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Poli-USP discute desafios no compartilhamento de laboratórios e equipamentos

Objetivo do workshop é trazer sugestões para aprimorar o financiamento, gestão e funcionamento de laboratórios e equipamentos multiusários

Pesquisadores de várias unidades da Universidade de São Paulo e de outras instituições se reuniram nesta terça-feira (19/04), no auditório do Prédio da Administração da Escola Politécnica (Poli-USP), para participar do “Workshop de Pesquisa: Laboratórios e Equipamentos Multiusuários: Desafios e Oportunidades”. O objetivo do encontro, promovido pela Poli-USP, é levantar as demandas e gargalos para que essas estruturas consigam ganhar mais eficiência, convertendo a discussão realizada no evento em um documento propositivo, que preveja medidas concretas a serem aplicadas pelos próprios laboratórios, departamentos, pela universidade, de forma geral, e também pelos órgãos de fomento.

Mesmo em países mais desenvolvidos, é cada vez mais forte a tendência ao compartilhamento de infraestrutura para pesquisa, cujo resultado prático visível é a otimização de recursos financeiros e humanos. “Temos equipamentos que, em geral, são de alto custo de manutenção e que requerem recursos humanos qualificados para serem operados, e precisamos discutir a melhor forma de racionalizar seu acesso e gestão”, destacou o professor Antonio Mauro Saraiva, presidente da Comissão de Pesquisa da Poli-USP. A universidade paulista tem 113 laboratórios multiusuários, cinco deles na Poli.

Como destacou o professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, além de promover a otimização de recursos, a existência de laboratórios e equipamentos multiusuários é benéfica para o avanço científico. “Trata-se de um movimento de aproximação entre os diversos departamentos da nossa Escola e de outros, de fora da Poli, uma multicolaboração entre os pesquisadores que é fundamental para o avanço da ciência, base para a geração de riqueza e desenvolvimento do nosso País”, ressaltou.

Fapesp incentiva criação de laboratórios com perfil multiusuário

Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a  instituição vem apoiando esse tipo de estrutura desde meados dos anos 1990 no Estado paulista, e tem procurado incentivar a existência não só de equipamentos e laboratórios multiusuários, mas das chamadas facilities, locais onde se reúnem vários equipamentos multiusuários. “Queremos que sejam asseguradas as condições institucionais para que eles sejam, de fato, multiusuários. A instituição deve garantir que haverá infraestrutura física, de pessoal técnico e manutenção dos equipamentos, o aporte administrativo e de gestão”, completou.

A Fundação observou, ao longo dos anos, que muitos equipamentos eram adquiridos como multiusuário mas, na prática, isso não ocorreu. Empecilhos diversos podem dificultar a vida dos usuários, como não saber da existência do equipamento ou não conseguir agendar o seu uso porque a prioridade é dada a um determinado grupo ou pesquisador. Para evitar esses problemas, a Fapesp tem exigido, por exemplo, que laboratórios que tenham equipamentos multiusuários criem um Comitê de Usuários, formado por pessoas que utilizaram a infraestrutura e que possam dizer o que funcionou e não funcionou, e apresentem relatórios periódicos com esses apontamentos. “Estamos fazendo ajustes aos poucos no sistema para que essas estruturas operem realmente como multiusuárias, e que trabalhem de forma constante”, afirmou.

Recursos humanos e gestão são preocupações

Gerir laboratórios multiusuários ou facilities não é tarefa fácil. Além de cuidar de toda a parte burocrática da administração, é preciso disponibilizar para a comunidade as informações sobre equipamentos compartilhados, procedimentos e formulários para inscrição, agenda com datas livres para uso, preços e tipos de serviços disponíveis etc. A USP tem procurado dar apoio a esses laboratórios, segundo Sergio Akira Uyemura, assessor da Pró-Reitoria de Pesquisa, órgão responsável pelo programa de estruturas multiusuárias da USP.

Entre os instrumentos usados para isso está a oferta de modelos de página na Internet, e que contêm, inclusive, um sistema de agenda para reserva de equipamentos. A Pró-Reitoria de Pesquisa também está trabalhando para ajudar na definição dos valores e sobre como cobrar os serviços prestados pelos laboratórios, e oferece treinamento aos funcionários. Estão, ainda, procurando recursos extras em editais para a manutenção dos equipamentos multiusuários.

No workshop, ficou clara ainda a preocupação com a existência de recursos humanos qualificados não só para a parte de gestão, quanto para operação dos equipamentos multiusuários, de forma a ser possível atender uma demanda constante. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, a renovação do quadro de professores não foi acompanhada por um movimento semelhante no caso dos funcionários técnicos. “Tentamos compensar isso aumentando a captação de projetos nos grandes laboratórios. Contratamos uma equipe técnica por pool de projetos, e também temos uma parte de técnicos da própria universidade atuando, mas muitos deles estão próximos de se aposentar”, contou o professor Fernando Alves Rochinha, diretor de tecnologia e Inovação da COPPE-UFRJ.

O workshop da Poli foi concluído nesta terça-feira, com a apresentação de vários cases de laboratórios multiusuários, compartilhamento das experiências, discussão dos desafios, pontos positivos e gargalos. Essas discussões serão consolidadas futuramente na forma de um documento, que terá propostas para aprimorar o funcionamento dos laboratórios e facilities, que poderão subsidiar as discussões e definições de diretrizes para os próprios laboratórios, a Poli, a Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e, até mesmo, a Fapesp.