Escola Politécnica da USP

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Mestrando da Poli-USP é selecionado para compor grupo do Fórum Econômico Mundial

A comunidade denominada Global Shapers abrange jovens de até 30 anos que possuem projetos sociais relevantes em suas cidades

Renato Dallora, ex-aluno do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP), e atualmente mestrando na área de Planejamento Urbano da instituição, foi nomeado membro de uma comunidade chamada Global Shaper, iniciativa do Fórum Econômico Mundial (FEM). O grupo é formado por 30 jovens de até 30 anos que atuam socialmente em suas cidades, e possuem, de acordo com o Fórum, “o poder de transformar o mundo”. Dallora é o primeiro politécnico a ser selecionado para participar da comunidade de São Paulo.

O Global Shapers foi criado pelo presidente executivo do FEM, o professor Klaus Schwab, em 2011. Com o intuito de trazer jovens com sede de inovação e transformação para discutir as principais pautas econômicas mundiais, a comunidade está presente globalmente em mais de 90 países e em cidades brasileiras como São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

Dallora e os outros integrantes da equipe deverão trabalhar, agora, para alinhar seus objetivos e desenvolver um projeto em conjunto para a cidade, o que pode não ser uma tarefa muito fácil, devido à diversidade do grupo. “Não temos ainda uma missão única, pois somos muito diferentes, mas todos estão com vontade de trabalhar para transformar nossa realidade”, afirma. Além disso, eles participarão de outro processo seletivo que garantirá a atuação de alguns deles no próximo FEM – que ocorre anualmente em Davos, na Suíça –, quando terão oportunidade de conviver com grandes líderes mundiais.

Para o mestrando da Poli-USP, a oportunidade de expandir a rede de contatos é uma das principais vantagens em fazer parte do Global Shapers. “A gente consegue se comunicar com todo mundo que já participou do Fórum. É uma espécie de rede social, onde eu posso tirar minhas dúvidas com o Bill Gates, por exemplo”, brinca. Desde que foram escolhidos, no final de março, os membros já se encontraram três vezes, e em uma das reuniões contaram com a presença de Yemi Babington, presidente da rede Global Shapers. Babington deu uma palestra motivacional aos jovens, explicando quais os objetivos do grupo e por que é importante fazê-los discutir sobre os problemas econômicos do mundo.

O processo pelo qual Dallora foi selecionado escolheu mais 15 nomes para completar o time de São Paulo, e contou com três etapas. A primeira delas consistiu no envio de um texto sobre a história de vida e a formação dos candidatos; na segunda, produziram um vídeo em que explicavam suas ações e projetos em prol da cidade; na terceira fase, participaram de dinâmicas em grupo. “Acredito que o que chamou atenção dos avaliadores foi a minha relação com a gestão de resíduos, tema que trabalhei na graduação, no mestrado e em atividades externas à Poli”, conta.

Formação – Formado em Engenharia Civil, Dallora decidiu investir na carreira acadêmica. Atualmente é mestrando da Escola na área de Planejamento Urbano. Com orientação da professora Karin Marins, ele estuda o potencial de integração das gestões de resíduos sólidos metropolitanos.

Seu trabalho de conclusão de curso na Poli foi feito em grupo. Sua equipe desenvolveu um projeto em conjunto com a prefeitura de Vargem Grande Paulista, cidade do interior paulista, para a instalação de uma usina de reciclagem de resíduos de construções. Eles analisaram mais de 50 prefeituras que não possuíam a destinação correta dos resíduos gerados em obras até decidirem pelo trabalho com esse município. O projeto teve o apoio da Secretaria de Obras da prefeitura.

Dallora, que possui o sonho de ser docente da Poli, diz estar muito animado com a entrada dele no grupo. “É muito bom poder representar internacionalmente a instituição. Agora terei acesso a um novo conhecimento, e espero que isso me ajude no aprendizado e para o meu sonho de ser professor”.

(Amanda Panteri)

 

Últimos dias para concorrer a bolsas de iniciação científica e desenvolvimento tecnológico

Prazo para se inscrever nos editais PIBIC e PIBITI se encerra no dia 24 de maio, às 12h.

Alunos de graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) têm a oportunidade de conseguir bolsas para desenvolver projetos de iniciação científica e também de desenvolvimento tecnológico e inovação. Dois editais que oferecem recursos para esses tipos de pesquisas estão com inscrições abertas até o dia 24 de maio, às 12 horas. Participar de projetos como esses permite aos estudantes começarem a construir uma carreira acadêmica antes mesmo de concluir o curso e ingressar numa pós-graduação, fazendo pesquisa enquanto ainda estão realizando o bacharelado.

O Edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) 2017/2018 é voltado para fomentar o desenvolvimento do pensamento científico e entre estudantes de graduação do ensino superior. As bolsas serão concedidas por um período de 12 meses, admitindo-se renovações. O projeto de IC envolve pesquisa básica ou pesquisa aplicada, utilizando o método científico para produzir conhecimento, com ou sem objetivo prático.

Já o Edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) 2017-2018 visa estimular estudantes do ensino superior a promoverem o desenvolvimento e transferência de novas tecnologias e a gerarem inovação. O objeto do projeto deve ser o desenvolvimento, aperfeiçoamento ou estudo de viabilização de produtos, protótipos, processos, serviços, sistemas ou modelos de negócios, preferencialmente de caráter multidisciplinar. Para este edital pode haver inscrição de grupo de até cinco alunos para desenvolver um mesmo projeto.

 

Indústria precisa aprimorar tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo

Pesquisador da Poli-USP detecta que a forma de projetar os equipamentos hoje pode não considerar de forma adequada o efeito de forças compressivas

Eduardo Ribeiro Malta, formado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), pesquisador de pós-doutorado da instituição e oficial engenheiro do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), constatou em seu trabalho de doutorado que a forma atual de projetar os tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo pode não ser a mais adequada para enfrentar as condições de operação dos equipamentos nos oceanos.

Da forma como são feitos hoje, os tubos estão sujeitos a rompimentos por causa das forças que afetam as diversas camadas que os compõe, alerta o pesquisador em seu trabalho, que receberá em junho próximo o prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award, concedido pela Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (American Society of Mechanical Engineers).

O prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award veio da participação do pesquisador na Conferência OMAE - Offshore, Marine and Arctic Engineering - em 2016, onde ele apresentou um artigo relacionado à Engenharia Offshore, campo que se dedica ao estudo da extração de petróleo no mar.

O artigo premiado é um recorte da tese de doutorado do pesquisador, voltada para a questão do atrito entre as camadas dos tubos flexíveis. “No meu doutorado, eu mostrei principalmente que a modelagem do tubo flexível não pode ser tão simplificada quanto alguns autores e regulamentos colocam”, afirma. Esses tubos são como mangueiras que interligam a plataforma marítima ao poço, no fundo do mar, e fazem o transporte de óleo, gás e água, encontrados abaixo do solo, até a superfície. Seus diâmetros internos podem variar desde duas polegadas e meia a 18 – tamanho de um calibre de canhão –, e os preços chegam a US$ 6 mil o metro.

Por serem muito longos e estarem expostos a um ambiente agressivo, os tubos podem sofrer danificações das mais diversas. Podem ceder à pressão interna e se romper, não suportar o próprio peso ou até mesmo sofrer ataques externos de animais marinhos; situações que causam o vazamento do conteúdo do tubo no mar e geram graves impactos ambientais e prejuízo financeiro.

Para evitar tais problemas, eles geralmente são produzidos com diversas camadas de reforço, feitas de materiais muito resistentes. Cada uma das camadas possui a finalidade de proteger o tubo de algum dos incidentes. Um exemplo é a camada mais interna, feita de aço inox, que serve para resistir à pressão externa do tubo, no caso de comprometimento da camada estanque externa.

Doutorado – Pensando nisso, Malta resolveu se dedicar ao estudo sobre o processo de falha desses tubos quando submetidos a situações de compressão provocadas pelo movimento da plataforma. Ele conta que esses processos podem ocorrer devido à plataforma marítima se movimentar bastante, por causa das ondas e do vento, o que desloca os tubos e os comprime. Quando comprimidos, acontece um fenômeno denominado birdcaging: a armadura de tração, camada interna responsável por suportar a tração do peso do tubo e que é formada por tendões de aço intercruzados, se expande e ganha o formato de gaiola, danificando os outros revestimentos.

O que o pesquisador fez, então, foi tentar entender quais eram os fatores que contribuíam para que o birdcaging ocorresse. Ele criou um modelo numérico, espécie de simulação computacional, onde testou diversas situações diferentes. A primeira delas foi provocar um rasgo na camada mais externa do tubo, e submetê-lo à compressão, o que não influenciou significativamente os resultados. Depois, foi a vez de outra camada, feita com fibra de aramida (cujo nome comercial é Kevlar e é usado para a fabricação de coletes à prova de balas), ser danificada e exposta aos esforços solicitantes.

