Escola Politécnica da USP

usp.br

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Início Comunicação Notícias Arquivo de notícias Poli apresenta proposta inicial para retorno ao campus da USP Leste

Poli apresenta proposta inicial para retorno ao campus da USP Leste

Entre as idéias estão a criação de curso de graduação em Engenharia de Produção e de centro de formação e requalificação profissional

Professores que integram o grupo de trabalho que desenvolve a proposta para o retorno da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) ao campus da USP, na Zona Leste da capital paulista, apresentaram, em 4 de junho, o desenho inicial do projeto para estudantes, pais, diretores de escolas e professores da região.

O workshop foi organizado pelas lideranças do Movimento por Educação Pública Integral da Zona Leste – da Creche à Universidade, que convidaram os docentes da Poli para falar sobre o projeto. Ao fim do evento, realizado em um salão próximo à Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, foram recebidas as fichas de inscrição de alunos interessados em participar do cursinho pré-vestibular a ser oferecido gratuitamente pela Poli este ano.

Os integrantes do grupo de trabalho, Mauro Zilbovicius e André Hirakawa, professores dos Departamentos de Engenharia de Produção e de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais da Poli, respectivamente, participaram do workshop, que contou com a presença de 190 pessoas, sendo 144 estudantes que se inscreveram para fazer o cursinho. Promoveram o evento os coordenadores do Movimento por Educação Pública, Padre Antônio Marchioni (padre Ticão) e o Professor Waldir Augusti.

“Propomos que mais do que um curso de graduação de Engenharia na USP Leste. A ideia é ter a Poli como centro de formação, em que a graduação seja articulada com cursos de especialização e atualização para quem já tem uma profissão, e também com um curso preparatório para alunos de Ensino Médio para o ingresso no curso de Engenharia”, explicou Zilbovicius. A ideia, segundo o projeto em elaboração, é dotar a USP Leste de um “Centro de Formação Profissional e de Projetos de Engenharia”, do qual a graduação seja um dos elementos.

Parcerias com empresas da Zona Leste, Guarulhos e ABC serão importantes, especialmente na oferta de estágios e como demandantes de projetos, e com entidades como as Fatecs, escolas técnicas e de ensino médio, Senai e outras, no apoio às atividades de ensino de graduação, de formação ou aperfeiçoamento profissional e cursinho pré-vestibular. “As parcerias são uma forma de ‘enraizar’ a Poli na Zona Leste, ou seja, de contribuirmos diretamente para o desenvolvimento da região, envolvendo seus atores na formação de recursos humanos”, acrescentou Hirakawa.

Segundo Augusti, o workshop superou a expectativa em termos de comparecimento do público. “A apresentação da Poli ajudou a esclarecer dúvidas e, pelos comentários que ouvi do público, as propostas agradaram, tanto que tivemos mais estudantes que assinalaram a Engenharia como opção de carreira nos formulários de inscrição para o cursinho”, contou.

Como deve ser a Poli na USP Leste

O projeto está em elaboração e algumas definições ainda precisam ser feitas. No estágio atual, propõe-se que o curso de graduação de Engenharia de Produção seja oferecido com  duas ênfases: em “Cidades” (ou “questões urbanas”), na qual os estudantes seriam preparados para lidar com problemas complexos ligados à vida urbana, integrando conhecimentos de diversos aspectos, como saneamento, mobilidade, políticas e gestão públicas e financiamento, técnicas de construção, cidades inteligentes, entre outros; e em Computação, que focaria ciência de dados (big data, data mining), aplicações de inteligência artificial e outros softwares de aplicação, com possíveis interfaces com o tema cidades inteligentes, por exemplo, e direcionamento também para empreendedorismo.

Uma das grandes inovações do projeto da Poli para a USP Leste, em termos pedagógicos, é o ensino por projetos. “Com essa metodologia, começamos do problema prático para chegar à teoria”, destacou Zilbovicius. A graduação proposta seguiria, ainda, a partir do quarto ano, o sistema cooperativo, em que o ano letivo é dividido em quadrimestres, alternando-se períodos de estágio e de concentração em atividades acadêmicas.

O curso começa com as ciências básicas da Engenharia, e a ênfase em Cidades e Computação seria selecionada posteriormente pelo aluno. Haveria também um período para atividades extraclasse, que poderiam ser desenvolvidas em laboratórios ou como atividades de campo e/ou de projeto; créditos para aulas não presenciais; e um período para o trabalho de conclusão de curso (TCC).

Próximos passos

O grupo de trabalho deve se dedicar ao detalhamento do curso de graduação, como, por exemplo, quais serão as disciplinas a serem ministradas e como será aplicada a metodologia por projeto. Também vão trabalhar na identificação das necessidades em termos de estrutura (salas de aulas, laboratórios, professores e outros profissionais) e de recursos financeiros, prevendo possíveis parceiros públicos e privados para que o projeto se concretize.

Além de Zilbovicius e Hirakawa, integram o grupo de trabalho os professores da Poli Alberto Hernandez Neto, Paulo Sérgio Cugnasca, Mercia Bottura de Barros e Alexandre Kawano. Augusti é o representante da comunidade junto à equipe do projeto.