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Abelhas em rede virtual

Projeto reúne dados de espécies nativas do inseto que estavam restritas a coleções espalhadas por todo o País e pelo mundo.

Os biólogos e especialistas que se dedicam ao estudo das abelhas estão descobrindo um lugar ideal para poderem observar e fazer pesquisas sobre a variedade de espécies nativas do inseto existentes no Brasil. Um website, desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica da USP (Poli/USP), está possibilitando que eles tenham acesso mais fácil e rápido a informações integradas sobre a biodiversidade brasileira em abelhas polinizadoras.  

Denominada Webbee – uma corruptela de internet e abelha, em inglês – a rede virtual permite compartilhar dados coletados em diversos trabalhos de campo. Por meio dela, os pesquisadores podem submeter textos, fotos e vídeos para publicação na homepage do projeto, que reúne em um único lugar informações que estavam restritas a coleções públicas e particulares, distribuídas por todo o País e pelo mundo.

“Muitas espécies de abelha estão disponíveis e podem ser encontradas em diversos lugares do Brasil e de outros países”, afirma o coordenador do projeto, o professor Antônio Mauro Saraiva, do Laboratório de Automação Agrícola (LAA) da Poli. “É importante reunirmos todos os dados de uma mesma espécie para podermos estudar melhor a distribuição, os riscos de extinção e o potencial dela”, avalia.

De acordo com Saraiva, atualmente há um movimento mundial para digitalizar e integrar os dados de coleções biológicas de diversas espécies de plantas, animais e outros organismos em redes para possibilitar estudá-los melhor. No caso específico das abelhas, a importância do trabalho ainda é maior devido à percepção de que a biodiversidade de polinizadores está diminuindo no mundo inteiro.

“Se reduzir a quantidade de polinizadores, cujas abelhas representam o principal grupo, a população mundial pode ter problemas sérios de escassez de alimentos, porque muitas plantas dependem delas para polinização”, alerta Saraiva. “Por isso, é importante sabermos o que está acontecendo com elas, monitorá-las, entender sua biologia e como vivem”.

A rede virtual brasileira possui sistemas de monitoramento por vídeo de colônias que possibilitam verificar, entre outros aspectos, como as abelhas se comportam e se comunicam dentro delas. E por meio de instrumentos como o high monitor – um equipamento que possui sensor de temperatura –, também permite fazer contagens e acompanhar as atividades de vôo delas, ampliando as possibilidades de estudo.

“Fazendo esse acompanhamento sistemático das colônias é possível avaliar, por exemplo, o ciclo diurno das abelhas, identificando quando elas saem e retornam, se atividade maior é pela manhã ou à tarde e a influência do clima no comportamento delas, entre outras variáveis”, conta Saraiva.

Atualmente estão integradas à Webbee o Laboratório de Abelhas do Instituto de Biociências da USP, a Embrapa Amazônia Oriental, o Laboratório de Abelhas da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola e a Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Mas o objetivo dos coordenadores da rede virtual de pesquisa é, em breve, abri-la para outras instituições, permitindo que os pesquisadores possam ter acesso remoto e administrá-la de maneira compartilhada.
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