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Politécnicos se destacam com startup de modelagem matemática

Empresa é bem-sucedida naquilo que os softwares prontos falham: resolver problemas estratégicos que envolvem um grande número de dados e variáveis.

A startup Mínimo ainda nem saiu do ambiente de uma aceleradora, mas já dá passos de empresa madura. Criada em 2009 por quatro politécnicos, a Mínimo vem se destacando no mundo corporativo por oferecer soluções customizadas para problemas complexos, que envolvem um grande número de dados e variáveis. “Basicamente o que fazemos é aplicar conhecimentos de Matemática e Engenharia para solucionar um problema central do negócio da empresa. São projetos para os quais os softwares de prateleira não provém soluções ou são limitados”, diz Claudio Brunoro, um dos sócios da Mínimo.

O caráter inovador da Mínimo é justamente esse. A empresa trabalha de forma customizada, de acordo com a necessidade de cada cliente. Inclusive ela é parceira tecnológica na aceleradora, auxiliando no desenvolvimento de soluções para as demais startups que estão sendo aceleradas. Cada problema é encarado como um projeto pelo time que, além de Brunoro, é composto por Guilherme Mainieri, Fernando Orsatti e Rodrigo Carareto – todos politécnicos, doutores e com estreita relação com a academia. A empresa foi destaque na revista Época Negócios.

Para cada projeto, diferentes ferramentas computacionais sofisticadas são usadas, como algoritmos evolutivos, inteligência artificial e rede neural. O objetivo, geralmente, é ajudar em tomadas de decisões que resultem em menor prejuízo ou maior lucro para a empresa. “Utilizamos conhecimentos matemáticos genéricos que são aplicados em situações contextualizadas. A cada problema a ser resolvido uma técnica ou outra será preponderante, e isso vai depender das variáveis envolvidas no processo, do que se quer otimizar”, explica Brunoro.

Um exemplo de como atua a Mínimo foi o caso de uma empresa que utilizava um sistema para detectar fraudes em e-commerce baseado em rede neural (inteligência artificial). O sistema havia sido desenvolvido por um profissional que não estava mais atuando na companhia. “Após algum tempo, a empresa tinha a percepção de que o sistema estava funcionando bem, mas já não havia em sua equipe a expertise necessária para avaliar a performance da ferramenta ou para evoluí-la”, diz. A Mínimo começou o trabalho pelo entendimento de como era o negócio do cliente e qual a finalidade principal deste sistema. Em seguida, analisou o código do sistema, reconstruindo a modelagem matemática para que fosse possível validar o que estava implementado.

Além de entender o funcionamento do sistema e, até mesmo, explicar para os representantes da empresa qual era sua lógica, a Mínimo conseguiu estabelecer diretrizes para a evolução da ferramenta, com a inclusão de novas variáveis a serem analisadas pela rede neural, por exemplo. “Também desenvolvemos métricas para ajudar a comparar eventuais tentativas de alteração do sistema e poder julgar se a alteração melhorava ou piorava sua performance”, contou.

Lastro na academia – Para a Mínimo poder fazer coisas inovadoras como essa, a passagem de seus executivos pela graduação e pela pós-graduação na Poli-USP foram fundamentais. “Tanto a graduação quanto a pós-graduação ajudaram bastante no que é essencial para nós, fazer a modelagem matemática”, comenta. “E a maturidade requerida para desenvolvermos nossas pesquisas na pós-graduação foi decisiva para que aprimorarmos nossa habilidade de saber identificar melhor o problema”, prossegue.

A Mínimo é resultado da articulação das competências e conhecimentos de seus sócios, desenvolvidos durante a formação na Poli-USP. A empresa é uma combinação bem-sucedida da formação de Engenharia de Produção, profissional que busca tornar as empresas mais sustentáveis em termos de pessoas e processos, com a do Engenharia Elétrica e Mecatrônica, nais quais os modelos matemáticos são essenciais.

Até mesmo o nome da empresa é baseado nas Ciências. “Decidimos pelo nome Mínimo, que está relacionado a prover uma otimização, que é algo que nós, engenheiros, fazemos para maximizar ou minimizar algo: custo, tempo, desperdício, deslocamento. O Mínimo tem tudo a ver com Matemática”, diz Brunoro.

Hoje, a empresa está se preparando para crescer. “Nosso projeto para o médio prazo é trazer outros pesquisadores interessados em lidar com os tipos de desafio com o qual lidamos. Queremos aumentar nossa rede de contatos para preparar essa expansão”, conclui.