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Tecnologias propostas pela Poli para o desenvolvimento sustentável da mineração de ferro em MG

Ações constam de documento enviado para a Força Tarefa do governo de Minas Gerais, para tratar do problema decorrente do rompimento da barragem em Mariana

O Núcleo de Apoio de Pesquisa À Mineração Responsável (NAP-Mineração), sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), entregou ao governo de Minas Gerais um documento no qual aponta diversas oportunidades para o desenvolvimento sustentável da mineração de ferro no Quadrilátero Ferrífero. No trabalho, os pesquisadores sugerem que a Samarco desenvolva uma operação-piloto, introduzindo as inovações propostas pelo grupo.

Os pesquisadores pensaram em soluções que envolvessem o estímulo ao desenvolvimento local, a serem implementadas a partir da articulação entre os atores da tripla hélice – governo, academia e iniciativa privada, observando sempre o conceito de sustentabilidade nos seus três vetores: ambiental, social e econômica.

A primeira medida é a integração regional, na qual as atividades de mineração são pensadas levando em conta as possibilidades de integração com o ambiente do entorno. Essa abordagem já foi aplicada pelos cientistas em uma pequena mineradora localizada no Estado de São Paulo, cujo desmonte havia sido embargado pelo governo municipal, Ministério Público e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Paulista (Cetesb) por causa da grande proximidade ente a área de lavra e os moradores.

Para resolver o problema, os profissionais do NAP-Mineração estudaram a mineradora e propuseram um novo padrão de desmonte, que foi liberado para testes pelos órgãos reguladores dois meses depois de iniciadas as negociações. As multas atrasadas foram cobradas de outra maneira: a empresa se comprometeu a fornecer materiais da sua atividade por 48 meses para a prefeitura, gerar novos negócios e empregos na região e reduzir a quantidade de estéril a ser disposto.

Outra solução desenvolvida pelo núcleo de pesquisa abrigado na Poli-USP é um rejeitoduto, cujo conceito foi proposto para o Equador. Nesse caso, o projeto previa a captação de rejeitos de 70 pequenas mineradoras de ouro. As empresas direcionam os rejeitos por um duto principal de transporte, que leva o material para uma única estação de tratamento e barragem de disposição. A proposta para Minas Gerais é fazer o contrário: sair de uma única fonte e distribuir o material em várias regiões, ampliando as possibilidades de consumo dos rejeitos, que podem ser aproveitados em diversas aplicações.

O NAP-Mineração participou de um projeto com uma empresa de cimento de Minas Gerais que desenvolveu um novo cimentíceo, que utiliza uma rocha sem aproveitamento comercial no Brasil e que pode ser blindada com o estéril da mineração de calcário. O uso do produto proporcionou 30% de redução no custo operacional, 25% de redução no investimento que a empresa deveria fazer para ampliar sua capacidade produtiva, e 25% de queda nas emissões de gases de efeito estufa.

Esse novo material pode ser usado em pavimentação, na construção civil, em estruturas para gestão hídrica, como barragens de hidrelétricas, e de tratamento de água e esgoto, como material para estabilização geotécnica (por exemplo, aplicação de concreto para impedir deslizamentos de terra em morros em beiras de rodovias), recuperação de voçorocas etc.

O grupo desenvolveu um novo sistema construtivo ecoeficiente com blocos encaixados, feitos de uma mistura que pode aproveitar os resíduos e estéril de mineração. Trata-se de um empreendimento ideal para ser instalado perto dos grandes centros consumidores. O emprego desse tipo de bloco pode reduzir de 20% a 30% o custo da construção civil e o prazo de construção em até 40%. Também diminui o desperdício na obra, a emissão de GEEs, e do valor dos fretes, entre outras vantagens. Esse projeto é um dos finalistas da última edição do prêmio para soluções urbanas sustentáveis da Hult Foundation, entidade ligada ao ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

Outra inovação proposta pelo NAP-Mineração, objeto de patenteamento, é um novo método de lavra que combina operações em superfície com estruturas subterrâneas, este possibilita a disposição de rejeito e estéril na própria cava, reduzindo a necessidade de uso das barragens. O sistema junta dois métodos tradicionais e apresenta uma geometria de cava em que elas são feitas em sequência, de forma que ao explorar uma cava, outra é aberta e a anterior passa a servir para deposição de material.

O documento traz ainda como sugestão a implantação de um sistema de monitoramento geotécnico automatizado que faz parte de um projeto do NAP.Mineração para  pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) do Sistema Cantareira . O sistema possibilitará a identificação automática de movimentações mínimas em taludes, barragens e estruturas diversas, alertando de forma preventiva quanto a possíveis instabilidades.

Por fim, os pesquisadores sugerem a adoção de uma nova tecnologia para análise de diversos metais pesados, como mercúrio, prata, arsênio, selênio e outros, que também tem um custo inferior em relação aos métodos tradicionais, além de fazer as análises em menor prazo de tempo. Essa tecnologia pode ajudar no diagnóstico de contaminação ao longo do Rio Doce, afetado pelo rompimento da barragem em Mariana.

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