Escola Politécnica da USP

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Com apoio da USP, funcionários se dedicam a uma vida mais saudável

Equipe multidisciplinar do projeto Envelhecimento Ativo, do qual a Poli foi pioneira, ajuda a promover qualidade de vida entre servidores.

Pressão alta, sobrepeso e colesterol pré-diabético. Esse era o diagnóstico de Altair de Souza Sebastião um ano atrás. “Então surgiu esse projeto”, conta. Ele fala sobre o Envelhecimento Ativo, uma iniciativa coordenada pelo Hospital Universitário (HU) da USP, que incentiva funcionários a adotar um estilo de vida com mais qualidade, não apenas em termos de saúde, mas de bem estar e convívio com a família e a sociedade.

Altair trabalha na Escola Politécnica (Poli) e, no último dia 6 de março, celebrou com seus colegas e a equipe responsável o primeiro ano da implementação do programa na unidade. Ele já perdeu 9 kg, conseguiu correr uma prova de 5 km em trinta minutos e pretende continuar participando do projeto. “Nós somos liberados uma hora do horário de trabalho para fazer atividades na semana. Mas começamos a perceber que esse tempo era pouco, então passamos a vir mais cedo e fazer outros exercícios”, relata animado.

A Poli foi pioneira no Envelhecimento Ativo e, durante o evento, foram constatados os benefícios dessa parceria. O professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Escola, ressaltou a importância dos funcionários para a Universidade e como era fundamental que a USP pensasse em ações para melhorar a qualidade de vida deles. Piqueira ainda afirmou que o projeto continuará acontecendo na Poli e que irá propor a adesão de outros departamentos da unidade.

Para o médico Egídio Dórea, coordenador geral da iniciativa, uma melhora no modo de vida é uma escolha e, para isso, é preciso o uso das ferramentas adequadas. O projeto pretende, justamente, oferecer esse suporte ao servidor da Universidade. Assim, o Envelhecimento Ativo deve se manter ao longo da vida dessas pessoas e precisa ser adaptado ou melhorado de acordo com suas necessidades.

“Temos uma perspectiva de que, em 2050, ocorrerá a inversão demográfica no Brasil, ou seja, nós teremos mais idosos do que jovens. O país envelheceu muito rapidamente. Isso faz com que seja necessário uma série de mudanças políticas, para que possamos atender essa população”, explica o médico, ao ressaltar como esse tipo de iniciativa é importante atualmente.

Em sua fala, a professora Carolina Magalhães relembrou que o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) está mobilizado com o projeto e que todos os cursos estão disponíveis para os funcionários. Durante a cerimônia, ela propôs uma atividade: cada um recebeu uma bexiga e começou a jogar para cima e para os outros colegas. Com menos de um minuto, todos os presentes estavam rindo da inocente brincadeira, com os rostos corados. No final, Carolina disse que os participantes do projeto já tinham ultrapassado a barreira mais difícil para uma vida saudável, que era a mudança na rotina, e agora, assim como as bexigas, não poderiam deixar essa iniciativa “cair”.

Vantagens – Para incentivar os funcionários, o projeto possui um sistema que contabiliza os avanços na saúde de cada participante. A Poli, por sua vez, distribuiu medalhas para as maiores pontuações. Além disso, cada um possui um cartão de frequência do Cepeusp para sistematizar a sua presença nas atividades.

O Envelhecimento Ativo trouxe benefícios não apenas na saúde, mas na convivência dos funcionários. É o que afirma Joana Cristina Borsato Rossi, enfermeira do trabalho do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). Ela informa que atualmente participam do projeto, além da Poli, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, o Instituto de Matemática e Estatística, a Guarda Universitária, o Instituto de Física, a Superintendência de Comunicação Social, o Instituto de Biociências, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e a Edusp.

Cláudia Fernanda de Lima trabalha na divisão de biblioteca na Poli e outros colegas seus também estão participando do projeto. “Isso incentiva a continuar tudo que estamos fazendo. Tanto nas atividades físicas, quanto no cuidado com a alimentação e a presença nas consultas”, comenta.

Para participar do projeto não há faixa de idade e o coordenador Egídio Dórea complementa: “partimos do pressuposto de que quanto mais cedo você fizer essas mudanças no seu cotidiano, melhor. Em qualquer idade que você entrar, terá benefícios. Não é um programa focado para idosos, é focado em um curso de vida”.

