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Empresa de formados pela Poli está entre as mais atraentes para investidores

Ex-alunos da Escola fundaram a Nexxto, que desenvolve soluções para a gestão de ativos usando Internet das Coisas

Uma empresa fundada e gerenciada por formados da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) está entre as dez mais atraentes para investidores no Brasil. A Nexxto, de São Paulo, foi fundada por três engenheiros, dois deles politécnicos: o CEO Antonio Rossini, e o diretor de Marketing e Vendas, Lucas Almeida. A companhia apareceu em terceiro lugar como empresa mais interessante para os investidores no ranking da Wenovate, associação de grandes companhias que apoiam startups. Além dos politécnicos, é sócio fundador da empresa Matheus Costa, formado em Engenharia Elétrica pela Unicamp.

A Nexxto desenvolve soluções em Internet das Coisas, fazendo, em tempo real, sensoriamento, monitoramento, rastreamento e gestão de ativos e ambientes. Ela se destacou em terceiro no ranking ao passar pela análise de um grupo de 50 executivos de gigantes do mercado como Embraer, Natura, IBM e outras, e que avaliou 1.569 propostas de negócio de empresas nascentes de base tecnológica.

A empresa atualmente conta com quatro produtos, sendo o primeiro deles o ARTIS, um sistema de rastreamento e gestão em tempo real para ativos de TI em data centers. Um data center é formado, basicamente, por servidores, storages, switches. Uma empresa desse tipo, de porte médio, pode ter 10 mil equipamentos em seus ativos, cada um podendo custar R$ 50 mil ou mais. “São equipamentos portáteis, que têm alta mobilidade: ora está em um rack, ora em manutenção, ora em um cliente, então entra e sai equipamento o tempo todo”, explica Rossini.

Pensando nos problemas que a falta de controle desses ativos poderia acarretar para as empresas, desde prejuízos financeiros até a quebra de sigilo das informações em caso de extravio de um desses equipamentos, e no fato de que o controle manual é menos eficiente, menos ágil e mais caro, os politécnicos decidiram usar sensores RFID – identificadores de radiofrequência – e desenvolveram o ARTIS para fazer a gestão desses ativos, em tempo real, propondo uma solução inédita no Brasil. Com a tecnologia, é possível saber se um determinado equipamento está na empresa, em manutenção, em um cliente etc..

Com o passar dos anos, focando em internet das coisas, a Nexxto passou a projetar seus próprios sensores RF e ampliou o número de dados monitorados. Além da localização dos ativos dentro da empresa, o sistema, agora traz informações sobre o ambiente onde eles estão, como temperatura e umidade, e controla outros elementos, como portas de acesso às salas onde eles estão. Hoje, a empresa tem entre seus clientes a Equinix, a BM&F Bovespa e a UOL Diveo.

O desejo comum de empreender

Em 2008, Rossini, formado em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações, e Almeida, que cursou Engenharia Elétrica, com ênfase em Sistemas Eletrônicos, fizeram amizade nas aulas do Laboratório de Automação e Controle da Poli e compartilharam sua vontade de abrir uma empresa. No ano seguinte, com Rossini já formado, fizeram um curso de Finanças.

“Nós já trabalhávamos, mas decidimos nos reunir uma vez por semana na casa da minha namorada (atual esposa) para discutir, efetivamente, um negócio”, conta Almeida. Da enorme lista de ideias iniciais, fizeram uma primeira com 25 ideias, que depois foi reduzida para três, até chegarem à decisão final: desenvolver soluções usando RFID. Descobriram, então, uma aplicação interessante da tecnologia nos EUA – rastrear equipamentos de TI em data centers – e começaram a escrever um plano de negócios.

Um amigo da Poli entrou em contato com Rossini porque ia incubar uma empresa no Cietec, na USP, e queria um sócio. Eles não sabiam da existência da incubadora, e foram visitá-la, numa época que havia uma chamada em aberto para incubar novas empresas. Eles participaram do processo, com o objetivo principal de ‘testar’ o plano de negócios, ver se era consistente.

