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Universidade Pública vira realidade para egressos do Pré-IC da Poli-USP

Ex-alunos do Programa de Pré-Iniciação Científica da Poli/USP encontram nas instituições públicas incentivo e apoio para seguir carreira acadêmica

Desde 2007, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) participa do Programa de Pré-Iniciação Científica, criado pela Pró-Reitoria de Pesquisa, com o objetivo de despertar e incentivar o interesse de estudantes da rede pública de ensino pela pesquisa científica nas diversas unidades da USP. Na Poli, o programa já abriu as portas da ciência e da vivência acadêmica a inúmeros egressos de escolas estaduais para quem um curso universitário em uma instituição pública parecia algo muito distante.

Um desses ex-alunos é Marco Antônio Gonçalves Júnior, hoje com 21 anos, estudante da Fatec. O garoto de Osasco, que estudou na EE Professor Pio Telles Peixoto, afirma que nem pensava em curso superior. “Meus pais não fizeram faculdade, e eu nunca tinha visto o ambiente universitário antes de pisar na Poli”, diz ele. “Ali eu fui muito bem recebido. Tive um apoio gigantesco de todos os professores”, relembra.

Depois do Pré-IC, Marco fez um curso técnico em eletrônica e conseguiu uma vaga no cursinho da USP (ACEPUSP), no qual os alunos só pagam R$ 25,00 por mês. Entrou no curso de Tecnologia em Construção Civil na Fatec e conseguiu um estágio remunerado na Poli.  “O Marco tinha uma força de vontade que contagiava a todos. Tanto que todos o ajudavam. Ele saía da Fatec e vinha para cá, trabalhar comigo no laboratório”, conta a professora Mercia Bottura de Barros, uma das mentoras do Pré-IC na Poli desde o início e orientadora de Marco durante o tempo em que ele passou pela Escola. 

Motivado pela equipe da Poli a buscar novos horizontes, Marco ficou sabendo do Ciência Sem Fronteiras, programa do governo federal que possibilita a ida de estudantes brasileiros para outros países.  A Fatec ainda não aderira ao programa, mas ele correu atrás, e começou a aprender inglês. “Me inscrevi no curso de idiomas do Grêmio da Escola Politécnica da USP, o Poliglota, e com um ano desse curso eu consegui nota 5.5 no exame que eles pediam. Fui para o Northern Virginia Community College, nos EUA. Lá mesmo pedi transferência para outra universidade, a Milwaukee School of Engineering. Fiz uma graduação sanduíche e agora estou de volta para terminar a Fatec”, comemora Marco, reiterando: “Foi o Pré-IC que me abriu os olhos. Eu não tinha um plano para depois do ensino médio”. Ele agora quer fazer mestrado, e se possível doutorado no exterior.

A mesma meta tem William Apolinário de Paula, de 21 anos, que passou pelo Pré-IC da Poli entre 2011 e 2012 e hoje cursa Automação Industrial no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, em Cubatão. William tinha pecha de aluno problema onde estudava, a E.E Anecondes Alves Ferreira Silva, em Diadema (SP). “Eu era bagunceiro mesmo. Não ligava para os estudos. Fui parar na Poli quase que por acaso, fiz a inscrição depois de terminado o prazo e entrei porque alguém desistiu”, lembra ele. Lá, um mundo novo se abriu para o garoto.

“Quando o escolhi, vários professores me alertaram que ele poderia dar problema. Mas não deu. Infelizmente, alguns professores não acreditam nos meninos. O Pré-IC ajuda os próprios professores do Estado a ver os alunos de outro jeito. Precisamos só mostrar que eles podem, que são capazes”, resume Mariza Duarte Pereira, professora da E.E Anecondes Alves Ferreira Silva, que selecionou e supervisionou William durante seu percurso na Poli.

“Um dia, falando do conhecimento a que teve acesso, da disponibilidade dos professores, da infraestrutura, ele disse para mim: “nunca ninguém tinha me tratado assim”. E ele se referia à atenção que estava tendo. É incrível ver um menino desses se realizando, pensando em mestrado, doutorado”, diz Mariza. William, o único dos três filhos a cursar uma faculdade, diz que quer seguir carreira acadêmica. “Quero ser professor, ou pesquisador”.

Acadêmica Agência de Comunicação