Para mais informações, mande um e-mail para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Confira aqui o álbum de fotos do evento do Envelhecimento Ativo no Flickr da Poli.

(Matéria reproduzida do Jornal da USP)

 

Programa Pré-IC da Poli altera metodologia de ensino-aprendizagem

Estudantes do ensino médio irão realizar mais projetos de pesquisa
em diferentes áreas da Engenharia.

Os estudantes que estão participando da quinta edição do Programa de Pré-Iniciação Científica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) começaram suas atividades com uma nova metodologia de ensino-aprendizagem. Em vez de desenvolverem um único projeto de pesquisa, eles foram divididos em grupos, e cada um deles passará seis semanas estudando e desenvolvendo um projeto em cada uma das seguintes áreas: Mecatrônica, Modelagem Matemática, Geodésia/Transportes e Tecnologia de Construção/Materiais.

O método proposto para o Pré-IC da Poli neste ano retoma o aplicado na turma de 2015. “Já testamos algumas metodologias e consideramos que a usada naquele ano ofereceu aos alunos uma visão mais abrangente sobre as diversas áreas da Engenharia. Também nos permitiu ver de forma mais clara a evolução deles ao longo do programa”, explica a professora Mercia Bottura de Barros, do Departamento de Engenharia de Construção Civil, orientadora de um dos grupos do Pré-IC.

O programa tem o objetivo de despertar a vocação científica entre alunos do ensino médio e aproximá-los da Engenharia. Na Poli, vem sendo executado ininterruptamente desde 2012, sob a coordenação geral da Diretoria da Poli e gestão da Assistência Técnica de Pesquisa, Cultura e Extensão. Desde 2014, a iniciativa conta com apoio da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

Neste ano, participam do programa 26 estudantes de oito escolas de ensino médio – 20 deles oriundos de seis instituições públicas - Santo Dias da Silva, José Marcato, José Fernando Abbud, Anecondes Alves Ferreira, Fernão Dias e Orville Derby. Para ajudá-los, a FDTE está concedendo bolsas de estudos e ajuda de custo no transporte. Os estudantes também recebem tickets para fazer as refeições nos restaurantes universitários da USP. Participam ainda, seis estudantes de duas escolas particulares, os colégios Renascença e Marupiara, que também recebem tíquetes alimentação.

Programação intensiva – Os participantes foram selecionados pelas próprias escolas de origem e têm acompanhamento de docentes (professores-supervisores) da sua instituição. As atividades do programa são executadas por docentes da Poli (orientadores) com a ajuda de alunos (monitores).

Durante o ano, os estudantes irão ter aulas teóricas e praticar o que aprenderam desenvolvendo os projetos. Visitarão os laboratórios da Escola e vão usar dessa infraestrutura para fazer suas pesquisas. A cada seis semanas deverão também ler e entregar, obrigatoriamente, uma resenha de um dos livros da lista da Fuvest. No recesso de julho, deverão assistir a filmes e peças de teatro, e escrever resenhas sobre o que viram; visitar dois museus e produzir um relatório sobre essas visitas. Os professores da Poli darão dicas sobre atrações com entrada franca.

Uma das condições do programa é que os estudantes e os professores-supervisores pensem em formas de compartilhar a experiência do Pré-IC com os demais colegas em suas escolas. “Queremos que os participantes se desenvolvam como indivíduos, mas que também sejam vetores de transformação em suas escolas”, destaca a professora Mercia. Os estudantes e seus professores podem fazer isso por meio de ações diversas em seus colégios, como organizar grupos de estudo, feiras de ciências, olímpiadas, um programa próprio de pré-iniciação científica etc.

Perspectiva de ampliação – Desde sua criação, o número de participantes do Pré-IC já alcançou 100 estudantes. Segundo a professora Mercia a ideia é ampliar o programa, incluindo mais escolas. Os participantes, atualmente, são de escolas que já tinham alguma relação de proximidade com os docentes da Poli envolvidos no Pré-IC. “Precisamos também motivar mais professores da própria Poli a participarem do programa como orientadores e também obter mais recursos para bolsas e custeio do transporte e alimentação”, aponta.

