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Professor da Poli lança livro sobre o trabalho como protagonista

Baseado em sua tese de livre docência, a obra de Laerte Idal Sznelwar discute inquietações que sintetizam sua carreira acadêmica

O professor Laerte Idal Sznelwar, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, acaba de lançar o livro “Quando Trabalhar É Ser Protagonista e o Protagonismo do Trabalho”, pela editora Blucher. Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas, o professor completou sua formação acadêmica no Conservatoire National des Arts et Metiers, especializando-se em Ergonomia, e possui experiência também na área de Saúde do Trabalhador e Psicodinâmica do Trabalho, sendo integrante do Grupo de Pesquisas do Trabalho, Tecnologia e Organização do Trabalho (TTO) da Poli-USP.

O livro discute a importância do trabalho para os indivíduos, como um meio de realização pessoal, e também a relevância do trabalho para a produção e para a construção da cultura, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade. Laerte comenta que o ideal a ser buscado é que o trabalho seja sempre algo desafiador, que propicie condições para que os sujeitos se desenvolvam enquanto pessoa e profissional, e não o contrário, o trabalho deve permitir o desenvolvimento da subjetividade e isto vale tanto para o nível individual, como para o coletivo. Há, portanto, uma responsabilidade das empresas e das instituições em conceberem os cargos de modo a favorecer este posicionamento. “A ideia é que ninguém deveria ter um trabalho que não lhe dê condições para se realizar profissionalmente, que não lhe dê condições para reforçar sua identidade como pessoa, e isso está sempre em relação com o coletivo. A ideia é do protagonismo, uma vez que nosso olhar parte de nós mesmos e que o mais importante para cada um é ter reconhecido o seu esforço para dar conta do que precisa fazer”. O professor ressalta que as pessoas, em princípio, são motivadas para trabalhar e gostariam de desenvolver algo interessante, desafiador. Dependendo do tipo de trabalho, a desmotivação, seguida de sofrimento e desolação, podem prevalecer.

O conceito do ‘protagonismo do trabalho na produção’, proposto pelo autor, parte do princípio de que não há produção sem trabalho. “Hoje em dia se fala muito em gestão, mas não se discute o trabalho. E no final das contas o que faz tudo é o trabalho, mesmo a atuação do gestor é trabalho. É como as pessoas se engajam, dão de si para produzir alguma coisa. Mesmo se houver automatismos, para que existam e continuem a funcionar, há sempre alguém que o criou e quem vai controlá-lo. Isto é, o trabalho vivo que produz!”, ressalta.

O professor considera que a ideia de se tirar de foco a questão do trabalho é muito perigosa social e culturalmente, pois pode dar a ideia de que as coisas simplesmente caíram do céu. “Sempre há trabalho, não importa de quem seja, qual o nível hierárquico ou a profissão. Este é o outro lado dessa discussão. Se continuarmos nessa linha que seguimos, o tema trabalho acaba desaparecendo. O risco maior é de considerar as pessoas como coisas, como partes de um mecanismo, reificando-as, portanto”.

“A tentativa de toda a minha vida profissional esta centrada na compreensão do que é o trabalho e dar a ele o devido lugar”. Para Laerte, observando as contribuições da Ergonomia da atividade e para a Psicodinâmica do Trabalho, fica clara a centralidade do trabalho tanto na vida das pessoas, como para a sociedade como um todo. “Essas duas disciplinas estão voltadas não apenas para compreender o que se passa, mas sobretudo para favorecer ações transformadoras. Esse discurso é baseado em muitas pesquisas, sejam elas com minha participação, sempre contando com a cooperação de outros pesquisadores da USP e de outras escolas brasileiras, assim como a de colegas de outros países, que demonstram a centralidade do trabalho”.

Quanto à engenharia, o professor comenta que o engenheiro tem um papel fundamental porque, a partir da sua própria atuação profissional, ele exerce uma significativa influência muito grande sobre o trabalho dos outros. Por outro lado, deve ficar claro que tratam-se de profissionais que também trabalham, sem importar o cargo e o nível hierárquico. “É muito importante o profissional de engenharia tenha, tanto no seu aprendizado dentro da escola como fora, que aquele outro que está trabalhando com e para ele não é uma coisa, mas um sujeito, tanto quanto ele. E este conceito serve também para os administradores. Ao final das contas, os mesmos desejos e anseios que eu tenho, não importa a profissão, qualquer outra pessoa do mundo também tem”.

O livro pode ser acessado gratuitamente pelo site http://openaccess.blucher.com.br/article-list/protagonismo-trabalho-280/list#event