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Economia no ar

Pesquisa Poli pode ajudar empresas
aéreas a economizar na escala dos tripulantes

Uma economia que pode chegar a 10% dos gastos de uma companhia aérea com a escala de sua tripulação é o principal resultado de um programa de computador, desenvolvido por um aluno de doutorado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O software é resultado da tese de doutorado Modelagem integrada do Problema de Programação de Tripulantes de aeronaves, defendida por Wagner de Paula Gomes, em janeiro, no Departamento de Engenharia de Transportes (PTR), sob orientação do professor Nicolau Dionísio Fares Gualda. Ele foi testado na prática, em uma empresa real, de médio porte, com cerca de 200 tripulantes e quatro mil voos por mês.

Como se pode imaginar, é complicado fazer a escala de trabalho de 200 ou mais tripulantes em milhares de voos, pois é necessário respeitar as regras de segurança e leis trabalhistas, que, nos voos domésticos, estabelece jornadas de trabalho de no máximo 11 horas seguidas. Também é preciso levar em conta as folgas, sobreavisos, reservas, treinamentos e férias dos trabalhadores. De acordo com Gomes, isso faz parte do planejamento operacional de uma companhia aérea e é conhecido como Problema de Programação de Tripulantes (PPT).

Atualmente, a maioria das empresas aéreas faz o planejamento operacional em cinco etapas sequenciais, em que a solução de uma delas define os dados de entrada da etapa posterior. Três dessas etapas precedem o PDV: Programação de Voos (determina o conjunto de voos que será oferecido pela empresa), Atribuição de Frota (define o tipo de avião que será utilizado em cada voo) e Atribuição de Aeronaves (estabelece uma rota de voos para cada avião). A quarta etapa é o próprio PDV, no qual se inicia a programação de tripulantes para cada frota. “O objetivo deste planejamento é encontrar um conjunto de viagens que cubra todos os voos da malha aérea, com custo mínimo”, explica Gomes.

Em seguida, é determinada a escala de trabalho dos tripulantes. Ela leva em conta a jornada, que é a duração do trabalho do tripulante, contada entre a hora de apresentação no local de trabalho e a em que ele é encerrado; e a viagem, contada desde a saída de sua cidade de moradia até o regresso a ela. Em síntese, os voos da malha aérea são inicialmente agrupados em jornadas. Em seguida, as viagens são formadas a partir do agrupamento das jornadas.

A fraqueza dessa solução, segundo Gomes, é que ela não leva em conta a disponibilidade, qualificação, antiguidade, experiência e preferências individuais dos tripulantes de forma global, o que impede uma estimativa real de custo e afeta a qualidade da resolução final. “O programa que desenvolvi dá uma solução integrada do PPT, eliminando a necessidade de se resolver primeiro o PDV”, diz Gomes. “Com ele é possível obter uma solução mais realista.” Além disso, mais adequada à realidade brasileira do que os programas estrangeiros usados hoje pelas companhias.

O software desenvolvido na Poli poderá interessar a empresas aéreas do país, que hoje operam num mercado aquecido e com forte concorrência. Gomes lembra que o número de passageiros transportados nos mercados doméstico e internacional apresentou um crescimento de aproximadamente 234% entre 2003 e 2012, conforme os dados estatísticos disponíveis no Anuário do Transporte Aéreo de 2012, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Nesse período, o número de viajantes no mercado doméstico passou de 29,1 milhões para 88,7 milhões e no internacional de 8,0 milhões para 18,5 milhões.

Segundo Gomes, a receita das empresas aéreas é gerada basicamente pela venda de passagens (85% do total) e transporte de cargas (7%). Além disso, os principais custos diretos das empresas são os combustíveis, o arrendamento, a manutenção e seguro de aeronaves, e a tripulação. “Os gastos com tripulantes equivalem a 12% dos custos diretos”, diz. “Diante da concorrência enfrentada pelas empresas aéreas brasileiras, a aplicação de métodos eficazes e eficientes na programação de tripulantes tem como objetivo uma redução dos custos diretos, aumentando a lucratividade e a competitividade das empresas, além de contribuir para a satisfação da tripulação.”