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Lotação máxima na aula magna ministrada por José Goldemberg na Poli-USP

Ingressantes de 2017 tiveram a oportunidade de aprender mais sobre a questão energética e sustentabilidade.

Mais de 800 alunos participaram hoje (06/03) da aula magna da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), proferida pelo professor emérito da USP e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o físico José Goldemberg, no auditório do Centro de Difusão Internacional da USP (CDI), no campus do Butantã, em São Paulo. Ele falou sobre o tema “Energia, Tecnologia e Desenvolvimento”, e ressaltou o papel da Engenharia nas pesquisas para o desenvolvimento do Brasil e também para o enfrentamento das questões relacionadas a sustentabilidade da vida na Terra.

Antes da aula, o diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, deu as boas-vindas e parabenizou os novos alunos da Escola. Ele destacou a importância da formação ética dos futuros profissionais, fundamental para a recuperação e desenvolvimento do País. “Chamamos para a aula magna alguém que represente um modelo profissional e ético em Ciências Exatas, e é um honra ter o professor Goldemberg para ministrá-la, uma pessoa que dispensa apresentações”, destacou Piqueira ao participar da mesa de abertura, ao lado do vice-reitor da USP e docente da Poli, Vahan Agopyan e de um dos coodenadores do Ciclo Básico, professor Augusto Neiva.

Agopyan cumprimentou os alunos por perserverarem nos estudos, por terem escolhido a carreira de Engenharia e a Poli, que, recordou ele, busca formar engenheiros que “façam a diferença”. O vice-reitor também ressaltou o trabalho do professor Goldemberg na USP quando este ocupou a reitoria da instituição, entre 1986 e 1990. “Se a USP hoje está presente nos rankings internacionais como uma das melhores da América Latina, devemos isso também ao professor Goldemberg, que promoveu uma reforma na universidade e a desenhou para ser a instituição de ponta que temos hoje”, concluiu.

Ao iniciar a aula magna, (cujo documento-base pode ser acessado aqui), Goldemberg lembrou que há cerca de 40 anos ele deu uma aula para uma turma de iniciantes na Poli. “Foi a primeira vez que falei para uma classe com mais de 600 alunos e hoje temos mais estudantes aqui”, brincou. Ele contou como se tornou professor catedrático da Poli, e que trouxe para a Escola um conteúdo mais moderno da Física. Enquanto os docentes anteriores trabalhavam com a Física Clássica, baseada nas Leis de Newton, ele trouxe os avanços científicos da época para o curso, dando ênfase aos conteúdos da Teoria da Relatividade e da Física Quântica.

“Vocês vão reclamar dos próximos dois anos como os meus alunos reclamaram há 40 anos, mas saibam que o que fazemos é para o bem de vocês”, afirmou ele, despertando as primeiras risadas entre os alunos. “Hoje, encontro alunos que foram meus estudantes há quatro décadas e atualmente são dirigentes de bancos e grandes empresas e todos eles me agredecem pelo ensino de Física, que incorporou os avanços modernos da época. É um tipo de conhecimento que será muito útil para vocês ao longo da vida”, disse.

A seguir, ele entrou nos aspectos técnico-científicos do tema da aula, sua especialidade: a energia. Apresentou um panorama da evolução do consumo de energia ao longo da História humana, destacando quanto o uso se ampliou na medida em que mais evoluía a tecnologia e mais se complexa se tornava a vida das sociedades.

Mostrou também um panorama de como se dá a produção e consumo de energia de forma global, da dependência por energias fósseis e da desigualdade energética, considerando que apenas metade da população do planeta tem acesso a energia produzida por fontes mais desenvolvidas, como carvão, petróleo gás natural, hidrelétrica, nuclear e biomassa. “Para metade da Humanidade esse sistema funciona, enquanto a outra metade usa sistemas mais primitivos. Não se trata de um problema de energia, mas de desenvolvimento dos países”, ponderou.

Goldemberg também falou sobre a exaustão das reservas de petróleo e os impactos ambientais provocados pelo uso de combustíveis fósseis, com destaque para o processo de aquecimento global. Destacou o diferencial da matriz energética brasileira em relação a de outros países, já que 46% dela é baseada em energia renovável, enquanto os fósseis predominam na matriz de outras economias do mundo, como a dos Estados Unidos. “Há um enorme campo para a Ciência e a Engenharia nessa área, campo do qual vocês, da Poli, terão chance de participar. O papel da energia renovável é crescente em outros países e o Brasil tem condições de liderar esse processo”, lembrou.

