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Doutorado da Poli-USP promete aperfeiçoar processos químicos presentes na produção de fertilizantes

Tese analisa e aprimora a geração da amônia, principal insumo dos produtos

Estima-se que metade da produção agrícola mundial só é possível atualmente graças aos fertilizantes. Pensando nessa importância, a tese de doutorado de Daniel Flórez-Orrego, pesquisador do Laboratório de Engenharia Térmica e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), criou modelos matemáticos que otimizam a produção da amônia, principal matéria-prima destes compostos químicos.

O artigo resultante da pesquisa garantiu a Flórez-Orrego o prêmio de melhor trabalho da  29ª edição da International Conference on Efficiency, Cost, Optimization, Simulation and Environmental Impact of Energy Systems (ECOS 2016), cujo prêmio foi entregue na versão mais recente da Conferência (ECOS 2017), realizada no mês de julho em San Diego, nos Estados Unidos.

Silvio de Oliveira Júnior, docente da Poli e orientador de Flórez-Orrego, destaca a relevância da produção de fertilizantes nitrogenados para o cenário brasileiro como um dos motivos que levaram o projeto a se diferenciar dos demais artigos da conferência. “Mais de 60% do consumo brasileiro de fertilizantes é importado, por isso é essencial que Daniel esteja aprimorando as técnicas de produção já existentes”, conta.

Outra questão que, segundo Flórez-Orrego, trouxe um caráter autêntico para a pesquisa é a preocupação com o consumo de combustível fóssil, mais precisamente o gás natural, utilizado na produção de amônia. “O Brasil importa mais de 49% do gás natural que consome, por isso é preciso pensar em alternativas para diminuir essa demanda no processo de produção nas FAFEN (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados)”, defende. Melhorar os processos químicos dos insumos dos fertilizantes, para ele, é uma questão estratégica. “Oitenta por cento da amônia produzida no mundo vem do gás natural, sendo então o gás natural uma commodity chave para a indústria agrícola”.

Sobre a pesquisa - O pesquisador prevê em sua tese a minimização das irreversibilidades nos processos químicos que geram a amônia, por meio da Exergia, ou análise combinada da Primeira e a Segunda lei da Termodinâmica. O conceito se baseia no máximo potencial para produzir trabalho – uma forma mais ordenada e, portanto, mais valiosa da energia – que possui um sistema quando atinge o equilíbrio com o meio ambiente a que ele está condicionado, através de diferentes processos termodinâmicos (reações químicas, transferência de massa, calor e momento).

A exergia quantifica então a parte útil da energia, e assim, é uma ferramenta que permite comparar o desempenho termodinâmico, econômico e ambiental dos diferentes processos de uma usina com diferentes produtos e subprodutos (poligeração). “O método pode ser utilizado para propor indicadores ambientais que visam a redução da emissão de gases de efeito estufa e diminuir a quantidade de rejeitos resultantes da atividade, e também indicadores termo-econômicos que permitam otimizar a utilização dos recursos naturais e financeiros”, diz o pesquisador.

O método exergético também pode ser utilizado em conjunto com o método de integração energética, que diz respeito à metodologia utilizada na indústria que visa minimizar os gastos com o consumo de utilidades (resfriamento e aquecimento das correntes do processo). Valores de até 19% maior eficiência e de 5-15% menor custo operacional e de investimento tem sido reportados nos seus estudos preliminares. Para chegar às conclusões, o doutorando estudou tanto condições típicas de operação das usinas produtoras do composto, quanto outras configurações menos convencionais.

Assim como ele, cada vez mais pesquisadores defendem a utilização da exergia na avaliação da sustentabilidade dos processos de transformação da energia, desde operações unitárias até setores econômicos inteiros de um país (indústria e transporte, por exemplo). A respeito da aplicabilidade direta do método pelos produtores, o engenheiro reconhece que o cálculo da exergia per se não apresenta maiores dificuldades. “Contudo, a utilização do método exergético para aprimorar os processos químicos, especificamente processos reativos com reciclo e separação, requer certa experiência do engenheiro”, adverte. “Aliás, os resultados se encontrarão geralmente sujeitos a restrições impostas por outros fatores ora econômicos, ora metalúrgicos, ou mesmo até geográficos e ambientais, como no caso dos países que utilizam carvão no lugar do gás natural, ou ambientes com pressões e temperaturas atmosféricas muito diferentes do Brasil, entre outros”, completa.