O programa busca incluir mais escolas públicas, por meio de parceria com colégios privados. Eles entram no Pré-IC e, como contrapartida, apoiam alunos de escolas públicas a integrarem o grupo. As escolas interessadas em participar do programa devem procurar a Assistência Técnica de Pesquisa, Cultura e Extensão da Poli, pelos telefones (11) 3091-5612/5782.

Clique no Flickr da Poli (https://www.flickr.com/photos/poliusp/albums/72157679132216302) para conferir as fotos do primeiro dia de aula do Pré-IC 2017. 

(Janaína Simões)

 

Poli-USP sedia o 11º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto

Evento terá foco em IoT e será realizado nos dias 4 e 5 de setembro,
na Escola Politécnica da USP, em São Paulo, com a participação da comunidade acadêmica, empresários e profissionais da área.

Em sua 11ª edição, o Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto (CBGDP) será realizado, pela primeira vez, na cidade de São Paulo, nos dias 4 e 5 de setembro, nas instalações da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O evento é dirigido para pesquisadores, professores, estudantes, empresários, consultores, engenheiros, administradores, designers e demais profissionais que atuam na área.

Realizado a cada dois anos, desde 1999, o Congresso consolidou-se como o principal fórum de engenharia sobre gestão da inovação, integrada ao desenvolvimento dos produtos e serviços. Promove a divulgação da produção técnico-científica e sua aplicação, colaborando para o desenvolvimento e inovação tecnológica do Brasil.

Este ano, o tema central é “O desenvolvimento de produtos e serviços no contexto da Internet das Coisas”, que orientará o debate nas diversas atividades. O programa inclui sessões temáticas, apresentação de casos, palestras, painéis, minicursos e visitas técnicas aos laboratórios de pesquisa da Poli-USP e empresas. A previsão é que 100 trabalhos técnicos-científicos originais sejam apresentados, nas formas oral e em pôster, durante o Congresso, após a seleção e avaliação do Comitê Científico.

“Nosso objetivo é incentivar a aplicação da inovação, pelo setor empresarial, no desenvolvimento de produtos, serviços, sistemas produto-serviço (PSS), processos e novos modelos de negócio que tragam benefícios para a sociedade e contribuam para o crescimento tecnológico do País. Vamos difundir, no Congresso, pesquisas de caráter acadêmico e prático, promovendo o debate sobre tendências e diretrizes entre especialistas de instituições públicas e privadas”, diz o Prof. Paulo Kaminski, da Poli-USP, organizador geral do evento. “A parceria entre universidade e empresa é primordial para o desenvolvimento do Brasil e sua condição de competitividade no contexto global”.

Para a apresentação de trabalhos técnicos no 11º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto, os interessados devem enviar o resumo do trabalho (até 24 de abril) para a apreciação do Comitê Científico, por meio de formulário disponível no site do evento (www.cbgdp.org.br).

O Congresso é uma iniciativa do Instituto de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto (IGDP), em parceria com instituições de ensino de Engenharia. Na edição de 2017, a organização do evento está sob a responsabilidade da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP); Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP); e Universidade Federal do ABC (UFABC). Tem o apoio da Fundação Vanzolini e do Centro de Engenharia Automotiva (CEA) da Poli-USP.

A Comissão Organizadora do 11º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto é formada pelos seguintes professores: Paulo Carlos Kaminski, da Poli-USP, que tem o cargo de organizador geral do Congresso; Eduardo de Senzi Zancul e André Leme Fleury, ambos da Poli-USP, integrantes do Comitê Administrativo do evento; Henrique Rozenfeld, da EESC-USP (Comitê Científico); e Guilherme Canuto da Silva, da UFABC (Comitê Estudantil).

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Serviço:

11º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto
Data: 4 e 5 de setembro de 2017
Local: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380 - Edifício Eng. Mário Covas Júnior – Cidade Universitária – São Paulo – SP
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Site: www.cbgdp.org.br

 

FEBRACE recebe três mil visitantes no primeiro dia

Feira apresenta projetos em Engenharia, Ciências Agrárias, Biológicas Exatas e da Terra, Humanas, da Saúde e Sociais e Aplicadas.

