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Biodiversidade e Computação, parceria que deu certo

Instituído oficialmente pela Universidade de São Paulo-USP, em 2011, o Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação-NAP BioComp promete ser uma das principais referências para pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em obter pela internet informações sobre biodiversidade e ecossistemas em uma nova linguagem, com riqueza de detalhes e organização.

O Núcleo é liderado pelo professor Antonio Mauro Saraiva, coordenador do Laboratório de Automação Agrícola do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica (Poli/USP), e que também faz parte do comitê técnico do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira-SiBBr, lançado em abril pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Segundo o professor Saraiva, a disposição virtual de informações sobre biodiversidade não interessa apenas a pesquisadores desta área. “Conhecer a diversidade de espécies animais e vegetais em determinadas áreas ajuda o poder público e a iniciativa privada a usar e conservar melhor o ecossistema local, um benefício também sob o ponto de vista econômico”, comenta.

Abelhas - O NAP BioComp começou a ser semeado em 1999, quando o Laboratório de Abelhas do Instituto de Biociências (IB/USP) fez uma parceria com o Laboratório de Automação Agrícola da Poli. O objetivo era dar maior suporte aos interessados em informações ainda incipientes sobre espécies de abelhas sem ferrão, chamadas meliponíneos. O Brasil é rico nestas espécies, que têm grande importância ecológica e econômica por sua característica polinizadora, mas não havia muitos dados disponíveis sobre ela.

A partir daí, começou a ser desenvolvido um sistema, denominado WebBee (www.webbee.org.br), que tornou-se o primeiro banco de dados sobre os meliponíneos na rede, integrando informações em textos, imagens e vídeo. Oferecia ainda dados em tempo real sobre colônias de abelhas do biotério do IB, monitoradas por instrumentos especialmente desenvolvidos para esse fim, um verdadeiro reality show de abelhas. Por conta desta parceria está sendo gerado também um software que será oferecido para grupos de pesquisa do Brasil e que poderá ser adaptado para um grande número de espécies. “A área de informática também tem muito a crescer se inserindo em ações como essa”, acentua o professor Saraiva.

Com o tempo, importantes grupos ligados à pesquisa em biodiversidade passaram a interagir com o WebBee, disseminando informações mais amplas sobre o assunto. O NAP BioComp agora integra oficialmente todos estes grupos. “O núcleo com o tempo se consolidou e instituí-lo oficialmente na Universidade foi um processo natural”, comenta o professor Saraiva. Passaram a compor o projeto a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, o Instituto de Matemática e Estatística, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades e a Prefeitura da Cidade Universitária, na USP, além da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal do ABC. Do IB e da Poli, diversos outros grupos também se integraram.

Sistema Nacional – O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo. Só na flora, o país guarda 55 mil espécies de plantas, 22% das 250 mil do planeta. É campeão também na classificação de mamíferos, com 524 espécies, e de peixes de água doce, com mais de 3 mil espécies. Apesar disso, a questão da biodiversidade ainda não faz parte das principais ações de desenvolvimento. “A parceria da informática com a biodiversidade é muito disseminada no exterior, mas ainda engatinha no Brasil”, afirma Saraiva, que também é representante latino-americano no conselho da TDWG, ou Biodiversity Information Standards.

Esta entidade internacional, entre outras missões, busca desenvolver, adotar e promover a padronização de normas e diretrizes para a gravação e troca de dados sobre organismos. “Existem pesquisas importantes ligadas à biodiversidade que sequer estão digitalizadas e precisamos resolver este problema também”, salienta.

Iniciativas como o NAP BioComp e o SiBBr deverão promover uma maior interação em áreas como Biologia, Computação, Engenharia Elétrica e Matemática, concorrendo para aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade de modo ajudar a preservá-la e usá-la de modo sustentável.

O SiBBr, por sua vez, é coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e tem por objetivo integrar e facilitar o acesso de dados de diversos grupos de pesquisa sobre a biodiversidade e os ecossistemas nacionais que podem, assim, ser utilizados de forma mais intensa e sistemática na elaboração e na implementação de políticas públicas. O Sistema conta com um investimento de 28 milhões de dólares, sendo 20 milhões do Ministério e outros 8 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente do Banco Mundial.