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Pré-IC Poli-FDTE ampliará número de escolas participantes

No evento de encerramento da edição de 2016, foram apresentados
os projetos desenvolvidos pelos 22 estudantes participantes.

O Programa de Pré-Iniciação Científica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Pré-IC Poli-FDTE) realizou na tarde da última sexta-feira (02/12), no prédio do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), a cerimônia de encerramento da edição de 2016, a terceira desde sua criação. Neste ano, participaram 34 alunos de seis escolas de ensino fundamental públicas e particulares. Ao longo de dez meses, eles tiveram aulas teóricas e práticas em laboratório, com vistas ao desenvolvimento de um projeto científico. O objetivo da iniciativa é despertar e incentivar a vocação científica entre estudantes do ensino médio e profissional.

No ano que vem, mais duas escolas serão atendidas. O ínicio das aulas está previsto para 10 de março e cada escola será responsável pela escolha dos alunos que participarão do Programa. A ampliação é consequência dos bons resultados que o projeto vem colhendo junto às escolas participantes. Desde sua criação, já passaram 80 alunos pelo Programa.

Aposta no potencial – Na cerimônia de encerramento, professores dos colégios participantes fizeram um balanço e falaram dos impactos positivos para os alunos que fizeram o Pré-IC e também para suas instituições. Nos vários depoimentos, relataram casos de participantes do Pré-IC que se sentiram motivados a prestar vestibular e foram aprovados em universidades e institutos federais e em boas instituições de ensino superior privadas.

O diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, incentivou os participantes do Pré-IC a continuarem dedicados aos estudos. “O Brasil tem várias coisas de primeiro mundo e uma delas são universidades públicas gratuitas e de excelência. Pensem nessas universidades, nas diversas áreas de formação, vocês são capazes de estar nesta Universidade e em outras gratuitas”, disse. “Se esforcem, tomem posse delas. É difícil entrar, sim, mas estudem, trabalhem, pois é possível”, acrescentou.

Ele enfatizou a importância do Pré-IC como atividade que ajuda a Poli a cumprir seu papel social. “Nossa Escola tem três patrimônios – o físico, o intelectual e o moral – que nos coloca entre as melhores escolas de Engenharia do mundo. O Pré-IC deixa esse patrimônio moral muito evidente porque aqui temos professores e funcionários da Poli dedicados a uma atividade que exercem sem buscar ganho institucional, o fazem de forma voluntária, pensando no benefício à sociedade”, destacou.

A professora Mércia Bottura de Barros, do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), coordenadora do Pré-IC, comentou a alegria da equipe de docentes e funcionários da Poli em receber e trabalhar com os alunos ao longo do ano. “Estamos vendo os bons frutos do Programa e isso nos motiva a continuar”, afirmou. O professor Diolino José dos Santos Filho, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR), que atua como orientador no Pré-IC, também destacou os impactos positivos para os docentes das escolas participantes, já que também são desenvolvidas atividades para ajudá-los no desenvolvimento de sua profissão.

Mentes inovadoras – As competências adquiridas pelos alunos do Programa ficaram evidentes nas apresentações dos projetos. Os estudantes da escola Santo Dias da Silva, por exemplo, trabalharam conceitos de Engenharia de Transportes, avaliando a disponibilidade de algumas das tecnologias de sistemas globais de posicionamento e fazendo experimentos para testar receptores e avaliar os sensores de veículos autônomos. Também estudaram algoritmos bug, usados em programação para que objetos ou dispositivos robóticos consigam chegar a um local sem serem previamente programados.

Os alunos da escola José Marcato estudaram alguns dos materiais mais utilizados na construção civil: os cimentícios. Eles trabalharam com uma argamassa que eles mesmos fizeram, produzindo 12 corpos de prova. O objetivo foi estudar a influência do aditivo na densidade do produto e comparar o desempenho das argamassas na construção de pilares.

Já os participantes da escola José Fernando Abbud trabalharam com modelagem computacional. Diante da perspectiva de escassez de mão de obra para a construção civil, eles desenvolveram equipamentos para automatizar o campo de obra. Os estudantes chegaram a prototipá-los, em pequena escala, usando impressora 3D.

Os alunos do Colégio Renascença, por sua vez, desenvolveram um sistema automatizado de transporte de fármacos para o Hospital da USP. Os estudantes projetaram, em computador, uma esteira com duas rampas, equipada com um braço mecânico, que separa os remédios tarja preta dos demais depois da leitura dos sensores de cor e ultrassom. Cada remédio vai para o local correto de armazenagem pela esteira.

Coube à escola Anecondes Alves Ferreira desenvolver um projeto em análise e mitigação de falhas em processos industriais. Eles fizeram uma pesquisa em uma indústria produtora de vidro. Dentro da planta, selecionaram o equipamento mais crítico das etapas de produção, o forno, e o risco de explosão no reservatório de gás. Simularam um acidente em uma placa com sensores e utilizaram várias técnicas de análise de risco para verificar como e quais funcionariam melhor nas situação. Um segundo grupo dessa escola desenvolveu um protótipo para automatizar a coleta de dados para um dispositivo de assistência ventricular. O objetivo foi otimizar o tempo e o esforço dos pesquisadores envolvidos em etudos nesse tema.

Respaldo institucional – A Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) apoia o programa desde o final de 2013 e voltou a conceder bolsas para os participantes da edição de 2016. Na cerimônia, a Fundação foi representada pelo seu diretor superintendente, André Steagall Gertsenchtein.

A coordenação geral do Programa é da Diretoria da Poli e a gestão, da Assistência Técnica de Pesquisa, Cultura e Extensão e seu Serviço de Pesquisa. Nesta edição, além de Diolino José dos Santos Filho e Mércia Bottura de Barros, participaram os professores Cheng Liang Yee e Fabiano Rogério Corrêa, do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), e Edvaldo Simões da Fonseca Júnior, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR).