Escola Politécnica da USP

usp.br

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte


Doutorado da Poli-USP avalia segurança tecnológica de usinas nucleares de pequeno porte

Pesquisa de Rodney Busquim e Silva conquista Prêmio CNEN de Tese e analisa o uso de métodos computacionais avançados na análise de reatores nucleares.

Com o objetivo de avaliar o efeito da redução do núcleo de reatores para a segurança tecnológica, o Capitão de Fragata (EN) e Gerente de Projetos do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), Rodney Busquim e Silva, modelou e aplicou métodos computacionais avançados para simulação da ejeção de barras de controle em seu doutorado em Engenharia de Sistemas pela  Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Seu trabalho acaba de conquistar o Prêmio CNEN de Tese 2016.

Trata-se de uma iniciativa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para comemorar os 60 anos de existência da instituição e reconhecer a pesquisa científica na área nuclear por meio da premiação, que passará a ser anual, da melhor tese de doutorado indicada por programas de pós graduação no País – cada programa pode indicar apenas uma tese. O certificado e a medalha foram entregues ao pesquisador no último dia 15, em uma cerimônia realizada na sede da CNEN, no Rio de Janeiro. A Poli-USP e o professor da Escola, José Jaime da Cruz, que foi coorientador, também receberam certificados.

Um reator nuclear é um sistema complexo, dentre os mais sofisticados já construídos. Por este motivo, a indústria nuclear tem utilizado cada vez mais simulações para o projeto de reatores avançados, alguns a serem construídos com tecnologia modular devido a vantagens de flexibilidade operacional, menor capital inicial, escala de produção e menores tempos de construção, entre outras. Também há demanda por novas ferramentas para controle da planta na medida em que sistemas analógicos são substituídos por digitais.  

Com essas demandas em mente, Rodney desenvolveu modelos computacionais para três reatores nucleares com projetos similares mas diferentes potências nominais: um de grande potência (2.2772 megawatt térmico - MWt), um de média potência (1.061 MWt) e outro de baixa potência (530 MWt) e utilizou três softwares nucleares distintos, além do ambiente computacional para simulação. Após a definição do escopo, dos softwares, e da modelagem, foram simulados três casos durante operação em baixos níveis de potência e operando a 100% da potência nominal.

“Durante a pesquisa, analisei os resultados da ejeção de barras de controle em situações de máxima e mínima produção de energia. As barras de controle são responsáveis por regular a reação nuclear absorvendo nêutrons e controlando a potência do reator – elas são inseridas entre os elementos combustíveis dentro do reator e sua ejeção súbita pode causar falhas no núcleo”, explica. “Tal análise tinha como propósito avaliar o impacto da redução do tamanho da planta nuclear do ponto de vista de segurança tecnológica e analisar a implementação de métodos estocásticos para cálculo da potência e reatividade”, completa.

“Uma das conclusões a que chegamos é que existem vantagens de pequenos reatores modulares (PRM), em termos de segurança tecnológica, em relação a reatores tradicionais, quando estes estão sujeitos a falhas por inserção de reatividade“, afirma. O estudo inova pela metodologia e problema investigado, na aplicação das ferramentas, nos códigos gerados para as simulações e nos resultados. Dentre tais inovações, vale citar a aplicação do Filtro de Kalman Estendido (FKE). Trata-se de um método para obtenção de informações de um sistema com base em um modelo matemático e medições de grandezas com incertezas, observadas ao longo do tempo. “O FKE permite obter estimativas de variáveis com ruídos de medidas e/ou que não podem ser medidas, mas que são afetadas por variáveis, cujos dados estão disponíveis, e que constituem o modelo espaço-estado ”, explica.

No caso, o pesquisador implementou um algoritmo de FKE para, com base em medidas ruidosas obtidas dos detectores de fluxo de nêutrons, estimar a potência e a reatividade, comparando os resultados com o método utilizado atualmente e com os resultados dos softwares nucleares. A análise dos dados indicou que o EKF apresenta melhores resultados do que o método de medição utilizado atualmente, que não considera incertezas, e que a utilização de sistemas digitais poderá facilitar a tarefa de controle dos reatores a partir do momento que as incertezas nos modelos/medições são tratadas mais adequadamente.

