Escola Politécnica da USP

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Novo sistema construtivo ecoeficiente diminui em 35% custo da obra

Comparado ao método convencional, o tempo de construção

pode ser reduzido em até 40%.

Um sistema construtivo feito por brasileiros, que representa um avanço na qualidade em relação aos tijolos ecológicos, está concorrendo a uma vaga na etapa regional do Hult Prize 2017, da Hult International Business School e da Clinton Global Initiative. Se vencer, seus idealizadores terão US$ 1 milhão para executar o projeto que foi concebido para ajudar refugiados. Em todo o mundo, estima-se que o número de refugiados seja superior a 65 milhões de pessoas No Brasil são cerca de 9 mil refugiados reconhecidos, além de cerca de 80 mil haitianos com vistos humanitários ou autorizações de trabalho.

O projeto foi desenvolvido por pesquisadores do grupo de pesquisa NAP Mineração, liderado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em parceria com as empresas i9 Building, Prensil, e S.R. Termoplásticos EPP. “Nossa ideia é oferecer moradia digna, além de capacitar e empregar refugiados na construção das casas. É um método facilmente replicável, barato e que pode ser utilizado em mutirões”, conta Fernando Rocha, pesquisador do NAP Mineração.

Inovação – Por esse sistema, os blocos de concreto têm pequenos furos nas bordas e se encaixam por meio de conectores de plástico. A argamassa é usada apenas para colar os primeiros blocos na base e no reboco, cujo revestimento tem apenas dois milímetros de espessura. Nas vigas e pilares é usado outro tipo de argamassa, o graute. “Os atuais tijolos ecológicos, produzidos de forma artesanal, a partir de areia e resíduos ou escórias de indústrias, apresentam variabilidade de matéria-prima e consequente perda de qualidade”, conta o pesquisador.

“Nosso sistema visa aproveitar os benefícios do sistema construtivo de blocos encaixados, que também dispensa o uso de argamassa, e superar as deficiências dos tijolos ecológicos”, explica. Os blocos encaixados, chamados de tijolos de solo-cimento, quebram mais facilmente, dificultando muitas vezes o encaixe entre blocos. “Isso não ocorre com o nosso método, devido aos nossos conectores de plástico”, acrescenta.

Economia – Comparado ao sistema tradicional, que usa argamassa para assentar os blocos, o custo de uma obra com esse sistema chega a ser 35% menor. “E o tempo de execução da obra pode cair quase pela metade”, destaca. Em valores, enquanto o metro quadrado de tijolos usando esse sistema sai por cerca de R$ 43,00, no sistema que usa tijolo ecológico custa R$ 68,00.

O impacto no meio ambiente também é menor. Além de gerar menos resíduos na obra (os blocos já vêm vazados para embutir encanamento e fiação, o que evita quebradeira), a inovação usa pouquíssima argamassa – matéria prima cuja fabricação é responsável por uma parte considerável da emissão de gases de efeito estufa. Os conectores, por sua vez, são feitos de plástico reciclável.

Peneira – Na primeira fase da competição, o projeto dos pesquisadores brasileiros foi selecionado como um dos 300 melhores entre 50 mil apresentados por equipes de várias partes do mundo. Eles, agora, concorrem à etapa regional do prêmio que, nesta edição, busca iniciativas inovadoras e empreendedoras que ajudem refugiados de todo o mundo a se restabelecer.

Na etapa regional, as equipes que tiveram seus projetos selecionados farão apresentações para a comissão julgadora. Os aprovados nessa fase passarão por um processo de aceleração e receberão apoio técnico para aprimorar os projetos e concorrer na final, que deve ser em setembro. O melhor projeto receberá US$ 1 milhão. Para arrecadar recursos e participar da etapa regional em Boston, o grupo brasileiro lançou uma campanha na internet. As contribuições podem ser dadas pelo site de crossfunding Kickante: http://bit.ly/2kb83gp

Mesmo que não cheguem à final, os pesquisadores veem no projeto um potencial produto para ser explorado por empresas brasileiras. Um sistema de franquia está sendo pensado pelos pesquisadores e pela i9, que patentearam a inovação. “Se um fabricante de blocos se interessar pela tecnologia, não precisará fazer grandes alterações em sua planta industrial. “Basicamente terá de adequar os equipamentos para usar nossos moldes de bloco”, diz Rocha.