O projeto, que inicialmente levantou o interesse da Petrobras, empresa que sugeriu o estudo do tema, já rendeu três artigos publicados em revistas internacionais especializadas e quatro apresentados em conferências internacionais. O último deles levou o Best Paper Award da ECOS 2016. O doutorado do estudante colombiano continua sendo realizado com apoio do Programa de Recursos Humanos PRH-19 da Escola Politécnica da USP e da Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 

Pesquisa Origem Destino do Metrô deve ter primeiros resultados no segundo semestre de 2018

Quase 65 mil domicílios da Grande São Paulo devem receber a visita dos pesquisadores para levantar informações sobre a locomoção das pessoas na região.

O Metrô deve divulgar os primeiros resultados da Pesquisa Origem Destino (OD) – Edição 2017 no segundo semestre do ano que vem. A previsão foi feita pelo gerente de Planejamento, Integração e Viabilidade de Transportes Metropolitanos da companhia, o arquiteto Luiz Antônio Cortez Ferreira, durante apresentação feita por ele hoje (13/09) a alunos, docentes e pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), no campus da USP do Butantã, em São Paulo. A pesquisa é o principal e mais completo levantamento feito sobre a locomoção das pessoas pela Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O governo está investindo R$ 11 milhões na pesquisa. Parte dos recursos vem de um empréstimo junto ao Banco Mundial.

Realizada a cada dez anos desde 1967, um ano antes da criação do Metrô, a Pesquisa Origem-Destino completa 50 anos ocupando um papel fundamental para a companhia. “Trata-se de uma fonte confiável e contínua de informação para o planejamento. Para nós, é um estudo essencial, pois dele dependem os simuladores de demanda do Metrô, ou seja, não podemos deixar de fazê-la se quisermos planejar o transporte de São Paulo”, destacou Cortez.

A pesquisa abrange todos os 39 municípios da RMSP, que é dividida por zonas, de forma a garantir a representatividade estatística da amostra. O estudo trabalha com os locais para os quais o metrô pode se expandir. A amostra é de 32 mil domicílios da RMSP, mas os pesquisadores devem visitar o dobro de residências para obter os dados em quantidade suficiente para atingir a amostra definida. Devem ser entrevistadas 103 mil pessoas.

Além da pesquisa domiciliar, o estudo averigua dados sobre as viagens que têm origem fora da RMSP e aquelas que cruzam as vias da região. É a chamada pesquisa na linha de contorno, na qual o Metrô monta 21 postos de pesquisa em rodovias, no ponto onde está a divisa da RMSP com municípios que não a integram. Com apoio da Polícia Rodoviária, os pesquisadores fazem uma contagem dos veículos que passam, por tipo de veículo, e também entrevistam os ocupantes de veículos – cerca de 40 mil questionários serão aplicados. A polícia faz a abordagem dos motoristas, para garantir a segurança de todos. Também são entrevistadas pessoas que usam os terminais rodoviarios de ônibus, os fretados e aeroportos.

O estágio atual – No momento, os pesquisadores estão coletando os dados, visitando as residências para que seus moradores respondam ao questionário. Os domicílios são sorteados e, antes da visita, o Metrô envia uma carta, na qual consta apenas o endereço do morador, explicando a pesquisa, as medidas de segurança para que a pessoa saiba que é realmente um pesquisador do Metrô que está indo até sua casa e dando os contatos do Metrô para tirar dúvidas e agendar o dia em que o pesquisador pode ir até a casa.

São basicamente três as perguntas dos pesquisadores: quais viagens foram realizadas, no dia anterior (e é sempre um dia útil), pelas pessoas que habitam a residência; quais os modos de locomoção utilizados (metrô, ônibus, carro, táxi, a pé, bicicleta etc); e os motivos que levaram a pessoa a se locomover pela cidade (trabalho, estudo, consulta médica, supermercado etc). “O questionário é aplicado a todos os residentes, inclusive às crianças”, contou. A renda familiar, formação, ocupação dos moradores, endereços de trabalho (formais e informais) e de escola também constam da pesquisa. Isso porque a motivação das viagens é um quesito que influencia muito o uso das redes. A renda também: famílias com melhores condições de renda tendem a se locomover mais.

