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Laboratório da Poli/USP permite capacitação de engenheiros para exploração do pré-sal

Laboratório de H2S estuda corrosão em materiais usados no transporte de gás natural

Será realizado no dia 2 de dezembro o lançamento do “Laboratório de H2S – Ensaios com gases especiais” do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). O objetivo do laboratório, coordenado pela professora doutora Neusa Alonso-Falleiros, é participar do desenvolvimento de materiais metálicos resistentes para a extração e o transporte de petróleo, gás natural e seus derivados. Segundo a professora, os resultados de pesquisas visam melhorar a segurança no transporte e possivelmente reduzir os custos envolvidos nesses processos.

O laboratório atende a uma demanda externa das indústrias por pesquisas e recursos humanos treinados técnica e cientificamente para atuarem no manuseio desse material, como explica a professora: “Nossa função aqui é criar o material humano. Temos trabalhos de pesquisa que tem como objetivo aprimorar o aluno em vários níveis – Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado -, cada um com o seu projeto, com o seu objetivo e a profundidade científica necessária”.

Neusa Alonso-Falleiros ressalta que o papel do laboratório vai além de testar a resistência do material. “Nosso trabalho é observar os resultados e fundamentar cientificamente, explicando o porquê. Esse é o papel da engenharia: explicar os resultados. Nosso principal produto aqui não é bem o desenvolvimento do material metálico, mas sim o desenvolvimento de recursos humanos, de engenheiros capacitados para entender e fundamentar os processos envolvidos e para ter um melhor desempenho na sua atividade profissional”.

“A extração de petróleo e gás natural é muito dependente da resistência mecânica, tenacidade e resistência à corrosão do material nesses ambientes. Os nossos trabalhos tem sido principalmente nas tubulações usadas no transporte de gás natural, os tubos de aço Alta Resistência Baixa Liga (ARBL). Esses tubos são sempre testados para verificar sua resistência e tem normas bastante rígidas que devem ser atendidas para construir os quilômetros de gasodutos e oleodutos”, explica Alonso-Falleiros. “Por enquanto nós começamos com o aço ARBL, mas já no ano que vem nós pretendemos trabalhar também com aços inoxidáveis”.

Outra contribuição do laboratório, como apontou a professora, é avaliar as microestruturas dos materiais desenvolvidos em outras pesquisas, como as do professor Dr. Hélio Goldenstein, também do Departamento Engenharia Metalúrgica e Materiais, que vem estudando os aços ARBL há muito tempo. “O professor me incentivou a pesquisar essa área. Ele estuda as diferentes microestruturas dos materiais que são obtidas por diferentes ciclos térmicos, mas não tínhamos condições de avaliar  o desempenho das microestruturas obtidas”.

 

A CBMM e a construção do laboratório

O gás que dá nome ao laboratório, o H2S (gás sulfídrico), está sempre presente na extração, transporte, manipulação e produção dos derivados de petróleo e gás natural. De cheiro desagradável, perigoso para a saúde humana e para o meio ambiente, a manipulação do gás exige uma estrutura complexa de segurança para que os experimentos sejam feitos. Um dos focos principais da professora responsável pela criação e pelas atividades do laboratório sempre foi a segurança. “Tivemos vários problemas com a falta de estrutura. Antes da doação dos equipamentos, os experimentos apresentavam vazamentos e ofereciam riscos aos pesquisadores, e por isso eu apresentei muita resistência em fazer esses experimentos, por não trabalharmos com pessoal especializado”, complementa.

Apesar das dificuldades em realizar os experimentos, a prof. Neusa Alonso-Falleiros iniciou a aquisição de instrumentos laboratoriais a partir de 2007, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e montou um sistema de injeção de gases. A Tenaris-Confab, empresa que atua na produção de tubulação de aço ARBL, observando os resultados obtidos mesmo com poucos instrumentos, doou alguns dispositivos experimentais – uma célula de ensaio e dispositivos para ensaios de corrosão.

Então em 2010, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) se interessou pelo projeto, e se comprometeu a doar um novo motor para a capela do laboratório, instrumento que faz a sucção dos gases utilizados nos experimentos de corrosão. Mas a CBMM foi além dessa doação, e contribuiu com todo o projeto de estrutura e segurança do laboratório. Além da capela com sucção exemplar, foram instalados também sensor de gás com alarme de luz e sonoro, luz e tomadas antiexplosão. Todo o gás sugado pela capela vai para um lavador de gases, equipamento que neutraliza o gás antes de soltá-lo na atmosfera, equipamento também doado pela CBMM. “Toda essa construção instrumental foi uma doação da CBMM, que não só forneceu a parte material, mas também disponibilizou engenheiros para participarem do projeto e verificar nos mínimos detalhes todas as questões de segurança”, detalhou Alonso-Falleiros.

O laboratório passou a funcionar a partir de 9 de setembro deste ano. Em 2010 foi feito o planejamento e em 2011 a construção.