Um vídeo sobre essa tecnologia está disponível na rede para os interessados: https://www.youtube.com/watch?v=FNSAIdk36rM&

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ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

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Érika Coradin 

 

Poli-USP disponibiliza vagas de seus cursos para a Terceira Idade

Aproximadamente 4.691vagas estão sendo oferecidas por várias unidades da USP. A Poli oferece inscrição para 39 disciplinas e para a atividade Encontros Culturais.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) disponibilizou 90 vagas de 39 disciplinas de seus cursos regulares para pessoas com 60 anos ou mais. A iniciativa é parte do programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UnATI), projeto da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) que envolve unidades da USP de oito cidades diferentes. As inscrições vão até o dia 24 de fevereiro e estão sendo feitas nos Departamentos da Escola, de acordo com os cursos oferecidos. O site do programa indica em qual unidade de ensino o interessado deve comparecer para se candidatar.

Para participar, basta ficar de olho no regulamento geral e nas especificidades de cada disciplina, uma vez que algumas exigem pré-requisitos como já ter cursado outra matéria, ter experiência na área ou formação mínima. Em alguns casos, há a necessidade do envio do currículo do candidato para análise prévia do professor que ministrará o curso. Os inscritos não receberão serviços como o Número USP – código de identificação do aluno na Universidade –, mas garantirão um atestado de participação emitido pela PRCEU caso sejam aprovados ao final do semestre.  

A Poli, neste início de 2017, está oferecendo vagas em 39 disciplinas diferentes. As aulas se iniciam em março e terminam em julho deste ano. Os temas variam desde assuntos bem específicos e vinculados à Engenharia a questões que abrangem conteúdos multidisciplinares. “Termodinâmica I” e “Mecânica dos Fluidos II”, por exemplo, são matérias do Departamento de Engenharia Mecânica, obrigatórias e necessárias para os alunos da graduação. Já no caso de “Princípios da Administração de Empresas”, “Introdução à Economia” e “Transporte e Meio Ambiente”, cálculos e noções complexas em Exatas não serão tão necessários, e não há pré-requisitos.

Os alunos que participarem das aulas sobre “Princípios de Administração de Empresas”, por exemplo, terão acesso aos conceitos básicos das Ciências da Administração e de Contabilidade, e também fundamentos de Engenharia Econômica. Outro curso de interesse geral que tem vagas disponíveis para pessoas da terceira idade é o de “Introdução à Economia”, que aborda a história do pensamento econômico, micro e macroeconomia, políticas econômicas e a economia brasileira.

Quem se interessar por “Técnicas de Análise não Destrutivas para Avaliação de Joias e Pedras Preciosas” irá entender um pouco sobre os processos de análise e qualificação de gemas, metais nobres e joias. Já quem optar por “Planejamento Urbano e Regional” saberá identificar os processos de gestão e planejamento urbano e regionais aplicados no Brasil e em outros países ao longo do tempo.

Além dos cálculos - Além das matérias convencionais, a Escola oferece a atividade didático-cultural “Encontros Culturais: Recordar é Viver Dez Anos de Curso”. Ela é organizada pelo professor da Poli, músico e psicanalista Luiz Roberto Terron, e utiliza o embasamento cultural adquirido ao longo do semestre com filmes, livros e apreciação musical e gastronômica para propor ao grupo da terceira idade reflexões e debates acerca da própria vida. Não são exigidos pré-requisitos, e os encontros acontecerão às quartas-feiras, das 14h às 17h.

“O objetivo dos nossos encontros não é estudar a literatura ou a gastronomia em si, mas saber aplicar esses conhecimentos na vida cotidiana”, conta o professor. Ele é docente aposentado do Departamento de Engenharia Química (PQI), mas ainda leciona na Escola. As aulas, conta ele, começaram em 2006 com música como tema principal, e, a partir de 2008, os filmes foram entrando nas discussões em sala. Atualmente a programação do semestre é dividida em diversas áreas culturais, e os encontros são feitos em uma sala do PQI.

A prática de esportes também será possível para a terceira idade. A disciplina “Dança Espontânea” acontecerá no Departamento de Minas e Petróleo e trabalhará com a movimentação corporal por meio de ritmos como o samba, salsa, lambada, forró e valsa. As aulas ocorrerão às segundas-feiras, das 15h30 às 16h45. São 40 vagas disponíveis para a atividade.

O Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UnATI) tem como objetivo proporcionar uma formação e aprimoramento constante para a terceira idade, por meio da aquisição de novos conhecimentos, promoção da saúde, o bem-estar psicológico, social e da cidadania e estímulo à troca de saberes entre as gerações.

Para mais informações acesse o site do programa ou entre em contato pelo telefone (11) 3091-9183 ou pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. "> Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

(Amanda Panteri)

 

USP reforça divulgação de aplicativo para segurança dos campi

Lançado em agosto de 2016, o Campus USP funciona nas plataformas iO e Android.

Com o início do ano letivo e a entrada de novos alunos, a Universidade de São Paulo (USP) reforça a divulgação sobre o aplicativo Campus USP para monitoramento dos campi da instituição. Ele pode ser utilizado por alunos, professores e servidores técnicos da universidade e permite ao usuário relatar, por exemplo, a ocorrência de furtos, roubos, sequestros, vandalismo, problemas na iluminação pública, vazamentos de água e presença de animais abandonados.

Durante um deslocamento a pé, por exemplo, o usuário pode ativar o sistema de alerta que, em uma situação de emergência, avisa a Guarda Universitária. Os registros podem ser feitos por meio de texto, fotos ou áudio e são encaminhados imediatamente para o atendimento da Guarda Universitária e das Prefeituras dos campi. A central de monitoramento da Guarda Universitária funciona 24 horas.

O aplicativo está disponível nas lojas App Store para o sistema iOS e Play Store para Android. Depois de instalado no dispositivo móvel, o usuário deve fazer o login com seu número USP, usando a senha única de acesso aos sistemas institucionais da Universidade.

Por requerer o número USP, ele só pode ser utilizado por quem é aluno, professor ou funcionário da instituição. As informações pessoais, necessárias para que a Central de Operações possa identificar a ocorrência e contatar o usuário, são acessadas diretamente da base de dados da USP e mantidas em sigilo. Relatos falsos sujeitam o autor a penalidades civis e criminais.

O Campus USP foi desenvolvido por um grupo de técnicos do campus “Fernando Costa”, em Pirassununga, da Superintendência de Segurança e da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI). Informações podem ser obtidas pelo site www.sppu.usp.br ou pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Clique aqui para acessar o guia do aplicativo e aqui para ler as dicas do Manual de Segurança produzido pela USP.

Emergências no Campus da USP na Cidade Universitária, onde fica a Escola Politécnica (Poli-USP), também podem ser reportadas pelos telefones (11) 3091-3222 / 3091-4222.

Há, ainda, os serviços públicos:

Polícia Militar: 190
SAMU – 192
Bombeiros – 193. 

 

José Goldemberg recebe título de Professor Emérito da USP

Cerimônia foi realizada no Palácio dos Bandeirantes e contou com a
presença do governador Geraldo Alckmin.

A Universidade de São Paulo (USP) outorgou nesta terça-feira (14/02) o título de Professor Emérito ao professor e ex-reitor da universidade, José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A cerimônia ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, de secretários de Estado, do professor Celso Lafer – Professor Emérito da USP também representando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso –, do reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sandro Roberto Valentini, de diretores e conselheiros da Fapesp, e de professores e diretores de unidades da USP, como o diretor e a vice-diretora da Escola Politécnica da USP, os professores José Roberto Castilho Piqueira e Liedi Légi Bariani Bernucci, respectivamente, e outras autoridades.

A Poli-USP publicou, como homenagem a Goldemberg, um informativo especial impresso, que pode ser acessado aqui), e outro eletrônico, com os depoimentos na íntegra de personalidades do mundo acadêmico, empresarial e do setor público, que podem ser lidos nesse endereço. O professor Goldemberg vai ministrar, no dia 6 de março, a Aula Magna para os alunos ingressantes da Poli em 2017.

A concessão do título de Professor Emérito a Goldemberg foi aprovada pelo Conselho Universitário da USP em sessão realizada em 4 de outubro de 2016. A honraria é concedida a professores aposentados que se distinguiram por atividades didáticas e de pesquisa ou que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso da USP.

Este foi o 17º título de Professor Emérito concedido pela universidade desde a sua fundação, em 1934, e o primeiro concedido a um ex-reitor (confira a lista completa). Goldemberg já possuía os títulos de Professor Emérito do Instituto de Física e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.

