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Parceria viabiliza estudos para implantação de ‘Corredores Verdes’

Projeto que envolve USP, Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro e Lindholmen Science Park irá estudar a implantação de corredores verdes no Brasil

Responsável por mais de 70% de todas as emissões de monóxido de carbono no mundo, o setor de transportes tem um impacto imenso no meio ambiente. Com a necessidade crescente de combinar transportes e sustentabilidade, começam a surgir iniciativas como o Projeto Green Corridor, idealizado para aliar transportes intermodais e corredores verdes.

O projeto acaba de ser viabilizado com a formalização de uma parceria entre o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), o Lindholmen Science Park (LSP), da Suécia, e Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP),  da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Por meio do CISB, a experiência da implantação de um Corredor Verde da Suécia será compartilhada pelo LSP com os pesquisadores do CILIP, liderados pelo professor Rui Carlos Botter, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli. O grupo é formado por doutores em logística, transportes e infraestrutura portuária e ambiental.

Nos próximos dois anos, o grupo da Poli vai interagir com os suecos e estudar como a implantação de corredores verdes pode ser feita no Brasil, para tornar os transportes mais sustentáveis. O projeto envolverá também pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI).

Segundo Rui Botter, o Projeto Green Corridor no Brasil tem o objetivo de criar vias de tráfego intenso de cargas utilizando vários modais, com soluções integradas de logística, de modo sustentável operacionalmente e economicamente. “Os corredores sustentáveis criados na Europa são mais que meras ações pontuais como trocar caminhões por trens. São ações de planejamento, envolvendo novas tecnologias e novas concepções de projetos sustentáveis”, disse Botter.

Essas ações, segundo Botter, poderiam ser exemplificadas na hipotética construção de um novo terminal de transportes de cargas. “Seria preciso pensar em aproveitar tudo o que é possível para ser sustentável: de painéis solares e energia eólica, até o lay-out que convide a diminuir o ar-condicionado”.

Botter afirma que estudará o conceito dos suecos para descobrir se há condições de formar um corredor verde no Brasil. Serão avaliadas as condições e requisitos estruturais e legais. “Ao pensar a concepção do sistema completo é que se pode inserir o conceito de sustentabilidade. Esse corredor integrará todos os modais de transportes”, declarou.

O projeto sueco, denominado SWIFTLY Green (sigla em inglês Corredor Verde Suécia-Itália para Transporte de Mercadorias e Logística), segundo o LSP, visa desenvolver um conjunto de ferramentas para corredores verdes, composto de diretrizes, instrumentos e recomendações para a ecologização de logística e transporte. O projeto é baseado nas melhores práticas obtidas a partir de uma análise e mapeamento completo de projetos anteriores, entre atores suecos e brasileiros, e facilitará o intercâmbio de conhecimento e tecnologia na área, estimulando assim a inovação no Brasil.

Segundo Botter, no Brasil ainda há grandes deficiências estruturais nos transportes urbanos, rodoviários, ferroviários, portuários e aéreos. Mas, em países como a Suécia onde a necessidade de transportes é suprida, já se começou a pensar na importância de combinar transportes e sustentabilidade.

“Em países europeus e nos Estados Unidos já há pressão para racionalizar custos e algumas restrições ambientais penalizam quem não pensa de forma sustentável. Aqui, como não temos essa pressão, ninguém sai da zona de conforto. Mas não podemos esperar que o problema de infraestrutura seja resolvido, é preciso começar a pensar agora em corredores sustentáveis”, afirma Botter.