Escola Politécnica da USP

usp.br

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Início Comunicação Notícias Arquivo de notícias “Design thinking é a capacidade de transformar insights em soluções”

“Design thinking é a capacidade de transformar insights em soluções”

Assim o engenheiro Luiz Borges, da 3M, definiu o tema central de workshop organizado pela Poli/USP nesta quarta (26); para Daniel Risi, da Samsung, é imprescindível entender o usuário e o negócio.

Dois cases bem distintos exemplificaram a importância do processo de desenvolvimento de novos approaches para os problemas do mundo globalizado durante o II Workshop de Design Thinking, realizado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) nesta quarta (26/8). O engenheiro de produto e desenvolvimento da 3M, Luiz Borges, salientou a cultura da inovação e a “polinização cruzada” entre as diversas divisões de uma empresa no desenvolvimento de soluções que, muitas vezes, vão além de produtos.  

            “Partimos de lixas, que eram os produtos originais da 3M no início, para 55 soluções – não chamo de produtos, porque alguns vão além disso, incluindo distribuição, entrega, treinamento. O design thinking é essa capacidade de transformar insights em soluções”, resume.

            Borges conta que recentemente uma montadora os procurou, pois tinha um problema com as portas de um determinado modelo veículo. Quando chovia, a água entrava, havia vazamento. “Montamos uma equipe multidisciplinar e desmontamos um carro. Chegamos a uma solução e fomos tão bem sucedidos que se decidiu que o produto que criamos seria usado já na montagem dos carros. Conseguimos colocá-lo nas revendas, treinar pessoal para usá-lo. A montadora até pensou em pedir ao concorrente que fizesse mais barato. Mas diante das soluções que entregamos, ela desistiu e ficou conosco. Se eu tivesse vendido só um produto, talvez não tivesse mantido o cliente”, diz ele.

            Segundo o engenheiro, a intuição e a observação das necessidades das pessoas ao redor também são fatores chave para o desenvolvimento de produtos exitosos. Ele cita exemplos emblemáticos, como o rolinho autoadesivo para tirar pelo da roupa. “Um dos nossos pesquisadores tinha problemas com pelo de gato. Sua ideia partiu de uma fita crepe, que ele ia colando e descolando da roupa para arrancar os pelos. Depois ele fez um protótipo que era um bloquinho, que tinha o mesmo princípio da fita crepe. Erra horrível. Quatro divisões diferentes trabalharam no projeto para que o produto chegasse a um formato e uma qualidade viáveis”, revela Borges.

            A própria fita crepe, um dos produtos mais conhecidos da 3M, tem uma história peculiar. Borges explica que quando começaram a ser produzidos carros bicolores nos EUA, um assistente de laboratório da empresa percebeu que as oficinas automotiva tinham imensa dificuldade de pintá-los, porque não tinham meios eficazes de isolar uma cor de outra. Faziam isso com adesivos, o que gerava retrabalho e comprometia o resultado. Em 1925, a empresa lançou a fita crepe.

            Duplo diamante – Para o user experience manager da Samsung do Brasil, Daniel Risi, design thinking é o conjunto intersecção entre o que é desejável, o que é possível e o que é viável. Ele cita a abordagem do duplo diamante, que inclui pesquisa e definição do produto (primeiro diamante), mais desenvolvimento e prototipagem (segundo diamante).

            “Os dois primeiros momentos de ambos os diamantes – pesquisa e desenvolvimento – são divergentes, ou seja: há muita informação, e a ideia é essa mesma. As etapas seguintes – definição do produto e prototipagem – são convergentes, isto é: é a hora de optar e selecionar”, explica.

            Risi cita a importância do debrief (consolidação da informação ) antes do compartilhamento, e reitera que entender o usuário é fundamental. “Temos um exemplo bom. Uma instituição queixou-se conosco que as máquinas de tomografia assustavam as crianças, que não queriam entrar de jeito nenhum. Então customizamos as máquinas e as salas de exames, para que fosse possível um trabalho de storytelling, então agora elas não entram mais numa máquina, entram em um barco, num mundo encantado”, relata.

Acadêmica Agência de Comunicação