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Nova estrutura curricular da Poli/USP formará engenheiro de “visão global”

Misturando ideias clássicas e contemporâneas, cursos ganham flexibilidade para ajudar na formação de profissionais que vão resolver grandes desafios mundiais

  

Os cursos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) acabaram de ficar mais flexíveis e formarão engenheiros que, em tese, estarão preparados para lidar com os principais desafios da atualidade, como a escassez de água, de energia, a saúde e a sustentabilidade. A Poli concluiu a mais recente e profunda alteração de seu currículo e diretrizes desde 1996. O currículo descreve as disciplinas e seus respectivos conteúdos. As diretrizes organizam as matérias ao longo dos semestres. As mudanças, que começaram a ser discutidas em 2010, já valem para o próximo período de calouros e serão aplicadas a cada nova turma nos semestres seguintes.

A revisão da estrutura curricular da Poli é a mais recente de uma série que ocorre a cada cinco anos para as disciplinas e a cada dez para as diretrizes. Desta vez, a revisão reúne ideias clássicas e contemporâneas, atendendo consultas internas, demandas da sociedade civil e experiências internacionais de outras escolas. “Há iniciativas audaciosas em outros países, mas que não tiveram tempo de mostrar resultados consolidados”, diz. “Fizemos uma mistura entre práticas mais ousadas e aquilo que já conhecemos.”

O resultado foi a criação de um currículo de engenharia único no Brasil, de acordo com Cardoso. Foram muitas reformulações. O diretor explica que em estruturas curriculares anteriores o foco era a formação de um engenheiro especialista. “O aluno entrava no curso e não fazia conexão com outros”, diz. “O graduando de Engenharia Mecânica ficava lá durante cinco anos.” Além disso, explica, o mercado atual demanda um profissional que tenha uma visão mais ampla e saiba transitar confortavelmente entre áreas do conhecimento. “Essa foi a maior contribuição da sociedade civil para a nova estrutura curricular”, revela.

Agora, a ideia é formar engenheiros capazes de lidar com grandes questões globais. “Queremos formar, além dos especialistas que já saem daqui, engenheiros generalistas”, diz Cardoso. Segundo o diretor da escola, os calouros terão possibilidade de cursar disciplinas em outras áreas e até fora das engenharias. A ideia é a formação de um profissional mais generalista, com uma visão mais sensível aos grandes desafios. “Eles poderão ir para a Engenharia Elétrica, Civil ou para cursos externos, como História e Economia”. Isso quer dizer que o aluno que se formar na Poli estará mais preparado para trabalhar com equipes interdisciplinares na solução de problemas que afetam um grande número de pessoas.

Os cursos também terão uma organização diferenciada. Além de poder cursar disciplinas em outros lugares, os alunos farão um novo ciclo básico. Na estrutura curricular anterior, os dois primeiros anos de curso eram dedicados exclusivamente para disciplinas da física, matemática e computação. “Era uma das principais reclamações dos alunos”, diz Cardoso. “Os graduandos tinham pouco contato com atividades específicas da engenharia que escolheram durante o ciclo básico”, explica. “Agora, espalhamos as disciplinas básicas até o terceiro ano e abrimos espaço para inserir atividades profissionais já no início do curso.”