Trabalho com o MIT - Rodney foi orientado na pesquisa por um dos mais importantes cientistas da área nuclear, o professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Mujid Kazimi, que também foi seu orientador quando aluno de mestrado naquele Instituto, e coorientado pelo professor José Jaime da Cruz, do Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle (PTC), também seu orientador em trabalhos anteriores. Atualmente, é aluno de pós-doutorado da Poli-USP e pesquisador afiliado ao MIT. “Esta premiação engrandece a relação entre a Poli-USP e a Marinha do Brasil (MB), que celebram 60 anos de trabalho conjunto”, ressalta. Na Poli-USP está sediado o Centro de Coordenação de Estudos da Marinha em São Paulo (CCEMSP), e no campus da USP, o CTMSP.

O pesquisador ficou muito feliz por ver sua tese, cujo título é “Implications of Advanced computational methods for Reactivity Initiated Accidents in Nuclear Reactors”, premiada pela CNEN. “Fiquei muito satisfeito por conquistar justamente a primeira edição deste prêmio. É uma realização pessoal poder cooperar com a Poli-USP, ter uma relação de longa data com a Escola onde estudei, e poder trabalhar com energia nuclear no CTMSP. Eu não poderia estar mais contente”, finaliza. 

 

Empreendedores concluem treinamento do i-CORPS na Poli

Dez startups nascidas das ideias de politécnicos participaram do programa.

Os participantes da fase piloto do i–CORPS na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) acabam de concluir o treinamento. Dez startups participaram da iniciativa, financiada pela Diretoria da Poli e aplicada pelo consultor Flavio Grynszpan, do Instituto i–CORPS Brasil. A metodologia é inspirada no Programa i-CORPS, projeto do governo dos Estados Unidos que oferece formação para empreendedores com o objetivo de incentivar a criação de startups a partir de pesquisas desenvolvidas em universidades.

No último encontro, as equipes apresentaram um balanço de suas jornadas. Cada uma das equipes que representam as dez startups era formada por um docente, um aluno ou ex-aluno da Poli-USP, e um mentor externo. Elas começaram o treinamento com o desenho inicial do que pensavam que seria seu negócio, feito em um documento Canvas, ferramenta digital usada para gerenciamento e planejamento estratégico. Ao longo das aulas, foram recebendo orientações sobre como agregar informações para validar o negócio proposto, mudá-lo para poderem, de fato, chegar ao mercado, ou até mesmo para descartar a ideia.

Parte essencial do treinamento foi a metodologia para entrevistar pessoas que podiam se encaixar como usuárias e/ou futuros clientes, com o objetivo de checar se a tecnologia, produto ou serviço proposto pela startup resolvia os possíveis problemas de seus clientes potenciais, se gerava valor para eles e se o investimento compensaria.

“No geral, os participantes ressaltaram como o treinamento os ajudou a pensar diferente, ‘fora da caixa’. Eles mostraram a evolução do negócio a partir do seu Canvas inicial e explicaram como as entrevistas com os clientes foram fundamentais para mudar a estratégia”, contou Grynszpan.

Quase todas as startups pivotaram – termo técnico para falar do processo de mudar o plano de negócio inicial para um novo nicho de mercado ou a forma como o produto/serviço/tecnologia será oferecido, entre outras alterações. Uma das startups inclusive percebeu que seu negócio não tinha o potencial inicialmente pensado e decidiu que não valia a pena continuar. O objetivo do i-CORPs é ajudar os empreendedores a decidirem rapidamente se devem prosseguir com a empresa ou não. “Os resultados atingidos pelos participantes foi excelente”, destacou.

Potencial empreendedor – Entre as startups participantes está a TechTalk, que pretende oferecer soluções para automatizar o atendimento a cliente em pequenos estabelecimentos. A ideia inicial era trabalhar com clínicas médicas e odontológicas, mas, nas entrevistas, descobriram que dispor de um funcionário para atender pacientes na marcação de consultas e outras rotinas de atendimento ao público não era um gargalo para esse segmento de mercado. A tecnologia, no entanto, foi bem vista pelos pacientes dos consultórios, que gostariam de ter um atendimento em horário estendido. Com a metodologia do iCORPs, a empresa vai continuar a prospectar segmentos de mercado para o qual as soluções em automatização de atendimento podem ter interesse.

