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Estudante da Poli é aplaudida de pé em Brasília, durante a cerimônia do Programa Ciência sem Fronteiras

A estudante da Escola Politécnica da USP, Débora dos Santos Carvalho, foi aplaudida de pé ao terminar seu discurso na cerimônia de apresentação dos resultados do Programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, realizada ontem (26/6), em Brasília. “Nasci para contrariar estatísticas: nasci mulher, negra e pobre”, disse ela, descrevendo sua trajetória de estudante de uma escola pública da periferia de Porto Alegre ao curso de mestrado na Alemanha.

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Filha de um caminhoneiro e de uma secretária, Débora sempre estudou em escola pública. Depois do ensino médio, fez curso técnico em química. Em 2006, concluiu a primeira graduação em Tecnologia em Automação Industrial na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Ingressou na Poli, em 2009, por meio do processo seletivo de portador de diploma para a única vaga disponível. Na Poli, fez iniciação científica, orientada pelo professor Mario Thadeu Lemes de Barros, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental.

Ingressou no Programa Ciência sem Fronteiras em 2012 por meio do qual fez mestrado na Universidade Técnica Academia de Montanha Freiberg, na Alemanha. Em sua dissertação de mestrado, Débora realizou uma pesquisa sobre química dos solos, na qual analisou mais de 800 amostras do solo europeu e brasileiro, e os locais mais adequados para agricultura.

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“A Débora nos comoveu com sua história de sucesso e superação: pobre e bonita, inteligente e capaz”, disse a presidente, fazendo coro com as diversas autoridades presentes no evento, a exemplo da presidente da Petrobras, Graça Foster, e de um ministro da Alemanha, Claudius Fischbach.

Os elogios estavam à altura de Débora que, além da capacidade de superar todos os desafios, tinha que trabalhar em paralelo aos estudos durante o ensino médio. “Estudava de manhã, trabalhava à tarde e fazia cursinho à noite”, lembrou. Ainda arrumou tempo para fazer cursos de línguas. Débora fala fluentemente alemão, francês, italiano e inglês. “Estou muito emocionada, valeu a pena o meu esforço para superar os obstáculos, sem desanimar diante das inúmeras portas que se fecharam”, disse. A capacidade de superação de Débora parece não ter limites. “Sonho em trabalhar na ONU, ajudando os países a resolver problemas com recursos hídricos”. Alguma dúvida de que ela vai conseguir?