Aproximadamente três mil pessoas visitaram a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que começou ontem (21/03), na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Na grande tenda montada no estacionamento, ao lado do Prédio da Administração da Escola, alunos do Ensino Médio de todo o País estão expondo seus projetos, cujos temas se relacionam aos diversos campos das Ciências e Engenharia.

A 15ª edição da Feira teve mais de dois mil projetos inscritos. São 700 alunos e 400 professores finalistas a participarem da exposição, cujos trabalhos serão analisados por aproximadamente 700 avaliadores. Eles observam os projetos de acordo com critérios como criatividade, inovação e conhecimento científico. Os alunos e docentes que se destacarem receberão prêmios como troféus, medalhas, bolsas de iniciação científica e estágios A equipe melhor colocada vai expor seu projeto na Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF) em Los Angeles, EUA.

Antes de chegar à Feira, os estudantes e professores expositores percorreram um longo caminho. Para ser um finalista e ter seu projeto exposto, os estudantes precisam formar uma equipe, que deve ser composta por um professor orientador e um grupo de um a três alunos da mesma instituição, e submeter à Febrace um relatório, por meio do site do evento, com informações sobre o plano de pesquisa, um resumo e uma foto do que a equipe  irá estudar. Após a análise de todas as propostas, os finalistas são anunciados em uma lista divulgada eletronicamente.

Primeiro dia – A cerimônia de abertura da 15ª Febrace teve a presença da vice-diretora da Poli, professora Liedi Legi Bariani Bernucci, que agradeceu o esforço de todos os envolvidos na organização da  Febrace, saudou as autoridades e ressaltou a importância que um evento como esse tem para a Escola e para incutir nos jovens a curiosidade científica. Também participante da abertura, o vice-reitor da USP e professor da Poli, Vahan Agopyan, traçou um histórico do evento, destacando a sua continuidade ao longo do tempo.

O primeiro dia foi bem agitado. Os visitantes se surpreenderam com o nível de inovação dos projetos. “É fantástico e muito interessante ver os meninos se preocuparem com questões tão pertinentes à sociedade como sustentabilidade, diversidade e questões sociais”, afirmou Maria Fátima dos Santos, servidora pública em São Paulo. Pelo segundo ano consecutivo ela visitou a Febrace. Nesta edição, por um motivo especial: suas duas filhas estavam expondo um trabalho sobre a utilização de minhocas no solo.

As amigas Milena Torres, Sthefany Reis e Elisabeth Pazetti, estudantes do Colégio São Paulo, estiveram na Feira pela primeira vez e, de cara, se interessaram por um projeto relacionado ao uso do videogame para aprendizado. Segundo elas, a visita é uma experiência que traz uma nova perspectiva a quem está no Ensino Médio.

As ideias – Quem visitar a Febrace poderá conhecer jovens do Brasil inteiro e suas propostas e soluções, no mínimo, surpreendentes, para grandes problemas da sociedade brasileira. É o caso dos amigos Arthur de Freitas Pretcher, Leonardo Martins e Luciano Sampaio da Silva, do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, Campus Charqueadas Eles desenvolveram a Smartleg, um modelo de prótese robótica transfemoral capaz de trazer uma melhor qualidade de vida para pessoas que sofreram amputação.

A Febrace continua aberta aos visitantes até quinta-feira (23/03), das 14h às 19h, e a entrada é gratuita. Na sexta-feira (24/03) será realizada no Anfiteatro do Centro de Difusão Internacional da USP, às 15h, a cerimônia de premiação dos melhores projetos. O evento é aberto ao público.

Confira as fotos do evento em nosso álbum no Flickr

(Amanda Panteri)

 

Pesquisadores do RCGI isolam bactéria que produz polímero ainda não caracterizado

Ao investigar bactérias já conhecidas que produzem um plástico de alto valor agregado a partir do metano, cientistas da USP descobrem micro-organismo que gera outro tipo de biopolímero.

Há poucos meses, a bióloga Elen Aquino Perpétuo e uma equipe de pesquisadores iniciaram um projeto visando transformar, por meio de bactérias, o metano contido no gás natural em PHB (plástico de alto valor agregado). A pesquisa, desenvolvida no âmbito do Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa em Inovação em Gás), sediado na Escola Politécnica da USP, conta com apoio da FAPESP e da BG Brasil – subsidiária do Grupo Shell, e tinha como objetivo estabelecer uma rota diferente da química para transformar o metano. Em pouco tempo de investigação, o grupo descobriu uma bactéria que transforma o metano em um outro tipo de polímero.

