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Projeto da Poli/USP é o primeiro trabalho brasileiro a receber prêmio internacional do IFORS

Modelo matemático criado sob orientação do professor Claudio Barbieri reduziu o tempo de atendimento do SAMU de 30 para 10 minutos.

            Uma equipe de pesquisadores brasileiros da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) foi a vencedora do prêmio IFORS Prize for OR in Development 2014, da IFORS (International Federation of Operational Research Societies). Trata-se do mais importante congresso internacional da área, que reuniu mais de 2.600 pesquisadores e acadêmicos de 74 países em Barcelona, Espanha, no início do mês de julho. Um corpo de dez jurados, composto por alguns dos mais renomados especialistas, selecionou o melhor trabalho com aplicação prática de sofisticados modelos matemáticos em países emergentes e em desenvolvimento.

O trabalho foi orientado pelo professor Cláudio Barbieri da Cunha, do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli, e pelo seu ex-orientado de mestrado e atual aluno de doutorado, Luiz Andrade. Eles desenvolveram um modelo matemático inovador, inspirado no comportamento de uma colônia artificial de abelhas, para analisar e otimizar a complexa estrutura de funcionamento do SAMU da cidade de São Paulo, com mais de 140 ambulâncias, e agilizar seu atendimento.

            Com o modelo, o tempo médio de atendimento caiu de mais de 30 minutos para 10 minutos. No estudo, Barbieri e Andrade consideraram variáveis como trânsito, necessidades de ambulâncias para cada base que variam ao longo do dia, e ainda o uso das bases móveis. “A saída mais óbvia para reduzir o tempo de atendimento seria a aquisição  de mais ambulâncias, mas havia dúvida se isso realmente resolveria o problema e qual o número ótimo de ambulâncias”, conta. Existia ainda a desconfiança de que as bases não estariam bem posicionadas.

            Para responder essas e outras perguntas, a dupla montou um algoritmo inspirado na inteligência coletiva de uma colmeia de abelhas a fim de encontrar uma solução para esse problema, com milhões de combinações possíveis. Foram, então, analisados dados de trânsito e epidemiológicos da cidade de São Paulo e a complexidade do deslocamento de uma ambulância. “Estudamos a realocação de ambulâncias, pois algumas regiões da cidade poderiam precisar de mais viaturas durante o dia, mas não à noite”, diz o professor.

            No trabalho, os engenheiros concluíram que existe uma real vantagem em utilizar as bases móveis. Além da flexibilidade de realocação, elas requerem menos investimentos e permitem superar possíveis dificuldades na instalação de uma nova base fixa – uma boa localização pode custar caro em aquisição de terreno e reforma de prédios. “Os resultados nos mostraram que não era preciso comprar mais ambulâncias e que a base móvel faz parte da solução, por ser mais barata e proporcionar flexibilidade”, diz Barbieri.

            Finalizado em 2012, o trabalho foi apresentado somente este ano no Congresso do IFORS porque o congresso mundial acontece apenas a cada três anos. Esta foi a primeira vez que uma equipe brasileira, trabalhando dentro de uma instituição também brasileira, venceu a premiação. “Esse é um prêmio importante, porque reconhece os trabalhos de relevância no contexto do desenvolvimento e originalidade da metodologia”, explica. Foram 25 trabalhos inscritos, sendo que oito foram selecionados para a fase final de apresentação no evento, com instituições do Chile, China (4), Índia e das Filipinas, todos com temas relevantes, como combate a incêndios, salvamento em desastres como terremotos, entre outros.