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Professor João José Neto: 24 anos de “PCS” e mais um pouco

Por Carolina Marins | Jornalismo Júnior

Apesar de ter nascido em 1991, o Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Escola Politécnica da USP possui uma história mais longa, e o professor João José Neto é um personagem fundamental dela. Presente no departamento desde antes de sua criação, ele presenciou toda sua mudança e participou de projetos importantíssimos, como o do primeiro computador do Brasil, por exemplo.  

Conhecido como Patinho Feio, o primeiro computador brasileiro foi um projeto do Laboratório de Sistemas Digitais (LSD), pai do PCS. A principal contribuição do professor no projeto que chamou de sua "pupila" foi a realização do software, fazendo "a máquina falar", em suas palavras. O nome do projeto se deu em alusão ao trabalho semelhante que a Unicamp realizava para a marinha, que se chamava O Cisne Branco. Porém, a USP saiu na frente e o desenvolveu primeiro. Apesar da competição que se dizia ter na época, Neto conta o quanto não se importava em passar na frente da universidade, pelo contrário, acredita que teria sido mais proveitoso a USP e Unicamp terem se unido.

Desde o seu início, o departamento viu grandes mudanças, tanto em seus cursos quanto no perfil de seus alunos. A grade do curso de computação mudou três vezes, sendo que a última mudança ainda está em andamento (EC-3). Neto explica que o avanço das tecnologias é a principal causa dessas modificações frequentes. "O conhecimento vai aumentando a cada ano que passa. Chega uma hora que não cabe mais, então você é obrigado a cortar alguma coisa ou a dividir o curso em dois, por exemplo. Não significa, obrigatoriamente, nem evolução e nem involução. É necessário para acomodar tudo dentro de 5 anos", conta.

Já falando sobre o perfil do alunos, o professor enfatiza a mudança do foco destes. Antes a busca pelo curso de computação se dava pelo aprendizado matemático, enquanto hoje os alunos se interessam mais pela parte tecnológica, deixando a matemática muitas vezes como segundo plano. Ele considera essa atitude ruim, pois acredita ser papel do curso não permitir que o aluno penda apenas para um dos lados, não podendo ficar sem base nem sem tecnologia. Nesse quesito, Neto aconselha a busca pelo equilíbrio e sempre se aperfeiçoar além da faculdade. "Não basta apenas a parte prática. Existe por parte das empresas, dos alunos e de muitos dos nossos colegas a tendência a supervalorizar a tecnologia em detrimento do fundamento, e isso é um negócio perigoso, não é sustentável".

O professor demonstra bastante orgulho com a relação entre o departamento e seus alunos. Há uma forte proximidade entre eles. Sempre é realizado o Workshop de Graduação em que, juntos, professores e alunos discutem e decidem coisas relacionadas ao curso. "É uma coisa importante. Os alunos e os professores têm um relacionamento bem próximo. Desde o começo, isso já e meio tradicional. Existem alguns departamentos em que o professor e o aluno estão longe, não se bicam, relacionamento de professor e aluno mesmo. Aqui a gente quebrou isso desde o começo. Desde o primeiro contato do aluno com o departamento tem recepção. O aluno tem que saber que os professores são amigos deles e não chefes", finaliza.