Artigo premiado - Na Conferência OMAE, Malta apresentou os resultados dos experimentos envolvendo o atrito entre as camadas do tubo. Normalmente, as camadas são produzidas e dispostas entre si bem justas umas às outras e fitas antiabrasivas são colocadas entre as camadas, pois desse modo não há tanta fricção e elas não se desgastam tão facilmente.

Durante a pesquisa, ele descobriu que isso pode não ser benéfico para o tubo: quanto mais justas as camadas estão uma às outras, ou seja, quanto maiores as forças de atrito entre elas, menor será a carga crítica de compressão que resulta no bircaging. As forças de atrito transferem os esforços de uma camada para a outra, fazendo com que elas trabalhem em conjunto, de modo coeso. Sem o atrito, tais forças coesivas não são tão expressivas, de tal forma que a armadura de tração suporta sozinha a carga de compressão e acaba antecipando a falha.

Essa constatação garantiu ao pesquisador o prêmio de melhor artigo da conferência. “O prêmio é muito importante, pois é bom representar o Brasil em conferências como essa. É uma grande conquista para a Poli e para o Laboratório [de Mecânica Offshore - LMO]”, diz sobre o feito. Ele irá apresentar outro trabalho no evento esse ano, dessa vez relacionado ao mecanismo que conecta os tubos uns aos outros.

Trajetória - Malta conta que se interessou pela área desde a sua iniciação científica, em 2007, quando conheceu o professor Clóvis Martins. Orientado pelo docente, ele iniciou as pesquisas no Núcleo de Dinâmica e Fluidos (NDF) do Departamento de Engenharia Mecânica (PME) da Poli, e posteriormente passou a fazer experimentos no LMO, dos professores Martins e Celso Pesce.

Ele afirma que passou boa parte do tempo do doutorado simulando as situações dos tubos flexíveis no modelo numérico criado por ele. Cada simulação demorava aproximadamente quatro dias para ficar pronta, e, ao todo, foram realizadas cerca de 200. Para o pós-doutorado, ele deseja analisar seu modelo e melhorá-lo baseado nas possíveis sugestões vindas da avaliação da banca.

(Amanda Panteri)

 

Domínio do Big Data é fundamental para o avanço do conhecimento científico

Em workshop, pesquisadores discutiram ferramentas e procedimentos para uso do Big Data, com exemplos na área ambiental.

Com as novas tecnologias, capazes de captar a cada dia maior volume amplo de dados, e a globalização da ciência, demonstrada pelo número cada vez maior de cooperação entre campos do conhecimento e entre países, os cientistas agora se perguntam como armazenar essas informações e compartilhá-las da melhor forma com os pesquisadores e a sociedade de forma geral. O Big Data é apontado como a solução para esse gargalo, e foi justamente sua aplicação no armazenamento e gestão de bases de dados de pesquisa ambiental o tema do II Workshop em Ciência dos Dados da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que terminou nesta sexta-feira (12/05) no campus do Butantã, em São Paulo.

A Poli, o Instituto de Física (IF) da USP e o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), promotores do evento, estão trabalhando em parceria para o desenvolvimento de uma base de gestão de dados, observando desde as ferramentas de computação até as melhores estratégias para fazer essa atividade, direcionada para o uso desse serviço nas pesquisas ambientais.

Em sua segunda versão, o Workshop em Ciência dos Dados procurou disseminar para a comunidade científica os avanços e as melhores técnicas na área de gestão de dados científicos. O tema central do evento foi a Visualização Analítica e como suas técnicas podem ser utilizadas para compreender fenômenos complexos, representados pelos conjuntos de dados.

“Estamos falando sobre a e-Science, sobre o quarto paradigma da ciência, baseada no uso intensivo de dados gerados e manipulados para resolver grandes problemas, como a questão das mudanças climáticas globais ou o sequenciamento do genoma humano, por exemplo, em trabalhos que envolvem parcerias e compartilhamento amplo de informações”, destacou o professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa, pesquisador desse tema na USP.

Ele anunciou na abertura do workshop que será realizado um evento internacional sobre o mesmo tema, em outubro deste ano, na Poli, e do qual devem participar representantes do Atmospheric Radiation Measurement (ARM), projeto do Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos, e um dos grandes exemplos de uso de Big Data para armazenamento e compartilhamento de informações científicas na área ambiental.

