pela universidade nos campi de São Paulo e de cidades do interior. Nela, as equipes tiveram que pensar em uma solução para os problemas identificados por ela sem uma fotografia da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Agora, os finalistas se reúnem na Poli para competir entre si, e a equipe vencedora receberá apoio financeiro para a realização de um estágio no exterior no valor de US$ 1,2 mil mensais para cada membro.

Perspectivas para a cana - A primeira palestra do dia - “Evolução tecnológica do setor sucroenergético” - foi feita por Pinho de Assis, e trouxe aos estudantes um resumo da história do setor e dos seus momentos mais importantes, como a criação do programa Proálcool, em 1975; e das possibilidades de crescimento da indústria sucroenergética com a aprovação da Renovabio, lei que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis na matriz energética brasileira e que pode significar um incentivo aos produtores de álcool a melhorarem a eficiência e diminuírem ainda mais a emissão de carbono.

Segundo o palestrante, o objetivo da conversa com os alunos foi “motivá-los a estudar o setor e quem sabe até entrar nele, uma vez que o álcool volta na pauta mundial com as perspectivas de mudanças climáticas”. Para ele, a estagnada no preço da gasolina há mais de sete anos no país pode ter significado um congelamento do crescimento da indústria do álcool, mas esse cenário pode mudar a qualquer momento. “O setor sucroenergético tende a responder muito rapidamente aos estímulos de investimentos”, confirma o palestrante. Diante disso, ele convidou os participantes a pensarem na atuação “nesse mar de oportunidades”.

Um dosdesafios apontados por Pinho foi a questão do melhor aproveitamento da vinhaça, líquido resultante da produção do álcool. Atualmente, ela é destinada para irrigação dos canaviais,, uma vez que é composta basicamente de água e de resíduos não prejudiciais ao solo. Contudo, sabe-se que ela pode ser transformada em biogás. Eletambém apresentouum panorama dos principais acontecimentos para o setor açucareiro e algumas curiosidades, como o fato das primeiras utilizações da mistura de álcool e gasolina para alimentar os motores de carros datarem de 1908.

Como inovar no mundo atual - A segunda palestra, proferida por Pando, trouxe aos alunos as principais estratégias para conseguir desenvolver e aplicar uma ideia inovadora. Segundo ele, o Brasil passa pelo chamado bônus demográfico - quando há mais gente trabalhando do que aposentada -, hora mais propícia para o investimento no crescimento econômico e tecnológico do país.

Para isso, o palestrante afirmou serem necessárias mudanças drásticas na lógica da gestão das empresas, por exemplo. “Atualmente, o mundo contemporâneo é centrado no indivíduo, que produz, compartilha e é dono de seu próprio conteúdo na internet. Quando analisamos a estrutura de uma instituição tradicional - extremamente hierárquica e conservadora -, percebemos que ela não se encaixa mais nesse modelo”, explicou.

Ainda segundo Pando, as mudanças trazidas pela era digital afetaram também a lógica de consumo da sociedade atual. “Os estoques estão se tornando desnecessários, uma vez que os produtos são feitos sob medida para os compradores”, afirmou. “O que as empresas devem fazer é tentar entender o que o consumidor quer, e se isso é tecnicamente possível e financeiramente viável”.

Para isso, lançou o desafio aos estudantes presentes. “O que o consumidor quer é algo muito complexo de descobrir. A chave é tentar humanizar ao máximo as relações com ele e tornar suas tomadas de decisão as mais simples possíveis”, finalizou.

Última atualização em Qua, 13 de Dezembro de 2017 15:41
 


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