O professor defendeu um novo modelo de desenvolvimento que não seja calcado no elevado consumo de energia. “Não precisamos repetir a trajetória de países como Estados Unidos, Alemanha, França etc no que se refere ao uso de energia. Temos o modelo do etanol para mostrar que podemos usar uma fonte de energia renovável e não poluente. Podemos dar um salto à frente e o local onde podemos dar esse salto é a Escola Politécnica. São vocês”, finalizou a aula.

Mensagens da Diretoria da Poli – Após a aula magna, o diretor da Poli, professor Piqueira, assumiu novamente a palavra, com o objetivo de aconselhar e orientar os ingressantes sobre a vida na Escola. Ele deu conselhos sobre questões práticas, como segurança e aproveitamento de tudo que a Poli tem a oferecer, como o trabalho em projetos de pesquisa nos laboratórios, e programas como o de iniciação científica e de duplo diploma, mas sua fala foi especialmente enfática sobre a questão da formação e comportamento éticos.

“A Poli tem três patrimônios: o físico, o intelectual e o moral. Este último é que nos dá a ideia de que quem estuda na Poli terá um emprego garantido depois, então preservem esse patrimônio”, recomendou. “Nossa Engenharia está sendo jogada no lixo por engenheiros bem formados, tecnicamente, mas com patrimônio moral zero”, apontou.

Outro aspecto para o qual chamou atenção foi a necessidade de se trabalhar e estudar intensamente. “A Poli é muito dura? Sim, é, mas se Engenharia fosse simples, cada um construiria um ponte estaiada no seu quintal”, brincou, desperando risadas na plateia. Piqueira também comentou que o Brasil precisa de engenheiros. “Basta olhar o Carnaval do Rio de Janeiro deste ano. O engenheiro é o profissional poderia dizer que aquela estrutura não suportaria tanto peso”, exemplificou.

Piqueira também lembrou que a Poli, como toda a USP, não é gratuita. “Temos quase 500 professores, com doutorado, cerca de 400 deles trabalhando em tempo integral. Não dá para comparar com qualquer outra Escola de Engenharia. E isso custa. A Poli é uma Escola paga por toda a sociedade”, ressaltou. “Quando saírem daqui, vocês terão de devolver esse investimento da sociedade. Não na forma de dinheiro, necessariamente. Vocês podem criar uma empresa e gerar empregos, mas, principalmente, vocês podem devolver esse investimento sendo éticos”, disse.

Ele recordou, ainda, que a Poli foi fundada por republicanos paulistas. “Não cabe, numa Escola republicana como a nossa, o preconceito, o cerceamento de ideias, mas sim o tratamento igualitário”, afirmou. Ao final, foi exibido um vídeo produzido pela Poli, entitulado “USP: Aqui Não”, focado no combate ao preconceito e assédio sexual, com depoimentos de alunas e professoras da Poli e de outras faculdades da USP. O vídeo será lançado quarta-feira (08/03), no Dia Internacional da Mulher.

Na parte da tarde, os calouros assistiram o vídeo institucional sobre a Poli e palestras diversos. O professor Augusto Neiva, Coordenador do Ciclo Básico,  deu diversas informações sobre a parte acadêmica do curso e sobre a vida universitária. O Prof. Márcio Lobo apresentou o programa de internacionalização da Poli e a professora Carina Ulsen falou sobre as atividades de pesquisa da Escola. Representantes do Grêmio e da Atlética finalizaram as atividades do primeiro dia letivo dos calouros de 2017.

A Semana de Recepção aos Calouros continua prossegue com palestras diversas, visitas a laboratórios e ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), entre outras atividades (confira aqui a agenda e também o hotsite com informações especiais para os calouros).

A Semana de Recepção termina neste sábado (11/03), com o Trote Solidário, realizado pelo grupo Poli Social. Calouros e veteranos ajudarão na reforma do pátio da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento (EMEI Antônio Bento), instituição que atende cerca de 150 crianças, localizada nas proximidades da Universidade. 

Confira as fotos da aula inaugural no álbum da Poli no Flickr

(Janaína Simões)