Os resultados da pesquisa permitem, por exemplo, quantificar o movimento pendular da população que habita a RMSP, no qual as pessoas se deslocam no horário de pico da manhã da periferia para o centro da cidade de São Paulo, e depois retornam no fim do dia para suas casas, gerando um pico na parte da tarde. Isso ocorre, essencialmente, por causa da concentração de empregos na região central da cidade, e na expulsão dos moradores do centro, em razão do custo dos terrenos nesse local ser mais elevado do que na periferia.

O estudo também capta outros momentos de pico de locomoção, como o do horário do almoço, quando muitos estudantes deixam a escola por terem entrado no período da manhã, enquanto outros entram para o período da tarde, e ainda o pico mais próximo do fim de noite, quando as pessoas que trabalham e estudam nas faculdades estão retornando para suas residências. “Observamos a expansão da mancha urbana de São Paulo e vemos como, cada vez mais, as pessoas foram para periferia e como a maior expansão se dá na coroa periférica, enquanto o centro se esvazia. Isso nos obriga a buscar as pessoas cada vez mais longe e a ter de atender uma área cada vez maior”, aponta.

“Nossa pesquisa serve para termos quantificação, caracterização e diagnóstico da mobilidade na Região Metropolitana, para ter subsídio para planos e projetos futuros de transporte e para fornecer insumos para projeção de viagens futuras”, destaca. “A pesquisa serve também para outras áreas: avaliar a evolução urbana, pois temos uma série histórica importante, análise de uso do solo, estudos de mercado, entre outros trabalhos que podem ter interesse da academia, poder público e empresas”, acrescenta.

Os dados de pesquisas anteriores estão disponíveis para o público em geral no site do Metrô: http://www.metro.sp.gov.br/pesquisa-od/. Os resultados da edição 2017 também serão disponibilizados neste canal.

Sigilo e anonimato – As informações individuais sobre cada um que responde ao questionário, como o endereço, renda familiar, locais de trabalho, são sigilosas e protegidas, inclusive por sistemas de criptografia. Também é garantido pelo Metrô o anonimato: não constam nomes nos formulários, apenas o endereço. Uma vez que o pesquisador preencheu o questionário com o morador e fechou o arquivo, o documento é enviado em tempo real para o sistema central do Metrô que armazena os dados da pesquisa e o questionário não pode mais ser aberto pelo pesquisador ou qualquer outra pessoa que não tenha autorização para acessar o banco de dados.

Para garantir a segurança dos participantes da pesquisa domiciliar, a carta traz uma senha, que deve ser dada pelo pesquisador para o morador antes dele entrar na residência. Os participantes também podem checar na Central de Atendimento do Metrô se o pesquisador é mesmo da empresa, dando o nome do mesmo para o atendente fazer a checagem. Uma nova arquitetura web foi desenvolvida para a realização dessa edição da pesquisa, contemplando novas medidas de segurança dos dados e também a transmissão em tempo real dos dados coletados pelos pesquisadores, entre outros aspectos. 

 

Professores da USP elaboram livro multidisciplinar sobre ciência cognitiva

Originado no Encontro Brasileiro Internacional de Ciência Cognitiva, realizado em 2015 na Poli-USP, obra reúne capítulos de pesquisadores de diversas universidades brasileiras e internacionais

Foi publicado, no início deste semestre, o livro "Cognitive Science: Recent Advances and Recurring Problems", organizado e editado por João Kogler, pesquisador do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) em colaboração com o professor Fred Adams, da Universidade de Delaware, Estados Unidos,  e o professor Osvaldo Pessoa, do Departamento de Filosofia da USP (FFLCH).