Aprovados na primeira fase, fizeram um curso de duas semanas ministrado pelo Sebrae para refinar o modelo, concorreram na segunda fase e foram aprovados. “Iniciamos em uma sala de seis metros quadrados e sem janela, mas a gente amava sair do trabalho e ficar lá até de madrugada, já nos sentíamos empresários”, recorda Almeida. Isso era novembro de 2010.

Investimentos e um novo sócio

A entrada no Cietec abriu um mundo novo. Descobriram que havia financiamento público para empresas nascentes no programa PIPE-Fapesp. Com apoio de um consultor, participaram do edital, conseguindo recursos para financiar a construção do leitor RFID. “Precisávamos, então, construir o software, e não tínhamos experiência nisso. O Lucas havia trabalhado com o Matheus, que tinha essa expertise. Apresentamos a ele nosso plano de negócios, mas não tínhamos nada a oferecer, exceto um pedaço da empresa”, afirma Rossini.

Uma semana depois, Matheus Costa já tinha se demitido do emprego em um banco de investimentos e estava pronto para começar. Usando recursos do próprio bolso, eles embarcaram para uma feira de RFID nos Estados Unidos. Tiveram contato com o estado da arte e, ao voltar ao Brasil, a boa notícia: haviam conseguido aprovar o projeto no PIPE-Fapesp. Mudaram para uma sala maior “e com janela”, brinca Rossini, conseguiram contratar um bolsista e comprar os equipamentos necessários para desenvolver sua solução.

Um consultor do Cietec sugeriu a eles uma apresentação para a Alog Data Center, atual Equinix. A primeira demonstração foi feita para um gerente de contas, que os colocou em contato com a gerência de inovação da empresa. Mais uma apresentação e foi pedido um detalhamento da tecnologia, dessa vez a ser discutida por toda a área de operações da Alog. “Montamos uma apresentação em Power Point completa, que simulava a nossa solução, porque nesse estágio a gente não tinha muito para mostrar, nem o software estava pronto”, recorda Rossini.

Depois dessa terceira apresentação, a Alog pediu que montassem um projeto-piloto. “Conseguimos mostrar que era possível fazer, em segundos, o inventário de um rack inteiro, que tem até 42 servidores. Manualmente, isso demorava, pelo menos, 20 minutos”, aponta. Saíram com a encomenda de apresentar uma proposta para instalar o sistema nos quatro data centers da empresa.

Porém, ao contrário do que os empreendedores imaginavam, não era apenas colocar um preço e assinar o contrato. Houve uma intensa fase de negociações em torno dos valores, e, em meados de outubro de 2011, eles sentiram a oportunidade escapando de suas mãos. Partiram para o “tudo ou nada”, marcando uma conference call com o responsável pela área de operações da Alog que durou cerca de quatro horas. Chegaram a um acordo de cinco anos, prevendo o aumento dos ativos monitorados. A venda marcou a graduação da empresa na incubadora, que, depois de 18 meses, deixou o Cietec para ocupar um escritório na Avenida Paulista.

O projeto foi bem sucedido e apresentado como case internacional para a Equinix, na Califórnia, que havia comprado a Alog. Também foi premiado no Desafio Brasil, competição entre mais de mil startups promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no fim de 2013, quando ganharam o treinamento de consultores para se preparar para o pitch, rodadas de apresentação promovidas por investidores de venture capital. Conquistaram, então, o apoio do fundo SP Ventures.

Dedicaram-se, em 2014, a fazer prospecção comercial e conversar com novos parceiros e investidores. No ano passado, entraram no segmento de internet das coisas, lançando uma nova solução para ativos e ambientes de qualquer espécie e que monitora outras variáveis além da localização, como temperatura, umidade, abertura e fechamento de porta, consumo de energia elétrica. Tudo em tempo real.

As inovações abriram oportunidade para novos mercados e a empresa se prepara para expandir suas operações para a América Latina, começando pelo Uruguai. Crise? “Temos um produto que resolve os problemas dos nossos clientes, temos planejamento, os melhores profissionais. Nossa perspectiva é dobrar de tamanho e multiplicar o faturamento cinco vezes até o fim do ano. Para nós, crise é sinônimo de oportunidade”, finaliza Rossini.