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EngenhariaData é lançado na Poli/USP

Coordenado pelo Observatório de Inovação e Competitividade, sistema tem dados sobre formação e mercado de trabalho de engenheiros.

O EngenhariaData – Sistema de Indicadores de Engenharia no Brasil, foi lançado hoje (6 de dezembro), em São Paulo. O projeto é uma iniciativa do Observatório de Inovação e Competitividade (OIC), vinculado ao Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP). O lançamento ocorreu no anfiteatro do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP. Os dados já podem ser acessados no site www.engenhariadata.com.br.

O objetivo do EngenhariaData é fornecer a pesquisadores, gestores públicos, empresas e instituições de ciência, tecnologia e inovação dados sobre a formação e o mercado de trabalho em engenharia, para subsidiar as atividades de planejamento e gestão de políticas públicas destinadas ao aumento das atividades de inovação, com vistas a ampliar a competitividade do País. “Queremos ajudar a dar um pouco de racionalidade ao debate atual sobre escassez de engenheiros, ofertar mais dados. A engenharia vive um momento interessante, ganhou status de discussão pública”, afirmou Mario Salerno, professor titular do Departamento de Engenharia de Produção, coordenador do OIC e do projeto do EngenhariaData.

Além das informações estatísticas sobre a Engenharia no Brasil e no mundo, o sistema desenvolvido pelos pesquisadores do OIC hospedará documentos como análises sobre as séries levantadas e comparações internacionais, produzidos por seus pesquisadores e por outros que tenham escrito sobre o assunto e autorizem a divulgação. Ao longo de 2012, serão feitas ampliações e melhorias no sistema. O Observatório fará uma licitação para compra de banco de dados relacionais, para permitir a realização de cortes setoriais e regionais.

O EngenhariaData tem cinco classes de indicadores: formação; mercado de trabalho; produção científica; pesquisa e desenvolvimento; empresas de serviços de engenharia. Também conta com 150 séries disponíveis para download e cinco serviços – Indicadores; Engenharia em Debate, rede social para discutir os rumos da engenharia, Estudos OIC, em que ficarão hospedadas as análises do OIC e de outros; Biblioteca; Eventos.

A partir das primeiras análises dos dados, os pesquisadores do OIC notaram que houve um aumento de 91% no número de formados no ensino superior por 10 mil habitantes nos últimos 10 anos. O ensino de engenharia segue as mesmas tendências dos demais cursos superiores no que se refere a número de matrículas, concluintes e evasão, contrariando a ideia geral de que muitos estudantes de engenharia abandonam o curso. O número de concluintes dobrou em 10 anos, e a ociosidade de vagas ocorre mais na rede privada de ensino superior. A indústria de transformação “puxa” o crescimento de vagas para engenheiros e os salários dos engenheiros cresceram pouco entre 2000 e 2009.

O projeto do EngenhariaData foi financiado com recursos da própria USP, dentro do programa de criação dos Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAP), da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, e que incentiva os departamentos, faculdades e institutos da universidade a criarem iniciativas multidisciplinares de pesquisa. As propostas são selecionadas por meio de edital lançado para a comunidade USP.

“Falar em inovação é falar em engenharia. Não há como pensar em crescer de forma sustentável se não tivermos engenharia”, destacou Glauco Arbix, presidente da Finep, agência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na abertura da cerimônia de lançamento e apresentação do EngenhariaData. Segundo ele, há elementos hoje que mostram uma mudança na mentalidade dos empresários e sinalizam para a necessidade de o País ter mais engenheiros. Um desses sinais é a soma de R$ 9,2 bilhões em demanda na carteira da Finep. “Há cinco, seis anos, era impossível imaginar as empresas demandando recursos dessa ordem, como vemos agora. Elas tinham muita dificuldade em fazer projetos”, apontou.

Outro dado importante, de acordo com Arbix, está na manutenção do interesse pelos recursos da Finep, apesar do contexto de crise econômica. “Se olharmos a história da Finep, toda vez que economia avança, cresce a oferta de recursos. No BNDES ocorre o mesmo”, disse. “No BNDES, houve uma redução de 25% [na demanda] esse ano, mas na Finep multiplicamos por cinco”, contou. “Pode ser que estejamos vendo uma alteração nas estratégias, no comportamento das empresas, que passaram a se preocupar com o médio e longo prazos e não descartam projetos de inovação diante da primeira dificuldade”, disse ele. “É cedo para afirmar que isso é uma tendência consistente, mas os números são promissores, a demanda é muito forte”, completou.

José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica, lembrou que os alertas dados pelo setor acadêmico sobre uma possível falta de engenheiros são antigos, mas “frutificaram”, como mostram os números do vestibular da Fuvest este ano. “São quase 53 candidatos por vaga no curso de Engenharia Civil da USP de São Carlos, mais do que Medicina. Nosso curso de Engenharia do Petróleo, que foi transferido para Santos, tem 48 candidatos por vaga”, destacou. “A engenharia voltou a adquirir sua posição de destaque com o avanço tecnológico. Espero o apoio das empresas ao projeto EngenhariaData”, disse.

Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós Graduação da USP, lamentou que o Brasil não tenha iniciativa parecida em órgãos públicos ou entidades que representam os engenheiros. “Como trabalhar estrategicamente se nos faltam indicadores? Esse projeto toca em uma área fundamental”, acrescentou César Ades, diretor do IEA-USP. Para ele, o EngenhariaData pode servir de modelo para produção de indicadores de outras áreas de formação superior.

Fernanda De Negri, chefe da Assessoria de Acompanhamento e Avaliação (Ascav) da Secretaria Executiva do MCTI, afirmou que as discussões sobre a falta de engenheiros no País precisam ser mais embasadas. “As empresas reclamam, mas não temos mais informações como e em que área faltam engenheiros, que setores estão sentindo mais fortemente, onde são formados. O projeto vai ajudar a mapear e acompanhar isso”, comentou.