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“Por que é importante fazer robôs na graduação?”

Da técnica ao trabalho em equipe, alunos da Poli-USP encontram desenvolvimento pleno ao se dedicarem à equipe de robótica

O questionamento pode ser comum fora da universidade, mas dentro da Escola Politécnica da USP já é uma tradição. Todos os anos, novos alunos entram na equipe de robótica, a Thunderatz, formada em 2001, e que vem acumulando prêmios, experiências e boas histórias. O grupo de 35 alunos desenvolve mecanismos robóticos que são postos à prova contra outros robôs em competições nacionais e internacionais. No início do mês, por exemplo, a equipe participou de uma competição, a Summer Challenge, com 16 projetos em 12 categorias, sendo a única equipe a ter projetos em todas elas, e conquistou oito troféus. No mês que vem, o robô da categoria sumô irá competir no Japão.
Muito mais do que vencer competições, a principal motivação que a equipe demonstra é poder aprender e contribuir com as etapas de um projeto de engenharia. Os calouros já podem participar desde o primeiro ano, e vão sendo integrados e ensinados por seus veteranos de equipe. O capitão da equipe, Cauê Cimorelli Muriano, que está no terceiro ano de Engenharia Mecatrônica, explica que participar do projeto o motivou a continuar no curso de engenharia apesar dos desafios da graduação, com as muitas horas de estudo e conteúdo teórico. “Tive a oportunidade de ver tudo o que eu aprendi na sala de aula de uma maneira prática. Eu não só pude dimensionar um parafuso, por exemplo, como pude ver parafusos falharem por serem mal dimensionados. O mais legal da equipe é conseguir ver como um erro de engenharia, um erro de conta, uma má análise de projeto pode causar danos não só na teoria. É um projeto que você perde, um combate que você deixa de ganhar, é uma medalha que você deixa de levar pra casa”, explica.
Samanta Allis, também do terceiro ano de engenharia mecatrônica, ressaltou a importância da prática para se manter motivada no curso, o que ela chama de “sentir-se engenheira”, ou seja, participar de projetos de engenharia e ter noção de como será a prática profissional, mesmo que de maneira simulada. Outro ponto levantado pelos alunos é que o projeto ajuda no desenvolvimento pessoal. O estudante do primeiro ano de engenharia mecatrônica, Marco Abensur, conta que, além de entrar em contato com a parte técnica, aprendeu também a trabalhar em equipe, motivado por um objetivo em comum com seus colegas, o que ele classifica como um grande desenvolvimento pessoal. “Eu tive bastante espaço na equipe e hoje, após seis meses, já consigo cuidar de um projeto. Todo mundo te ajuda e você vai aprendendo aos poucos”, explica.
Outro ponto levantando pela estudante Ana Carolina Borg Ferreira, do terceiro ano de Engenharia Elétrica com ênfase em sistemas eletrônicos, é que a participação na equipe a ajudou muito a lidar com pessoas e desenvolver habilidades de comunicação e liderança. A futura engenheira conta que sentiu um grande diferencial na participação de dinâmicas de processos seletivos, além da capacidade de resolver problemas com agilidade, outra habilidade treinada nos combates, quando há pouco tempo para tomar decisões importantes. “Outra coisa que me ajudou bastante foi aprender lidar com as falhas. Nas competições tem um monte de equipes e robôs muito bons, e ganhar é algo que merece comemoração. Mas nós também erramos e perdemos muito, e é muito bom aprender a lidar com isso. Aprender a lidar com os erros e com as falhas é o que mais me fez crescer, evoluir como pessoa e como futura profissional”, conta a Ana Carolina.
O capitão da equipe conclui que o grande diferencial do projeto é colocar o estudante em um projeto de engenharia desde o começo da graduação. “O Robô é o nosso objetivo, mas ele é um projeto. E o engenheiro trabalha fazendo projetos, seja ele um robô, uma casa, um carro, um avião, ou um plano financeiro de uma empresa. A partir do momento que se desenvolve um robô, você aprende toda uma metodologia de como lidar com prazos, trabalho em equipe, recursos financeiros limitados, organização de tempo, patrocínio, etc. O projeto simula um ambiente de engenharia”.
O professor que orienta os estudantes, Marcos Ribeiro Pereira Barretto, explica que o projeto é um complemento importantíssimo para as atividades acadêmicas, porque permite aplicar os conhecimentos em situações extremas, nas competições que os robôs participam. “E, sobretudo, é muito divertido”.

A equipe recebe apoio de diversas instituições, como a FDTE, o fundo Amigos da Poli e a própria Escola Politécnica da USP.