O livro contém capítulos escritos por diversos pesquisadores atuantes na área ou em assuntos correlatos, seis deles provenientes da Poli: os professores Arturo Forner-Cordero, Emilio Del Moral Hernandez, João José Neto, João Kogler, Luiz Baccalá e Marcio Lobo Neto. Entre os autores dos capítulos estão, também, pesquisadores da Unicamp, Unesp, FEI, Mackenzie, UNISINOS, UNIFESP, UFABC e muitas outras do Brasil e do exterior, como da Universidade de Copenhagen, Budapest e Medelin.

O organizador do livro, professor João Kogler, explica que "os temas apresentados no livro abrangem desde assuntos do estado da arte até questões recorrentes do vasto campo inter e multidisciplinar compreendido pela Ciência Cognitiva, incluindo áreas intensamente pesquisadas na Poli, tais como Inteligência Computacional, Interfaces Bioeletrônicas Humano-Máquina, Arquiteturas e Robótica Cognitivas, Computação Adaptativa, Modelagem Matemática da Cognição, Redes Neurais Pulsadas e Aprendizagem Estatística de Máquina".

O livro resultou do trabalho de colaboração entre os diversos autores iniciado no Encontro Brasileiro Internacional de Ciência Cognitiva (EBICC 2015), organizado em dezembro de 2015 pela Sociedade Brasileira de Ciência Cognitiva (SBCC), em parceria com a Poli-USP e suporte de diversas entidades, entre as quais a FAPESP, a CAPES, a NVIDIA, a CEST,  e o apoio técnico do IEEE - Computational Intelligence Society - South Brazil Section Chapter.

Outras informações sobre a obra estão disponíveis no site da editora, a Vernon Press e neste link.

 

Pesquisas da Poli recebem reconhecimento do Prêmio Tese Destaque USP

Premiação anual é realizada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação para reconhecer e estimular a excelência nas atividades de pesquisa

Na última segunda-feira, dia 4 de setembro, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP divulgou a lista dos vencedores da sexta edição do Prêmio Tese Destaque USP. Duas pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação da Escola Politécnica da USP foram premiadas. A tese “Ruído de bordo de fuga – desenvolvimento e aplicação de ferramenta para avaliação e projeto de aerofólios para turbinas eólicas”, desenvolvida pelo aluno Joseph Youssif Saab Junior e orientada pelo professor Marcos de Mattos Pimenta, no Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica, recebeu a premiação principal na área de Engenharias. Já o trabalho de Carlos Eduardo Pantoja, “Cristalização assistida por destilação por membranas aplicada ao reúso de água: comparação com outros métodos de reúso, análise do processo e projeto hierárquico de processo”, orientada pelo docente Marcelo Martins Seckler, no Programa de Pós-graduação em Engenharia Química, recebeu uma menção honrosa.

O prêmio foi criado em 2011 e lançado em meio às comemorações dos 100 mil títulos de doutorado concedidos pela USP. As teses produzidas na Escola Politécnica vêm se destacando desde 2012, ano em que a premiação foi oficializada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação. Nas últimas quatro edições, as teses da Poli receberam o prêmio principal e uma menção honrosa, conforme na tabela abaixo. 

O prêmio tem como objetivo estimular a busca pela excelência nas atividades de pesquisa entre os alunos matriculados e os professores credenciados nos Programas de Pós-Graduação da USP. A premiação reconhece as melhores teses de doutorado defendidas na USP em nove grandes áreas do conhecimento, e em cada área é escolhido um prêmio principal e duas menções honrosas.

O autor da Tese Destaque USP recebe um prêmio no valor de R$ 10 mil, e seu orientador, até R$ 5 mil. Nesse caso, os recursos são disponibilizados por meio do orçamento da unidade para custeio. Os autores e orientadores da Tese Destaque USP e das duas teses com Menção Honrosa recebem, ainda, um Diploma de Premiação assinado pelo reitor da USP. Os recursos para a premiação são provenientes de Convênio USP/Santander. A cerimônia oficial de premiação ocorrerá no dia 28 de setembro.

