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Captura e armazenamento de gás carbônico é tema de fórum na Poli

Professor da Universidade de Tóquio falou a respeito doque está sendo estudado sobre a tecnologia no país asiático

Reter e armazenar em formações geológicas subterrâneas o gás carbônico (CO2), o maior contribuinte para o aquecimento da temperatura e as mudasnças climáticas globais, é uma alternativa promissora que vem sendo discutida cada vez mais pela academia e empresas. Representantes da Universidade de Tóquio, do governo do estado de São Paulo, da Shell e do Research Centre for Gas Innovation (RCGI) se reuniram no 20º Mitsui Bussan Forum, realizado nesta sexta-feira (22/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) para apresentar as principais pesquisas desenvolvidas pelas instituições na área.

A captura e o armazenamento de CO2 – em inglês, Carbon Capture and Storage Process, ou CCS – desperta grande interesse brasileiro por ser recente em termos científicos e tecnológicos, porém muito promissor. Isso porque o gás natural formado no pré-sal contém grande quantidade de gás carbônico, o que tornam necessárias as pesquisas que envolvem separação, captura e armazenamento desse CO2 em reservas offshore.

Com o objetivo principal de promover o debate e o compartilhamento de conhecimento entre os diversos setores presentes – governo, academia e indústria –, o Fórum contou com apresentações dos participantes, que mostraram diferentes pontos de vista a respeito do CCS.

Para o professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, essa iniciativa é muito importante para o Brasil, que necessita de um maior aprofundamento do tema, já que o País está expandido a produção de petróleo no pré-sal, o que torna urgente o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono. “Espero que o dia de hoje contribua para ampliar o conhecimento científico brasileiro na área. A presença da Universidade de Tóquio poderá significar, ainda, um fortalecimento das relações com as universidades japonesas”, ressaltou.  

Dirceu Abrahão, subsecretário de Petróleo e Gás do estado de São Paulo, reforçou a fala de Piqueira ao afirmar que “esse pode ser um futuro próximo no Brasil, uma vez que a indústria de petróleo e gás vem crescendo cada vez mais no país”..

Apresentações – Toru Sato, professor da Universidade de Tóquio, trouxe ao público dois exemplos práticos de CCS que foram realizados no Japão. Um dos projetos foi feito cidade de Nagakota, localizada na província de Niigata, enquanto a outra experiência em CCS foi desenvolvida em Tomakomai, em Hokkaido. Ele explicou que, devido à legislação do país dar prioridade às associações pesqueiras locais, muito fortalecidas devido à importância da pesca para a economia, as reservas onde é injetado o CO2 têm que ficar longe da costa, há uma distância mínima dos pescadores.

Ele mostrou ainda algumas linhas de pesquisa que estão sendo desenvolvidas em torno dessas reservas, como sistemas para o monitoramento do gás carbônico e tecnologias que evitam o vazamento do mesmo envolvendo seu hidrato, ou seja, o CO2 associado com moléculas de água. Quando perguntado a respeito do financiamento desses estudos, Sato revelou que o alto custo do empreendimento foi apoiado pelo Meti (Ministry os Ecnonomy, Trade and Industry of Japan).

Julio Meneghini, diretor científico do RCGI, sediado na Poli-USP, ficou responsável por apresentar o centro de pesquisa. Ele explicou que a atuação do grupo se baseia em três pilares – pesquisa, conhecimento e inovação. Também mostrou um panorama da matriz energética brasileira, destacando as fontes de energia mais usadas no Brasil e comparando o País com o panorama mundial. Ele ressaltou que o Brasil se diferencia por não utilizar tanto o carvão como fonte de energia como o resto do mundo.

O RCGI tem uma nova linha de pesquisas, em que trabalhará com a CCS. São 16 novos projetos relacionados ao gás carbônico que abordam o seu monitoramento nas reservas, separação, entre outros. “A população está crescendo e cada vez mais precisa de energia. Por outro lado, o meio ambiente também pede cuidados. Saber conciliar as duas coisas é um dos desafios da ciência”, apontou.

Ao dar a sua opinião a respeito da utilização do gás natural, ele disse que o País ainda enfrenta alguns problemas, que fazem com que ele tenha que importar o recurso de nações como a Bolívia. Para o pesquisador, esses gargalos seriam resolvidos se o Brasil soubesse como separar eficientemente o CO2 do metano e contasse com um sistema complexo de logística para o transporte do mesmo.

As questões econômicas que envolvem a CCS foi o tópico levantado pelo professor do IEE-USP Edmilson Moutinho dos Santos. Segundo ele, o fato do tema ser novo e ainda precisar de estudos e produções acadêmicas mais aprofundadas pode ser enxergado como um problema pelo mercado. “Porém, a visão econômica serve para ser desafiada pela ciência”, contrapôs.

Dentre os benefícios que a CCS traria para o Brasil, Moutinho destacou a questão ecológica: por ser uma tecnologia que ajuda na sustentabilidade ambiental, o fato de o País apoiar e se envolver com a iniciativa seria positivo no âmbito diplomático. “Nós temos habilidade para desenvolver tecnologias no sentido da CCS. Liderar a área seria muito importante para o Brasil”.

O evento contou ainda com mais apresentações de pesquisadores do RCGI, da Poli e da Shell.