A startup LightUp desenvolveu uma tecnologia para projetar imagens luminosas nas rodas das bicicletas quando em movimento. A ideia inicial era vender a tecnologia para os próprios ciclistas, apostando no interesse dos mesmos pela customização da bicicleta e também pelo fator segurança, já que a iluminação os torna mais visíveis para pedestres, veículos e outras bicicletas. Com o treinamento do iCORPs, conseguiu estabelecer a estratégia mais correta em relação a quem seria seus compradores e definir três fases estratégicas de desenvolvimento da startup. Para a empresa, o fator primordial foram as entrevistas com ciclistas, ativistas, empresários e outros públicos, que gerou contatos para os negócios e permitiu mudar o desenho do modelo de negócio, tornando-o mais alinhado à realidade do mercado.

Um relato de empresa que pivotou foi a Petrofísica. Foram três grandes mudanças no Canvas inicial para chegar ao modelo final de negócios. Inicialmente, a startup queria nacionalizar a produção de equipamentos usados em petrofísica, focados na caracterização das rochas para extração de petróleo. No final, após descobrir nas entrevistas com atores do mercado de petróleo que ter equipamentos importados não era um problema, decidiram desenvolver uma plataforma para integração de dados de perfuração entre operadoras, com o objetivo de ajudar as empresas a reduzir os custos, os riscos e o tempo na exploração dos reservatórios. Vão usar a metodologia do iCORPs para verificar se essa ideia de negócio se sustenta.

 

Poli ampliará capacidade de laboratório multiusuário

Laboratório de Caracterização Tecnológica (LCT) vai ter novos equipamentos para caracterização de materiais por meio de projeto aprovado em edital da Finep

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) teve o projeto de ampliação da capacitação da Facility Multiusuário do Laboratório de Caracterização Tecnológica (LCT) aprovado em edital da Finep, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Comunicações e Inovações (MCTIC). Serão cerca de R$ 6 milhões em recursos para infraestrutura e bolsas. O projeto é coordenado pelo professor Henrique Kahn, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo (PMI) da Poli. A USP, como um todo, teve nove projetos aprovados no edital 02/2016 – Centros Nacionais Multiusuários da Finep.

O projeto tem por objetivo fortalecer a facility multiusuário do LCT, por meio de melhoria e ampliação de sua capacitação de infraestrutura para atuação como centro nacional multiusuário na caracterização de materiais, matérias primas minerais, produtos de processamento industrial e resíduos, além de outras áreas nas quais possa auxiliar em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação de empresas e ICTs.

“Este fortalecimento se dará pela incorporação de novas técnicas analíticas, de elevada sinergia e complementares àquelas já existentes, e substituição de equipamentos obsoletos”, explica o professor Kahn. Segundo ele, a ampliação da capacitação contribuirá para maior abrangência de suas atividades em atendimentos multiusuários e multiclientes, para suporte e aprimoramento de ferramentas de gestão, para formação e fixação de pessoal qualificado e ampliação da atuação e eficiência da facility, fomentando a realização de pesquisas multi e interdisciplinares, promovendo maior interação e cooperação entre distintos grupos de pesquisa.

“O LCT conta com expressiva infraestrutura analítica e recursos humanos para atuação na área de caracterização de matérias-primas minerais e materiais em geral e destaca-se como facility multiusuário em apoio a atividades acadêmicas de várias unidades da USP e outras universidades desde meados da década de 1990”, lembra.

O Laboratório apoia pesquisas de uma rede que abrange mais de 50 instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e 500 pesquisadores. As principais áreas de atuação são Engenharias (Minas, Petróleo, Metalúrgica, Materiais, Civil, Ambiental, Mecânica, Química e Eletrônica), Ciência Dos Materiais, Geologia, Oceanografia, Agronomia, Medicina, Odontologia, Ciências Biológicas e Arqueometria, dentre outras.

O projeto Finep prevê a aquisição de um novo difratômetros de raios X, como atualização de equipamento adquirido em 1997 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), aquisição de microfluorescência de raios X, de sistema de análise térmica com trocador automático de amostras e de equipamento de análise de área de superfície específica e de distribuição de tamanho de poros considerado, adicionalmente estão previstas a atualização do microtomógrafo de raios X de alta resolução Versa 510 para versão Versa 520 e do sistema de microanálise de EDS/WDS. Todos os equipamentos são usados para caracterização de materiais.

Além da aquisição e atualização de equipamentos de médio/grande porte, o projeto contempla ainda a aquisição de peças de reposição para operação de equipamentos existentes no LCT, assim como o custeio de mão de obra para manutenção de equipamentos e a contratação de pessoal e de bolsistas para a operação da facility.

