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Como conseguir e aproveitar melhor o doutorado sanduíche, segundo três experiências politécnicas

Em evento realizado no Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP, palestrantes deram dicas para ajudar interessados em realizar parte da pós-graduação no exterior

Quais as melhores decisões a serem tomadas quando se pensa em internacionalização da pós-graduação, como funciona o processo seletivo do doutorado sanduíche e as diferenças entre instituições foram algumas das questões levantadas no seminário “Experiências no Doutorado Sanduíche”, realizado no Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) no dia 6 de dezembro, às 14 horas.

A iniciativa foi organizada pela Comissão de Pesquisa do Departamento, e buscou trazer à comunidade acadêmica informações e exemplos concretos sobre esse tipo específico de doutorado, que consiste na realização de parte dos estudos para a tese em alguma universidade estrangeira, geralmente na fase intermediária  da pesquisa.

Para dar depoimentos sobre suas experiências pessoais e compartilhar dicas com quem se interessa por fazer doutorado sanduíche foram convidados os doutorandos do PRO Patrícia Kuzmenko, que foi para o Politécnico de Milão (Itália); Vinícius Chagas Brasil, que realizou os estudos na Universidade de Nova Iorque (EUA); e Aline Sacchi Homrich, que foi para a Universidade de Cambridge (Inglaterra).

Marly Monteiro de Carvalho, docente do Departamento, abriu o evento destacando a importância na preparação para uma carreira acadêmica internacional, que envolve, muitas vezes, entraves burocráticos. “Acredito que a questão mais relevante e que deve ser levada em conta ao se pensar em  internacionalização da pós seja a mobilidade”, exemplificou.

Apesar dos destinos diferentes, os três palestrantes do dia conseguiram identificar algumas semelhanças com relação às experiências fora do Brasil e deram conselhos para quem deseja seguir este caminho. Confira agora alguns deles:

1. Pesquise bem antes de decidir para onde ir

Identificar o grupo de pesquisa e orientador que dialoguem com a sua tese é imprescindível para aumentar as chances de aprovação da bolsa e um melhor aproveitamento da pesquisa em si. Para Kuzmenko, pensar na cidade também foi estratégico. “Milão é uma cidade cosmopolita, conhecida pelo seu design e moda sofisticados. Um ambiente muito propício para a realização das minhas entrevistas, que foram com diversas empresas”, contou.

2. Como ter sua tese aceita pelo orientador

Despertar a atenção de um pesquisador internacionalmente reconhecido não é uma tarefa fácil. Os doutorandos contam que usaram abordagens diferentes para o contato com seus orientadores. “Pesquisei os professores que tinham a ver com minha área de estudo, e mandei milhares de e-mails. Ao final, realizei entrevistas via Skype com três docentes da Universidade de Nova Iorque e acabei optando por um deles”, explicou Chagas.

Para Homrich, o processo não foi o mesmo. “Minha orientadora conhecia um pesquisador em Cambridge, e me sugeriu entrar em contato com ele demonstrando meu interesse. Mandei e-mail (ela em cópia), ela confirmou minha vontade, e então ele solicitou o envio da minha proposta de pesquisa detalhada para avaliar seu interesse e disponibilidade."
Kuzmenko, por sua vez, “Meu orientador aqui na Poli mandou um material com informações da minha pesquisa para um pesquisador no Politécnico de Milão e este repassou essas informações para seus colegas de departamento, até conseguir um interessado”.

3. Tenha seus objetivos bem definidos

Todos os palestrantes contam que, logo no início da estadia nos países, realizaram reuniões com os orientadores para definir um plano de trabalho para os próximos meses. “Percebi que quem não tinha feito isso ficou um pouco deslocado nas pesquisas”, afirmou Chagas.

Esse tipo de preparação é essencial, segundo Sacchi. “Uma coisa muito comum aqui no Brasil é associarmos a pós-graduação com a carreira acadêmica”, afirmou. “Lá, não necessariamente funciona assim. Meu orientador, logo que cheguei, sentou comigo e perguntou qual era o meu objetivo: se a academia ou a indústria. Uma dica é essa, você explicar logo seu objetivo para quem te orienta”.

4. Preste atenção nas bolsas

Apesar de todos terem conseguido bolsas de auxílio concedidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), algumas das universidades cobram taxas à parte. Para Sacchi, o segredo foi recorrer ao diálogo. “Conversei com o chefe do departamento de lá, e disse que não teria condições de arcar com os custos da taxa. Assim, eles me concederam uma isenção”, aconselhou.

Chagas passou por algo parecido. “Lembro que paguei a taxa, que era em torno de oito mil dólares. Porém, quando meu orientador descobriu que o dinheiro havia saído do meu bolso, me devolveram a quantia exata”, lembrou. Somente a Universidade de Milão, dos três exemplos, não cobra taxa.

5. Networking é essencial

Uma questão unânime entre os doutorandos foi a importância de criar uma rede de contatos. Para isso, ser ativo no grupo de pesquisa, conhecer todos os colegas com quem trabalha, participar de congressos relacionados à área e até confraternizar em happy hours podem ajudar a criar um vínculo com gente importante.

Kuzmenko defendeu. “Dividi meu período na Itália em dois. A primeira parte foquei na integração com o meu grupo de pesquisa: participei de diversas reuniões com a equipe, cursos gratuitos que o Politécnico oferecia e de outras atividades acadêmicas. Isso foi muito importante para construir um networking forte”.

6. Mantenha contato com o orientador mesmo após voltar ao Brasil

Kuzmenko também destacou a necessidade de manter o contato com o orientador. “Ele geralmente é uma pessoa de muita influência no meio acadêmico. Um dos requisitos para a conclusão de um doutorado sanduíche é a produção de um artigo com a coautoria de seu orientador, e isso facilita muito”.