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Um modelo híbrido de contabilidade

Pesquisa da Poli-USP propõe uma nova forma de análise econômica financeira para evitar as distorções entre a área contábil e a de produção

Uma dissertação de mestrado, apresentada no Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), deu origem a um modelo híbrido de contabilidade, capaz de evitar decisões erradas em indústrias e diminuir os prejuízos causados por isso. Na verdade, segundo seu autor, Cleiton Almeida Silva, trata-se de uma forma de análise econômico-financeira, que ajuda a resolver os conflitos de entendimento entre o “mundo da contabilidade financeira” e o “mundo da gestão de produção”, pois geralmente os números apresentados e analisados por essas duas áreas de uma empresa industrial são discrepantes.

Segundo Silva, seu trabalho surgiu da inquietação vivida por ele na prática na área contábil-financeira da empresa na qual trabalha, uma indústria de transformação de PVC, de porte médio, com 130 funcionários. “Era perceptível que a empresa vivia dois mundos: um da necessidade prática de gerir a produção e alcançar melhores resultados, e outro da necessidade legal e societária de preparar relatórios financeiros padronizados”, explica. “Estes dois mundos nem sempre se entendiam e este ruído de comunicação causava grande dificuldade na gestão do dia a dia e nas decisões de curto prazo, que podiam levar a prejuízos da fábrica.”

Isso ocorre, porque na prática as indústrias têm dois tipos de contabilidade. Uma delas é a financeira, que é a legal, oficial, dirigida ao público externo e aos órgãos fiscalizadores. Ela é um retrato estático da situação financeira e da saúde patrimonial de uma empresa num determinado momento. A outra é a gerencial, destinada ao público interno e na qual são baseadas as decisões da gestão da empresa. Um exemplo deixa mais claro a diferença entre as duas. A contabilidade financeira registra o custo histórico de um insumo, ou seja, o valor que a empresa pagou por aquele insumo no dia da sua compra. A gerencial pode trabalhar com o preço de mercado de outro dia. Assim, o custo que a primeira contabilizou de R$ 5,00, por exemplo, pode ser para a outra de R$ 4,00 ou R$ 6,00. Essa diferença pode levar a decisões de gestão erradas e, consequentemente, a prejuízos.

Até a Revolução Industrial, a contabilidade geral desenvolvida na época estava bem estruturada e era adequada para servir às empresas comerciais, as únicas que existiam então. Mas, com o surgimento da indústria, a contabilidade não se via mais apenas diante da necessidade de mensurar o valor das “compras”, mas também tinha que avaliar diversos fatores de produção na composição do custo. “Surgiu a necessidade de controles gerenciais mais eficientes na mensuração dos fatores de produção que compõe o custo dos produtos”, explica Silva. “O problema é que a contabilidade financeira foi criada para resolver questões de mensuração monetária dos estoques e do resultado e não como um instrumento de administração.” Para isso, surgiu a gerencial. O que Silva fez foi juntar as duas, num modelo híbrido, que combina o custeio por absorção da contabilidade financeira, com custeio variável da contabilidade gerencial.

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