Escola Politécnica da USP

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Coração artificial

Poli participa do desenvolvimento de dispositivo elétrico que auxiliará pacientes que aguardam por transplante do órgão.

Os pacientes que estão na fila do transplante do coração no Brasil devem ganhar nos próximos anos uma esperança para suportar o sofrimento da longa espera por um doador. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), em parceria com o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, está desenvolvendo o primeiro coração “mecânico” brasileiro. O equipamento deverá minimizar o risco de óbito de candidatos a transplante cardíaco no País durante o período que precisam aguardar por um órgão saudável.  

Denominado coração artificial auxiliar, o dispositivo será implantado dentro do corpo de pacientes com doença arterial coronária e trabalhará em conjunto com o órgão natural debilitado. Assim, os dependentes de um transplante poderão esperar pela oportunidade de se submeterem ao procedimento cirúrgico por até cinco anos – a vida útil estimada do aparelho e o limite máximo estipulado para o surgimento de um doador. 

Já fabricado nos EUA, Japão e Alemanha, o objetivo dos pesquisadores é desenvolver um equipamento com tecnologia brasileira para nacionalizar a produção e diminuir o custo em relação ao importado. Além disso, também visa possibilitar que ele possa ser utilizado no sistema público de saúde do País. “O dispositivo importado é extremamente caro e o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem como arcar. Por outro lado, o custo do equipamento nacional será em torno de 1/5 dele”, compara José Roberto Cardoso, que coordena o projeto temático e é professor do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas (PEA) da Poli.

Sistema para recarga - Os primeiros protótipos do dispositivo, cujo tamanho é um pouco maior do que uma bola de tênis e pesa cerca de 500 gramas, começarão a ser elaborados em breve por pesquisadores do Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado (LMAG) da Poli e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. E, após serem testados em animais e em humanos, começarão a ser produzidos no País utilizando um engenhoso sistema magnético para recarga elétrica desenvolvido por pesquisadores da Poli.

Uma bateria externa, acoplada em uma bolsa junto à pele do paciente, produz um campo magnético e por indução carrega a bateria interna, que fica localizada no abdome, fornecendo energia para acionar o motor do equipamento. Esta representou uma das partes mais complexas do projeto. “Como a bateria externa fica em contato com a pele, há o perigo de queimadura e é preciso verificar quais os efeitos que ela pode causar no paciente”, explica Cardoso.

De acordo com o especialista, outra preocupação que os pesquisadores estão tendo para construir o equipamento é criar um dispositivo que alerte o paciente quando a bateria, que tem autonomia de 24 horas, estiver acabando. Por meio de uma vibração, por exemplo, o paciente deverá ser avisado de que precisa conectar com urgência a bateria externa do dispositivo a uma tomada.

O projeto, que foi iniciado em 2008 e tem duração de quatro anos, conta com a participação de dez pesquisadores da Poli, sendo seis deles professores. E demandará recursos da ordem de R$ 2 milhões, provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).