“Os usuários da facility serão beneficiados pela ampliação de capacitação instrumental e de pessoal e também pela redução dos valores para a comunidade acadêmica, uma vez que os custos operacionais suportados pelo projeto Finep serão revertidos em benefício desta”, finaliza o professor. O plano de gestão e compartilhamento do uso de equipamentos e os procedimentos gerais podem ser acessados diretamente na página do LCT na internet. Para mais informações, basta entrar em contato com o LCT pelo telefone (11) 3091 5151, e-mail ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) ou visitando diretamente as instalações.

 

Poli institui o Prêmio Professor Doutor Oscar Brito Augusto

Iniciativa é uma homenagem ao docente, falecido este ano.
O primeiro oferecimento será a formados de 2015.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) acaba de instituir o Prêmio Professor Doutor Oscar Brito Augusto, uma homenagem ao docente, falecido em 27 de abril deste ano. Ele foi professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli. O prêmio, criado por meio da portaria DIR 2082/2016, consiste em um diploma alusivo de Honra ao Mérito.

O prêmio será concedido pela primeira vez em cerimônia a ser realizada no dia 20 de dezembro, na Poli. Será agraciado o/a estudante que tenha se formado, que se destacou em seus estudos e tenha realizado atividade de intercâmbio estudantil ou duplo diploma em programas reconhecidos e homologados pela Comissão de Graduação da Poli. Será reconhecido como melhor aluno/aluna aquele/aquela que tenha obtido a melhor média ponderada, constante no histórico escolar, nas disciplinas ministradas pela Poli.

“O professor Oscar, como presidente da Comissão de Graduação (CG) da Poli, foi um dos grandes responsáveis pela implantação dos programas de duplo diploma, simplificando e desburocratizando os processos de equivalência de cursos e disciplinas”, lembra o diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira. “Sua visão da graduação privilegiava a formação global do engenheiro, trabalhando com ideias arrojadas e multidisciplinares para o estabelecimento das grades curriculares”, completa.

A ideia da criação do Prêmio foi de Alex Eduardo Guerlando, chefe administrativo do Serviço de Apoio Educacional, órgão vinculado à Assistência Técnica Acadêmica da Poli. Ele trabalhou com o professor Oscar Brito Augusto por quase dez anos, justamente quando o docente ocupou a presidência da CG.

O professor Oscar Brito Augusto construiu sua carreira acadêmica na Poli, onde concluiu a graduação em Engenharia Naval e Oceânica em 1980. Também pela Escola fez seu mestrado, em 1982, e seu doutorado, em 1987. Em 1997, obteve o título de Livre Docência. Presidiu a Comissão de Graduação da USP por 10 anos, de 1999 a 2008, e foi Pró-Reitor Adjunto de Graduação da USP de 2002 a 2006.

Profissional com vasta experiência na área, ele dedicou especial atenção em sua carreira ao tema Síntese Estrutural Naval e Oceânica, com destaque para assuntos como síntese automatizada de estruturas navais e oceânicas; métodos numéricos aplicados à Engenharia; otimização com múltiplos objetivos; e educação em Engenharia. 

 

Pesquisa da Poli-USP oferece nova estratégia de socorro às vítimas de desastres

Metodologia possibilita que os tomadores de decisão não deixem nada escapar na etapa de definição dos objetivos, o que resulta em ações mais rápidas e eficazes.

Em cenários de catástrofes, como enchentes, secas e terremotos, os modelos matemáticos são vitais na logística de socorro às vítimas. Na prática, porém, o que ocorre é que esses modelos nem sempre atendem aos objetivos dos tomadores de decisão uma vez que foram criados para cenários de catástrofes específicos. Tal distorção pode atrasar ou até comprometer o êxito de uma operação. Esta foi a conclusão de uma pesquisa feita pela engenheira civil Luísa Brandão Cavalcanti, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que agora propõe uma nova metodologia para atender melhor os objetivos de cada operação.

A pesquisadora analisou 25 casos de logística humanitária relatados em artigos científicos. “Constatei que há uma incompatibilidade entre os critérios de desempenho adotados nos modelos publicados e os objetivos perseguidos pelos tomadores de decisão na prática”, aponta ela. Além disso, ela percebeu que alguns modelos priorizavam custo em uma etapa que deveria ser focada na agilidade do atendimento às vítimas. “Para quem está à frente da operação, o custo só é prioritário depois que o atendimento às vítimas está bem controlado”, pondera.