Ainda não caracterizamos esse polímero, não sabemos “quem” ele é. Mas sabemos que seu acúmulo, pela bactéria em questão, é algo que nunca foi relatado na literatura: algo inédito”, revela Elen. A bactéria se chama Methylobacterium rhodesianum e foi coletada no Sistema Estuarino de Santos.

Na verdade, Elen e sua equipe estavam tentando comprovar e comparar a eficácia de algumas bactérias metanotróficas na transformação do metano e do metanol em PHB. Para isso, em uma fase anterior da investigação, já haviam feito testes com cepas compradas dos gêneros Methylobacter sp. e Methylocystis sp.

“Neste segundo momento, coletamos amostras em três diferentes pontos do Sistema Estuarino de Santos, para ver se encontrávamos, na natureza, as bactérias capazes dessa transformação. E então nos deparamos com a Methylobacterium extorquens, que é realmente produtora de PHB, e com essa Methylobacterium rhodesianum.”

Segundo a bióloga, a novidade não é apenas a produção de um polímero diferente por uma bactéria diferente. “Descobrimos que, mesmo para gerar PHB, as bactérias isoladas dos sistemas naturais são mais produtivas que as cepas compradas. Isso pode fazer a diferença, pois sabemos que, para que a rota biológica seja viável economicamente, a bactéria tem de ser capaz de acumular 60% de seu peso seco em polímero”, explica.

Ela ressalta que essa porcentagem é feita levando-se em conta a produção de PHB a partir do açúcar. “A produção de biopolímeros, hoje, é feita a partir do açúcar, que é um substrato 30% mais caro que o metanol. Metano e metanol são substratos mais baratos. Por isso, tenho certeza que essa porcentagem vai cair bastante.”

Elen diz que, sem que a equipe tenha otimizado a produção do PHB (manipulando variáveis como temperatura, pH e agitação) a Methylobacterium extorquens retirada do ambiente marinho já acumula 30% de seu peso seco em polímero. “Não fizemos as contas ainda mas, levando-se em consideração a diferença de preço entre o metanol e o açúcar, acho até que já há viabilidade econômica.”

A bióloga esclarece ainda que o ambiente marinho, por apresentar condições adversas, tais como salinidade, variação grande de temperatura e aeração, por exemplo, desafia a capacidade de adaptação das bactérias, que precisam ser mais resistentes para sobreviver. “Quanto mais adaptáveis esses micro-organismos forem, mais teremos condições de modulá-los, manipulando as variáveis já citadas, para que produzam aquilo que queremos.”

Futuro – A pergunta agora, de acordo com a cientista, é: onde apostar as fichas daqui para a frente? “Vamos repetir o ensaio com a Methylobacterium rhodesianum, até porque, não sabemos se essa novidade é economicamente viável. O que sabemos é que, do ponto de vista acadêmico, a descoberta dessa bactéria produtora de um outro polímero é importante e vai gerar publicações de impacto.”

Elen lembra que o primeiro objetivo, quando idealizou o projeto, era melhorar a produção de PHB. “Resumindo, temos interesse em ambas as coisas: em viabilizar comercialmente a produção de PHB pela rota biológica e em publicar nossas descobertas sobre esse outro polímero. Agora, o que faremos preferencialmente daqui para a frente, creio que será decidido no decorrer de nossas reuniões com a Shell e com a equipe do RCGI.”

A equipe também coletou amostras no reservatório da UHT de Balbina, no Amazonas (AM). “A gente coleta onde tem metano e o reservatório de Balbina tem muito metano. Não tivemos tempo de processar essas amostras ainda, mas devemos começar nas próximas semanas.”

 

Grupo de politécnicos oferece programa de mentoria a alunas da Poli

O grupo PoliGen pretende dar apoio às estudantes tendo em vista a desigualdade de gênero que predomina na Engenharia.