“É um privilégio e uma honra receber da Universidade de São Paulo o título de Professor Emérito. Devo à USP minha formação e experiência universitária”, disse Goldemberg em seu agradecimento. Seu discurso pode ser lido na íntegra neste link

“O professor Goldemberg reúne as qualidades de cientista, acadêmico e homem público. Na sua adolescência, se encantou com a busca de respostas para questões simples do mundo que nos cercam. Em seguida, caminhou para equações e questões que derivam da análise dos átomos e da energia. E, depois, voltando-se para a sociedade, buscou aproximar a ciência dela, dando um sentido prático ao conhecimento”, disse Marco Antonio Zago, reitor da USP, em sua saudação (leia aqui o discurso na íntegra).

“Como reitor da USP, modernizou a universidade, fundou o IEA [Instituto de Estudos Avançados] e promoveu de maneira prática a autonomia das universidades públicas paulistas que são, ainda hoje, as únicas instituições genuinamente autônomas na área do conhecimento e da ciência no país. Por isso, a USP decidiu conceder merecidamente o título de Professor Emérito a ele, que é um cientista com visão social da ciência e que promove essa visão nas instituições em que atua”, afirmou Zago.

Por sua vez, o governador Geraldo Alckmin destacou a contribuição de Goldemberg para a USP e como cientista e também para os governos paulista e federal, além de seu papel como atual presidente da Fapesp.

“Desde que assumiu a presidência da Fapesp, em 2015, a instituição expandiu o apoio a pequenas empresas inovadoras de tecnologia e, apenas no ano passado, aprovou 200 projetos”, disse. O governador fez referência ainda a acordos feitos pela Fapesp com grandes empresas em conjunto com a Escola Politécnica da USP, para utilização de gás natural, e à elaboração em curso de um programa para o desenvolvimento e a modernização dos institutos de pesquisa do estado.

“É fundamental que a Fapesp contribua com São Paulo no avanço das ciências aplicadas, trazendo novos rumos para a ciência paulista”, avaliou.

Autonomia universitária – Em seu discurso, Goldemberg relatou como tentou durante sua gestão como reitor da USP contribuir para o reerguimento da instituição, afetada pelo período autoritário pelo qual o país passou de 1964 a 1985.

“O que tentei como reitor foi tentar elevar o nível da universidade para atingir melhor os objetivos para os quais foi criada, em 1934, e que refletiam uma visão republicana e liberal da universidade”, disse Goldemberg.

“Segundo esta visão, a função da universidade é propiciar a busca livre da ciência e da excelência em todas as áreas; realizá-las sem se submeter a interesses de classes, grupos partidários ou a ideologias totalitárias; e garantir o acesso sem utilizar outro critério que não seja a capacidade dos candidatos”, detalhou.

Goldemberg também discorreu sobre sua contribuição como reitor da USP para assegurar a autonomia não só da instituição, mas das outras universidades paulistas, como estabelecido no artigo 207 da Constituição brasileira de 1988, que preceitua que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

Uma das versões iniciais do anteprojeto da Constituição, contudo, continha no artigo 207 a expressão “nos termos da lei”, que tornaria indefinida a autonomia das universidades, ponderou Goldemberg.

“Como reitor discuti este tema várias vezes com Mario Covas [1930 – 2001], relator da Constituição, contribuindo para que essa expressão fosse eliminada”, disse.

Na avaliação dele, a defesa apaixonada da autonomia didática-científica e da defesa da ciência e dos cientistas que fez durante toda a sua trajetória teve origem em sua experiência como diretor do Instituto de Física da USP, entre 1970 e 1980, com apoio do então reitor da universidade Miguel Reale (1910 – 2006), e como presidente da SPBC, entre 1979 e 1981.

“Em alguns períodos, a interferência do aparato policial do governo na vida universitária era tal que havia agentes do SNI [Serviço Nacional de Informações] no gabinete do reitor, que não distinguiam entre ideias e atividades subversivas, vetando até a nomeação de professores. Esse aparato policial desapareceu assim que assumi a reitoria da USP, em 1986”, afirmou.

Goldemberg também lembrou que a liberação dos recursos para as universidades paulistas era negociada no passado pelos reitores e o Governo do Estado, e sujeita a atrasos, contingenciamentos e ajustes de todo o tipo.

Como os orçamentos fixados no início do ano eram insuficientes – sobretudo devido à inflação vigente –, era necessário negociar com o governo o tempo todo recursos adicionais (suplementações). “A autonomia de gestão era uma mera ilusão”, afirmou.

