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Poli e INPE estudam turfa em São José dos Campos

Pesquisa auxiliará no controle e mitigação de incêndios em turfas, substância que no município está concentrada na região norte

Um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) iniciou um estudo inédito que vai analisar as camadas de turfa em São José dos Campos. O Projeto é financiado pela Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com o apoio da Prefeitura de São José dos Campos.

A equipe multidisciplinar é coordenada pelo professor doutor Guenther Carlos Krieger Filho e pelo pesquisador Paulo Bufacchi, do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli, e reúne outros especialistas como Fernando de Souza Costa e Maria Cristina Forti, do INPE, além de especialistas na área de geologia, emissão atmosférica e modelos matemáticos.

O estudo consiste em avaliar as turfeiras, analisando as características físico-químicas, a emissão de poluentes e os riscos de incêndio. A turfa está presente em camadas de solo de até dez metros de profundidade, concentradas principalmente na zona norte do município.

A turfa é originária da matéria orgânica depositada nas várzeas dos rios durante um longo período geológico e que, por causa da umidade, sofreu decomposição. Este solo rico em matéria orgânica - um estágio anterior ao carvão - pega fogo facilmente, especialmente durante a estiagem, provocando odor desagradável, fumaça densa.

Os incêndios de turfa são difíceis de erradicar e a fumaça da queima no subsolo pode ter um impacto nas proximidades durante um longo período de tempo. Segundo o professor Guenther, os incêndios são, em grande parte, consequência da ocupação do solo que ao longo dos anos drenou antigas áreas de alagamento do rio Paraíba do Sul, características das regiões de turfa.

O projeto contará com a perfuração de 50 pontos de sondagem para coleta de amostras do solo de até dez metros de profundidade, que serão testadas no laboratório de Combustão e Propulsão do INPE. Lá será feita a análise da composição físico-química da turfa, a queima das amostras por diferentes métodos, a medição de produtos gasosos e material particulado emitidos, avaliando-os em relação às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo culminará no desenvolvimento de um modelo computacional para simular a propagação do incêndio em turfeiras tanto no subsolo como em fogos de superfície.

Segundo o professor Guenther, a principal contribuição da pesquisa é gerar dados e informações que poderão respaldar o município na definição de parâmetros e ações de maior impacto para controle e mitigação dos incêndios em turfeiras. “Trata-se de um estudo preliminar que dará base para outros. Precisamos conhecer o problema, o risco de queima da turfa, analisar o uso e ocupação do solo nessas regiões, para traçar estratégias para minimizar o início do incêndio”, pontuou.

A pesquisa terá a duração de 24 meses e os resultados serão publicados em revistas científicas internacionais e compartilhados com a sociedade por meio de um workshop a ser realizado no município.

Fonte: Prefeitura de São José dos Campos (SP)