Os dados de interesse para armazenamento e compartilhamento são, em geral, informações de uma pesquisa que não foram expressas em artigos científicos, monografias, publicações científicas, mas que serviram para embasar as análises e conclusões dos estudos e experimentos. “Esses dados precisam ser preservados e não devem ser reaproveitados para validar ou criar novos experimentos”, apontou Corrêa. São exemplos de dados coleções de registro de medidas usado pelo pesquisador, textos, algoritmos, modelos matemáticos, questionários e entrevistas usados em Ciências Sociais, fotos, gravações em áudio e em vídeo etc.

Ter uma ferramenta onde armazenar esses dados e dar acesso a eles é apenas um passo no sentido de usar as Ciências de Dados para ajudar os cientistas a trabalharem com grandes bancos e encontrar informações corretas. Gerenciar dados passa então pelas etapas de definição, planejamento, implantação e execução de estratégias. “Precisamos aprender não só a acessar os dados, mas a compartilhá-los, e isso passa por uma mudança de cultura”, disse.

Os cientistas já dispõem de ferramentas para as várias atividades necessárias para se criar, compartilhar e acessar um bom banco de dados. Por exemplo, o DMP Tool é uma ferramenta que ajuda na elaboração do plano de gestão de dados, uma etapa da organização de um banco. Outra iniciativa mencionada foi a do Data Observation Network for Earth (DataONE), apoiada pela National Science Foundation (NSF) nos EUA. É um grande repositório de dados científicos para uso de pesquisadores, educadores e público em geral. Lá estão depositados dados de redes de pesquisa como o The Digital Archaeological Record (tDAR) e o Gulf of Mexico Research Initiative (GRIIDC).

Exemplos – Côrrea citou exemplos de como a Ciências de Dados está sendo empregada em pesquisas ambientais. Um deles é o projeto USGS, órgão responsável pelas unidades de conservação dos Estados Unidos, e que coleta dados ambientais sobre essas áreas. Um dos estudos que estão fazendo é o de observação de uma espécie de ave para verificar se as mudanças no clima afetam seus padrões de migração.

Outro grande projeto é o ARM, que coleta dados climáticos de todo o mundo para criar modelos que serão usados em estudos sobre as mudanças climáticas globais. O sistema tem até um mecanismo semelhante ao das lojas de comércio eletrônico, na qual é possível ‘colocar no carrinho’ as informações que foram pesquisadas e são de interesse do cientista-usuário. As informações colhidas são todas referenciadas, ou seja, fala quem é a fonte do dado. “O ARM é, na minha visão, um dos projetos de maior maturidade em Ciências de Dados aplicada à pesquisa sobre o meio ambiente”, disse.

A pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Luciana Varanda Rizzo, falou sobre os resultados parciais do projeto GoAmazon 2014-2015. Ela contou sobre o estudo que investiga as interações entre as emissões da área urbana de Manaus na região amazônica, observando o comportamento do vento que passa pela capital do Amazonas e leva os poluentes emitidos na cidade para a região de floresta.

Segundo ela, a equipe enfrenta vários desafios em termos de gerenciamento de informações colhidas no experimento, como a integração de dados vindos de diferentes plataformas (estações meteorológicas instaladas na floresta, sensores acoplados em aviões, imagens de satélite, entre outros.) “É um prato cheio para se aplicar ferramentas de Big Data”, concluiu.

(Janaína Simões)

 

Primeiro debate da Poli-USP sobre ética no meio acadêmico está disponível na íntegra

Participaram do evento os professores Nilson José Machado, da USP, e Roberto Romano, da Unicamp.

Já é possível assistir ao primeiro debate sobre ética no meio acadêmico promovido pela Comissão de Ética da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O vídeo está disponível no portal IPTV (clique aqui para assistir) e traz, na íntegra, as apresentações sobre os dois temas iniciais: “Relações de poder entre professores, alunos e funcionários: limites éticos” e “Linguagem adequada no meio acadêmico para respeitar questões de gênero, orientação sexual e raça”. Os debates são voltados para alunos, docentes e funcionários da Escola e da universidade.

Os debatedores foram o professor Nilson José Machado, titular da Faculdade de Educação (FE) da USP, e Roberto Romano, professor titular do Instituto de Filosofia da Universidade de Campinas (Unicamp). Machado é doutor em Filosofia da Educação e atua na área de Educação com ênfase no tema Ética e Educação. Romano é doutor em Filosofia e atua na área de Filosofia com ênfase em Filosofia, Ética e Política.