“Em 1988, junto com Paulo Renato Souza (1945 – 2011), então reitor da Unicamp, e Jorge Nagler, reitor da Unesp, negociamos com o governador do estado uma nova sistemática de alocação e liberação de recursos. Foi fixada, através do decreto de número 29.598, de 2 de fevereiro de 1989, uma porcentagem fixa do ICMS do estado de 8,4%, que era a média histórica dos três anos anteriores”, disse Goldemberg.

“Esse percentual foi atualizado ao longo dos anos e hoje é de 9,57% – dos quais cerca da metade (aproximadamente R$ 5 bilhões) é destinada à USP e o restante para as outras universidades do estado”, afirmou.

Na avaliação dele, a partir de 1989, a autonomia financeira da USP e o elevado senso de responsabilidade e de missão de uma sucessão de reitores permitiu que a universidade atingisse um nível de desempenho e excelência sem precedentes. E hoje figura entre as 200 melhores universidades do mundo, em um universo de cerca de 10 mil universidades, e é uma das melhores da América Latina, ressaltou.

O aumento de despesas com pessoal a partir de 2010, entretanto, comprometeu mais de 100% dos recursos da USP e colocou em risco a própria autonomia da universidade porque implica na busca de suplementação do Governo do Estado – que é justamente o que se pretendeu evitar com o decreto número 29.598, de 1989, que atribuiu à universidade uma fração fixa do ICMS –, ponderou Goldemberg.

“Nesta situação, as atividades de pesquisa científica e tecnológica, de interesse estratégico para o país, e não apenas de interesse da universidade, só não sofreram uma queda acentuada graças ao apoio da FAPESP”, ressaltou.

Goldemberg defendeu que a indexação dos recursos da USP ao ICMS é justificada pelo fato de que a educação exige um esforço continuado e, assim como a pesquisa, precisa ser alimentada o tempo todo. E que considera essencial em tempos de crise, como a atual, que haja um esforço para esclarecer o governo e a sociedade sobre a importância da universidade e que os gastos que isso implica são justificados, não se confundindo com demandas corporativas das quais a própria universidade tem de saber se defender.

“Um dos argumentos que justificam esta visão é o de que a USP já formou cerca de 300 mil profissionais em todas as áreas desde sua criação há mais de 80 anos, que são líderes incontestes na indústria, agricultura, ciência e cultura do estado e do país. E é graças à USP e a toda influência que exerce no sistema universitário de São Paulo e do país (público e privado) que temos um Incor e tratamento de câncer de primeiro mundo, uma engenharia de vanguarda em grandes obras, uma agricultura avançada e, só para dar um exemplo, um programa pioneiro de álcool de cana-de-açúcar que gera um milhão de empregos por ano”, enumerou.

“Por essas razões é tão importante preservar a USP como uma universidade de primeiro mundo e da qual eu muito me honro hoje em ser Professor Emérito”, afirmou Goldemberg.

A serviço da ciência e da sociedade – Nascido em Santo Ângelo (RS), em 1928, Goldemberg fez o bacharelado em Ciências (1950) na USP – tendo trabalhado como bolsista orientado pelo professor Marcello Damy de Souza Santos (1914 – 2009), a quem auxiliou na instalação do acelerador Betatron (um tipo de acelerador de elétrons) –, doutorado em Ciências Físicas (1954), livre-docência (1957), professor titular do Instituto de Física e reitor da universidade de 1986 a 1990.

Foi professor catedrático na Escola Politécnica da USP, professor associado na Universidade de Paris, professor titular da Universidade de Toronto, professor visitante na Universidade de Princeton, professor visitante na Academia Internacional do Meio Ambiente de Genebra e catedrático de Estudos Latino-Americanos na Universidade de Stanford.

Goldemberg dirigiu o Instituto de Física da USP, foi presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), da Sociedade Brasileira de Física (SBF), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

No governo federal, foi secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República, secretário Interino de Meio Ambiente – quando teve papel decisivo para o sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Rio-1992) – e ministro da Educação.

É membro da Academia Brasileira de Ciências desde 1955 e recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República do Brasil, em 1995.

Entre diversos prêmios e títulos honoríficos que recebeu em sua carreira estão o prêmio pela contribuição excepcional para o desenvolvimento da economia da Associação Internacional da Economia Energética (1989); de doutor honoris causa do Instituto de Tecnologia de Israel (1991); o prêmio Volvo Meio Ambiente (2000); a Medalha Butantan (2005); o título de pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2006); o KPCB Prize for Greentech Policy Innovators (2007), e o Blue Planet Prize (2008), da Asahi Glass Foundation.

