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Brasil adapta tecnologia de estruturas infláveis

Projeto da Poli/USP possibilitará que hospitais, hangares, alojamentos e coberturas para eventos possam ser erguidos em poucas horas.

Hospitais, alojamento para estudantes ou militares e hangares provisórios para aviões e helicópteros já podem ser erguido em até seis horas. Isso é possível graças a estruturas infláveis, que estão sendo desenvolvidas em conjunto pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Feitas de um tecido especial, de uma mistura de PVC com teflon, as estruturas começaram a ser desenvolvidas na Espanha há oito anos. A Poli entrou no projeto há cerca de dois anos, com o objetivo de trazer esta tecnologia para o Brasil e “tropicalizá-la”, isto é, adaptá-la para as condições ambientais e climáticas do país, principalmente temperatura e umidade.

Segundo o professor Paulo Pimenta, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica, o que será feito na Poli é desenvolver e adaptar o conceito de estruturas infláveis pneumáticas para o uso de defesa militar e civil no Brasil. “Isto significa a capacidade conceber, projetar, produzir, testar e otimizar protótipos em escalas representativas, submetidos a condições reais de uso”, explica. “Já trouxemos um protótipo da Espanha de um hangar para aviões, com 24 metros de comprimento por 12 de largura, que estamos testando e adaptando às nossas condições.”

Essa adaptação incluirá, provavelmente, o uso de um fungicida no tecido das estruturas, para evitar a proliferação de fungos, comum em climas úmidos como o do Brasil. Também serão realizados testes com a solda térmica, que é usada no lugar de costuras na montagem das estruturas infláveis. De acordo com Pimenta, é preciso verificar se ela suporta temperaturas elevadas como as registradas na maior parte do país.

Entre as vantagens das estruturas pneumáticas, o pesquisador da Poli cita a facilidade de montagem e desmontagem em qualquer terreno, rapidez de produção e baixo custo. “Além disso, elas são portáteis”, acrescenta. “Isso possibilita que um avião ou helicóptero carregue seu próprio hangar.” Elas também podem ser usadas para a montagem de abrigos para suprimentos, veículos, pessoal militar e civil em situação de emergência, como depois de uma catástrofe natural, por exemplo. As estruturas infláveis podem ser empregadas ainda para fazer coberturas provisórias de áreas de pequeno a grande porte e de eventos e shows, pontes emergenciais em locais distantes, camuflagem e minidirigíveis não tripulados para observação aérea.

Em relação ao projeto da Poli, Pimenta diz que o próximo passo é construir os protótipos no Brasil. “Já há um interessado da Amazônia, que quer comprar o modelo que trouxemos da Espanha”, revela. “A partir do ano que vem, queremos desenvolver, testar e vender produtos no país. Por enquanto, estamos usando dinheiro do nosso próprio bolso para financiar o projeto. A ideia agora é formalizar um convênio com a Universidade Politécnica da Catalunha, para poder solicitar em empréstimo do BNDES a fim de financiar a continuidade do trabalho.”