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Departamento de Engenharia de Computação da Poli-USP coloca chips em árvores da Cidade Universitária

Com informações da Jornalismo Júnior, por Ingrid Luisa

O manejo e o gerenciamento de árvores nas cidades brasileiras ainda é um assunto problemático. A grande variedade de espécies, o plantio de forma inadequada, o envelhecimento e outras adversidades acabam provocando acidentes, como a queda abrupta de alguns espécimes, o que pode trazer consequências trágicas. Visando a fornecer aos gestores ambientais um recurso ágil para melhorar essas condições, o Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP, em conjunto com a Prefeitura da Cidade Universitária da USP, implantou um projeto piloto na Cidade Universitária, colocando chips em árvores.

Esse projeto está presente em cerca de 100 a 200 árvores, há mais ou menos três anos, e funciona de uma forma simples: um chip, dentro de um tipo de prego — feito de plástico de engenharia —, é colocado em árvores num lugar pré-determinado e através de smartphones usa-se a tecnologia do leitor NFC (Near Field Comunication), que permite o compartilhamento de informações entre dispositivos sem necessitar de cabos ou fios, bastando aproximar fisicamente os mesmos. Essa tecnologia permite a comunicação com os chip a cerca de 3 centímetros de distância, possibilitando  coletar e enviar dados sobre elas. Através desse chip, é como se cada árvore possuísse um “RG” em que se acessa um banco de dados com todas as informações sobre ela — espécie, idade, doenças, inclinação, geolocalização, etc.

Esse é um projeto experimental inserido no conceito de Cidades Inteligentes, que visa ao uso de tecnologias e da internet para o desenvolvimento sustentável; baseia-se também no conceito de Internet das Coisas, que é uma revolução tecnológica, que propõe a ligação de todos os objetos do dia a dia à rede mundial de computadores, como nesse caso, as árvores. O Professor Carlos Cugnasca, responsável pelo projeto, explica que ele já vem sendo usado no exterior e com muito êxito, “Em Paris, por exemplo, colocam esse chip em todas as árvores da cidade, e eles têm uma forma mais racional de tratar essa questão, pois consideram a árvore como um ser vivo, que é plantado, se desenvolve, cresce, vai ter uma vida e vai morrer como qualquer outro ser. Só que antes de a planta morrer, a substituem por outra. Quando a árvore já está ficando velha e vai causar problemas, ela é transplantada. Há sempre uma renovação e nunca árvores caem, assim não causando problemas e mantendo na cidade a quantidade arbórea desejada”.

Por conta da crise na Universidade, o projeto não está andando com a velocidade desejada, mas a ideia é que ele se aprimore ainda mais. Uma proposta para a ampliação é que sejam postos chips nas árvores da reserva de Mata Atlântica da USP, para que escolas venham realizar trilhas ambientais em que o professor/tutor poderá usar essa tecnologia para identificar rapidamente a árvore e adquirir toda uma ficha técnica que pode acrescentar bastante no conteúdo passado para os alunos. Tudo vai depender dos resultados obtidos nas árvores já em análise. Pontos como o baixo custo (os chips são baratos, custam frações de dólar cada um) e uma infraestrutura acessível (através dos próprios smartphones) contam a favor. Caso se mostre promissora, essa tecnologia poderá inovar não só em árvores, mas em vários outros âmbitos dentro das cidades.