Essa constatação fez com que a pesquisadora checasse os dados com alguém que vivenciou este problema na prática: um ex-oficial militar brasileiro, que trabalhou na operação de socorro às vítimas do terremoto do Haiti, em 2010. Com a ajuda desse ex-oficial e orientada pelo professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli, André Bergsten Mendes, ela passou então a desenhar uma metodologia que possibilitasse traçar uma estratégia com base nos objetivos da operação, de forma mais rápida e eficaz, e que pudesse ser aplicada em qualquer tipo de desastre.

A proposta de Luísa contempla estratégias em diversas esferas: como fazer a composição de carga (se um kit, um único tipo de carga por vez etc.); como escolher os destinos (se vai entregar toda a carga para as pessoas que estão perto primeiro, e depois para os que estão mais longe por exemplo); como serão alocados os veículos de transporte (por comboio, veículos isolados etc).

“Um tomador de decisão precisa definir se vai focar na rapidez, no tipo de carga, nas condições dos lugares que precisam do atendimento, se decidirá por destino, por fator político, que é algo comum nos casos em há grupos potencialmente violentos e que, se não tiverem suas demandas satisfeitas, podem até comprometer o êxito da operação”, exemplifica. “Então, essa metodologia não permite que ele deixe algo importante escapar do planejamento”, acrescenta.

A metodologia também leva em consideração aspectos políticos na disputa por recursos. Na maioria das grandes tragédias, várias organizações se envolvem no atendimento às vítimas, então é preciso ter uma organização coordenadora –nesses casos, quem assume o papel é o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). “As organizações competem entre si por financiamento, e isso tem consequências no trabalho em campo do atendimento às vítimas”, conta.

“Criar estratégias é algo que pode ser feito antes de um desastre, mas é um erro usar modelos matemáticos prontos, porque podem não ser condizentes com os objetivos da operação. Se não forem bem delimitados os objetivos, o modelo vai indicar soluções que não vão funcionar”, destaca. A expectativa de Luísa é que essa nova estratégia possa lastrear um modelo matemático ‘universal’, que seja transformado em um software de livre acesso. “Com estratégias mais acertadas poderemos socorrer mais rápido as vítimas e salvar mais vidas”, conclui.

 

Poli-Santos comemora Natal Solidário

Crianças do AIS Gota de Leite e do Educandário Santista comemoraram
a chegada do Natal com os estudantes da Escola.

Os alunos da Escola Politécnica da USP do campus de Santos receberam neste sábado (10/12) as crianças da Assistência a Infância de Santos (AIS) Gota de Leite e do Educandário Santista para a terceira edição do Natal Solidário.

Desde 2012, quando o curso de Engenharia de Petróleo foi implantado na cidade santista, existia uma preocupação por parte dos alunos, professores e funcionários da Poli-Santos em fazer do campus uma iniciativa que impactasse positivamente a região da Baixada Santista, por meio a interação com a sociedade. A recepção dos alunos no Natal Solidário é uma dessas iniciativas de aproximação.

O evento foi organizado pelo Diretório dos Grupos de Extensão da Poli – Santos, composto pelo Centro Acadêmico da Poli-Santos, o Capítulo Estudantil SPE (Society of Petroleum Engineers) da USP, o Cursinho Popular AtuaMente, o POLINSINA e a CORE Júnior, Empresa Júnior da Poli-Santos USP (CORE Júnior), e com a ajuda dos alunos de Engenharia de Petróleo. O evento contou também com apoio da Diretoria da Escola Politécnica, assim como da coordenação, professores e funcionários da Poli Santos para realizar o encontro.

A cama elástica, a piscina de bolinhas, o mini playground, o Papai Noel e as gincanas organizadas pelos alunos garantiram a diversão para as crianças e seus familiares. Também foram servidos com salgadinhos, cachorro-quente, bolo, brigadeiro, suco e refrigerante.

O Acappolli, grupo de canto a capella da Poli-USP, foi de São Paulo para o campus santista para participar do Natal Solidário. Ele fechou o evento com uma apresentação que encantou todos os presentes.

Após esse dia de pura diversão, as crianças se despediram do Papai Noel e dos seus ajudantes e levaram para casa uma pequena lembrancinha para não se esquecerem do dia que passaram com os alunos da Poli-Santos.