Foi selecionado em 2007 pela revista Time como um dos 13 "Heroes of the Environment” na categoria de “líderes e visionários". Recebeu o Trieste Science Prize da Academia de Ciências do Terceiro Mundo (TWAS), em 2010, e o Zayed Future Energy Prize na categoria "Life achievement", em 2013.

Em 2014, foi condecorado com o prêmio “Guerreiro da Educação - Ruy Mesquita" pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e o jornal “O Estado de S. Paulo”. Em 2015, recebeu o prêmio da Fundação Conrado Wessel e foi nomeado presidente da FAPESP.

Desde fevereiro de 2014, ocupa como membro efetivo a cadeira nº 25 da Academia Paulista de Letras (APL).

(Texto da Agência Fapesp, com edição do Jornalismo e Assessoria de Imprensa da Poli-USP.)

 

Professor Paulo Kaminski, da Poli-USP, é convidado para participar do grupo de pesquisadores CIRST

O professor Paulo Kaminski, coordenador do Centro de Engenharia Automotiva (CEA) da Poli-USP, foi convidado a fazer parte do time de colaboradores internacionais do Centre interuniversitaire de recherche sur la science et la technologie (CIRST), de Quebec, Canadá. O CIRST é um importante grupo interdisciplinar de pesquisadores daquele país, que promove o avanço do conhecimento em diferentes áreas da ciência e da tecnologia e sua aplicação na resolução de problemáticas sociais.

Criado em 1986, o CIRST reúne cerca de 60 pesquisadores de 12 instituições de ensino, e está localizado no campus principal da Université du Québec à Montréal - Universidade do Quebec em Montreal (UQAM). É reconhecido como unidade de pesquisa pela Universidade de Montreal e pela Universidade de Sherbrooke, além da própria UQAM.

O CIRST lançou recentemente o programa de colaboradores internacionais e convidou cerca de 10 pesquisadores de diferentes regiões do mundo. O professor Paulo Kaminski recebeu o convite, no final de 2016, em virtude do reconhecimento da qualidade dos trabalhos realizados em parceria com pesquisadores de Quebec.

”É uma honra ser selecionado para fazer parte do CIRST. A iniciativa deve aumentar a colaboração em projetos de pesquisas científicas entre nosso grupo e pesquisadores do Canadá”, diz o professor Paulo Kaminski. 

Informações sobre o CIRST em http://www.cirst.uqam.ca/en/.

 

Poli-USP matricula 90% dos aprovados de 2017

Brincadeiras e ação social marcam a festa. Convocados na primeira chamada da Fuvest têm até esta terça-feira para se matricular.

Praticamente 90% dos vestibulandos aprovados para as 783 vagas disponibilizadas pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) pela Fuvest efetivaram a matrícula nesta segunda-feira (13/02). Um total de 704 calouros se matriculou no primeiro dia, e grande parte escolheu o período da manhã para fazer a matrícula, que se encerra hoje (14/02) para os alunos convocados na primeira chamada do vestibular. As matrículas estão sendo realizadas no prédio da Engenharia Civil, das 8h30 às 16h30, no campus do Butantã, em São Paulo, entre 8h30 e 16h30. Em 2017, a Poli ofereceu 870 vagas, sendo 87 pelo SISU e as demais pela Fuvest.

A Poli-USP mobilizou 47 funcionários para atender os calouros. Três salas no piso superior da Engenharia Civil foram destinadas para as matrículas e um espaço no lobby do andar superior foi reservado para os pais aguardarem os filhos. As mesas de atendimento foram separadas por curso. Ao efetuar a matrícula, cada aluno recebeu o Cartão USP, a carteirinha que permite o uso das linhas circulares de ônibus que ligam a USP ao Metrô Butantã e um folheto sobre o funcionamento geral da Universidade.

Ação solidária – Na entrada do local da matrícula, os calouros foram recepcionados pelos integrantes da equipe de robótica da Poli ThundeRatz e pela equipe Poli Racing. Após efetuarem a matrícula, os estudantes com cabelos longos eram convidados a participar da campanha de corte e doação de cabelos, promovida pelo Poli Social. Um profissional do salão de cabelereiro L6, de São Paulo, se voluntariou para fazer os cortes. Os cabelos foram doados para a organização não governamental Cuca Feliz, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, que dá apoio para mulheres e crianças que fazem tratamento contra o câncer.

