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Conferência USP sobre Engenharia aponta tendências para o setor

Promover o debate científico sobre as novas ideias na engenharia e colocar os estudantes em contato com grandes pesquisadores da área. Com esses dois objetivos, começou ontem a Conferência USP sobre Engenharia, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que reunirá até quinta-feira, engenheiros e especialistas internacionais e do Brasil, para debater os avanços e perspectivas da engenharia. No evento, serão discutidos três grandes temas: Materiais, Manufatura e Sustentabilidade; Projetos de Engenharia – Fatores Humanos e Projetos de Computação – Fatores Humanos. Cada um será debatido durante um dia inteiro, por meio de várias palestras.

Na cerimônia de abertura, o vice-diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira, disse que, a exemplo do que ocorreu na primeira conferência, realizada no ano passado, na deste ano também há uma boa mescla de pesquisadores na área engenharia do Brasil e do mundo. “No momento em que cada vez mais a vida e os recursos naturais no planeta precisam ser preservados, procuramos dar dois enfoques na programação da conferência: sustentabilidade e o ser humano no trabalho”, declarou. Para ele, também não faz mais sentido hoje falar que existe engenharia civil, mecânica, elétrica, “ou disso e daquilo”. “A engenharia é uma só e cada vez mais ela precisa ser integrada”, explicou.

A primeira palestra do evento foi proferida pelo pró-reitor de Pós-Graduação da USP, Vahan Agopyan, professor titular do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, sobre o tema A importância dos materiais de construção civil para a sustentabilidade. Para ele, se a construção civil continuar consumindo recursos naturais como hoje, em 20 ou 30 anos se tornará inviável do ponto de vista da sustentabilidade. Ele baseia essa previsão em alguns números, que citou durante sua participação na conferência. “Hoje, ela é responsável pela metade do consumo de toda a matéria prima usada pela humanidade”, informou. “Apenas a cadeia produtiva do cimento consome um terço dos recursos naturais do planeta. Consumimos mais cimento do que alimentos.”

De acordo com Agopyan, isso só começou a ser percebido do final do século passado para cá. “A percepção de que a construção civil consome grandes quantidades de recursos naturais é recente”, disse. “Também faz pouco tempo que se percebeu que o setor gera resíduos perigosos, como metais pesados, por exemplo, ou amianto, que ainda é usado no Brasil.” Por isso, é preciso ter uma vigilância permanente sobre as perdas, que podem causar impactos ambientais e na saúde da população.

Embora seja uma sorvedora de recursos naturais, a construção civil não pode ser freada. Se isso ocorresse, cerca de 80% da população mundial ficaria sem habitações decentes, abaixo do nível de qualidade de vida considerado aceitável. Por isso, segundo Agopyan, é preciso reformular o setor com inovações e novas soluções para diminuir o consumo de recursos naturais. “Uma das medidas é a redução dos desperdícios nas construções”, disse. “Hoje o material perdido é cinco vezes maior do que o consumido. A quantidade de resíduos das construções é maior do que lixo produzido nas áreas urbanas.” Outras soluções são usar materiais com maior durabilidade e aumentar a reciclagem.

O professor titular João Fernando Gomes de Oliveira, do Departamento de Engenharia de Produção, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, foi o segundo palestrante, com o tema Os desafios das engenharias para a sustentabilidade global. Depois de dar um panorama geral da situação econômica do país, com destaque para o processo de desindustrialização que o Brasil vive hoje, ele falou sobre os desafios gerais para o desenvolvimento das engenharias. Segundo ele são três: atuar em cooperação, entender e interagir com a indústria e garantir a sustentabilidade.

Segundo Oliveira, o Brasil encontra-se num momento, no qual decisões acertadas de planejamento podem resultar em grandes avanços. “Temos uma janela de oportunidade para o desenvolvimento das engenharias relacionadas à indústria primária”, declarou o professor da USP. “Precisamos muito de profissionais para atuar em petróleo, mineração e energias sustentáveis.”

Diante desse quadro, ele traçou o perfil desejados das engenharias e dos engenheiros. “Devem ter capacidade de preencher as lacunas do desenvolvimento industrial”, explicou Oliveira. “Isso requer um engenheiro com conhecimentos profundos e integrados de tecnologia, gestão, logística, produção, processos e automação. Esse perfil é raro no Brasil e pode ser o nosso diferencial necessário em relação ao engenheiro que formamos hoje.”