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Alunos da Poli Santos criam cursinho pré-vestibular gratuito

Com o objetivo de incluir estudantes de baixa renda da cidade de Santos nas principais universidades do Brasil, os alunos de engenharia de petróleo da Escola Politécnica da USP fundaram o Cursinho Pré-vestibular AtuaMente (CPVAM), que será oferecido a partir de 2016. As aulas serão ministradas à noite, de segunda a sexta-feira, no campus de Santos da USP, que fica no antigo Colégio Cesário Bastos, no encontro das avenidas Ana Costa e Rangel Pestana. O curso de Engenharia de Petróleo é oferecido em Santos desde 2012, tendo sido transferido para atender as demadas do pré-sal. No último ano, quase 10% dos alunos ingressantes no curso de Engenharia de Petróleo, que oferece 50 vagas anuais, estudaram em cursinhos populares.

O projeto foi idealizado por um grupo de quatro estudantes do curso de engenharia de petróleo da Poli Santos, que contaram com o apoio da direção da Escola e da coordenação pedagógica local. Fernando Rocha, um dos fundadores, acredita que o ensino superior público ainda é privilégio daqueles que puderam financiar o ensino fundamental e médio nas melhores escolas particulares do país. “Foi pensando justamente em reverter esse quadro, promovendo inclusão, igualdade de oportunidades e democratização do ensino, que o cursinho foi criado”. O futuro engenheiro ainda ressalta que, com toda a infraestrutura de professores e laboratórios que a USP oferece aos seus alunos, investida diretamente pela sociedade paulista, “nada mais justo e correto do que dar o devido retorno”. A estudante Letícia Castro conta que o desinteresse dos alunos pelos estudos e o aumento dos casos de indisciplina e violência nas escolas sempre a preocuparam, e que ela vê no cursinho popular uma forma de acreditar nas ideias e no potencial dos jovens. “O ensino ajuda as pessoas a entenderem seus direitos. Eu vejo nessa nova oportunidade mudanças nesses padrões, vejo que estamos criando a incrível responsabilidade de realizar e concretizar sonhos”.

Para estes jovens, ajudar a concretizar sonhos é facilitar o acesso de alunos de escolas públicas nas melhores universidades do país. A estudante Raíssa Toledo afirma que incentivar a educação é alimentar um sonho, é cultivar esperança. “Como sou oriunda de uma escola pública e fui participante de um projeto social que me permitiu, hoje, estar numa instituição como a USP. Acredito que é meu dever com a sociedade e comigo mesma propiciar a outros jovens aquilo que me foi propiciado, o direito de sonhar não apenas com uma vaga na universidade, mas com a possibilidade de um futuro melhor”.

Caroline Nascimento dos Santos estudou no cursinho do Grêmio Politécnico, organização estudantil da Poli-USP em São Paulo que oferece aulas gratuitas com material didático de ponta, professores treinados e plantões de dúvidas. A estudante, que engrossa as estatísticas de calouros da Poli que estudaram em cursinhos populares, conta que por ter recebido a ajuda de muitas pessoas, da indicação do cursinho do grêmio à dedicação para passar no vestibular, hoje a jovem quer retribuir para o cursinho, o grêmio, os professores e para a sociedade tudo o que recebeu. Caroline conta que o engajamento social dos seus colegas de curso, que desenvolvem diversos projetos sociais no mais novo campus da Poli Santos foi crucial para o projeto iniciar. “Não quero ser mais uma, se alguém me estendeu uma mão algum dia eu deveria mostrar para aqueles jovens de Santos que alguém poderia estender a mão pra eles, e que eles tinham chance sim de estar na melhor universidade da América Latina”, conclui.