Escola Politécnica da USP

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Sonhos virtuais

Após participar de diversas competições, ex-aluno da Escola Politécnica
da USP  vai trabalhar na Microsoft, nos EUA.

Natural de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, o engenheiro Roberto Sonnino, 24 anos, está de malas prontas para Seattle, nos Estados Unidos. Vai trabalhar na sede da Microsoft, realizando um sonho que nasceu ainda garoto, quando aprendeu a dominar o computador, desenvolvendo programas antes mesmo de terminar o ensino médio. Foi um justo prêmio pela dedicação à carreira, pelo talento demonstrado na manipulação e criação de programas e sistemas de computador, pelas vitórias conquistadas em competições da área, principalmente aquelas patrocinadas pela empresa americana.

A boa dose de inspiração veio dos projetos de desenvolvimento de software do pai, Bruno Sonnino, Engenheiro de Produção formado em 1982 pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Mais que a inspiração, a genética parecia falar mais alto: “Meu avô, também engenheiro, foi professor do Mackenzie e da FAAP, a engenharia está no meu sangue”, brinca. O projeto de fazer parte dos quadros da Microsoft começou a se transformar em realidade ao ingressar no curso de Engenharia de Computação, também na Poli. A graduação foi concluída em 2011 com chave de ouro: seu TCC, produzido em parceria com a colega Keila Keiko Matsumura, foi considerado o melhor da turma.

O projeto de Roberto e Keila, batizado de Fusion4D, tem alto grau de aplicabilidade. Permite manipular objetos virtuais 3D entre as mãos como se flutuassem no mundo real. Usando óculos 3D e o Kinect, um dispositivo de reconhecimento de gestos desenvolvido pela Microsoft para jogos, os usuários podem interagir com objetos 3D que saltam para fora da tela. Podem mover, girar, aumentar, explodir em detalhes e até mesmo conferir uma simulação dos objetos no passado e futuro. Fácil de usar, dispensa mouse ou joystick. O objeto parece estar ali, ao vivo. As mãos "seguram" o objeto no ar e comandos com a voz o fazem se mover ou mudar sua visualização.

Sucesso na Poli, o Fusion4D ganhou o mundo quando Roberto, juntamente com o pai e o irmão Eduardo, também estudante de Engenharia de Computação na Unicamp, competiu na edição 2012 do Imagine Cup, torneio internacional, mais conhecido como “Olimpíada da Tecnologia”, promovido pela Microsoft, cujas finais foram em julho, em Sydney, na Austrália. Contando com as etapas nacionais, foram 250 mil participantes de 190 países. A equipe, composta pelos dois irmãos e por Keila, orientada pelo professor Romero Tori do Interlab, venceu na categoria Kinect com o projeto. De quebra, os dois irmãos arremataram também duas outras categorias com o Projeto Eureka, desta vez mentorados pelo pai. trata-se de um sistema de criação e compartilhamento de aulas interativas, que busca motivar os usuários durante as aulas, além de ser uma ferramenta que facilita a criação e a apresentação do conteúdo pelo professor. 

O Imagine Cup revela talentos nas áreas de design de softwares para computadores e games. “Já fizemos 12 projetos diferentes para a competição, mas desta vez a prova teve um gostinho especial, pois estava levando também a bandeira da Poli, senti um orgulho muito grande por isso”, revela Roberto. “É realmente uma Escola que ensina, acima de tudo, como aprender e aproveitar todas as oportunidades de crescimento”, elogia.

As muitas vitórias na competição abriram caminho para que Roberto pudesse fazer dois períodos de estágio na Microsoft. Após o segundo período de estágio, parte do programa do Curso Cooperativo da Poli, Roberto recebeu uma oferta de emprego na empresa. Estava carimbado seu passaporte para a América.

Engana-se quem pensa que ele está sossegado com a chance que a Microsoft está dando. “Quero continuar criando novos projetos, aprendendo mais, tendo ideias, e quem sabe com o tempo surjam temas para mestrado e doutorado”, planeja. Onde faria esses cursos? A resposta está na ponta da língua: “Na Poli”.

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