Ano

Categoria

Trabalho

2017 –

6ª edição

Prêmio

Título: Ruído de bordo de fuga – desenvolvimento e aplicação de ferramenta para avaliação e projeto de aerofólios para turbinas eólicas

Autor: Joseph Youssif Saab Junior

Programa: Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica

Orientador: Marcos de Mattos Pimenta

2017 –

6ª edição

Menção honrosa

Título: Cristalização assistida por destilação por membranas aplicada ao reúso de água: comparação com outros métodos de reúso, análise do processo e projeto hierárquico de processo

Autor: Carlos Eduardo Pantoja

Programa: Programa de Pós-graduação em Engenharia Química

Orientador: Marcelo Martins Seckler

2016 –

5ª edição

Prêmio

Título: “Estimativa do movimento de estruturas em imagens ecográficas”

Autor: Fernando Mitsuyama Cardoso

Programa: Programa de Pós-graduação em Engenharia em Engenharia Elétrica

Orientador: Sérgio Shiguemi Furuie

Reportagem de divulgação:
https://www.youtube.com/watch?v=lFGXynsi0hs

https://www.youtube.com/watch?v=onh7YpG-gkM

2016 –

5ª edição

Menção honrosa

Título: “Desenvolvimento de técnicas avançadas para a modelagem dos regimes elastohidrodinâmico e misto de lubrificação de mancais de deslizamento”

Autor: Francisco José Profito

Programa: Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica

Orientador: Demetrio Cornilios Zachariadis

2015 –

4ª edição

Prêmio

Título: “Conceito para formulação de concretos com baixo consumo de ligantes: controle reológico, empacotamento e dispersão de partículas”

Autor: Bruno Luis Damineli

Orientador: Vanderley Moacyr John

Programa: Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil

2015 –

4ª edição

Menção honrosa

Título: “Estudo experimental de escoamento pulsátil através de biopróteses valvulares cardíacas mitrais a partir do desenvolvimento de um simulador do lado esquerdo do coração”

Autor: Ovandir Bazan

Orientador: Jayme Pinto Ortiz

Programa: Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica

2014 –

3ª edição

Prêmio

Título: “Investigação experimental e analítica do escoamento ao redor de cilindro circular com supressores de VIV”

Autor: Ivan Korkischko

Orientador: Julio Romano Meneghini

Programa: Engenharia Mecânica (EP)

2014 –

3ª edição

Menção honrosa

Título: “Fibrocimentos com gradação funcional”

Autor: Cleber Marcos Ribeiro Dias

Orientador: Vanderley Moacyr John

Programa: Engenharia Civil (EP)

 

Pesquisador da Poli-USP aprimora sistema de análise de vasos de pressão de reatores nucleares

Projeto foi premiado pela entidade American Society of Mechanical Engineers (ASME), que realizou congresso no último mês

Vitor Scarabeli Barbosa, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), propôs em seu projeto de pesquisa uma nova configuração dos chamados corpos de prova, usados para testes e análises que avaliam a degradação dos vasos de pressão dos reatores das usinas nucleares, procedimento imprescindível para a análise da vida útil do equipamento e para a segurança dos sistemas. Seu trabalho foi um dos finalistas da competição acadêmica "Rudy Scavuzzo Student Paper Symposium and 25th Annual PVPD Student Paper Competition", organizada pela American Society of Mechanical Engineers (ASME).

A competição ocorreu durante o congresso “2017 Pressure Vessels and Piping (PVP) Conference”, realizado em Waikoloa, no estado americano do Havaí, entre os dias 16 e 20 de julho de 2017. Único brasileiro e sul-americano da competição, ele ainda recebeu uma menção honrosa com o projeto “Fracture Toughness Testing of a Low Alloy Structural Steel Using Non-Standard Bend Specimens and an Exploratory Application to Determine the Reference Temperature, T0”, e ficou entre os oito melhores colocados ao lado de participantes de países como os Estados Unidos, Canadá, Bélgica e China.

Sobre o trabalho - Sabe-se que mais da metade das usinas nucleares de todo o mundo estão chegando ao fim de suas vidas úteis. Esse tipo de dado só é de conhecimento público porque especialistas fazem, continuamente, testes e análises nos vasos de pressão dos reatores desses sistemas, parte imprescindível da produção da energia, uma vez que lá são feitas as reações nucleares.  