Mais de 40 estudantes, entre homens e mulheres, participaram da ação. Uma delas foi a caloura Livia Kaneko, de 19 anos, de São Paulo, que foi aprovada no curso de Engenharia Química. “Eu já ia cortar o cabelo depois que passasse o vestibular. Quando vi que estavam organizando a campanha de doação, quis contribuir”, contou ela.

Depois da matrícula, os calouros eram ‘capturados’ pelos veteranos dos diversos centros acadêmicos da Poli, que estavam aguardando os ‘bixos’ para as brincadeiras do trote. Marcado pela não-violência, o trote teve disputa de futebol de sabão, luta com cotonete e o tradicional batismo no banho de lama.

A primeira semana dos calouros na Poli se encerra no sábado, 11 de março, com o Trote Solidário, promovido pelo Poli Social. Ele será realizado das 9h às 17h, quando voluntários, entre calouros e veteranos, ajudarão na revitalização do pátio da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, no Butantã, e na organização de brincadeiras com as crianças do colégio.

Os calouros voltam a se encontrar no dia 6 de março, quando começa o ano letivo e a Semana de Recepção aos ingressantes. Serão cinco dias de intensa atividade. A aula magna será das 9h ás 12h, no Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP (CDI), com um dos mais prestigiados pesquisadores brasileiros: o físico José Goldemberg. Hoje presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ele foi professor do ciclo básico da Poli, ministrando aulas de Física para os politécnicos entre 1968 e 1970.

Veja no Flickr da Escola Politécnica as imagens do primeiro dia de matrícula e da festa do Trote.

Livia Kaneko, de 19 anos, de São Paulo

Queria ser engenheira e estudar na Poli, mas estava em dúvida sobre qual seria a área. Em 2016, ela prestou vestibular para Engenharia de Produção, mas não passou. “Eu pesquisei mais sobre as áreas, pensei melhor e resolvi estudar Engenharia Química. Uma das coisas que me chamou atenção no curso é o fato de ser quadrimestral, em que tem o período de estágio. Estou bem empolgada”, afirmou.0

Os irmãos gêmeos Eliel e Levi Regiani, de Ribeirão Pires (SP)

 Ambos passaram em Engenharia Elétrica. Eles têm 20 anos e garantem que um não influenciou na decisão do outro na escolha da carreira, mas que se identificam com a área. Escolheram a Poli pela reputação dos cursos da instituição e seu destaque no cenário do ensino superior no Brasil. “Penso em seguir em Sistemas Eletrônicos e Computação, mas ainda é cedo para decidir. Sei que o curso será puxado, vai exigir bastante, mas com certeza cumprirá minhas expectativas”, afirma Eliel.

Assim como ele, Levi escolheu Engenharia Elétrica por causa das amplas possibilidades de atuação abertas para quem se forma nesse campo. “Como têm várias ênfases, posso direcionar os estudos para o que mais me interessar”, disse ele. Os irmãos têm um amigo que estudou na Poli e fez o duplo diploma. “Ele falou bem da Poli, deu boas recomendações”, comentou Levi. Os irmãos vão tentar fazer o programa de duplo diploma e até já sabem para qual país querem ir: França. 

 

Alunos da Poli e USP São Carlos desenvolvem inovações voltadas para terceira idade

Entre os projetos, destaque para sensor que avisa idoso a hora de ir ao banheiro, roupa que ameniza impacto de quedas e sistema de monitoramento do ambiente.

Incontinência urinária, quedas, depressão e ansiedade são problemas frequentes na terceira idade. Pensando nessas questões, estudantes de graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e da USP São Carlos, em conjunto com alunos de universidades de outros países, desenvolveram inovações que ajudam os idosos a lidar com essas dificuldades, desenhando um plano de negócios completo para as tecnologias propostas.

Os planos de negócio foram apresentados durante a Technology and Management International Business Plan Competition (T&MIBPC). A competição, que aconteceu entre 2 e 11 de janeiro, teve a participação de alunos e professores de cinco instituições: Universidade de Bayreuth – UBT (Alemanha), Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong – HKUST (China), Universidade de Illinois em Urbana-Champaign - UIUC (Estados Unidos), e a USP.

