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Estudantes da pré-iniciação científica da Poli apresentam seus projetos

Eles passaram um ano na Poli/USP estudando conceitos básicos de engenharia; nova turma já foi selecionada

Na última sexta-feira (5/12), os 25 alunos de escolas públicas que participaram durante todo o ano do Programa de Pré-Iniciação Científica oferecido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) apresentaram seus projetos numa cerimônia de encerramento. O evento contou com a presença do diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira; da vice-diretora, Liedi Bernucci, e do CEO da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), André Steagall Gertsenchtein, além de vários docentes da Poli, alunos e professores das escolas públicas participantes.

“Eu sou de uma família de classe média de Sorocaba, saí da escola pública para a universidade pública. Nunca fiz cursinho. Sei que os tempos são outros. Mas podemos e vamos mudar o perfil do estudante brasileiro, tornando-o um estudante de ponta, de primeira linha”, ressaltou Piqueira.

Gertsenchtein, que também foi aluno da Poli, diz que mesmo nos tempos de estudante sentia falta de alunos da escola pública na faculdade. “Eu me perguntava: cadê o pessoal das públicas? Cadê aqueles que realmente precisam da universidade pública? Então, estamos aqui para dizer a vocês que é possível entrar na USP saindo da escola pública”, complementou. A FDTE entrou no programa em 2012, apoiando os alunos das escolas públicas com bolsas.

O projeto da Escola Politécnica faz parte de uma iniciativa maior: o Programa de Pré-Iniciação Científica da USP, criado pela Pró-Reitoria de Pesquisa com o objetivo de despertar e incentivar o interesse de estudantes da rede pública de ensino. Isto se dá mediante o acompanhamento de atividades e convivência, seguindo procedimentos e metodologias adotadas em pesquisa científica nas diversas unidades da Universidade. A Poli participa dessa iniciativa desde o seu início, em 2007.

Divididos em quatro grupos, os estudantes realizaram ao longo do ano diversas atividades práticas e teóricas. Cada grupo foi coordenado por um professor e pesquisador da Poli: Diolino José dos Santos Filho, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR); Cheng Liang Yee, do Tanque de Provas Numérico (TPN), e Mercia Maria Semensato Bottura de Barros, da área de Materiais e Tecnologias de Construção, ambos do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC); e Edvaldo Simões da Fonseca Junior, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR). Os alunos passaram seis semanas com cada professor.

“Passamos seis semanas com eles, e depois só os reencontramos aqui no encerramento. É maravilhoso ver o quanto evoluíram, não só na questão da aquisição de conhecimentos, mas também na desenvoltura para falar em público e para trabalhar em grupo, uma dificuldade inicial com a qual quase todos têm de lidar”, afirma a docente Mercia Maria Semensato Bottura de Barros.

No encerramento do programa, dois grupos apresentaram protótipos: um pequeno robô seguidor de linhas, montado com um kit Lego Mindstorms, e uma cadeira-escada, feita com uma impressora 3D. Outros dois se incumbiram de explicar os conceitos relativos ao uso de sistemas binários e de materiais e tecnologias de construção civil.

Novas perspectivas – Oriundos de quatro escolas públicas da grande São Paulo, os adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos, mostraram-se empolgados com o aprendizado e muitos estão decididos a voltar para a Poli. “Nós não temos somente o direito de estar aqui. Temos a missão de voltar algum dia”, resume o estudante Jorge Alberto Vieira de Oliveira, da Escola Estadual Santo Dias, em Interlagos, zona sul da capital.

“Eu me apaixonei por mecatrônica e me encontrei aqui, pois agora consigo entender as coisas ao meu redor. Estou indo para o terceiro colegial e estou focada. Quero voltar para cá. Agora não tem mais internet, não tem mais balada, é só estudar para voltar”, afirmou Lizandra Ferreira, estudante da Escola Estadual  José Marcato, em Diadema (SP).

Para o professor que química da Escola Estadual Santo Dias, Luiz Tadeu Juvenal, a presença de alunos seus na Poli já mudou a configuração da escola. “Hoje, os alunos que vêm para cá são monitores na escola. Somos a única escola estadual de São Paulo que tem um curso de robótica ministrado pelos próprios alunos. Este ano, tínhamos 12 alunos aqui dentro da Poli. São multiplicadores. Ano que vem, quatro desses 12 já serão monitores”, resume Juvenal, que com uma câmera e um tripé (equipamento próprio) filmou orgulhoso a cerimônia.

Alunos já selecionados para a turma de 2015 também estiveram presentes ao evento. “Acredito que vou me superar aqui, e espero alcançar minhas metas. Não sei se engenharia será minha futura profissão, mas quem sabe aqui dentro eu descubra o que quero realmente fazer”, diz Thainá Moizés Resende, da Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira, também em Diadema (SP).