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Marinha apresenta oportunidades de parceria em pesquisa e inovação na Poli-USP

Como parte do ciclo de palestras em comemoração aos 150 anos da Batalha Naval do Riachuelo, data magna da Marinha brasileira, a Marinha organizou o seminário “A Ciência e o Mar no Século 21” ontem (16/6), no Auditório Professor Francisco Romeu Landi, na Escola Politécnica da USP. Na ocasião, foram apresentadas diversas oportunidades e desafios em pesquisa e inovação para o setor, com destaque para o programa de desenvolvimento e construção do primeiro submarino movido a energia nuclear brasileiro.

Participaram do evento cerca de 70 pessoas, entre civis e militares, alunos, docentes e pesquisadores. O vice-almirante Wilson Pereira de Lima Filho, comandante do 8º Distrito Naval da Marinha, abriu o seminário. Ele falou sobre os desafios que o País enfrenta no setor, como a continuação da alocação de recursos para implementar a Estratégia Nacional de Defesa, desenvolver a mentalidade de defesa marítima e aprimorar meios e mecanismos de fiscalização.

Segundo ele, o Brasil precisa ainda promover o desenvolvimento de indústria brasileira de defesa. Lima Filho acrescentou que é preciso haver políticas de valorização do profissional militar e consolidar o princípio de que a missão das Forças Armadas está relacionada à defesa da Pátria, sendo as outras tarefas secundárias, apesar de importantes, caso da atuação junto à Defesa Civil e em questões de segurança como apoio para as forças policiais.

O contra-almirante Luciano Pagano Júnior, superintendente e diretor técnico da empresa estatal Amazul S.A., pertencente à Marinha, enumerou as oportunidades existentes em cooperação em pesquisa e inovação no programa de desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro.

O projeto brasileiro não prevê que o submarino seja equipado com armamento nuclear (submarino nuclear balístico). O submarino brasileiro foi adquirido da França, mas sem a parte do reator, pois é uma tecnologia estratégica e não exportada pelos países que a dominam. A Marinha é responsável por desenvolver e implantar o reator no submarino nacional. Parte das atividades está em seu Centro Tecnológico situado no campus da USP, no Butantan, e outra parte em Iperó/Aramar, perto de Sorocaba, no interior paulista. A expectativa é de que ele seja concluído até 2025.

Um submarino nuclear pode ficar mais tempo submerso do que um convencional. Com isso, ele permanece mais tempo longe da superfície, o que é fundamental para a sobrevivência da embarcação, dos militares e para que ele seja bem sucedido em sua missão. Além disso, o propulsor nuclear é muito mais veloz do que o convencional. Apenas Rússia, China, Reino Unido, França e EUA têm submarinos nucleares. A Índia construiu um, mas ainda não é operacional.

A propulsão nuclear – reator e combustível – é razoavelmente desenvolvida, mas não está completa. Isso demanda mais pesquisa e testes, feitos em Aramar, onde estão sendo construídas as infraestruturas necessárias. Segundo Pagano Júnior, há oportunidade para engenheiros civis, já que há prédios que precisam ser à prova de terremotos e tornados. “Há poucos no Brasil atuando no desenvolvimento de projeto para área sísmica”, contou.

Há também parcerias possíveis entre academia e empresa para pesquisas envolvendo todas as etapas do ciclo do combustível – prospecção, mineração, conversão, e enriquecimento isotópico –, em circuito termohidráulico, para a unidade de conversão. Há também o projeto da base naval do submarino nuclear. “A parte nuclear da base é complexa, envolve uma estrutura que vai abrigar atividades como a troca de um combustível, extremamente radioativo, que precisa ser colocado em piscina que não pode desmoronar”, explicou.

Há oportunidades para outras especialidades, como advogados. “Temos um projeto com apoio da FDTE [Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia] em que buscamos especialistas, por exemplo, em análise de segurança.” A Marinha também está envolvida no projeto da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de construção do reator multipropósito, que servirá para produção de radiofármacos, testes de combustíveis nucleares e materiais, ensino e pesquisa. Há um grande interesse da Marinha também por projetos de extensão, usados para capacitar recursos humanos.

O seminário terminou com uma apresentação sobre “A Marinha e as Ciências do Mar”, do capitão-de-corveta Márcio Borges Ferreira, doutorando do Instituto Oceanográfico da USP. Ele destacou as operações e interesses da Marinha no que se refere ao continente antártico.