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Brasil precisa avançar em Engenharia de Sistemas Complexos

É que o defendeu o físico Sergio Mascarenhas

na 1ª Conferência USP de Engenharia.

O físico Sergio Mascarenhas defendeu ontem (25/10) a criação de uma rede de pós-graduação para formação de doutores e pós-doutores em Engenharia de Sistemas Complexos no Brasil. Trata-se de um ramo do conhecimento que estuda sistemas que interagem entre si e que são complexos. “Precisamos formar professores, gente de alto nível para dar aulas na graduação”, afirmou ele durante participação na 1ª Conferência USP de Engenharia, realizada nos dias 25 e 26 de outubro na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP).

Mascarenhas foi o responsável por formatar e introduzir de forma pioneira na América Latina o curso de Engenharia de Materiais, quando era reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), nos anos 1970. Agora, como coordenador de projetos do Instituto de Estudos Avançados da USP São Carlos, ele apresentou para a Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), agência de fomento do Ministério da Educação, a proposta de criação da pós-graduação em Engenharia de Sistemas Complexos. “Já conversei com o Jorge Guimarães [presidente da Capes] para criar uma rede que junte corporações e instituições como universidades”, contou.

A ideia é formar uma força-tarefa para criar e gerir a rede, que seria multidisciplinar e teria um comitê de supervisão. Segundo o físico, a Capes se mostrou disposta a ajudar, oferecendo inclusive sua estrutura de cursos de educação à distância. Mascarenhas explicou não ser possível ainda fazer um curso de graduação porque não haveria professores capacitados para dar aulas. Esses profissionais precisam ser preparados na pós-graduação. Para isso, será necessário inclusive trazer pesquisadores do exterior, já que não há muitos profissionais dedicados ao assunto no País. “Isso poderá ser uma barreira porque não conseguimos oferecer salários para atrair os estrangeiros”, comentou.

Para o pesquisador, o Brasil está muito atrasado no assunto. Como contraponto, ele citou a experiência dos Estados Unidos com o New England Complex Systems Institute (NECSI), uma parceria entre várias instituições, como Massachusetts Institute of Technology (MIT), e as universidades de Harvard e Brandeis, organizada com o objetivo de formar recursos humanos e fazer atividades de pesquisa e desenvolvimento em Engenharia de Sistemas Complexos. “Este ano estão realizando seu oitavo congresso de engenharia de sistemas complexos. O primeiro foi feito em 1997”, comentou.

Apesar de alertar para o atraso brasileiro no assunto, ele destacou algumas iniciativas nacionais recentes, como de dois Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI): o INCT de Sistemas Complexos e o INCT de Matemática, que tem projetos nessa área. Há também um grupo de trabalho no IEA-USP de São Carlos, que está se articulando com iniciativas internacionais, e o Instituto de Estudos da Complexidade (IEC).

Ele explicou que duas revoluções nas ciências formaram as bases para a Engenharia de Sistemas Complexos. A primeira foi o trabalho do físico e químico Ilya Prigogine, que trabalhou a termodinâmica dos processos reversíveis, formulando a teoria das estruturas dissipativas. Seu trabalho mostrou que, fora do equilíbrio, as equações que regem a Física são irreversíveis. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1977. A segunda revolução foi a teoria da geometria fractal do matemático Benoît Mandelbrot, que supera limitações da geometria euclidiana.

Nos Estados Unidos, a engenharia de sistemas complexos nasceu para ser aplicada na guerra: foi usada em recrutamento, sistemas de armas, inteligência, entre outras. Hoje pode ser útil para áreas diversas: agricultura, saúde, transporte e logística, educação, energia, meio ambiente, defesa, sistema financeiro.

 

Acadêmica Agência de Comunicação