Seis estudantes da Poli – Benjamin Teng, Carolina Montesi, Francisco de Azevedo, Gabriel Pinto, Juliana Lopes e Rafael Souza – e dois da USP São Carlos – Renata Grass e Gustavo Lahr – competiram. Para acompanhá-los, estiveram presentes os professores Larissa Driemeier, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR) da Poli, e Marcelo Becker, do Departamento de Engenharia Mecânica da USP São Carlos.

Os projetos – O IncontAlert, dispositivo produzido pelo grupo no qual participou o aluno Benjamin Teng, da Poli, conquistou o primeiro lugar da competição. Ele consiste em um aparelho instalado na região do púbis, por meio de um adesivo médico, que pode indicar o momento ideal em que o usuário deve ir ao banheiro, evitando assim uma possível incontinência urinária. “O dispositivo mede a oxigenação do sangue e a quantidade de água na bexiga usando luz infravermelha, e com isso é possível monitorar a bexiga enquanto ela enche e esvazia. Assim, o dispositivo consegue alertar o usuário quando sua bexiga está se aproximando do ponto em que não conseguirá segurar e sugere a ele usar o banheiro”, explica Teng. “O alerta pode ser feito por notificação de celular, pulseiras inteligentes ou outros dispositivos.”

Outros grupos também se concentraram em incidentes recorrentes e preocupantes no cotidiano dos idosos. O AirTrust, por exemplo, detecta o momento de uma possível queda e aciona um sistema de colchões de ar dentro da roupa do indivíduo. “A solução é promissora, pois já é utilizada com sucesso para motociclistas,”, conta Rafael Souza, aluno da Poli e participante do projeto.

Já Carolina Montesi, também estudante da Escola, contribuiu no desenvolvimento do SmartSens, um sistema de monitoramento que integra dados da casa do usuário obtidos por meio de sensores de tipos variados (temperatura, luminosidade, presença, sono). Esses sensores analisam o cotidiano do idoso – se ele sai de casa, a qualidade do seu sono e alimentação – e fornecem, então, indicadores de risco de doenças como depressão e ansiedade.

“A ideia é, no futuro, incluir previsões de outras enfermidades como Alzheimer”, afirma Carolina. “Para mim, o grande desafio foi desenvolver algo novo em apenas uma semana. Isso exigiu bastante pesquisa e também a integração de muitas tecnologias que já estão sendo estudadas ou já estão no mercado, como é o caso dos vários sensores que seriam usados para obter os dados do ambiente e da saúde do idoso”.

A competição – O tema da terceira idade para a competição em Hong Kong foi escolhido com seis meses de antecedência. Durante o evento, os participantes fizeram visitas culturais e técnicas a empresas e assistiram palestras relacionadas à temática. Os oito grupos foram divididos após uma análise de perfil dos estudantes, tornando a divisão mais igualitária e os times mais homogêneos (com nacionalidades variadas).

Durante os dez dias do evento, os alunos foram deixados sob a orientação dos professores mentores e tiveram que pesquisar a respeito das tecnologias mais recentes disponíveis para, então, elaborarem os produtos e seus respectivos planos de negócios, que incluíam propostas de valor do serviço oferecido, análises competitivas de mercado e os modelos de negócios mais viáveis para cada ideia.

Ao final da competição, os três melhores projetos foram premiados. A Poli ficou bem colocada: além do primeiro lugar com o IcontAlert, do grupo integrado pelo aluno politécnico Benjamin Teng, o AirTrust, do grupo do estudante Rafael Souza, conquistou o terceiro lugar. “Participar da competição foi uma das experiências mais incríveis que já vivi. Sempre gostei muito de tecnologia e tenho o sonho de abrir meu próprio negócio desde pequeno” conta Teng.

Trabalhar em equipe foi um aspecto que chamou a atenção de Rafael Souza. “O desafio proposto foi um prato cheio para engenheiros empreendedores: conceber, em uma semana, uma solução tecnologicamente e financeiramente viável. Integrar uma equipe de alto nível, de diferentes culturas e formações, extremamente motivada para desenvolver um trabalho de qualidade e competitivo, foi o elemento extra desta experiência,”, aponta o estudante.

A Pró-Reitoria de Graduação e de Pós-Graduação da USP, o Departamento de Engenharia Mecânica (PME) da Poli e a Diretoria da Escola deram apoio aos estudantes para a participação no evento. Além disso, os alunos fizeram uma campanha de financiamento coletivo pela internet para obter o total de recursos necessários para a viagem. Um vídeo com detalhes do evento está disponível no Facebook

 


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