Para os testes, inserem-se pequenas peças de aço, denominadas corpos de prova, no interior dos reatores dos vasos de pressão. Essas peças, padronizadas por normas, ficam depositadas nos vasos  em um período de tempo razoável, e são submetidas ao ambiente em que estão, eventualmente sendo bombardeadas pelos nêutrons gerados nas reações nucleares. O trabalho da medição da degradação do material desses corpos pelo efeito da irradiação neutrônica pode prever então o tempo de vida útil remanescente de um vaso de pressão e, consequentemente, de toda a usina.

Em seu doutorado premiado, Scarabeli prevê uma nova configuração não padronizada para os corpos de prova que, segundo ele, atende aos resultados desejados. Utilizando uma nova metodologia desenvolvida pelo orientador, ele propôs mudanças na geometria e tamanho dos corpos de prova encapsulados nos reatores, e comprovou sua tese por meio de experimentações.

Segundo o pesquisador, essas medições são muito importantes para evitar acidentes ambientais como o que ocorreu em Fukushima, no Japão. “Analisar a resistência dos vasos de pressão é importante para evitar que eles trinquem em casos de choques térmicos pressurizados”, defende. Os choques ocorrem quando, em emergências, é utilizada a água dos oceanos para esfriar os reatores.

Ele se disse animado com os resultados obtidos e com a conquista no evento internacional, e garante que tem previsões otimistas para o trabalho. “Esse procedimento pode até ser incorporado posteriormente nas normas atuais que dizem respeito aos corpos de prova”.

Reconhecimento e interação – O orientador da pesquisa e professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica (PNV) da Poli, Claudio Ruggieri, ressalta que a ASME é “uma das associações e entidades de engenharia mais importantes e atuantes, não somente dos Estados Unidos, mas do mundo, pois teve e tem um papel fundamental na consolidação de diversos procedimentos em termos de projeto, regulação e inspeção de equipamentos, incluindo vasos de pressão e tubulações para a indústria de óleo e gás e a nuclear”.

Para o docente, a participação neste evento é uma oportunidade excelente de interagir e imergir em um ambiente profissional e tecnológico proeminente. “Para um aluno de pós-graduação, é o reconhecimento incontestável da qualidade do seu trabalho e da sua dedicação, além de propiciar uma experiência científica internacional que certamente contribuirá sobremaneira não somente à sua formação acadêmica e profissional, mas também à sua formação pessoal e cidadã”, ressalta o docente. Para ele, o futuro da engenharia brasileira passa necessariamente pelo investimento e apoio a jovens dedicados e talentosos como Vítor.

 

 

Corredores verdes para transporte de soja podem reduzir custos e impactos da atividade no Brasil

Pesquisa da Escola Politécnica da USP avalia tecnologias que melhoram eficiência logística em termos sociais, econômicos e ambientais

Um dos principais corredores utilizados para a exportação da soja brasileira liga a região de Sorriso, onde se localiza a maior produção dessa commodity no estado líder no cultivo da soja, o Mato Grosso, ao porto de Santos, no litoral paulista. Por esse corredor passaram 8,5% da soja produzida neste estado destinada ao mercado externo. Uma pesquisa desenvolvida na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) mostra que a adoção de tecnologias que transformem essa rota em um corredor verde poderia reduzir em 55,5% as emissões de gás carbônico e em 84,8% as de óxido de nitrogênio, além de diminuir o tempo relativo das viagens em 15,8%, o congestionamento na região portuária em 16,7% e o custo do transporte em 3,1%.

Esse é um dos três corredores usados para o escoamento da produção de soja estudados por João Ferreira Netto, pesquisador do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP), vinculado ao Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli-USP. Ele propõe em sua tese de doutorado a adoção das melhores práticas de um corredor verde também para a rota Sorriso – Paranaguá (Paraná) e para a ligação entre a região da cidade de Sapezal (também no Mato Grosso) a Santarém (Pará).

Corredores verdes são estruturas pelas quais se transporta grandes volumes de mercadorias, utilizando a combinação dos modais rodoviário, ferroviário, fluvial e marítimo com a aplicação de novas tecnologias que ajudam a equilibrar a produtividade e sustentabilidade, reduzindo os impactos ambientais. O conceito surgiu na Europa, com o objetivo de tornar o sistema logístico mais eficiente e reduzir seus impactos, e tem sido aplicado em corredores que ligam diversos países, como o que vai da Escandinávia até a Itália e outro que liga a Suécia à Alemanha.