“O resultado do Natal Solidário foi muito positivo, agradando muito as crianças e seus familiares, que manifestaram interesse de festejar novamente conosco no ano que vem. Os alunos também gostaram muito de participar e interagir com as crianças, dessa forma o evento foi um sucesso para todas as partes envolvidas”, afirmou Caroline Nascimento dos Santos, diretora acadêmica do Centro Acadêmico Poli Santos (CAPS). “Em 2017, iremos repetir o evento buscando expandir ainda mais seu tamanho e impacto”, completou. 

 

Alunos e docentes da USP poderão usar serviço de nuvem da Amazon

Estima-se que até 6 mil pessoas possam ser beneficiadas.
Iniciativa começa pela Escola Politécnica.

A Universidade de São Paulo, representada pela Escola Politécnica (Poli), e a Amazon assinaram, nesta quarta-feira (07/12), um memorando de cooperação para que alunos e professores da instituição possam usar os serviços de nuvem da empresa norte-americana, no âmbito do programa Amazon Web Services (AWS) Educate. Trata-se de uma iniciativa global da empresa para disponibilizar à comunidade acadêmica recursos de cloud computer, com o objetivo de acelerar os esforços de aprendizado relacionados à nuvem.

“A ideia é começar o programa pela Poli e expandir para toda a universidade”, disse o diretor da Escola, professor José Roberto Castilho Piqueira, na cerimônia de assinatura do memorando. Também estavam presentes na reunião a diretora para Educação Superior no Mercado Americano do AWS, Ann Merriew; o gerente geral da AWS no Brasil, José Nilo Cruz Martins; e o professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Poli, José Reinaldo Silva, que liderou os contatos com a Amazon.

Segundo o professor Reinaldo, a iniciativa nasceu de um pequeno grupo da Poli que passou a pesquisar formas de explorar o universo da nuvem como um serviço para toda a comunidade e não como tema de pesquisa, e acabou fazendo um contato direto com a Amazon Web Services, que acaba de se instalar no Brasil. Os contatos evoluíram e, com apoio da diretoria da Escola Politécnica e da vice-reitoria da USP, chegou-se ao memorando assinado agora. “O próximo passo é começar um processo de discussão para estabelecer uma estratégia de divulgação e criação de programas específicos para o restante da USP usar o cloud da Amazon”, acrescentou o docente.

A universidade conta com um serviço de nuvem, que é utilizado somente como plataforma de pesquisa para quem estuda o tema, e não como um serviço geral de hospedagem aberto à comunidade. Com esse acordo, os professores e os alunos da Poli ganharão créditos para usar os serviços de nuvem da Amazon em atividades de ensino e pesquisa. Quando for expandido para as demais unidades da USP, estima-se que entre 5 mil a 6 mil pessoas possam acessar o serviço.

Na assinatura do memorando, Ann Merriew destacou que, ao trabalhar em conjunto com o setor acadêmico, a empresa espera apoiar a construção da indústria de nuvem. “Queremos ajudar na formação de profissionais para o setor, colocando os estudantes que estão sendo formados nas universidades para trabalhar em nuvem, aprendendo habilidades para esse trabalho, desenvolvendo projetos no ambiente do AWS Educate”, disse.

Para a Amazon, o ganho está no fomento à cultura do uso da nuvem. Os alunos que utilizam esse recurso durante sua formação poderão continuar a usá-lo quando estiverem no mercado de trabalho, ampliando, assim, o uso da computação em nuvem. A empresa também desenvolve o programa AWS Research, que prevê o suporte a pesquisas envolvendo computação em nuvem, o que reforça a formação de recursos humanos para a própria Amazon e para o segmento de forma geral.

O encontro serviu ainda como oportunidade para que a Poli e a empresa discutissem alguns temas de interesse comum. A Amazon busca parcerias com grupos de pesquisa para desenvolver projetos colaborativos em rede, com serviço de nuvem. Piqueira citou sobre iniciativas desse tipo no Brasil, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI). A Poli, que hoje aposta em programas para formação de mentores para startups, teve interesse em saber sobre como a Amazon apoia o empreendedorismo, já que a Escola tem buscado estimular os alunos a pensarem também em ter seu próprio negócio. A resposta dada por Ann Merrew é que já existem programas com este teor nos Estados Unidos e que podem servir de modelo para o Brasil.

 


Página 8 de 16