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Reuso para não faltar água

A região Metropolitana de São Paulo, a Bacia do Rio Copiapó, no Chile, a Bacia do Rio Bravo/Rio Grande, no México, e a Bacia do Rio Suquía, na Argentina passarão a ser um laboratório de experimentos para a descoberta e disseminação de novos métodos e ferramentas que estimulem a aplicação de tecnologias de reuso de água no mundo. O projeto, bancado pela União Europeia, chama-se Coroado (www.coroado-project.eu) e é coordenado no Brasil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP).

As regiões escolhidas são estratégicas do ponto de vista do consumo. Este é um aspecto importante sob o prisma da condição atual de preservação dos recursos hídricos, vulneráveis a secas, infraestrutura precária, desperdício, aumento de demanda e mananciais degradados ou inacessíveis. Especialistas no assunto garantem que, se o consumo continuar no ritmo atual, até 2025 mais da metade das nações do planeta sofrerá com a escassez de água.

Segundo a responsável pelo Coroado no Brasil, a professora e pesquisadora Monica Ferreira do Amaral Porto, vice-chefe do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli, o projeto tem um custo superior a 4.500.000 euros e terá quatro anos de duração. “Entre as ações, deverá avaliar as diversas tecnologias de reuso e reciclagem da água, em contraste com tecnologias e capacidade locais; custos e benefícios relativos à prática do reuso; soluções eficientes e economicamente viáveis para o fornecimento de água, e para o combate da degradação de ecossistemas e reservas de água”, explica.

No Brasil, a Escola Politécnica foi escolhida para liderar o projeto em função de sua infraestrutura e competências. Um de seus laboratórios, o Centro Internacional de Referência em Reuso de Água–Cirra, coordenado pelo professor José Carlos Mierzwa, com a colaboração do professor Ivanildo Hespanhol, é reconhecido internacionalmente por seu trabalho na área, assim como a linha de pesquisa desenvolvida pela professora Monica Porto na área de qualidade da água.

O primeiro evento internacional do projeto acontece de 7 a 10 de maio próximo, no Hotel Bourbon, em São Paulo. Trata-se de um encontro de trabalho com representantes das 13 universidades participantes do projeto, nove europeias e quatro sul-americanas. “Haverá um dia aberto para empresários e outros convidados participarem das discussões, como a Fiesp, que tem sido uma grande incentivadora do reuso da água na indústria”, explica Monica Porto.

De acordo com a professora Monica Porto, o relatório final com os resultados do projeto servirá de base para a União Europeia canalizar investimentos em locais com grande potencial de aplicação de tecnologias de reuso. “Pois um dos objetivos do projeto é justamente incentivar o poder público a adotar tecnologias de uso e reciclagem da água”, acrescenta.

Aplicação – A pesquisadora lembra que a aplicabilidade do reuso da água é ampla e deve ser estimulada pelos governos. “Em setores industriais estratégicos, como a petroquímica e a siderurgia, muitas indústrias chegam a reutilizar 90% de sua água, representando também uma grande economia do ponto de vista financeiro", ensina.

A tecnologia tem sido muito empregada também na agricultura irrigada e até mesmo na limpeza urbana. Em São Paulo, por exemplo, ruas do Centro são lavadas com água de reuso. Muitos codomínios têm incluído no projeto equipamentos para o reaproveitamento da água usada pelos moradores na lavagem de roupas ou de alimentos.