Esse evento faz parte de um ciclo de cinco debates, organizados pela Comissão de Ética da Poli-USP, coordenada pelo professor Raul Gonzalez Lima. O primeiro encontro foi realizado no dia 25 de abril, no Anfiteatro Professor Francisco Romeu Landi, localizado no prédio da Administração Central da Escola, no campus Butantã. Acompanhe o site da Poli e o PoliInforma para saber as datas e temas dos próximos debates. 

 

RCGI busca parceiros para criar o primeiro carro híbrido flex do mundo

Pesquisadores querem transformar veículo híbrido para que funcione com dois tipos diferentes de gasolina e ainda etanol, GNC e biometano.

O FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI), que fica sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), está buscando montadoras que se interessem por um dos projetos de sua carteira: a transformação de um carro híbrido em um veículo híbrido/flex. O objetivo é adaptá-lo para que utilize, como combustível, a gasolina pura (E0); a gasolina brasileira (E27, que tem 27% de etanol anidro); o etanol hidratado (E100); o gás natural comprimido (GNC) e biometano (biogás purificado, do qual se remove dióxido de carbono e outros gases).

“Estamos procurando um fabricante de veículos que se interesse por esse projeto, no qual já temos como parceiro o Instituto Mauá de Tecnologia. Estamos tratando com dois fabricantes, inicialmente em negociação para poder transformar o veículo. Primeiro, iremos cuidar da função flex, modificando-o para que ele utilize etanol e gasolina em qualquer proporção. A seguir, passaremos a adaptá-lo para gás natural e biometano”, explica o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini.

Segundo ele, este será o primeiro carro híbrido/flex fuel do mundo. O veículo híbrido é aquele que tem mais de um motor, sendo cada um deles movido a um tipo de energia diferente, como combustível e eletricidade, por exemplo. Já o flex possui um único motor, que recebe gasolina, álcool ou gás. “Acreditamos que o futuro, ao menos a médio prazo no Brasil, é o carro híbrido ser flex. Principalmente usando gasolina e etanol e, eventualmente, gás natural e biometano.”

Segundo Meneghini, o maior desafio além das adaptações, é chegar a uma eficiência acima de um carro flex convencional no que tange a consumo e  emissões de poluentes. “Por ele ter uma tecnologia híbrida, acredita-se que teremos um carro flex que será mais econômico, tanto do ponto de vista de consumo de combustível quanto de emissões de gases causadores de efeito estufa. E falo tanto das emissões de dióxido de carbono originário de combustíveis fósseis quanto do CO2 originário de fontes renováveis, como o etanol.”

Ele crê que, eventualmente, as transformações irão implicar na utilização de bicos ejetores com pré-aquecimento, por conta do uso de etanol. “Outras modificações serão necessárias para que o veículo rode com GNC ou biometano, mas tratam-se de alterações factíveis, comprovadamente viáveis. Acreditamos que o desenvolvimento de tal tecnologia seja importante para que o mercado de carros híbridos se fortaleça no Brasil.”

O projeto, intitulado “Development of an hybrid penta-fuel flex vehicle”, faz parte da carteira de 29 projetos de pesquisa do RCGI, cuja missão é desenvolver pesquisa e inovação para o uso sustentável de gás natural, biogás e hidrogênio, além de transporte e armazenamento de CO2 em escala global. 

Sobre o RCGI:

O RCGI – FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa e Inovação em Gás) realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, além de estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Grupo Shell. O Centro reúne mais de 150 pesquisadores, de diversas instituições brasileiras, que atuam em 29 projetos de pesquisa. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

 

16ª Conferência AAMAS termina nesta sexta em São Paulo

Termina nesta sexta-feira (12/05) a 16ª International Conference on Autonomous Agents and Multiagent Systems (AAMAS 2017), que se realiza no bairro do Brooklin, em São Paulo (SP), e pela primeira vez foi sediada em um país da América do Sul. O evento se realiza no WTC São Paulo.

A coordenação da Conferência realizada no Brasil é do professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Simão Sichman. Criada em 2002, a Conferência é considerada o principal evento científico sobre o tema, e tem como objetivo reunir os principais atores e promover discussões no âmbito da pesquisa científica nesse campo. 

No evento estão sendo apresentados trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro, que submeteram seus artigos e pesquisas para a análise da comissão julgadora ao final de 2016. Também estão na programação workshops e tutoriais, além das palestras principais com especialistas nacionais e estrangeiros. Confira no site oficial do evento a programação completa. 

 

 


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