“Diversos requisitos são observados para transformar um corredor em corredor verde: combustíveis, motores, tecnologia da informação, aspectos operacionais, regulatórios etc, tudo que ajude o setor de transporte e logística a realizar viagens mais objetivas, usando as menores distâncias e reduzindo as emissões de gases poluentes por meio da diminuição do consumo de combustíveis”, explica. “Em minha pesquisa, estudei três rotas utilizadas para escoamento da produção de soja e constatei que é possível, sim, implementarmos corredores verdes no País, apesar das sérias deficiências em infraestrutura”, acrescenta Netto.

O Brasil é o segundo país produtor de soja no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e exportou 51,6 milhões de toneladas do produto no ano passado, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. A produção na safra 2016-2017 deve ser de 113,923 milhões de toneladas, em uma área plantada de 33,890 milhões de hectares, segundo dados da Embrapa. Os números dão uma dimensão do quanto a produção de soja impacta a questão do transporte no País e justificaram a seleção desse produto e, por consequência, dos corredores de escoamento da produção para a pesquisa que avaliou a possibilidade e os ganhos com a criação dos corredores verdes. A escolha das rotas levou em consideração a utilização dos diferentes modais e a concentração de cargas transportadas.

Para a avaliação, ele definiu indicadores de desempenho (KPIs) como, por exemplo, o custo relativo, tempo de transporte, confiabilidade, emissões de gás carbônico, monóxido de carbono e oxido nitroso, os congestionamentos, e a qualidade das infraestruturas rodoviária, ferroviária, hidroviária e dos portos.

Segundo Netto, o corredor que demonstrou maior potencial para ser ‘convertido’ em corredor verde é o de Sapezal-Santarém. “A maior parte da soja que exportamos, em termos de volume, vem para Santos, mas esse corredor até o Pará tem um dos maiores potenciais porque utiliza grande trecho do modal hidroviário”, explica. Trata-se de um corredor subutilizado atualmente porque, de acordo com o pesquisador, os terminais não têm capacidade adequada.

“Já o corredor até Santos apresenta, hoje, os melhores indicadores no quesito confiabilidade, ou seja, ele tem menor probabilidade de atraso nas entregas porque usa a ferrovia, e também apresenta maior rapidez”, aponta. Essa rota, porém, está sobrecarregada. “O impacto causado na população de Santos pelo uso desse corredor nos períodos de safra é grande, por conta dos congestionamentos e das emissões causadas pelos caminhões que chegam ao porto”, lembra.

Soluções tecnológicas – A pesquisa não só avaliou quais seriam os melhores trajetos para se instalar corredores verdes, mas, partindo da situação destes como estão, propõe o uso de tecnologias já aplicadas em outros corredores verdes existentes, principalmente na Europa. No estudo, Netto aponta os percentuais de melhoria que a implementação dessas tecnologias pode trazer em cada corredor, para cada um dos KPIs definidos na avaliação prévia.

No caso do corredor Sorriso-Santos, por exemplo, o uso de veículos movidos a gás natural poderia reduzir em 70% as emissões de óxido nitroso e 12,5% as de gás carbônico. Se fossem utilizadas unidades de carga e descarga automática e também de carregamento intermodal, haveria uma redução no tempo relativo da viagem de 7,1% e 8,7%, respectivamente. Caso fosse adotada a tecnologia de recuperação da energia de frenagem e sistemas de energia a bordo no sistema ferroviário, a redução das emissões de gás carbônico seria de quase 10%. O uso de caminhões híbridos (como os que usam biodiesel e eletricidade) reduz em 2% os custos e em 18,3% as emissões de gás carbônico. Se os caminhões passarem a usar pneus de baixa resistência ao rolamento, o impacto na redução de emissões de gás carbônico seria de 2%.

Desafios – São grandes os desafios para implementar corredores verdes no Brasil. Além de lidar com os problemas de infraestrutura, também existe a questão regulatória. “Na implementação dos corredores verdes europeus foi feito um esforço para uniformizar o processo de fiscalização dos diversos países. É importante ter a regulamentação porque isso torna a operação mais rápida. No Brasil, precisamos destravar nossos terminais e ganhar tempo no processo burocrático alfandegário, entre outras medidas”, aponta o pesquisador.