Diante da preponderância do gênero masculino nas Ciências Exatas e, em especial, nas Engenharias, e no preconceito que muitas mulheres sofrem ao tentar consolidar suas carreiras nessas áreas, o grupo Poligen, formado por servidores, docentes, alunos e ex-alunos da graduação e pós-graduação da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), realiza periodicamente o Programa Mentoring, cujo objetivo é de dar assistência às alunas da Escola. O primeiro ciclo de mentoria deste ano se inicia no dia 3 de abril, com duração de quatro meses, e as inscrições para ser mentor ou receber mentoria ainda estão abertas.

Durante os ciclos, cada estudante mentorada – que recebe o nome carinhoso de mentee – passa a ter um mentor, com quem ela pode contar para esclarecer suas principais dúvidas a respeito da carreira, do curso da graduação e questões diversas. As conversas entre mentor e mentee devem ocorrer mensalmente e ter uma hora de duração, e o modo de encontro entre as duas partes (se será via ligação telefônica, Skype ou pessoalmente) deve ser acordado entre eles. Além disso, o mentor disponibiliza 15 minutos semanais para a comunicação via e-mail com a aluna. O PoliGen promove ainda atividades com convidados externos, como conversas e palestras, e possui uma lista de discussão online para troca de informações acadêmicas e de trabalho.

A ideia, segundo o próprio grupo, é que “politécnicas (os) mais experientes auxiliem as mais jovens, tendo foco na sua trajetória acadêmica que, sabemos, é indissociável da sua trajetória pessoal e profissional”. O papel da mentoria é diferente do papel da orientação científica, pois tem a empatia e o apoio como prerrogativas. Desse modo, o mentor pode compartilhar suas experiências para que a mentee se sinta mais segura em suas decisões.

O PoliGen acredita que, com a iniciativa, será possível atrair e reter talentos femininos nos cursos de Exatas, além de fomentar a discussão a respeito da igualdade de gênero no meio. O Programa surgiu em 2013, e inicialmente era voltado às estudantes ingressantes e tinha duração de um ano. Porém, devido à importância que a mentoria pode significar na vida de uma aluna, ele foi aberto para todas as graduandas da Poli e agora ocorre a cada quatro meses.

A equipe – O grupo PoliGen surgiu no dia 8 de março de 2012, Dia Internacional da Mulher, por meio de uma roda de conversa promovida pelo PoliGNU (grupo de estudos de software livre da Escola) a respeito da mulher no mundo digital. Durante o evento, percebeu-se a necessidade da criação de um espaço de discussão permanente sobre o assunto na Poli. As inscrições, tanto para mentor quanto para mentee, se encerram no próximo dia 20 e são feitas no site do grupo por meio deste e deste links.

(Amanda Panteri)

 

IPT abre as portas para 750 calouros da Poli conhecerem sua infraestrutura

Muito mais do que a proximidade física entre a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) – na Cidade Universitária –, as duas instituições também se mantêm perto em diversas atividades envolvendo alunos, professores e pesquisadores.

No ano passado, por exemplo, alunos do curso de Engenharia Mecânica da Poli frequentaram o Laboratório de Engenharia Térmica do IPT, onde acompanharam alguns ensaios e tiveram aulas com o engenheiro Marcos Naufal, além da disponibilização de uma plataforma apenas para pesquisas acadêmicas. Em 2015, o Projeto Novos Talentos do IPT obteve seu primeiro destaque envolvendo uma aluna da Poli, quando a mestranda Ana Cecília Pontes fez seu trabalho no Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais (CTMM). Na página da Politécnica na internet, o IPT aparece como um dos institutos parceiros, e o mesmo acontece no site ipeteano.

Mantendo essa proximidade, o Instituto recebeu durante a tarde desta quarta-feira, 8 de março, a visita de 41 grupos de alunos ingressantes nos cursos de engenharias disponibilizados na Poli (Ambiental, Civil, Computação, Elétrica, Materiais e Metalurgia, Mecatrônica, Mecânica, Minas, Naval, Produção e Química) para visitas guiadas em 41 laboratórios instalados em 28 prédios.

Cada grupo reunia cerca de 20 alunos, que permaneceram uma hora e meia circulando por ao menos dois laboratórios de centros tecnológicos variados, conhecendo equipamentos de ensaios, calibrações e sendo orientados por pesquisadores e colaboradores. No total, aproximadamente 750 alunos passaram pelo Instituto. Segundo a área de Eventos, foi a primeira vez na história que o IPT recebeu calouros da Politécnica em um número tão grande, o que exigiu um esforço de organização e logística e o apoio dos empregados que se dispuseram a guiar os calouros pelos laboratórios.

