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Aluno da Poli-USP propõe gaseificação de resíduos sólidos para município de Itanhaém

Projeto pode ser replicado em outras cidades litorâneas e de pequeno porte. Tecnologia usa lixo para produzir energia elétrica

O engenheiro ambiental Luiz Henrique Targa Gonçalves Miranda, aluno do Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica (PECE/Poli) da USP, desenvolveu um projeto de pesquisa no qual propõe a tecnologia da gaseificação de resíduos sólidos para o município de Itanhaém, localizado no litoral sul de São Paulo. O projeto acaba de conquistar o primeiro lugar no concurso de monografias Eco_Lógicas, promovido pela Organização Latino-Americana de Energia (Olade) e pelo Instituto Ideal.

A Olade é entidade internacional, criada em 1973, e que reúne 27 países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil. Já o Instituto Ideal, criado em 2007, é uma organização privada sem fins lucrativos que atua na promoção de energias renováveis e de políticas de integração energética na América Latina. O trabalho vencedor foi desenvolvido sob orientação da professora doutora do PECE, Suani Teixeira Coelho, do Programa de Pós-Graduação em Energia do Instituto de Energia e Ambiente da USP (PPGE-IEE), do Programa Integrado de Pós-Graduação (PIPG) em Bioenergia (PIPG/Bioenergia/USP/Unicamp/Unesp), e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioenergia/GBIO, antigo Cenbio.

No projeto, que conquistou o primeiro lugar na categoria eficiência energética do Eco_Lógicas, Miranda estudou o problema da destinação dos resíduos sólidos na cidade de Itanhaém, considerada de pequeno/médio porte. O município destina o seu resíduo urbano a um aterro localizado em Mauá, o que gera grandes gastos para a prefeitura, por causa do deslocamento de 110 quilômetros por viagem (distância entre o aterro de Mauá e a estação de transbordo de Itanhaém). Além de discutir a questão do destino final do lixo urbano da cidade litorânea, a pesquisa de Miranda oferece uma alternativa para o problema energético vivido atualmente pelo País.

O Brasil tem, hoje, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga as cidades a encontrar uma solução para a destinação final do lixo que não seja o aterro, e a eliminar os lixões. “Na minha pesquisa, eu avaliei a cidade, quanto ela gera de resíduos, as características dos resíduos gerados e quais as tecnologias disponíveis para aproveitar o resíduo urbano para gerar energia, encontrando solução para dois problemas que as cidades enfrentam hoje – o que fazer com o resíduo e como encontrar fontes alternativas de geração de energia”, explica.

Para escolher a melhor alternativa para o aproveitamento energético do lixo em Itanhaém, Miranda pesquisou o tipo de resíduos e a quantidade de lixo gerado diariamente na cidade. A maior parte é de matéria orgânica (75% do total). A geração per capta diária do município está em torno de 0,80 kg de resíduos. Diante desse perfil, Miranda apresentou como solução mais adequada para o município de Itanhaém o uso da tecnologia de gaseificação.

Gaseificadores são reatores capazes de transformar um resíduo sólido em um gás combustível, por meio de várias reações termoquímicas. Há vários tipos deles. Em seu projeto, Miranda propõe o uso de gaseificadores de leito fluidizado circulante, no qual o ar atmosférico (contendo oxigênio-agente de gaseificação) é insuflado por baixo da tela da câmara de combustão e o insumo a ser gaseificado (resíduo, biomassa, carvão etc) é inserido por um sistema de válvulas e rosca-sem-fim na região superior a da entrada de ar. Este mistura de combustível e areia presente no leito fica em suspensão dentro do equipamento, lembrando, assim, um fluido. Essa tecnologia é vantajosa porque é possível usar gaseificadores de pequeno porte, ideal para locais que produzem quantidades pequenas de lixo.

Pela sua proposta, a gaseificação do lixo de Itanhaém geraria energia elétrica capaz de abastecer 4.730 residências. Se for considerada a existência de quatro pessoas por residência, atenderia 18.935 moradores do município, para o ano de 2014. Esse valor representa 22% da população da cidade.

“Esse estudo poderia ser replicado para diversos outros municípios ou até servir de base para a elaboração do plano de gestão, já que, seguindo esta classificação, dos 5.561 municípios existentes no Brasil, 5.037 são considerados como pequeno porte”, destacou ele na monografia que conquistou o prêmio Eco_Lógicas.

O concurso

Lançado em 2008, o Eco_lógicas é um incentivo para a pesquisa no setor energético. Além de Miranda, também foi premiada a estudante mexicana Dulce Cristal Becerra Paniagua, na categoria energias renováveis. Ela desenvolveu um sistema autônomo de emergência móvel para purificar água, sob a orientação do professor Joel Pantoja Enríquez, na Universidade de Ciências e Artes de Chiapas. Os dois estudantes vencedores receberam um prêmio de US$ 15 mil e seus professores-orientadores de US$ 10 mil cada um.

O concurso reuniu trabalhos de nove países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Entre os critérios dos avaliadores na seleção dos trabalhos, foram considerados método, relevância do tema e qualidade da redação. As monografias serão reunidas em livros em português e espanhol, distribuídos a bibliotecas de todo o território latino-americano e caribenho.

Formação continuada na Poli

Luiz Henrique Targa Gonçalves Miranda apresentou seu trabalho sobre Itanhaém como conclusão do curso de Energias Renováveis, Geração Distribuída e Eficiência Energética, coordenado pelo professor da Poli Jose R. Simoes-Moreira. O PECE foi criado em 1973 com o objetivo de difundir o conhecimento da Poli junto ao setor produtivo, oferecendo formação altamente qualificada para os mais de 30 mil profissionais que já passaram pelos seus cursos ao longo dos anos. Mais informações sobre o programa no site http://www.pecepoli.com.br/.

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