Cedo ou tarde o Brasil precisará ter corredores verdes. Atualmente ainda não existe na Europa a exigência de que mercadorias sejam transportadas por corredores verdes, entretanto, existem incentivos e mecanismos de financiamento, por parte do governo de alguns países, como a Suécia, que estimulam sua utilização e o desenvolvimento destes corredores no continente.

“Em algum momento, podemos ser surpreendidos pela exigência de corredores verdes para poder exportar algum produto. É difícil dizer quando vamos chegar lá, mas ter uma logística responsável do ponto de vista ambiental, econômico e social será uma exigência para participar do mercado internacional”, finaliza o professor Rui Carlos Botter, que orientou a pesquisa.

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Acadêmica Agência de Comunicação

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Principal fórum sobre inovação pode ser acompanhado pela internet

Trata-se da 11ª edição do Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto, cujas atividades se estendem até amanhã

As atividades da 11ª edição do Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto, que acontecem até amanhã (5/9) no anfiteatro do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), estão sendo transmitidas pela internet em tempo real: http://cbgdp2017.igdp.org.br/transmissao/.

O evento, que reúne pesquisadores, professores e profissionais do mercado para discutir a inovação e a gestão de desenvolvimento de produtos e serviços no contexto da Internet das Coisas, é promovido pelo Instituto de Inovação e Gestão do Desenvolvimento do Produto (IGDP). A Poli-USP, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e a Universidade Federal do ABC (UFABC) são organizadoras desta iniciativa.

Realizado a cada dois anos, o Congresso consolidou-se como o principal fórum de discussão de engenharia na área. Segundo Paulo Carlos Kaminski, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli encarregado da organização geral do evento, foram selecionados mais de 150 projetos de pesquisa para esta edição.

 “O avanço tecnológico não é resultado do trabalho isolado de um pesquisador, mas uma percepção conjunta de demandas da sociedade”, destacou ele na abertura do evento, nesta manhã. “Hoje são maiores os desafios de se encontrar novas metodologias para inovar e fazer a gestão do desenvolvimento de produtos. Há um contexto diferente, com novos drives no mercado, novos modelos de negócios nos quais os produtos são usados e consumidos como serviços, sendo preciso pensar em questões de segurança, privacidade, custo, sustentabilidade ambiental e social.”

O diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, também presente na abertura do Congresso, destacou o papel da academia neste processo. “Por que nossa Engenharia, que tem gente tão competente em todos os Estados, em todas as escolas, não ocupa o lugar que deveria ocupar? Por que o Brasil está entre os dez maiores mercados consumidores de automóveis e não tem um fabricante de automóvel, só tem montadoras?”, questionou. “Temos de colocar nosso país na vanguarda industrial. Sem isso, não haverá progresso, melhoria na qualidade de vida, esperança em termos um País melhor”, completou.

Em sua avaliação, é preciso unir as escolas de Engenharia. “Pensem na união das escolas de Engenharia, trabalhando juntas, e não como concorrentes, incentivando o trabalho ‘mão na massa’. O aluno deve sair da escola tendo noção do ambiente onde ele vive, e sabendo que, ao se formar, é responsável pela geração de riqueza, de empregos”, destacou. Para isso, defendeu Piqueira, é preciso ter formação forte também na área de Humanidades. “Ele deve verificar o que as pessoas estão precisando, ajudar na solução de problemas.”

O presidente do IGDP, professor Maicon Gouvea de Oliveira, outro integramente da mesa de abertura, fez uma apresentação do instituto e agradeceu o apoio da Poli-USP, da EESC-USP e da UFABC na realização do Congresso. Segundo ele, trata-se de uma das principais iniciativas da entidade, cujo foco de atuação é o desenvolvimento, aprimoramento e disseminação dos conhecimentos sobre inovação e desenvolvimento de produtos para os setores acadêmico e empresarial. Mais informações sobre o 11º CBGDP no site http://cbgdp2017.igdp.org.br/.

 


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