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Fábrica de Software da Poli/USP entra em nova fase

O modelo de Fábrica de Software desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia de Software (LTS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) entra agora em uma nova fase e passa a atender um número maior de pequenas e médias empresas. Os primeiros beneficiados são cerca de 40 empresas de TI (Tecnologia de Informação) incubadas no Cietec - Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, da USP. Estas empresas terão acesso à metodologia sem custos, apenas concordando em fornecer informações para estudos acadêmicos.

“Este modelo começou a ser desenvolvido em 2007 e hoje alcançamos um grau satisfatório de maturidade para expandir o projeto. De lá para cá, 120 profissionais já foram treinados e o modelo vem sendo adotado por sete empresas, que nos geraram dados importantes, inclusive sendo objeto de teses de mestrado e doutorado”, comenta o professor Jorge Risco Becerra, coordenador do projeto e pesquisador do LTS.

Ele explica que o objetivo não é o desenvolvimento de softwares, mas ajudar o pequeno e médio empreendedor a implantar processos dentro do conceito de Fábrica de Software, que se caracteriza por apresentar um modelo semelhante a um processo industrial, baseado em forte metodologia, capaz de produzir e testar o novo software com agilidade e qualidade.

Leonardo Dominguez Dias, pesquisador do LTS e responsável pela implantação do projeto nas empresas parceiras, observa que o grande problema hoje dos desenvolvedores nacionais de softwares, em particular os de menor porte, é a ausência de procedimentos e metodologias. “Há uma falta de informação generalizada: o gestor não sabe em que fase está o desenvolvimento do projeto, quanto ele custará, não há um cronograma, não há um histórico detalhado dos projetos realizados, as fases de cada projeto variam de acordo com o profissional que a está liderando, entre outros problemas gerenciais. O que uma Fábrica de Software busca é criar metodologia e padronização, registrando o histórico dos projetos e disseminando o conhecimento dentro da empresa”, diz.

O modelo criado pelo LTS utiliza diferentes modelos de qualidade e nesta nova fase lançou mão do MPS.BR ou Melhoria de Processos do Software Brasileiro, que é simultaneamente um movimento para a melhoria e um modelo de qualidade de processo para desenvolvimento de software voltado para a realidade das pequenas e médias empresas nacionais. Ele é baseado no CMMI (Capability Maturity Model Integration), nas normas ISO/IEC 12207 e ISO/IEC 15504. Uma das principais vantagens do modelo é o custo reduzido de certificação em relação às normas estrangeiras.

Tudo isso significa que o modelo desenvolvido pelo LTS permite facilmente criar diversos tipos de Fábrica de Software, customizando o modelo para a realidade de cada empresa ou segmento, como por exemplo, para o desenvolvimento de web services, aplicativos para dispositivos móveis e fábricas de objetos educacionais, entre outras. A empresa passa a ter um gerenciamento detalhado de todo o ciclo de desenvolvimento, incluindo a adoção de metodologia, definição e distribuição de tarefas, padrões de qualidade e a verificação de quanto tempo leva cada atividade que é desenvolvida, além do acompanhamento e testes.

Leonardo Dias explica que, além da implantação da metodologia de Fábrica de Software, o modelo também serve para a formação de profissionais. Nesta vertente, o LTS vem utilizando o conceito de Residência em Software, que possibilita ao profissional passar por experiências reais que envolvem o desenvolvimento de softwares, de forma a aperfeiçoar suas habilidades conceituais e práticas. Durante a residência, o profissional é assistido através de coaching (ensinamentos focados nos tópicos interessados, como um técnico preparando o atleta para a competição) e mentoring (acompanhamento durante a realização das atividades em um projeto de um orientador ou conselheiro experiente nos assuntos).

Essa maneira de formar profissionais só se tornou possível devido ao ambiente de Fábrica de Software criado pelo LTS. Neste ambiente, experiências e conhecimentos de projetos realizados ficam armazenados e podem ser resgatados para  a formação de profissionais especialistas. “Imagine um profissional querendo se desenvolver em especificações de sistemas ou em arquiteturas de sistemas. Primeiramente ele irá conhecer o tema e vivenciá-lo através das especificações ou arquitetura existentes na Fábrica de Software. Ele poderá visualizar o impacto dos elementos destes artefatos em outros artefatos do desenvolvimento e criar seu entendimento a partir de situações reais. Após esse período, o profissional poderá executar a habilidade adquirida em projeto real da Fábrica de Software ou mesmo em sua empresa, mas com acompanhamento de um orientador”, explica Dias.

Mais informações: tel. (11) 3091-5200.