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Palestras na Poli/USP trazem debate sobre a crise hídrica de São Paulo

Workshop “A Gota D’água” contou com especialistas renomados e público de alunos do primeiro ano de engenharia

Por Bruna Rodrigues ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Os moradores da Região Metropolitana de São Paulo aprenderam a conviver com a possibilidade da falta de água durante todo o ano de 2014. Com a diminuição constante dos níveis de seus principais reservatórios, e a frequente questão sobre possíveis rodízios e racionamentos, os paulistas tiveram que se acostumar a ver a água como um recurso finito.

Com o intuito de promover um debate acerca desta crise, no dia 10 de abril, na Escola Politécnica da USP, foi realizado o Workshop “A Gota D’água”. Organizado por alunos do primeiro ano, contou com palestrantes renomados que ao longo do evento trouxeram possíveis alternativas para a captação d’água e formas de minimizar o impacto causado pelo seu uso e descarte indevido.

 O workshop foi aberto pela exposição de Ivanildo Hespanhol, professor da Poli/USP e Diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA) da USP. Com a temática da conservação e reúso da água como instrumentos de gestão, Hespanhol destacou a pequena porcentagem de todo esgoto produzido da Grande São Paulo e que é tratada, cerca de apenas 24%, segundo ele. Desse modo, “o sistema de gestão de São Paulo é absolutamente insustentável. Não temos condições de gerar mais esgoto do que poderemos tratar”, afirmou. Assim, ele declarou que o reúso deste recurso é imprescindível, contudo, essa prática ainda é incipiente no Brasil.

A segunda palestra contou com a presença do arquiteto e urbanista Renato Tagnin. Ele expôs como os recursos hídricos sofreram danos ao longo do desenvolvimento urbano irresponsável da Região Metropolitana de São Paulo.

Tagnin reforçou em seu discurso que a escassez de água é um problema muito complexo, e envolve todos os setores da sociedade, desde a agricultura, com o seu uso excessivo de agrotóxicos até o desmatamento indiscriminado de regiões de matas ciliares – cobertura vegetal que fica em torno de rios, lagos, igarapés. “A tecnologia não vai substituir os processos naturais”, complementa.

O professor da Escola Politécnica José Carlos Mierzwa foi o terceiro a se pronunciar no evento. Ele trouxe para o debate as opções para minimizar os riscos associados à escassez hídrica na Região Metropolitana de São Paulo. Logo no início, o docente deixou claro que a disponibilidade de água nesta região é muito abaixo do limite de escassez, e que parte da população não sente esse fato por conta da engenharia e as melhorias propostas por ela.

Contudo, como Mierzwa afirma, “se tivéssemos uma abordagem de engenharia e tratamentos diferentes, essa crise não seria tão grave assim”, evidenciando a falta de planejamento nos grandes centros urbanos e o quão esse fator evidenciou essa escassez. Para ele, ações que reduzam o consumo de água, a utilização de tecnologias recentes e o desenvolvimento de uma política de reúso são imprescindíveis para que este problema não só seja minimizado, como também não passar pela falta de água novamente.

O também professor da Poli/USP Ruben La Laina Porto foi o último a expor seus argumentos no workshop. Segundo Porto, não havia como prever a existência desta crise, a pior desde a década de 1950. Ele apontou que a diminuição do consumo foi muito importante para enfrentar a falta de água durante o ano de 2014, e elege esse ponto como essencial para enfrentar essa situação na qual a Região Metropolitana de São Paulo vive.