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Roberto Setubal diz que Poli ensina a pensar e que há muito espaço para engenheiros nos bancos

“O engenheiro é treinado para resolver problemas e esse treinamento tem muito valor no mercado; nem todo mundo tem essa formação. Portanto, não emburreçam”, aconselha presidente do maior banco privado da América Latina

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Egydio Setubal, falou nesta quinta-feira (30/6) para um auditório lotado na sede da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP), na recepção aos alunos recém-formados pela Escola Politécnica da USP (Poli/USP). No evento, que acontece todo ano, antigos alunos são chamados a dar um depoimento sobre suas trajetórias profissionais, para que os novos ingressantes no mercado consigam se inspirar com o exemplo e refletir sobre o tema “gestão de carreira”. Setúbal formou-se na Escola Politécnica em Engenharia de Produção, em 1977. O encontro, chamado História de Politécnicos, é organizado pela AEP em parceria com a Poli.

Depois da abertura feita pela engenheira química Elaine Vieira, coach da AEP, o diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira, fez uma breve participação, lembrando a importância de que os novos egressos não se esqueçam de buscar o sucesso também no exercício da cidadania, e honrem o nome da Escola. Reinaldo Yonamine, coordenador do Programa Poli Gestão de Carreira, que falou logo depois, chamou a atenção para os vetores de competência de uma carreira de sucesso: capacidade analítica, criativa e prática, o que ele chamou de soft skills.

“Os politécnicos são muito bons nos dois primeiros quesitos, relacionados à capacidade criativa e prática de colocar um projeto no papel e executá-lo, ou de dominar técnicas e assimilar novas tecnologias, mas é freqüente que tenham gaps no terceiro, que se refere a competências comportamentais e sociais de interação com o outro”, resumiu Yonamine, ressaltando que o Programa Poli Gestão de Carreira tem justamente a missão de atuar para melhorar essas habilidades de interação por meio de oficinas, coaching e outras ferramentas. O Programa é patrocinado pelo Banco Itaú.  

Sob a mediação da jornalista Dulce Brandão, Roberto Setubal falou durante aproximadamente 40 minutos, primeiro respondendo a perguntas feitas pela jornalista, e em seguida a questões da platéia. Setubal foi eleito pelo Harvard Bussines Review como um dos 100 CEOs com melhor desempenho no mundo, e foi considerado por seus colegas, no Brasil, como o melhor executivo do País por dois anos consecutivos (2014 e 2015). Suas qualidades mais destacadas são a de excelente negociador, grande estrategista, expert em fusões. É respeitado por conquistar resultados e ter grande capacidade de aprender.

Setubal começou ressaltando que, no mundo corporativo, resultado é fundamental. “Se uma empresa não apresenta resultado é sinal de que não consegue oferecer um produto que a sociedade valorize”, resumiu. Retomando a ideia dos vetores de uma carreira de sucesso, apresentados por Yonamine, afirmou que a capacidade de aprender é uma habilidade útil quando se está lidando com fusões, como a do Itaú com o Unibanco, que ele capitaneou.

“Eu nasci negociando, porque sou o quarto de sete filhos. Isso influenciou minha vida e acho que me ajudou também com as fusões. Porque fusão é diferente de compra. Na compra, o sócio anterior recebe seu pagamento e sai de cena. Numa fusão, os controladores e acionistas mais antigos permanecem mantendo influência sobre a empresa”, explica. O executivo enfatiza que é preciso incorporar, sempre, o que for melhor para a empresa.

Segundo Setubal, a formação do engenheiro permite que o profissional execute diversas atividades além da engenharia aplicada. Inclusive dentro dos bancos. “Ele é treinado para resolver problemas e esse treinamento tem muito valor no mercado, no ‘mundo real’. O engenheiro é apto a dar respostas às questões que vão surgindo. Há muito espaço para os engenheiros nos bancos. Não me surpreendo quando vejo engenheiros se tornando grandes executivos”, afirma.

Segundo ele, na Poli se aprende a pensar. “Não é todo mundo que tem essa formação, que é treinado para pensar. Portanto, não emburreçam. Olhem os fatos, analisem e tirem suas próprias conclusões. Não comprem as opiniões prontas dos outros.”

Por fim, o executivo ressaltou que as “soft skills” mencionadas por Yonamine são essenciais e importantíssimas. “Dentro de uma corporação, a habilidade técnica te levará até um certo nível. Mas, a partir de determinado momento, sua capacidade de interagir, de liderar, de motivar, de saber expor uma ideia nova de forma a não melindrar os colegas, é que vão fazer a diferença. A integração da pessoa ao ambiente de trabalho é muito importante.”

Dizendo-se um apaixonado pelo que faz, ele dá um conselho aos recém-formados. “Vocês têm de procurar uma empresa, para trabalhar, que tenha a ver com os valores e vocês, com o projeto de vida de vocês. Eu vou dizer uma coisa para vocês: em matéria de carreira, eu não acredito muito em planejamento para 10, 20 anos. Porque o mundo segue mudando. Mas creio que é interessante ter uma noção do que se quer nos próximos 10, 20 anos. Vocês têm de ir construindo a carreira, desenvolvendo suas habilidades e melhorando os pontos em que têm gaps. Aprender dá trabalho. Mas, na hora em que você deixa de aprender, começa a morrer.”