O projeto faz parte de uma ideia conjunta do IPT e da Poli que pretende aproximar os alunos da universidade aos centros de pesquisa, além de despertar o interesse dos calouros nas diversas oportunidades de estudos e desenvolvimento de projetos existentes no Instituto, literalmente do outro lado da rua dos prédios da escola.

Surgida em janeiro, quando o diretor-presidente, Fernando Landgraf, visitou a Politécnica, a ideia agradou não apenas aos professores, mas também aos alunos da Comissão de Recepção de Calouros da universidade, que participaram das visitas. Para o professor Augusto Neiva, do Departamento de Metalurgia e Materiais da Poli, que trabalhou na iniciativa com o IPT, a ação deve se repetir anualmente. “Eu acharia excelente que a gente pudesse organizar uma coisa dessas todo ano”, comemora.

Segundo Neiva, diversos aspectos podem ser elencados para argumentar em favor da iniciativa. “É motivador para o próprio curso que os alunos fazem na Poli, porque eles observam a engenharia sendo feita de verdade e, então, entendem porque precisam de cálculo, de física, e descobrem que ainda tem espaço no Brasil para fazer engenharia mesmo e não um gerenciamento de fórmulas. O IPT é rico nesse sentido. O segundo aspecto é que eles já podem se maravilhar em um assunto, e isso já pode leva-los a uma iniciação científica, à leitura de artigos, além de saberem onde poderão estudar esses projetos: no IPT”, completa.

REAÇÕES – Os empregados voluntários receberam placas da organização do evento, com os números de seus grupos e os seus respectivos alunos. Cada ipeteano guiou um grupo por laboratório, entregando-o a outro colaborador na visita seguinte. No horário marcado, eles se encaminhavam à portaria e esperavam pelos calouros, recepcionando-os para as fotografias e uma mensagem preliminar contando-lhes sobre o Instituto. O diretor-presidente, Fernando Landgraf, também recebeu alguns ingressantes no início das visitas.

O grupo 33, de alunos da Engenharia Civil, visitou as áreas de instalação predial e o simulador solar, no Centro de Tecnologia do Ambiente Construído (CETAC) e as áreas de cartografia geotécnica e Geoambiental, no Centro de Tecnologias Geoambientais (CTGeo). No primeiro, foi recebido pelo pesquisador Daniel Sowmy, que também é professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, que explicou sobre os ensaios realizados no laboratório para clientes do IPT. No segundo, os calouros foram recepcionados pelo pesquisador Omar Bitar. Para Guilherme Isaki, de 19 anos, foi importante conhecer as práticas antes mesmo de entrar em contato com a teoria durante as aulas. “É uma demonstração interessante do funcionamento das coisas na vida real. Com certeza, vai acrescentar muito ao curso que estou começando”, disse.

O grupo 15, formado por calouros de Engenharia de Produção, conheceu a área de embalagens do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais (CT-Floresta) e a área de vazão de gás do Centro de Metrologia Mecânica, Elétrica e de Fluidos (CTMetro). Para o estudante Geane Bernardes, 20 anos, o importante da visita foi conhecer as áreas de atuação futuras. “A gente que está entrando na universidade agora não tem dimensão do que pode trabalhar, e essa ideia do IPT com a Poli nos ajuda a ter um contato inicial com essas oportunidades, que não estão claras ainda”, afirmou.

Bruno Sosaki, de 18 anos, do curso de Engenharia Elétrica, se impressionou com o tamanho das instalações do IPT. “A gente está andando durante uma hora e ainda não passamos em nenhum lugar repetido”, contou. Sua colega de turma, Thammy Nakamura, também ficou surpresa com a heterogeneidade de atividades do Instituto. “O monitor vai nos contando dos laboratórios, o que cada um faz, e a gente não acredita que tem tanta coisa bacana aqui do lado da Poli”, finaliza.

Confira as fotos da visita em nosso álbum do Flickr

(Assessoria de Imprensa do IPT |  Fotos da Assessoria de Imprensa da Escola Politécnica)

 


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