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Spinoff da Poli desenvolve software para gerenciar manobras de grandes navios no Porto de Santos

Sistema ReDRAFT, da Argonáutica, permite que práticos possam tomar decisões rápidas e seguras acerca da melhor forma de manobrar grandes embarcações.

A empresa Argonáutica, uma spinoff da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), desenvolveu um software pioneiro no Brasil para auxiliar os práticos na manobra e atracação de navios de grande porte no Porto de Santos. A inovação teve como origem um conjunto de teses de doutorado e foi desenvolvida em conjunto com o professor Eduardo Tannuri, do Tanque de Provas Numérico (TPN), sediado na Poli-USP. Estava em teste há seis meses e vem sendo utilizada em todas as manobras de entrada e saída de navios de grande porte do Porto de Santos desde 28 de junho.

O sistema ReDRAFT determina com segurança qual é o máximo calado, distância vertical entre o ponto mais baixo da quilha da embarcação e a superfície da água. Para isso, utiliza informações em tempo real recebidas pelo Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego (C3OT) da Praticagem de São Paulo. O sistema pode ser acessado por computadores e também celulares, dando mais tempo aos práticos para analisar os dados e decidir sobre as manobras.

Informações como a variação da maré, a altura das ondas, a intensidade das correntes marítimas e a direção dos ventos são captadas, processadas e integradas, em tempo real, oferecendo todos os dados necessários para o prático definir a melhor hora e percurso para atracar o navio, de forma segura, promovendo assim a agilidade das operações, sem diminuir a segurança.

O sistema oferece ao prático, na hora de atracar, as informações sobre como o navio deve percorrer o canal do Porto sem correr risco de a embarcação atingir o fundo do canal e encalhar. Com base nas informações do momento, o ReDRAFT calcula qual será a menor distância abaixo da quilha durante a manobra do navio, permitindo que se avalie o risco de toque no fundo. Atualmente, calados superiores a 12,5 metros já são considerados críticos para transitar no Porto de Santos, projetado para atender navios menores.

São considerados todos os movimentos causados na embarcação pelas ondas, vento, corrente marítima e pelo deslocamento da água que o próprio navio promove ao se locomover, efeito este conhecido com Squat, e que reduz ainda mais a folga sob a quilha. Além deste, são levados em consideração os afundamentos decorrentes da inclinação do navio ao fazer curvas. Também são agregadas informações sobre a carga que está sendo transportada, já que essa variável afeta o peso total do navio e, portanto, o calado. O sistema tem um banco de dados com mais de 10 mil embarcações catalogadas, de acordo com o tipo de carga que transportam.

“Os navios estão ficando cada vez maiores e muitos portos, por variadas razões, não conseguem se expandir para atendê-los. A solução mais imediata é aumentar a precisão dos dados fornecidos aos práticos, garantindo que os navios possam operar de forma segura”, explica Rafael Watai, um dos sócios-fundadores da Argonáutica, graduado e doutor em Engenharia Naval pela Poli.

A Argonáutica vai desenvolver o mesmo software para outros portos brasileiros. A solução é customizada para cada porto, de acordo com suas características e demandas. Já foram estabelecidos alguns contatos iniciais nesse sentido. Além disso, a empresa já promoveu aprimoramentos no sistema desde a fase de testes com o Porto de Santos e planeja uma inovação na ferramenta, como o aperfeiçoamento do modo de previsão ambiental. A ideia é ter um modelo capaz de prever fatores como, por exemplo, o tamanho das ondas, com horas ou mesmo dias de antecedência, o que daria mais tempo para o planejamento da manobra de atracação. Atualmente o sistema trabalha com as informações instantâneas da operação.

Parceria com a Poli – A Argonáutica tem quatro sócios, todos formados na graduação e pós-graduação na Poli-USP: além de Watai, integram a empresa os engenheiros navais Felipe Ruggeri, Guilherme Feitosa Rosetti e Rodrigo Sauri Lavieri. Ela foi fundada com o objetivo de oferecer serviços de engenharia para o setor naval, e é desse segmento da empresa que saíram os recursos necessários para desenvolver sua inovação, processo que levou quatro anos.

Todos trabalharam junto com os professores Kazuo Nishimoto, coordenador do TPN, e Eduardo Tannuri, coordenador do Centro de Simulação de Manobras Portuárias do TPN-USP. Esta parceria permitiu a aplicação da infraestrutura laboratorial para o desenvolvimento dos complexos cálculos e modelos numéricos do software, fazer simulações etc. “Seria muito difícil desenvolvermos nosso software sem o apoio da Poli. No TPN temos as ferramentas e todo o conhecimento acumulado que nos permitiu chegar ao ReDRAFT”, aponta Watai. “Além disso, o professor Kazuo sempre nos incentivou a pensar como empreendedores, a criar inovações e gerar negócios, o que resultou na formação da nossa empresa”, finaliza.

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