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Professor da Poli-USP apresenta sugestões para ampliar cooperação entre Brasil e Índia

IEA-USP promoveu encontro com presidente da Sociedade Lusófona de Goa, que está no Brasil
para prospectar oportunidades de cooperação entre os países.

Entender as estratégias de internacionalização das empresas brasileiras é um primeiro passo para ativar uma rede de cooperação entre o Brasil e a Índia. Essa foi uma das recomendações do professor do Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica da USP, Afonso Fleury, que participou do encontro “Goa, uma Janela Intercultural para Relações Comerciais na Índia”, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA) nesta segunda-feira (05/12), no campus do Butantã, em São Paulo. O professor Guilherme Ary Plonski, também docente do Departamento na Poli, foi o mediador do evento, cujo keynote speaker foi o presidente da Sociedade Lusófona de Goa, Aurobindo Xavier.

O encontro integra uma agenda intensa de compromissos de Xavier com autoridades de governo, empresários e representantes do setor acadêmico brasileiro. Ele está percorrendo o País para apresentar Goa e Índia e prospectar possíveis interessados em participar de uma rede de colaboração comercial no qual Goa seria o elo central. “Queremos apresentar Goa como uma plataforma de relações comerciais, culturais, uma porta de entrada ou de aprofundamento das relações entre os brasileiros e a Índia”, explicou.

Em sua palestra, Xavier destacou os aspectos históricos de formação de Goa e sua ligação com Portugal, ponto em comum com o Brasil, os pontos fortes de Goa, como a facilidade de relacionamento com os países ocidentais, a criação de regiões industriais e também de áreas de investimento preferenciais, onde há facilidades para instalação de novos negócios, e a intensa atividade turística. Goa quer atrair centros de pesquisa e desenvolvimento e investimentos em áreas estratégicas como farmacêutica, biotecnologia e engenharia, entre outras.

A contribuição acadêmica – O professor Afonso Fleury, que estuda as estratégias de internacionalização das empresas brasileiras, foi um dos debatedores convidados para apresentar sugestões sobre como intensificar a relação comercial Brasil-Índia, tendo como estratégia de fundo a proposta de Goa funcionando como porta de entrada. O docente estuda a presença das multinacionais no Brasil e desenvolve pesquisas sobre a lógica das cadeias de valor brasileiras no processo de internacionalização, avaliando as multinacionais brasileiras e as pequenas e médias empresas (PMEs).

“Há algumas abordagens conceituais em negócios internacionais que podemos aplicar nesse caso. Estudos comparativos e específicos sobre o que orienta as decisões das empresas em relação ao processo de internacionalização que podem contribuir com a iniciativa”, afirmou. Ele participa de um grupo de pesquisa que estuda especificamente os países do BRICs - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

“Um dos conceitos com os quais trabalhamos é o de distância psicológica e seria interessante fazer uma pesquisa para entender essa distância entre Brasil e Índia, envolvendo Goa”, apontou, se referindo ao conceito que trata da distância entre uma e outra pessoa, que pode ser social, temporal, espacial, cultural etc. Ele citou, como exemplo, uma pesquisa que mostra a existência de uma distância psicológica maior entre o Brasil e os outros países da América Latina do que entre o Brasil e os países europeus de origem latina.

Outro aspecto citado por ele foi o conceito de porta de entrada pensado por Goa. Uma estratégia tentada por empresários brasileiros para entrar no mercado europeu foi usar Portugal, país com quem temos afinidade por conta da origem colonial e da língua. “Não deu tão certo [a estratégia], então é preciso analisar se entrar na Índia por Goa vai realmente facilitar [o processo]”, completou.

Fleury também disse ser preciso entender os fatores motivadores das empresas brasileiras para irem para Gana e a Índia. “Fizemos três surveys para entender quais são os drivers que motivavam as empresas a se internacionalizar. Na primeira survey, as multinacionais diziam que estavam internacionalizando para conquistar mercado; já na última alegavam que estavam em busca de tecnologia e conhecimento”, contou.

Como último ponto, Fleury destacou uma estratégia para atrair as pequenas e médias empresas. “A internacionalização dessas empresas é o movimento mais sensível hoje, mas a lógica é diferente da de uma grande empresa”, apontou. Segundo ele, as grandes empresas tomam por si só a iniciativa da internacionalização, enquanto as de menor porte recebem um estímulo externo para isso. Ele citou ações do governo inglês no Brasil para atrair empresas de base tecnológica nacionais para a Inglaterra.

Além do professor Fleury, participaram do debate o embaixador Fausto Godoy, ex-cônsul-geral do Brasil em Mumbai e coordenador do Núcleo de Estudos de Países Asiáticos da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); Roberto Paranhos do Rio-Branco, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia; Paulo Saldiva, diretor do IEA e docente da Faculdade de Medicina da USP, que abriu o encontro; Alberto Pfeifer, do IEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, que coordenou a organização do evento; Jean Carlo Viterbo, da Câmara de Comércio Brasil-Índia; e o advogado Custódio Miranda.